Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

Sardinha, a Quinta do Bispo - Porquê - V

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.494 – 5-Março – 1999

Conversas Soltas

 

 

          Limitar-me-ei hoje a dividir convosco um artigo impresso no jornal “Linhas de Elvas” nº 1563 de 9/1/81. Está assinado por um elvense ilustre de seu nome: Joaquim Tomaz Miguel Pereira.

         Homem de honra, escritor conhecido, poeta de Elvas, que muito embora tenha feito grande parte da sua vida na cidade de Coimbra, nunca, nunca, se alheou da sorte desta sua e nossa terra que ama, estuda, conhece como poucos e, por tais razões não se cansa de defender.

         Com a devida vénia, cedo-lhe gostosamente este” meu” espaço:

 

         “ A António Sardinha, bom português, pelo muito que amou e serviu Elvas “

         E por que não instalar na Quinta do Bispo a Casa-Museu da Grei Alentejana?

         (suprimo a primeira parte do artigo que vou citar e, entro directamente no que mais se liga ao que tenho tentado demonstrar ao longo do tempo sobre o tema em epígrafe)....

         Mas não foi para falarmos do António Sardinha político, poeta, ensaísta, doutrinador, que quebramos hoje um silêncio de vários anos. Foi para falarmos do munícipe elvense que ele foi nos últimos anos da sua fecunda vida, isto é, até 10 de janeiro de 1925, data em que morreu na sua Quinta do bispo, fronteira ao majestoso Aqueduto da Amoreira, ao qual se referiu em páginas de antologia. Aliás, numa atitude que só a honrou, a Câmara Municipal de Elvas dessa altura logo mandou colocar nas seculares pedras desse monumento a lápide que ainda hoje se pode lá ver: «A ANTÓNIO SARDINHA, BOM PORTUGUES, PELO MUITO QUE AMOU E SERVIU ELVAS».

         Tenhamos consciência de um facto: são os homens, os grandes Homens, que constituem a glória de uma pátria. Não é a multidão anónima e manipulada por cabecilhas de ocasião que faz a história ou acrescenta mais uma pedra à construção do edifício nacional. A história de Portugal foi feita por homens que partiam, contra ventos e marés, em pequenas caravelas, em demanda de outros mundos; a história desse colosso que se plasmou em pouco mais de cem anos, os Estados unidos da América, foi feita pelos pioneiros que se dirigiam para o oeste, lutando contra uma natureza inóspita, em frágeis carroças de tracção animal. Em tudo, o que interessa é o homem - o Homem que leva a carta a Garcia, o Homem que se afirma e levanta a voz perante um deserto de    mediocridades , mesmo que tenha que remar contra  marés...

         Elvas teve entre os seus muros um desses Homens, uma personalidade que a serviu e a amou apaixonadamente. Isso nos leva a afirmar que consideramos da maior actualidade a proposta apresentada, em 18 de Outubro de 1978, pela comissão Municipal de Turismo e que o “Linhas de Elvas” transcreveu na sua edição de 3 de Novembro seguinte: «...que pelos serviços competentes, seja preservada, nos estudos de planificação urbanística de Elvas, a Quinta do Bispo».

         Num momento em que existe uma Secretaria de Estado vocacionada para a defesa do património cultural, paisagístico e arquitectónico do País, a Quinta do Bispo  deveria constar, para já, do inventário do que há a conservar e a proteger entre nós. Nela se manteria bem viva a memória do grande Poeta que a habitou – , mas em sua homenagem - , homenagem que bastante grata lhe seria, ao lado de recordações que lhe dissessem respeito, deveria instalar-se um MUSEU DA GREI ALENTEJANA, um museu do Alentejo, Grei e Província que ele cantou em estrofes elevadas de sentimento e de beleza formal.

         Não tem Portalegre, a ”cidade-branca”, a Casa-Museu ”José Régio? Não se conserva no ridente Minho, a casa do torturado de Ceide? Não se visitam, por toda a Europa culta, as casas onde viveram os homens que de si deixaram indelével memória, como as que se encontram, a cada passo, na magnificente Paris (a casa de Balzac, a de Rodin, a de Victor Hugo e tantas outras?...)·             

 Se a Câmara Municipal de Elvas não puder arcar com a realização do proposto, que seja o Estado a actuar nesse sentido, integrando no património nacional, na devida oportunidade, a Quinta do Bispo e dotando-a dos meios que permitam a sua salvaguarda .( o sublinhado é meu )

          Mas Elvas inteira, a menina bonita dos olhos do grande Poeta que a cantou, apaixonada e vibrantemente, terá uma palavra a dizer. O que interessa, para já, é que a Quinta do Bispo, continuando a ser como hoje ainda, mercê do culto mantido pela excelsa Esposa do grande Português que foi António Sardinha, um verdadeiro lugar de Portugalidade, venha a ser, mais tarde, uma prova de gratidão prestada pela “Chave do Reino” a uma das maiores figuras nacionais que nela viveu.

 

         Após esta transcrição pergunto:                                                                                                                          

         Como se pode entender o que se passa com a Quinta?

Se o mais difícil, estava feito. Que era salvar a Quinta da ganância que leva à construção das “ brandoas” que descaracterizam as cidades e sepultam delas a alma e a história…

Como se pode entender o que se passa com a Quinta? - Volto a perguntar!

         Frente à opinião insuspeita de elvenses ilustres que SEMPRE, ao longo dos anos se bateram pela preservação daquela jóia elvense, como se pode entender tamanha reviravolta só para destruir o que todos recomendavam fosse poupado...

         Deixo a interrogação.

         Responda quem souber.

         É que eu não vislumbro resposta

 

 

 Maria José Rijo

 

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 16:45
| comentar
1 comentário:
De Xavier Martins a 7 de Junho de 2008 às 02:36
Li o seu comentário e compreendo-a de alma
feita e sentida nesta perda desumana.
Chego a pensar que o poder local nem sempre
caminha ao lado da história - muitas vezes
arranca a história do caminho - mas não a pousa
ou no lado esquerdo - ou no lado direito - NÂO-
segundo eles o melhor e passar por cima e arrasar
tudo como um tornado ou então arrancar tudo
pela raiz para que com o tempo - apodreça -
definhe e caia no chão irrecuperavel - pelo que vi
quando estive em Elvas e no que resta da Quinta
- o caminho está a fazer-se a passos largos -
para a destruição ...
Lamento imenso ma quem pode fazer... nada faz
apenas aplaude sempre que cai uma árvore, um
azulejo...

Nem sei que lhe diga...

Mas uma defesa excelente - como o é todo
este blog.
Seu admirador

Xavier Martins

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