Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

“Adeus Quinta do Bispo-(para ser cantado com a música de Elton John)

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.444 – 13 - Março - 1998

Conversas Soltas

 

“Adeus Quinta do Bispo "-

(para ser cantado com a música

de Elton John)

 

         Adeus Quinta do Bispo...Adeus!

         Mal sabias quando nas tuas árvores te revias

         Ao florir em cada Primavera

         Que para os homens a quem sorrias

         Só a força do dinheiro impera!

        

Adeus Quinta do Bispo,...adeus!

Respiras história, saudade, falas de bispos, poetas. -

        Fazes parte da cidade.

 

        Adeus Quinta do Bispo...adeus!...

         Assim se matam cidades, morreram civilizações    

                                               

         E nascem as provações da gesta        

            Que matam a paz dos tempos

         Os vindouros hão-de sussurrar a dor sem remédio

            De encontrar cimento sepultando o pensamento

            E não terão lágrimas que cheguem para chorar

            O que jamais se poderá recuperar

 

            Adeus Quinta do Bispo! Adeus!       

         Adeus - Rosa de Portugal !...            

         Adeus Rosa de Elvas, – Good  Bye !

 

            Como uma vela no vento

         Te perderás nas brumas do tempo

           O futuro te chorará sem remédio!

         Serás lenda, em versos te cantarão!...

         Mas serás vergonha - como sempre é a traição...

 

           E o chão bento da Capela

         De orago a S. Sebastião

         Que às “Invasões Francesas” foi poupado

            Duma vil profanação 

            Será profanado, agora, pela nossa própria mão...

            Adeus Rosa de Elvas!

            Adeus Rosa de Portugal!

         Good bye!

….

.

Almeida Santos, actual Presidente da Assembleia da Republica – uma das maiores inteligências de Portugal; Homem de cultura e saber absolutamente indiscutíveis - quer se goste ou não do seu percurso político - acaba de publicar um livro a que deu um título curioso : «- Preocupem-se por Favor.»

         Então eu, tendo entendido pelas palavras de apresentação da obra, (que escutei) de como, a todos nós, cabe a preocupação que só transformada em acção terá sentido – de defender este País, que é o nosso, de toda e qualquer agressão...

         Então eu...que acredita que nada acontece por acaso... Pensei: este recado é também para mim!

         Depois, quis mistificar a leitura da mensagem que acabava de me tocar enleando-me em considerações, tais como: - tu já disseste, tu já fizeste, e de nada valeu, etc. etc. etc...

         Pois é verdade que fiz, é verdade que disse, porém, sinto que, contra tudo e contra todos, – até contra a minha própria comodidade devo voltar ao assunto.

         E porquê? - É a interrogação natural – a que respondo:

         Eu pretendi lutar pela Quinta dentro dos moldes que entendia serem justos – respeitando os interesses da Cidade, da nossa Cidade. Quis salvar a Quinta pelo que ela representa – verdadeiramente.

         Melhor dizendo:

         Pretendi que a Quinta do Bispo se salvasse a si própria pelo peso que tem na história de Elvas, pelo local em que se situa, pela qualidade do desenvolvimento cultural e turístico que podia propiciar à nossa Cidade. Em resumo – por uma série de factores que, a meus olhos, estavam, e estão, à altura do seu merecimento...

         Posso ter sido mais ou menos feliz, nas minhas tentativas...

         Porém, reconheça-se – nunca usei nomes, nem ventilei números de cheques, importâncias de comissões, fotocópias de cartas, ou quaisquer documentos – porque, essas, não são contas do meu rosário, nem fazem parte do meu entendimento de rectidão na defesa de ideais.  

Não o fiz então, nem o faria agora! -. Nunca o faria! - Porque a Quinta do Bispo teria – (ou terá?) que ser salva pelo que representa e os esforços para o conseguir só poderiam ser à altura dos valores espirituais de que ela pode dar testemunho. A Quinta vale pelo que vale! E o seu actual proprietário – que em certa medida também foi vitima – facto que é preciso não esquecer – tem o legitimo direito de vender a peso de ouro, se o entender, toda a área que vai ficar separada pela avenida que a vai atravessar (e só não foi feita em vida da senhora dona Ana Sardinha por interferência do senhor Dr. Teotónio Pereira, que muito estimava a respeitável Senhora como pessoa admirável que era, e como viúva de António Sardinha)

Todo o resto, teria que ser património da Cidade a que pertence!

“Por favor! – Preocupem-se.!..”.

         Talvez outros métodos tivessem podido dar outros resultados, talvez! - Porem, é minha convicção que agir em nome de direitos também impõe deveres. Mais uma vez, estou tentando servir a cidade como posso e sei. De forma pouco realista para os tempos que correm - talvez - mas séria e  limpa como o que me motiva merece e, se me permitem - eu também !

         Todos nos lembramos ainda da triste experiência das gravuras do vale do Côa

O que para um partido político estava certo, para outro estava errado!

         Quando um Pais se joga assim aos dados mal vai esse Pais...

         Uma Câmara consegue libertar da fúria dos interesses cegos um espaço carismático de uma região, outra, mostra a sua eficiência desfazendo o que a primeira conseguira por justo convencimento. Não se cuida aqui de fazer melhor! - Trata-se de evidenciar a capacidade de mando que destas atitudes se julga poder extrair. E, assim se usa por vezes o poder sem virtude e sem nobreza, transformado apenas numa pobre demonstração de autoritarismo despido de senso e de razão, vazio de sensibilidade.

         Breve, muito breve, virá outro partido, que irá descobrir que se não respeitar ideias alheias (porque as próprias serão sempre as mais brilhantes no seu convencimento) será ainda mais poderoso e importante, mais admirável! 

         Moverá céus e terra para o demonstrar e outro plano de pormenor mais afoito surgirá...

Daí que, destes processos, se conclua: - ou a Quinta do Bispo se salva porque as pessoas entendem que há valores que o dinheiro não paga, ou jamais qualquer parcela da nossa terra, por mais sagrada que seja, estará segura, tenha ela o significado que tiver Almeida Santos sabe o que diz:

“Por favor – Preocupem – se!”

.O funeral que aí vem, vai passar à nossa porta...

Goodbye! Quinta do Bispo -Goodbye!....

 

Maria José Rijo

 

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 23:42
| comentar
1 comentário:
De Xavier Martins a 10 de Junho de 2008 às 13:34
Estou deveras fascinado - encantado com este seu
blog.
Os seus textos são pura verdade - pura honestidade
e isso dá-me que pensar - pensar em como os
elvenses não se levantaram para defender a
Quinta de Sardinha.
Ja me tenho perguntado - qual seria a razão de
que todos assisteissem impávidos e serenos a esta
derrocada.
Foi o património elevense que ruiu !
e pelo que pude ver - enquanto caminhei por aquele
espaço... é de dar dó!
Fico pasmo... sem palavras... desanimado com
tudo isto e nem sei que lhe diga - talvez que
lamento que os portugueses em geral - e os
elvenses em particular façam tão pouco caso
do pouco que temos de património, uns destroem
porque sim, outros porque não tem sensibilidade,
outros porque não gostam e a maioria porque se
encolhe e porque prefere ser cobarde a olhar a
verdade ali - defronte dos olhos.

A si Dona Maria José que não conheço, nem sou
elvense - mas que lamento o fim da Quinta do
Bispo - do que foi a vida de um poeta que morreu
sem que a maioria dos elvenses de hoje (alguns
nem de nome o conhecem) saibam um único verso
seu.
Mas a si Dona Maria José um LOUVOR - e muita
admiração por si, pela sua corajosa cruzada de
amor que enelteceu e elevou a Quinta do Bispo
- a caminhar (agora) pela Internet e dá-la a
conhecer ao mundo. Os meus Parabéns por este
blog - fazer história e contar verdades.

Com imensa admiração
Xavier Martins

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