Domingo, 27 de Abril de 2008

No Diário da República

Diário da Republica

Sexta-feira – 23 de Janeiro de 1998

Nº 19/98

I – B série

 

.

SUMÀRIO

 

Resolução do conselho de Ministros  nº 11/98:

 

Ratifica o Plano de Pormenor da Quinta do Bispo, no município de Elvas

Pág 255 a 259

 

 

 

 

 

 

 

 

sinto-me:
música: Diário da Republica
publicado por Maria José Rijo às 23:17
| comentar | ver comentários (1)

IDEIAS PARA UMA CAMPANHA

“O acaso é a única coisa que nunca acontece por acaso”

(frase célebre do Sr. Professor Dr. Tiago de Oliveira)

 

Acaba o Sr. Arquitecto Paulo Barral de me lançar um surpreendente repto, com um recado, que dele recebi, pendurado na conjunção: se.

No “se” de Kipling (na tradução de F. Bermudes) diz-se:

“Se podes conservar o teu bom senso e a calma Num mundo a delirar, p’ra quem o louco és tu!”

(…) “Se podes encarar com indiferença igual o Triunfo e a Derrota – eternos impostores”

(…) “Se és homem p’ra arriscares todos os teus haveres

          Num lance corajoso, alheio ao resultado

          E calando em ti mesmo a mágoa de perderes

          Voltas a palmilhar todo o caminho andado”

 

- Estes “ses” – eu entendo.

O “se” de V.Exª não estou a perceber.

V.Exª que tive o gosto de conhecer e vi, à beira do Guadiana sonhando a ponte da Ajuda…

V.Exª. que foi Deputado da Nação, pelo partido socialista…

V.Exª que é – sem favor – brilhantemente inteligente, ágil de raciocínio, cauteloso e prudente, como um belo tigre caçador – sabedor do seu ofício até à habilidade do pormenor – manda … que me digam que “Se” eu fizer voltar à Quinta do Bispo o espólio do notável escritor António Sardinha – será V.Exª. a não permitir que a Quinta seja maculada?!

Que poderei responder?

Que me sinto o rato nas mãos do felino caçador?

Ou, deverei perguntar se sem anéis de deverá cortar, por inútil, a mão?

O Povo reza o contrário e sempre assim o defendeu; vão-se os anéis – fiquem os dedos!

Ou é que eu deveria brincar prometendo:

Dê-me V.Exª as sotainas do célebre Cónego Aires Varela (Autor do Theatro das antiguidades de Elvas, onde todos os estudiosos da história da nossa terra vão beber sabedoria) e, como é conhecido, foi também dono da referida Quinta – e, então, eu afirmarei que V. Exª foi genial – porque – como me mandou elucidar – não deixou subir a mais de quatro pisos a cércia dos edifícios propostos para o anunciado desastre.

Ora, acontece que, a hora não é de chistes.

A hora é de salvar a Quinta. E, tudo o que para tal se fizer merecerá apenas o C de certo (sem foguetes nem estrelados protagonismos) – o C rotineiro e discreto do quotidiano anonimamente cumprido com rigor.

Mas… se eu não sou dona de certezas e, apenas, responsável pela obrigação de honrar as minhas convicções que aceito perfeitamente sejam ou não ajustáveis a outras tão legítimas, quanto as minhas – desde que assumidas com a mesma clara frontalidade.

Assim sendo – e é! – Fiquei a olhar o gesto de V.Exª como um sinal de esperança e… ouso atrever-me a pedir:

Por favor, use a sua influência junto da Exmª Câmara para que se salve tão respeitável património!

Vamos tomar consciência de que não está a jogar qualquer desafio – mas – apenas a pensar na urgente necessidade de poupar, o que ainda for possível para transformar Elvas o mais rapidamente que formos capazes num importante pólo turístico.

Vamos ter a coragem de encarar agora que, com o (I.P7) que vem aí já! – jà! Elvas corre o risco de ficar estática, a olhar o progresso passar a seus pés – como aconteceu com os belos fortes!

Sem interferência – apenas como eles – silhuetas nobres de referência histórica.

Vamos sentir de mãos dadas que estamos a viver a hora decisiva de apostar forte na qualidade impar das nossas diferenças – que há que respeitar e nunca, por nunca apagar.

Peço V.Exª que se organize uma comissão para a compra da Quinta entregando-a depois à cidade.

Não é mecenas só quem dá milhões!

Também é mecenas quem dá uns tostões!

Peça, por favor, à Senhora Vereadora da Cultura – que é mulher e é professora que ponha a rolar a bola de neve.

Que promova (com os seus pares) uma campanha de sensibilização da criançada e dos jovens para o valor e defesa do património.

Vamos fazer que cada criança feche na sua pequena mão uma semente e, ao fazê-lo, sonhe a árvore!

Vamos despertá-los para que escrevam a todas as escolas do nosso País, contando coisas de Elvas, da história à gastronomia! – Vamos alargar essa campanha até onde for possível – ou, – até – ao impensável!

Convidaremos cada um que o queira fazer a dar apenas o custo dum bolo, o dinheiro dum gelado uma velha simbólica que faça a “bola” crescer e rolar….

Vamos espalhar aos sete ventos que aqui, entre nós, em Monsaraz há uma reserva protegida de oliveiras milenárias! – (último reduto na Península)

Vamos abrir-lhe o coração para essas realidades.

Oliveiras com mais de mil anos – e vivas!

Vamos falar do castanheiro de Guilhafonso – ao pé da Guarda – que já vivia quando Vasco da Gama ia, mar fora, nas caravelas e hoje é tão majestoso que são necessários 10 a 12 pessoas de braços abertos para lhe abraçar o tronco!

Vamos dizer-lhes que o plátano da Quinta do Bispo tem o tronco bifurcado porque, há mais de cem anos, alguém desejou que o frágil “mamão” que atrevidamente lhe nascera, ganhasse envergadura suficiente para um cabo de enchada. Disso se distraiu e, quando nele voltou a reparar e o viu viçoso e forte lhe respeitou a vida que o tem sustentado até hoje!

Coisas aparentemente tão pequenas…

Vamos sonhar num Museu agrícola com actividades próprias – de onde possa sair um cortejo etnográfico que conte das nossas raízes rurais com a narração figurada da quase mítica, saga do pão, do azeite, da pastorícia, do queijo, etc.

Vamos admitir que essa seria a “parcela” constante duma Bienal a criar em Elvas com todas as outras componentes artísticas (escultura, pintura, música, etc, etc…)

Tanta coisa! … Tanta coisa…

Gente com ideias, não falta por aí. Ás vezes, apenas, felizmente para elas, com menos tempo do que eu tenho, para as fiar…

E… com uma referência do “Hissope” – de António Diniz da Cruz e Silva – a “Esta Elvas” que, por gosto, servimos…

“… mil cidades

      Mil povos deixa atráz, até que chega.

      Da famosa azeitona à grande terra”

Vos deixo – não antes de tornar pública a minha gratidão a António Magéssi – que, para além da qualidade da sua escrita se enquadra perfeitamente na visão de Kipling…

“Se quem conta contigo encontra mais que a conta”…

E, logicamente, de referir também a consideração que mereci ao Sr. Arquitecto Barral – com o recadinho que estou também a agradecer.

 

Maria José Rijo

..

Jornal Linhas de Elvas

18 – XI - 1994

 

sinto-me:
música: Ideias para uma campanha
publicado por Maria José Rijo às 22:32
| comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

Não há quarta sem Quinta

O processo do loteamento da Quinta do Bispo está longe de ter chegado ao fim.

Em termos políticos nada é ainda definitivo e a contestação popular do loteamento continua. Os defensores de Sardinha e da Cultura arrancaram com uma campanha para adquirir a Quinta e Rondão Almeida está disposto a contribuir, se a compra e a recuperação fossem possíveis.

 

Rui Cambóias

.....

Para LER este artigo

.

Jornal Linhas de Elvas

De 18 – Novembro de 1994

O Correio e os Cheques

 

José Miguel Sardinha é sobrinho – neto de António Sardinha e reside em Lisboa. Dirigiu-nos esta semana. Primeiro via telefone, depois escreveu “ponho de forma inteiramente gratuita a minha formação profissional de advogado com larga experiência no domínio do Direito Administrativo e do Direito do Urbanismo, para impedir a consumação de tamanho crime urbanístico. Com esta minha actuação pretendo, mais do que salvaguardar a memória do meu tio-avô António Sardinha, contribuir para criar um verdadeiro movimento cívico dos Elvenses em defesa dos valores culturais da sua terra.

 

Quem pretende vir também na linha de salvaguarda de Quinta é Matilde Rosa Araújo que leccionou na Escola Técnica em Elvas. Esta professora, em carta enviada à nossa colaboradora Maria José Rijo refere a determinada altura, “temos tão poucos redutos da memória cultural do nosso povo, dos nossos poetas e artistas que não podemos deixar perder um lugar que apresenta no seu historial tantas razões para ser salvaguardada”.

 

Como resposta à campanha lançada na passada semana por Maria José Rijo já começaram a chegar algumas importâncias monetárias a este semanário. De entre estas será de destacar um cheque de 200 mil escudos enviado pela nossa leitora Maria Del Carmem Baena Nunes da Silva Cruz Almeida.

De fora chega também outra manifestação pública contra o loteamento. Duas dezenas de elvenses radicados na capital endereçaram esta semana à redacção um abaixo-assinado onde salientam ser preciso preservar a todo o custo a qualidade de vida da nossa cidade e o seu valor histórico-cultural”.

Rui Cambóias

 

 

sinto-me:
música: Não há quarta sem quinta
publicado por Maria José Rijo às 22:15
| comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

António Sardinha (1888-1925)

 

 

sinto-me:
música: António Sardinha
publicado por Maria José Rijo às 00:21
| comentar | ver comentários (3)
Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Comunicado da Câmara Municipal...

Em resposta ao artigo anterior de Manuel Carvalho

---

Publicado no Jornal Linhas de Elvas

3 - XII - 1994

@@@

Comunicado de 21 de Novembro de 1994

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 23:58
| comentar

Eu loteio, tu loteias… nós loteamos

Eu loteio, tu loteias… nós loteamos

Com Texto – Manuel Carvalho

18 – XI – 1994

Como vão longe os tempos em que se podia dizer “o sonho comanda a vida”, entrámos na vertigem do lucro fácil e a qualquer preço. Ao nível das centenas de terrinhas deste País de autarcas sob suspeita – alguns já detidos até – não há nada tão na moda do que ter ou comprar um terreno, uma horta, um olival ou uma quinta e pensar que… um dia, com um loteamento à maneira, tudo se pode transformar em casinhas, muitas casinhas, o mais amontoadas possível. É um negócio esperado por tanta gente, disposta a vender-se e a comprar pessoas na mira de poder encher os bolsos.

Cá está. É o “eu loteio”.

Só que, nestes processos onde a burocracia impera, há sempre uma outra parte: aquela que pode autorizar ou impedir a transformação desejada. Uma missão terrível, para que se exige uma isenção máxima, protegida por betão, à prova de todos os aliciamentos. É a tarefa nobre de quem decide muitas vezes a favor do progresso, mas de quem sobretudo se espera ser capaz de fazer frente, para evitar os atentados que destroem património irrepetível.

Cá está. É o “tu loteias”.

Até aqui, tudo bem. O pior, quando vem, vem depois. E vem vezes demais, surge no momento em que o dono do terreno e a entidade licenciadora começam a namorar, acabando por descobrirem que o melhor é mesmo marcarem a boda e juntarem os trapinhos. Com frequência já sem pudor nenhum. Á vista de toda a gente.

Cá está. É o “nós loteamos”.

Só assim pode acontecer que um construtor obtenha o aval para uma obra discutível e, depois de atacado por grande altruísmo, acabe por oferecer uns milhares de contos à mesma autarquia e esta, reconhecida e emocionada, acabe por retribuir com um diploma de honra lá da terra para o benemérito…

Só assim pode suceder que o dono de um terreno loteável se ofereça para pagar a uma autarquia uma despesa de centenas de contos, com a edilidade a aceitar a oferta e a fazer umas flores com ela, quando já se prepara para se debruçar sobre a viabilidade do loteamento em causa…

.

Neste País de autarcas sob suspeita, não há nada mais aliciante do que ter um terreno e pensar que… um dia, com um loteamento à maneira, se pode transformar em muitas casinhas amontoadas.

.

Só assim se pode ver algumas pessoas a fazerem rotações de 180 graus nas suas conhecidas posições públicas de muitos anos, precisamente quando já tem projecto para lotear o seu belo terreno…

Só assim se pode dar aquele cúmulo da distracção que consiste na autorização concedida por uma edilidade em relação à valorização de um terreno, cujo proprietário, dias depois da graça recebida acaba por vender uma outra propriedade sua ao próprio edil, que logo inicia umas vistosas obras sem licença…

.

De acordo com a informação recebida todos os dias, os protagonistas desta conjunção no plural do verbo “lotear” então espalhados por muitas terrinhas deste País. Alguns, talvez ainda embriagados pela maneira inesperada como chegaram às cadeiras do poder, pensam que lá na terrinha só há papalvos, proibidos de ver, ouvir, pensar, falar e escrever. Por isso, quando alguém denuncia qualquer coisa no âmbito da comunicação social, esses ilusionistas ainda hão-de ser capazes de dizer que a culpa destas promiscuidades é de quem é de quem aponta o mal, nunca é de quem o faz.

 

 

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 00:28
| comentar | ver comentários (2)
Domingo, 20 de Abril de 2008

Carta -- Dr. João Falcato

Senhor Director do Jornal

Linhas de Elvas

 

Exmo. Senhor:

 

Vivi em Elvas bastantes anos. O meu contacto diário com alunos e famílias deu-me razões para uma recordação muito grata desse tempo.

Afastado por deveres profissionais, Elvas continuou a ser para mim a referência duma das melhores épocas da minha vida. Hoje ainda, já lá vão bastantes anos, sinto-me ligado à cidade como se ela fosse a terra do meu segundo lar.

Desejo que Elvas não venha a perder nunca algumas dessas características e desse testemunho do património que sempre fizeram dela uma das mais lindas urbes de Portugal.

 

A Quinta do Bispo é um dos elementos ricos e significativos do património elvense. O seu significado transcende os interesses locais. Não esqueçamos que há séculos ali decorreram vidas que fazem parte dos factos nacionais.

Preservar esse recinto, embelezá-lo é dever de todo o elvense. Destruí-lo, não – tal atentado só pode passar pela cabeça de quem tem por culto valores do cimento armado que levam a rendimentos materiais, desprezando os valores espirituais.

 

Uma terra só é rica quando sabe conservar as suas tradições, preservando-os dum falso progresso.

Associo-me, pois, àqueles que estão levantando a sua voz para  que Elvas não fique empobrecida sob o argumento falso da melhoria de condições de vida.

Aqui estou, portanto, a comparticipar com a importância de 500.000$00 (quinhentos mil escudos), esperando que em breve sejam alcançados os objectivos desta cruzada de amor pela sua terra, em boa hora levantada pela senhora D.Maria José Rijo.

 

Com os melhores cumprimentos

 

João Falcato

 

JORNAL LINHAS DE ELVAS

Carta Dr. João Falcato

sinto-me:
música: carta nº 6 - Dr. João Falcato
publicado por Maria José Rijo às 20:31
| comentar | ver comentários (2)

Carta de Matilde Rosa Araújo

Maria José, Boa Amiga

 

Venho escrever-lhe tão tarde!

Perdoe – para lhe dizer quanto compreendo o seu desgosto ao defender o não loteamento da Quinta do Bispo com tanta paixão.

 

Quando tive a felicidade de estar em Elvas, como professora da escola técnica, para além de todo o bem que aí encontrei na escola, na cidade, na paisagem tive, também, a alegria de a conhecer e a seu marido cuja amizade não posso esquecer. Com saudade!

 

A Maria José com gentileza e carinho, e orgulho na sua terra, levou-me a conhecer a Quinta com todo o seu encanto paisagístico e cultural.

Temos tão poucos redutos da memória do nosso povo, dos nossos poetas e artistas, que não podemos deixar perder um lugar como a Quinta do Bispo que apresenta no seu historial tantas razões para ser salvaguardada.

 Penso que tudo se poderá rever neste desencontro de vontades como a paz daqueles que buscam com amor, a solução para causas justas. E tudo conciliar.

E confio, Maria José, vejo, de longe do tempo, a doce Senhora que me recebeu com tanta ternura, a envolvência dos livros, das árvores, do plátano irmão daqueles que ali se albergaram há tanto.

 

Elvas, merece ter, preservar este canto de grande memória cultural que já tantas terras perderam.

 

Abraço-a Maria José, com ternura e admiração.

Espero que a sua luta, sem armas, lhe entregue as flores que merece a sua Elvas, que tanto tem defendido com amor e isenção.

 

Um beijinho muito amigo da

Matilde

sinto-me:
música: carta nº5 - Matilde Rosa Araújo
publicado por Maria José Rijo às 19:44
| comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

MAIS UMA CARTA E… um cheque

Continuam a chegar – tanto à nossa redacção como à residência da nossa colaboradora Maria José Rijo – os testemunhos de apoio inequívoco ao não loteamento da Quinta do Bispo.

No princípio desta semana, um leitor habitual do “Linhas” em Coimbra enviava a Maria José Rijo uma carta, cuja principal passagem aqui transcrevemos:

“ Permita-me que manifeste, por intermédio destas desvaliosas palavras, todo o meu apoio e sincera admiração pelo modo como tem actuado no tormentoso caso da “Quinta de António Sardinha”. Teria desejado traduzir esse apoio numa presença efectiva em órgão da imprensa local. Confesso, porém, que me encontro presentemente de todo desmotivado (e por vários títulos) dessa colaboração. Por outras palavras: no horizonte da minha vida, “Elvas cada vez mais longe me vai ficando”…

No entanto, para não ficar fora de todo, venho pedir a V.Exª. que considere, no montante da subscrição para a compra da Quinta do Bispo, a minha contribuição de cem mil escudos. Remetê-la-ei quando V.Exª dela necessitar.

Agradeço que qualquer referência à mencionada contribuição se processe através da simples menção de “Um anónimo – Coimbra”.

 

Respeitando pois a vontade de anonimato, anotamos o contributo de mais estes cem contos para a campanha de aquisição da Quinta do Bispo pelos amigos de Elvas. Uma campanha que entretanto se viu enriquecida com mais um cheque, no valor de 20 mil escudos, entregue na nossa redacção pelo engenheiro João Carneiro Pinheiro.

Assim, em jeito de balanço, aos 853.945$00 que já haviam sido contabilizados nas semanas anteriores, há que juntar agora mais estes 120.000$00, pelo que neste momento o total é já de 973.945$00.

Quase sem darmos por isso, qual “formiguinha laboriosa”, a campanha da Quinta do Bispo aproxima-se rapidamente do primeiro milhão de escudos….

...

Jornal Linhas de Elvas

publicado por Maria José Rijo às 22:23
| comentar | ver comentários (1)

EU E AS COISAS… JOÃO GÓIS…

………………….......................................................

Mas o “bichinho” da política nas suas intervenções está-lhe no sangue.

Diria em determinada altura que o que estava ali a acontecer era cultura, cultura não é só a Quinta do Bispo como alguns cultos jornalistas querem fazer crer. Mais uma vez se referia aos cultos que escrevem sobre o tão falado caso da Quinta do Bispo. Mas uma coisa me ficou na memória em determinada passagem da sua intervenção. Enalteceu as qualidades do Sr. Virgílio Barroso, não teve relutância nenhuma em dizer publicamente que foi o seu primeiro patrão, é deficiente, “ também eu sou há bastantes anos, mas a nossa deficiência é visível, ao contrário de alguns cultos que são deficientes da cabeça”

.

Jornal Linhas de Elvas

“Falas” do Sr. Presidente – citadas por João Góis

18-11-1994

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 21:25
| comentar | ver comentários (1)
Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Câmara insensível à Cultura?

Um dos muitos inconvenientes da Democracia, quanto a nós, é a autoridade que ela confere às multidões, neste caso ao eleitorado que, por vezes, pouco esclarecido, a outorga a qualquer um através do voto.

Assim, o Poder passa a ser exercido por delegacia em pessoas que nem sempre são as mais indicadas para o exercer.

É toda a força dos partidos com o oportunismo das suas clientelas.

Isto a nível dos governos e também das Autarquias, estas ultimamente férteis em fornecer grandes “Manchetes” aos meios da Comunicação, por coisas que acontecem e que não deviam acontecer.

Na nossa, pela aposta do seu Presidente num falso progresso, uma coisa parece que vai acontece.

É o “crime” do loteamento da Quinta do Bispo, património cultural da cidade de Elvas, onde o insigne escritor e pensador que foi António Sardinha que escreveu toda a sua obra, que se pode considerar um autêntico monumental da Cultura Lusíada.

O “Literato”, como teimosamente insiste em chamar-lhe Presidente, é hoje parte integrante da literatura nacional e, a alguns, até superou.

A “esta Elvas” como ele amorosamente lhe chamava, parecem estar reservadas grandes surpresas, pela acção deste executivo cujo conceito de progresso atinge a sua máxima expressão apenas nas flores de cimento armado.

O reino do betão, que apenas serve os interesses de uma nova vaga da alta finança agora surgida em Portugal, não pode nem deve atropelar o primado do espírito, da inteligência, da cultura e de todos os valores históricos de qualquer País.

Lotear a Quinta do Bispo, o mesmo é dizer que a construção se irá prolongar em toda aquela zona até ao Santuário do Senhor Jesus da Piedade que, a breve trecho, se verá também rodeado de imponentes edifícios e até, quem sabe, por mais alguma unidade hoteleira.

Na nossa autarquia não haverá um vereador(a) do pelouro da cultura, que tenha uma palavra a dizer sobre o assunto?

Será por incompetência, o que deve ser o caso, ou não passará de mais uma “marionette” nas mãos do Presidente?

Ou nos enganamos muito ou a nossa Câmara está a ser governada com poderes discricionários.

É que o Socialismo e a Democracia pressupõem um certo respeito pela liberdade dos outros na defesa dos princípios e dos valores em que acreditam.

Se assim não for este tipo de Democracia está fielmente retratado na definição de um grande pensador francês quando lhe chama o “Património da Mediocridade”.

O presidente do actual executivo tem que repensar bem a ideia do loteamento da Quinta do Bispo, porque ali continua presente a memória desse grande vulto das letras nacionais, que foi António Sardinha.

O polémico assunto, que já no tempo do executivo de João Carpinteiro tinha sido apresentado pelo actual proprietário da Quinta, ouviu um rotundo “não”, para preservar valores que devem estar muito acima dos míseros interesses particulares.

Nobre atitude por parte de uma autarquia que continua a ser acusada de incúria por tudo o que se relacione com Elvas.

A última é a afirmação no esclarecimento feito pelo chefe do executivo a essa grande Senhora que é a D. Maria José Rijo e que tem sido uma intemerata defensora daquele espaço para o qual, a sua grande sensibilidade, deseja outro destino que não seja o de uma sementeira de tijolos a dois, a três ou a quatro pisos.

Dizia o referido comunicado que o actual executivo veio encontrar as muralhas e outros monumentos num estado de devastação como o que foi deixado pelas invasões Francesas.

Face a este exagero também podemos fazer, se nos é permitido, uma comparação histórica.

Se as coisas continuarem assim, com toda esta dinâmica de progresso (?) atropelando certos valores, este executivo corre o risco de imitar o cavalo de Átila, Rei dos Hunos, que segundo reza a lenda, onde pisava jamais crescia erva.

Por tudo isto somos forçados a criar aqui um grande pensamento, dele masmo, António Sardinha, inserto nas páginas brilhantes de uma das suas obras, quando se referia a certos acontecimentos da época: “Sofremos uma estiagem de personalidades – sufoca-se debaixo de uma nuvem de medíocres aparatosos”.

Parece que eles ainda continuam por aí, para perpetuar a espécie.

 

 @@

Jornal Linhas de Elvas

11-Novembro- 1994

 

sinto-me:
música: Artigo de apoio - António Magéssi
publicado por Maria José Rijo às 22:08
| comentar | ver comentários (1)
Domingo, 13 de Abril de 2008

QUINTA DO BISPO – O episódio final?

 

A questão do loteamento da Quinta do Bispo, lançada nestas últimas semanas nas páginas do Linhas conhece hoje um aparente epílogo.

Reagindo à carta aberta que foi dirigida há 8 dias pelo Presidente Rondão Almeida, a ex-vereadora do Município Elvense e colaboradora do nosso jornal, Maria José Rijo, entendeu de elementar justiça deixar aqui algumas outras considerações, que referem serem definitivas.

 

..

Exmo. Senhor Presidente

 

Queira V.Exª aceitar as minhas saudações e, com elas, o meu muito obrigada pela delicadeza de ter gasto comigo algum do seu precioso tempo – escrevendo sobre a carta que neste mesmo jornal lhe enderecei.

Li tudo com a maior atenção – não encontrei as respostas pedidas mas, vamos ao assunto:

 

a)      Não pretendo, nunca pretendo ofender V.Exª ao afirmar que não o escolheria para o lugar que ocupa. Só por distracção V.Exª pode ignorar que eu apoiava outro candidato. Dessa circunstância se deduz à evidência o que afirmei.

b)      Isto nada tem a ver com o Partido Socialista, (não estamos a tratar de ideologias). Eu teria com toda a esperança e entusiasmo apoiando o Eng Barrocas Guerra.

c)      Não disse que V.Exª deveria ter vivido sempre em Elvas. Disse e reitero que V.Exª viveu tempo demais fora de Elvas.

d)     Nada referi sobre o espaço que V.Exª deliberou eleger para sala e sessões – mas – se deseja saber dir-lhe-ei. Em nenhuma Biblioteca Erudita do país – e, é o caso – se entra sem deixar na recepção identificação completa e, até, a malinha de mão. Estas normas não foram instituídas contra quem quer que seja – mas sim – a favor e em defesa de todos e do património bibliográfico que nelas se preserva.

e)      Quando falei em desmantelar a recuperação da Biblioteca referia a paragem de serviços imprescindíveis (que por terem sido qualificados de não prioritários – cito a secretária de V.Exª) foram desprovidos do pessoal que os assegurava. A defesa do arquivo – como deve saber – tem sido motivo de luta tenaz. Dela faz parte até a colocação duma lápide na entrada para a ela vincular o próprio

a)      Presidente da República. Só a corajosa recuperação no arquivo, efectuada o tem salvo até agora ter sido transferido para Portalegre. Numa Biblioteca – o arquivo – é uma componente de valor inestimável – perdê-lo é perder a memória!

b)      Por sua vez, a falta de ficheiros transforma qualquer Biblioteca em simples armazém de livros. Cada livro tem que poder dizer: estou aqui! – Quando alguém o solicita. Essa resposta é fornecida pelas fichas que o situam e identificam entre milhares.

c)      A tudo me pareceu eivado do sentido de ataque pessoal – não responderei. Nem me belisca.

d)     Eu não estou em causa –  sim a Cidade!

e)      Recordo no entanto a V.Exª que nunca me coube, nem desejei, a honra e a responsabilidade de ter sido Presidente da Câmara. Jamais me senti capacitada para tanto. Não tenho de mim o deslumbramento que V.Exª parece ter de si próprio ao comprazer-se com tanta segurança na afirmação dos seus méritos. Sabe que me lembrou Cavaco Silva?

l)        Sobre o meu trabalho que V.Exª desdenha – torno publico que o Sr. Deputado Roque – do Partido Comunista ao ouvi-lo classificar de notável – pelo Presidente da Republica (opinião que pela mão da Drª Estrela Serrano reiterou por escrito em documento que conservo e nem à Câmara de então mostrei) – vendo-me discretamente na cauda do cortejo me segurou no braço e disse: “Vá para a frente. A obra é sua”

          Sorri-lhe grata e fui.

Tive assim a oportunidade de responder ao Dr. Mário Soares quando me perguntou em que área me formara – o mesmo que hoje repito:

Sou apenas uma mulher com alguma sensibilidade que, a viver, aprendeu o Amor pelas coisas.

E, já agora, a talho de foice, que me seja perdoada mais uma nota pessoal.

É que, se do que conta, tiro conforto – tiro ainda mais responsabilidade para o meu comportamento. Meu marido e eu estávamos em Angra – na Terceira – quando do terramoto.

Tivemos o trágico privilégio de ver cair uma cidade.

Sofremos impotentes a tortura de ver esboroar quase todo o casario e as igrejas da ilha.

Vi a meus pés, desfeita no chão, uma Sé quinhentista.

Vi e dei comigo entendendo o pouco que a minha vida valia frente a perda tão irreparável.

Foi este, Senhor Presidente, o meu “doutoramento” em Amor pelo Património Cultural.

Tão imenso. Tão violentamente gravado na minha alma que dele me ficaria – se o não tivera antes – esta feição de sentir quanto significava a vida da árvore, da casa, do beiral, da rua, da pedra, do muro, do banco, do recanto! – Desses aparentes pequenos nadas – que, juntos são o todo do nosso mundo.

m)    Sempre quis ser capaz de saber contar esta experiência, mas a falta de talento não me permitia verbalizar tamanha emoção.

 

Agradeço a V.Exª ter-me ensinado a frase de António Sardinha, que desconhecia, (vasto é o campo do que ignoro!) e tão primorosamente a interpreta.

      “Oh, como os mortos mandam”

É, isso! Ele sabia. Ele foi notável.

Na vida nós passamos. A vida, permanece e continua.

O Património Cultural – seja ele obra humana ou dádiva da Natureza – é o testemunho, a referência das gerações já idas – de quem somos herdeiros e nos torna devedores perante as gerações que hão-de vir.

Hoje, estou só.

Também já devo à Vida a perda de quem mais amei – o meu Companheiro de cinquenta anos.

É uma experiência duríssima que outros antes e depois de mim ou sofrerem ou sofrerão.

Mas, esta é a espécie de morte para a qual atavicamente estamos preparados como preço de existir. É o fim natural do ciclo da vida humana.

A morte do Património, não!

Essa, é um atentado contra o futuro.

Creia-me. Nada, penso, acontece por acaso.

Talvez eu tenha tido que viver tudo isto para dispor, hoje, desta força íntima, que me dá coragem para expor desta forma – direi, até contra natura – pela nossa cidade.

Talvez de tudo eu tenho colhido a valentia de ser humilde para não responder – como poderia fazer – aos despeitados remoques de V.Exª.

Eu não estou em jogo.

A Cidade é que está.

Reflitamos:

1)      Para por cobro ao crescimento desordenado de Elvas (que V.Exª e muito bem vitupera) criou-se passando por todos os trâmites legais o P.G.U.

2)      Entenderam os seus autores – e a cidade aprovou que a Quinta do Bispo deveria ser preservada como zona verde.

3)      Com essa decisão ela serviria de “tampão” ao casario entre a cidade e a Piedade moderando as construções. Conservaria elementos da génese da cidade (a cintura de hortas e quintas que já Aires Varela citava). Com o seu arvoredo, suas tílias centenárias, as suas velhas nogueiras sua arquitectura rural de barroco alentejano e o seu valor histórico-cultural – prestaria tributo à Poesia, à literatura, à inteligência da humanidade pelos ilustres que lá viveram.

4)      Eu era vereadora quando tal se decidiu.

5)      A Quinta era pertença de uma Amiga-Irmã (como às vezes se tem a sorte de ter – e eu tive) – contei-lhe o que constava do projecto. Minha amiga advertiu-me: “Não levantes um dedo para libertar a Quinta do P.G.U. antes quero a Quinta ao serviço da cidade do que retalhada para enriquecer seja quem – nem que seja a mim” Quem (ela era a mãe frente  à justiça de Salomão) a comprou sabia-a zona verde. Alegrou que o fazia porque era do agrado de sua mulher, que talvez lá vivessem, lá criassem cavalos… Fantasias!...

6)      Pouco tempo depois o Quinteiro que lá nascera o filho do falecido Eudócio, que Deus guarde – foi convidado a sair.

7)      O portão foi fechado a cadeado e corrente. As árvores só voltaram a beber da chuva que o céu mandou e muitas sossobraram a sua ruína foi calculada com a precisão de quem executa um acto de terrorismo que foi! E, é!

8)      A calculada degradação dá agora ao lobo a pele de cordeiro para aparecer pela 3ª vez na Câmara a pedir alteração de leis para seu governo.

9)      A Câmara – coitadinha!!! – Comove-se e frente a chorudas contrapartidas vende a sua anuência à alteração da lei.

1)      Duas vezes os técnicos da Câmara, com que trabalhei, e que sei serem Gente de Bem e profissionais competentes disseram não. Lei é lei – igual para todos.

2)      Vem então de Évora o Sr. Arquitecto Barral. Deduzo que o curso dele tem a componente dos “planos de pormenor” – que os nossos ignoram – e o resultado está à vista.

3)      Não sente V.Exª Senhor Presidente que acaba de dar o seu aval a todas as “Brandoas” que alguém desejar?

4)      Não vê que defrauda Elvas em benefício de prevaricadores…

5)      Por muito menos, noutros países, se julgam e condenam estes actos de terrorismo.

6)      No nosso país já se actua contra os incendiários.

7)      Esses, trabalham o fogo – estes, a frio!

8)      Então quem destrói património é premiado?

9)      Até que a operação proposta por V.Exª seja consumada a Quinta é ainda: zona protegida – património de todos nós.

10)  Didáctico era exigir dos proprietários da Quinta a correcção da sua nociva postura cívica – a troco dela lhes ser expropriada.

11)  Eu levantei as questões – do gravíssimo precedente que V.Exª abre sobrepondo interesses particulares aos interesses da Cidade.

12)  Faça-o com o arrepio de repulsa que me causa tanta astúcia e tanta hipocrisia dos actuais donos da Quinta.

 

V.Exª tem o poder de lhe dar solução só que desta vez é definitivo.

V.Exª. não poderá emendar a mão, como no caso da licitação – lembra?

A resposta que V.Exª der – é à história.

É ao futuro. Não a mim.

Isto não é desafio onde alguém perca.

Isto é um ponto crucial na vida de qualquer cidade.

Agora é a nossa – a nossa Elvas!

Terá V.Exª a coragem da humildade de construir o terminal proposto pela Câmara anterior? Em lugar de querer somente realizar projectos próprios? (Recordo o telefonema de V.Exª).

A escolha é sua, Sr.Presidente.

Eu, acabo de responder – como fui capaz – ao seu convite feito pela rádio na noite da sua vitória eleitoral a pedir a ajuda de todos.

Não foi por gosto que vim à ribalta.

Retiro-me! Fiz o que me foi possível. Um pouco emocionada – talvez – como é meu jeito perdoe-me!

Creia, que, bem gostaria de o chamar com toda a convicção de: Meu Presidente. V.Exª é ousado.

E, isso pode ser uma grande qualidade para um chefe que não se deixe cegar por orgulhos.

Parabéns por Elvas cidade branca!

Bem-haja pela iniciativa cultural que nos fez recuar aos tempos da Elvas cidade-limpa que todos recordamos com saudade.

Creia-me respeitosamente.

..

NOTA:

Para que se compreenda a minha insistência em citar o nome do Sr. Arquitecto Barral esclareço.

A Quinta do Bispo pode ser consagrada como Parque com o parecer favorável do Chefe de Divisão da Comissão de Coordenação da Região Alentejo que é justamente o Sr.

..

A MINHA GRATIDÃO

Aos Doutores António Barradas e Sílvio Bairrada

 

Lá, nesse “outro” Alentejo, de onde provenho – quando garota – costumava ir esperar o gado à hora de beber, para falar com um “Grande Mestre” que tive, um velho maioral – o ti Carrapiço.

Na hora da despedida, ele, sempre me dizia:

“não tenho boca avondo que encareça a companhia da menina”.

Hoje, - a mais de meio século de distância sinto a necessidade de fazer minha a humildade dessa pura expressão da alma alentejana – para vos dar a medida do conforto da vossa “companha” que me honra, desvanece, procurarei saber merecer e também a minha gratidão.

 

Maria José Rijo

 

sinto-me:
música: Presente - documentos nº 15
publicado por Maria José Rijo às 18:30
| comentar | ver comentários (4)
Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

XEQUE AO BISPO

PROJECTO para a Quinta do Bispo lança polémica

Jornal Linhas de Elvas

De 21 – Outubro de 1994

Por – Rui Camboias

Em defesa da Quinta.

Abaixo-assinado chega ao Linhas

 

O Linhas de Elvas foi o periódico que lançou a informação sobre esta polémica do loteamento da Quinta do Bispo.

Não admira pois que tenhamos recebido desde aí algumas cartas de leitores manifestando as suas opiniões.

Esta semana recebemos talvez a mais significativa dessas manifestações. Trata-se de um abaixo-assinado recolhendo 53 nomes de elvenses e pessoas ligadas aos meios culturais da capital. A lista encabeçada por Margarida Alexandra Aguiar subscreve um documento onde se diz a determinada altura:

 

“Tomámos conhecimento numa Nota do Linhas de Elvas do perigo que impende sobre a Quinta do Bispo (a Quinta do Hyssope) e de António Sardinha que é afinal, não só património de Elvas, mas património de um país. Assim sendo, não podemos deixar de manifestar o nosso apoio aos esforços, para que não se destruam vestígios tão nobres do nosso passado”.

 

… ...

Contrastando com a oposição da autarquia que defende a criação do espaço habitacional e da construção do terminal rodoviário surgiram as primeiras vozes de contestação à possível alteração do que está estabelecido pelo PGU de 1986.

Maria José Rijo a par de várias pessoas que nos têm contactado são da opinião que

“nenhum munícipe pode valer mais que outro munícipe e agredir o PGU em nome de interesses particulares abre um perigoso precedente”

A ex-vereadora municipal afirma que “ esta não é uma guerra de ninguém contra ninguém” e que só pretende “ pôr as pessoas a reflectir sobre o futuro da cidade” advertindo “ estarem a ser criadas condições para nunca mais dizer que não a nada” E remata: “Então para que serve um plano concebido e aprovado?” Passando ao ataque, vaticina: “É o fim da unidade e do conjunto. Tudo será apenas espaço para Planos de Pormenor em favor de interesses que se sobreporão individualmente ao interesse da cidade”.

A par dos esclarecimentos que nos manifestou quando a procurámos, Maria José Rijo enviou-nos a sua posição face a este assunto, em jeito de “carta aberta” ao Presidente do Município e que publicamos no post seguinte.

 

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 16:01
| comentar | ver comentários (7)
Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Reportagem do Linhas de Elvas

Esta semana visitamos a Quinta do Bispo acompanhados de José Marques, o seu proprietário.

Ouvimos as suas preocupações e a esperança de poder avançar com “uma urbanização de qualidade”.

.........

Linhas de Elvas entrevista o proprietário da

Quinta do Bispo

José Marques

 

QUINTA DO BISPO

recolhe assinaturas

 

A Polémica questão da Quinta do Bispo tem desencadeado alguma movimentação popular. A juntar ao baixo assinado de que fizemos eco na edição da passada semana juntaram-se esta semana mais dois documentos onde dezena e meia de pessoas manifestaram o seu desacordo com o loteamento daquela propriedade.

“Não podemos deixar de apoiar a preocupação que expressam, porquanto o valor histórico dessa belíssima quinta, com árvores centenárias, António e onde um dos nossos maiores escritores, António Sardinha, viveu e escreveu a maior parte da sua obra, seja assim posta em risco”, diz a certa altura um dos documentos enviados esta semana à nossa redacção.

..

Projecto Para a Quinta do Bispo

 

@@@

Jornal Linhas de Elvas

28 - X - 1994

sinto-me:
música: Entrevista do Linhas
publicado por Maria José Rijo às 21:29
| comentar | ver comentários (1)

RUA DOS FALCATOS

“…Na segunda metade do séc XVIII o povo passou a denominá-la “Rua dos Falcatos”  por ter ali a sua casa de residência o Dr. Francisco José da Silveira Falcato – casa onde, segundo a tradição foi escrito o poema herói-cómico “O Hissope”

.

música: Rua dos Falcatos
publicado por Maria José Rijo às 20:53
| comentar

O HYSSOPE

 

 

Como surgiu o poema heróico-cómico

.

Vários motivos impeliram António Diniz da Cruz e Silva, poeta parnaseado à composição do poema do HYSSOPE.

 

1º - a instigação de alguns amigos seus de Elvas, com quem conversava todas as noites em casa de seu vizinho António Caetano Falcato, a meio

da rua que  por tal motivo entra na toponímia da cidade – os quais rindo  da grande questão entre o Bispo e o Deão, questão que tinha Elvas dividida – trouxeram-lhe à memória uma outra da mesma índole que serviu de assunto ao Lutrin de Boileau .

        

 2º - O despique da indiferença, para não dizer desprezo, com que António Siniz da Cruz e Silva era tratado pelo Bispo, que taxando-o  de “Literato” não fazia do seu merecimento grande apreço, o que de justiça lhe devia merecer, nem o chamava, por isso aos solenes jantares para que costumava convidar as outras importantes pessoas da cidade incluindo todos os que na comarca  administravam justiça, juiz, etc.

 

3º - A aversão do Bispo a António Diniz da Cruz e Silva pode ter sido originada por este ter procedido contra actos em que o Bispo incorria e que usurpavam a Jurisdição Real.

 

4º - O poeta que o Bispo desprezava deve ter posto a nú, com coragem, actos que representavam menos respeito praticados pelo Bispo contra a justiça secular.

 

5º - O Hyssope surge, pois como um desagravo, dos tertulianos de Elvas, reunidos habitualmente, na casa de António Caetano Falcato. O poeta ditava e o anfitrião escrevia. E assim gastavam as noites compridas de Elvas, bem acompanhados:

“Ordena que lhe tragam prontamente do bom vinho de Borba três garrafas”.

 

6º - Finda a noite o manuscrito fica abandonado, na mesa com as garrafas vazias. Os outros participantes da tertúlia copiam, para recordação, partes do poema que é assim difundido, em manuscrito. Essas cópias ainda hoje são um problema para os eruditos que as estudam, pois o poema difunde-se na Europa culta com traduções em todas as línguas.

 

7º - Se fosse pedida uma definição para esta obra, diria: “Camões, cantou a gesta dos portugueses, António Diniz da Cruz e Silva, no Hyssope cantou para o mundo culto … o Bispo, e a espantosa guerra que o Hyssope excitou na Igreja d’Elvas”.

De leitura tão bela como o poema de Camões.

.

.                B.N.N.F

.

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.274 – 18 – XI -- 1994

 

 

sinto-me: Hyssope
música: Antonio Diniz da Cruz e Silva
publicado por Maria José Rijo às 20:40
| comentar
Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

Quando o nosso coração bate ao compasso do amor por Elvas

Em 10 de Janeiro de 1925 com 37 anos incompletos, na sua Quinta do Bispo, faleceu António Maria de Sousa Sardinha.

Em 10 de Janeiro de 1973, dia em que se cumpria o 48º aniversário da sua morte – Elvas – com a fidalguia de ser: - “ A Rainha da Fronteira” pela sensibilidade da Câmara de então, fez editar 12 sonetos desse grande Poeta – até aí inéditos – antecedendo-os da seguinte nota:

                            “NASCE-SE e morre-se onde Deus quer."

  Mas pode-se eleger, em muitos casos, o local mais grato ao nosso coração, para residir.

António Sardinha (figura do mais alto prestígio nas  Letras Portuguesas, em todos os géneros que cultivou; inspiradíssimo poeta; extraordinário português;  cristão dos mais puros  e sinceros; paladino honesto e batalhador de todas as ideias  que defendeu) escolheu Elvas para viver, construir família, pensar e escrever; amou-a com acrisolado afecto; contou-a com os melhores dotes que Deus lhe deu; quis torná-la sua mãe adoptiva!

Elvas perfilhou-o com orgulho e carinho; chorou-o, desoladamente; quando Deus o levou para a Pátria Celeste.

.

.

Hoje, 48º aniversário da sua morte, reafirma-lhe o seu amor, a sua gratidão, a sua reverência, a sua saudade;

.

                          “EVOCA E PERPETUA A SUA MEMÓRIA”.

.

.

Este ano, de 1994, está à beira do fim. Sobre a “Quinta do Bispo” paira o mau agoiro do “plano de pormenor” do Senhor Arquitecto Barral.

Sobre Elvas escreveu António Sardinha in:

“De Vitae t Moribus”:-- “Esta Elvas!... Esta Elvas!...

A noite morre, o dia rompe, outra noite vem, outro dia morre – e Elvas, igual à essência eterna da Vida, com os seus baluartes, o seu Aqueduto, as suas Igrejas, os seus eirados, continua sendo um apelo súbito às forças que dormitam dentro da nossa sensibilidade.

 “Que essas forças que dormitam dentro da nossa sensibilidade”

 – acordem para que a história não registe – dos elvenses de hoje – o desinteresse – que permita à actual Câmara renegar o sentir dos nossos Maiores.

        Que o 1º de Janeiro de 1995 não possa ser assinalado com o perjúrio do que em livro e em pedra se gravou no Aqueduto.

 

                                         Maria José Rijo

 

 .

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.271 – 28 – X - 1994

sinto-me:
música: Doc. nº 11
publicado por Maria José Rijo às 23:25
| comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 8 de Abril de 2008

Cartas ao DIRECTOR - 3ª carta

Li com a maior atenção a carta de Maria José Rijo ao Presidente da CME.

Não conhecendo a distinta senhora impressiona o entranhado amor a esta Terra que revela o seu escrito, que está alicerçado em razões de História, de Sentido Humano evidenciando sobretudo uma visão com que de “Estado”, que aqui será mais de Cidade.

Há que na verdade ver mais além  dos interesses imediatos, das vaidades e das vantagens, terrenas, pois há outros valores a ter em conta.

Estou em crer no entanto que MJR não tem interlocutor à sua altura e que “chove no molhado”

Quase que lhe garanto que o projectado se fará, contra ventos e marés.

A Quinta do Bispo sofrerá, pela batuta do senhor Rondão de Almeida, o desvario e desmantelamento que a tornará irrecuperável e irreconhecível.

O que no mínimo é lastimável.

Os meus cumprimentos,

Leitor assíduo.

 .

Sílvio Bairrada

.

28 – X – 1994

Jornal Linhas de Elvas

 

 

sinto-me:
música: carta nº 4 - Silvio Bairrada
publicado por Maria José Rijo às 20:59
| comentar | ver comentários (1)

Capa do Jornal Linhas de Elvas

 

.

Jornal Linhas de Elvas

nº 2.270 - 21-X-1994

sinto-me:
música: chamadas à capa
publicado por Maria José Rijo às 20:31
| comentar

Cartas ao DIRECTOR - 3ª carta

Carta Aberta a Maria José Rijo

 

Longe de mim estava a eventualidade de tão depressa voltar aos jornais, não fora o impulso  de que me senti possuído de consigo me solidarizar, ao ler o reparo entristecido que a Maria José  fez no ultimo “Linhas de Elvas” , a propósito da forma como a figura de António  Sardinha é tratada pela nossa Câmara Municipal.

Quando Li a infeliz nota assinada pelo respectivo presidente, em que se chama literato ao autor de “O Valor da Raça”, de “Chuva de Tarde”, da “Epopeia da Planície”, da “Feira dos Mitos” e de muitas outras obras de inestimável valia, a ombrearem com o que de melhor por aqui se escreveu neste século, aflorou aos meus lábios um significativo e triste sorriso, que mais traduzia a confirmação que já tinha de que ali para as bandas da Isabel Maria Picão as coisas do espírito não interessam, dando-se primado  de exclusividade a outros valores.

Quando a Câmara que presentemente Elvas tem, foi empossada, intentei dar-lhe a minha desinteressada colaboração neste sector, mostrando ao presidente em visitas de pormenor, o estado das muralhas, dos fortes, dos fortins e da zona envolvente do castelo, procurando sensibilizá-lo para acções que restituíssem àqueles locais a dignidade perdida.

Os baluartes dos Morteiros, de Santa Barbara e do Príncipe, também por lá se passou , havendo então aparente receptividade no sentido da vitalização de tais espaços, ao mesmo tempo que uma Comissão Municipal de Arte e Arqueologia era constituída e bem assim uma outra para  a criação do Museu Rural de Elvas.

Já vão decorridos largos meses e estas comissões não mais foram chamadas para o que quer que fosse, assim em jeito de que o executivo se está “nas tintas”, se me é permitida a expressão, para tudo o que ao espírito diga respeito.

Mas há mais: recentemente, falando eu com um ilustre elvense que já foi presidente da Câmara Municipal, sobre essa figura régia de importância vital para a promoção de Elvas que foi D. Manuel I, acercou-se de nós a actual vereadora da Cultura. Demos-lhe conta do que estávamos a falar: da Sé, do traçado da Praça da República, do Aqueduto, da Ponte da Ajuda, do foral de elevação a cidade, tudo da iniciativa do Rei Venturoso, cuja memória aqui se deveria perpetuar.

A Srª. Vereadora ouviu e afastou-se sem dizer uma palavra.

Os leitores que tirem as suas conclusões.

É neste ambiente e com estes horizontes que vem à colação o nome de António Sardinha, a propósito do pretendido loteamento da Quinta do Bispo, encarado numa perspectiva economicista e despida da carga cultural que envolve, que vai de António Dinis da Cruz e Silva até ao escritor nascido em Monforte.

Trata a Câmara Municipal de Elvas o egrégio pensador por literato, como lhe poderiam chamar escriba.

Já em vida e por estas bandas, depreciativamente, o apelidaram de poeta.

A este vulto impar do pensamento lusíada e à sua memória será indiferente que quem tão baixo voa o não conheça ou não entenda.

A sua obra perdura, polifacetada, abrangendo tanto a história como a poesia, o ensaio, a ficção ou a doutrinação político-social.

A Maria José Rijo, porventura que o melhor ornamento da actual cultura elvense, saberá entender melhor que ninguém o alcance dos reparos que aqui ficam.

 .

António Tello Barradas

28 - X - 1994

Jornal Linhas de Elvas

 

sinto-me:
música: Terceira carta - António Tello Barradas
publicado por Maria José Rijo às 20:17
| comentar
Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

Aires Varela

 

E assim o resolveu a vereação elvense do

anno de 1888,

em sessão de 20 de Novembro, dando á rua o nome

de Aires Varela,

efazendo collocar na parede do prédio onde falleceu

 o ilustre cónego

e notávelantiquário, uma lápide com esta inscrição, que o mesmo

Dr. Santa Clara

escreveu a pedido da câmara municipal

….

AIRES VARELA

 

AUREUS ELVENSIUM RERVM SCRIPOR,

HANC POSSEDIT DOMUM,

UBI

POSTRID,NON OCTOBR.ANNO MDCLV

VITA FUNCTUS EST.

 

ANNO 1888

HAS JUSSIT NOTAS IN MARMORE INSCRIBI

ELVENSIS SENATUS

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 22:44
| comentar | ver comentários (1)

DAMA DEFENDE BISPO

A defesa do não loteamento da Quinta do Bispo que a autarquia agora pretende executar, teve desde logo um rosto: Maria José Rijo. A ex-vereadora do município é uma profunda conhecedora de toda a história da quinta, e a sua sensibilidade às questões histórico-culturais levou-a desde o principio, por intermédio deste semanário, a incetar essa cruzada pela defesa da identidade desse local tão representativo para a cultura elvense.  

Maria José Rijo considera que qualquer coisa que se venha a fazer é “uma resposta que estamos a dar à história “e que” não seria bom em nome de interesse particulares agredir um património cultural comum.”

Já esta semana esta dama da cultura local veio de novo em defesa do bispo que tanto admira. Fê-lo em jeito de carta aberta ao presidente que aqui publicamos.

..

..

Exmo. Senhor Presidente

 

Os meus cumprimentos.

E, desde logo, com eles afirmo que, pessoalmente, nada me move contra V. Excelência – que até considero.

Quero apenas, porque V.Exª me confessou que “Cultura” não é o seu ramo e não é sensível a esses valores, contar-lhe o que é a Quinta do Bispo em termos de Património Cultural e Histórico de Elvas:

 

“ A Quinta do Bispo era a de São Sebastião e depois de Aires Varela, a quem foi comprada pelo 6º Bispo de Elvas, D. Manuel da Cunha, donde lhe vem o nome.

Em 1800 havia na quinta um palacete e também uma ermida, de Santo Mártir, onde se veneravam também as imagens da Senhora do Bom Sucesso e de São Caetano. A 20 de Janeiro era a festa do seu orago, feita pela Câmara. (Ermidas e palacete foram no princípio do séc XX para que não servissem de alojamento aos Franceses.)

 António Sardinha escreveu ali grande parte da sua obra.

 

“… eu vivo numa quinta de gloriosas tradições episcopais com suas altas e copadas árvores, com  seu doce e  regalado sossego. Por aqui andaram doidejando, ladinas,  as musas de António Dinis da  Cruz e Silva. E talvez que no mesmo assento tosco em que  esta tarde me reposei deleitadamente, ouvindo a queixa saudosista das regas, se sentasse também algum dia, chorando a dor do seu orgulho ferido, aquele D. Lourenço de Alencastre – o prelado famoso da guerra do Hissope. (Cruz e Silva chamava à quinta, humoristicamente, o Versailles de Sua Excelência, o bispo.)

In – Monografia de Elvas por Maria do Céu Dentinho

 

Por estas e outras mais razões, ela está no “P.G.U.” – como zona verde – zona protegida.

V. Exª sabe-o. Sabe-o tão claramente que foi buscar a Évora o Sr. Arquitecto Barral para desmanchar o que estava feito – aliás, muito bem feito – com olhos de futuro para a Cidade, gizado com respeito pelas nossas tradições.

Se, V.Exª vai tirar a Quinta de “P.G.U.” para localizar lá o terminal rodoviário – se é só por isso – não vale a pena o trabalho e os gastos – nada o justifica!

V. Exª tem, que lhe ficou da Câmara anterior – um local já aprovado pela Direcção Geral de Transportes Terrestres – no Rossio do Meio, Fonte Nova – para esse tão falado quanto indispensável Terminal Rodoviário.

Dispõe também, para tal, de projecto quase concluído e negociações em curso com o Lar Júlio Alcântara Botelho.

Porque despreza tanto caminho já andado? Adia soluções e vai gastar mais dinheiro a refazer o que está feito? (V. Exª queixa-se tanto de falta de meios!)

Acha assim tão premente a necessidade de enterrar história com cimento e poluição degradando o trânsito – já difícil – (com cruzamentos perigosos) criando uma zona potencial de acidentes com nós rodoviários tão perto da Escola Secundária?

Se a Quinta está à venda, porque não a adquire a Câmara , com dinheiros comunitários para nela instalar condignamente o “Museu Agrícola”?

Há fundos especiais para esses efeitos. Sabe-o V.Eª e o seu Arquitecto bem melhor do que eu. Se a “bomba” cozinhada no segredo dos deuses tivesse sido essa – que felicidade para Elvas.

O abandono que a Quinta foi votada pelos seus actuais proprietários – que a adquiriram sabendo de antemão que era zona protegida, não loteável até dava para que a Exmª Câmara a expropriasse para utilidade pública – aproveitando assim o trabalho de desanexação encomendado por V. Exª ao Senhor Arquitecto Barral e já feito.

Fica a sugestão – de tão justificável atitude – para proveito da cidade – como seria evidente.

V. Exª justificou-se publicamente por ter adquirido bens em Elvas. V.Exª é de cá. Pensa cá radicar-se caso contrário, não o faria.

Nem essa circunstância lhe merece um olhar mais profundo, mais pensado, a um progresso enquadrado que respeite a alma das gentes, as suas raízes culturais e o património secular herdado?

Olhe que a cultura é quase um sortilégio, uma atmosfera que se respira – creia!

Que ninguém vive sem respirar, sabe V.Exª, até eu sei, e sabe toda a gente.

V. Exª deixou que fossem desmantelados os trabalhos de recuperação da nossa Biblioteca (a 2ª ou 3ª do País em qualidade e volume de obras); a organização do museu – que havia sido delineada por museólogos!...

Será que V.Eª quer ficar para a história da Cultura de Elvas, com uma imagem mais devastadora do que deixaram as Invasões Francesas?

Não posso crer!

A maior queixa que tenho, neste nosso muito amado País, é a maneira como são eleitos os Presidentes de Câmaras.

Não fora a “Clubite partidária” e, a cadeira, que V.Exª ocupa – não seria sua.

V.Exª esteve fora de “Esta Elvas” – como dizia António Sardinha – tempo excessivo.

O lugar de Presidente de qualquer Câmara deveria ser, sempre, e só, ocupado por quem, alheio a cores politicas, fosse capaz de sacrificar paz, sossego, comodidade – tudo – pela sua terra.

Por quem renegasse a glória fácil e se guiasse pela lição do Aqueduto da Amoreira; trabalhando: - para os netos, dos netos, dos nossos netos.

Por quem se rendesse aos valores perenes da Humanidade – os valores culturais – e, não se “passasse dos carretos” – permita-me que cite V.Exª – por tricas e bagatelas.

Renovo-lhe os meus cumprimentos.

Senti, como simples munícipe, que sou, dever compartilhar com V.Exª a experiência dos meus quase 70 anos.

O tempo que vivi – é o meu património.

Deixo-lhe, também, as palavras do poeta Leopold Sédar Senghor – que foi presidente do seu país – O Senegal – e é um notável da cultura dos nossos dias.

 

“ A terra não é nossa. Foram os nossos filhos que no-la emprestaram”

 

Foi com elas que a elvense ilustre Drª Maria do Céu Dentinho rematou a “Monografia de Elvas” de sua autoria.

Lá as fui respigar para as oferecer à nossa terra – à nossa gente – com o respeito e gratidão que Elvas me merece.

 

                             Maria José Rijo

 

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.270 – 21 de Outubro de 1994

 @

@@@@@

Resposta da Câmara a esta carta

Pode consultar no Jornal Linhas de Elvas

28- Outubro de 1994

 

sinto-me:
música: Quinta do Bispo - 7
publicado por Maria José Rijo às 21:42
| comentar
Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Cartas ao DIRECTOR - 2ª carta

Lisboa 12 – Outubro de 1994

Exmo. Senhor Director do Jornal Linhas de Elvas

 

Foi com muita mágoa que li no nosso jornal, a venda da Quinta do Bispo!!!

Será que os elvenses, não sabem o que foi Elvas, já não se lembram da sua história, nem o significado dos seus monumentos? Agora é a Quinta do Bispo: uma Quinta que não foi só a residência do Bispo, mas também o canto maravilhoso do grande Poeta  e Pensador António Sardinha.

Uma vez em Ponta delgada na casa do Dr. Ruy Galvão, que foi amigo e aluno de  António Sardinha, disse-me: António Sardinha foi o “Poeta do Amor Cristão” gostava que  na sua casa da Quinta do Bispo fosse um centro para reuniões, colóquios e arte.

Peço Senhor Presidente da Câmara a “Quinta do Bispo”, não pode  ser vendida ou destruída!!! Aqui viveu e morreu um Poeta que muito amou Elvas…

Com toda a consideração agradece a

 

Maria José Mateus Lopes

 

Jornal Linhas de Elvas

21-Outubro de 1994

sinto-me:
música: defesa da Quinta do Bispo - 2ª carta
publicado por Maria José Rijo às 23:48
| comentar | ver comentários (1)

Cartas ao DIRECTOR

A ETA, o IRA, o fundamentalismo islâmico ou outros, não costumam publicitar previamente os seus atentados. Daí a impossibilidade de prevenir os graves custos humanos e materiais que provocam.

Se o fizerem e, pesar disso, ninguém erguesse um dedo para os evitar, tal inércia cúmplice seria tão culposo como o atentado em si mesmo.

A notícia de que Elvas está em risco de ser vitimada por um duplo atentado, não pode deixar-nos indiferentes.

Duplo atentado porque simultaneamente fere o Património Cultural histórico e literário da cidade, e o seu Património Ecológico.

A destruição da Quinta do Bispo, vendida a retalho para uma discutível urbanização, leva a interrogarmo-nos sobre a legitimidade de Portugal pertencer a uma Comunidade constituída por países europeus que respeitam com intransigência todos os seus valores culturais e ambientais.

É que não chega ser-se beneficiário das avultadas verbas comunitárias; é preciso saber merecê-las por um comportamento próprio de país civilizado.

Com que hipocrisia continuará a comemorar nas escolas o Dia da Árvore depois de termos destruídos os belos espaços verdes de que podíamos disfrutar?

Onde a justiça de censurar ou castigar as crianças pela destruição de bens públicos ou privados, se os adultos responsáveis se arrogam esse direito?

E nada revolta tanto os jovens como a incoerência dos mais velhos quando se proclamam defensores de princípios que renegam na prática, sempre que lhes convém.

“Alentejo não tem sombra senão a que vem do céu…”, entoa-se em jeito de lamento nos corais da província.

Se até as sombras seculares da Quinta do Bispo, sombras visíveis de frondoso arvoredo e sombras do Passado da História e da língua Portuguesa forem varridas por um vento ciclónico meramente utilitário cuja velocidade se mede em cifrões, que refrigério lhe resta?

Compare-se com este, o caso de Serralves, na cidade do Porto, onde se salvaguardou a casa e o parque, e ainda sobrou espaço para uma experiência feliz de pequenas hortas pedagógicas, à semelhança do que já há muito se faz na Suécia e na Finlândia.

Ousamos confiar.

 

Maria Isabel de Mendonça Soares

 

Jornal linhas de Elvas

11-Novembro-2008

sinto-me:
música: Achegas - 1ª carta - defesa da Quinta
publicado por Maria José Rijo às 22:09
| comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 1 de Abril de 2008

António Sardinha – “ O literato” ?!!!

Lendo a nota que da Câmara emanou como resposta ao “Alarme” sobre a Quinta do Bispo publicado em 9/10/94 neste jornal – fica por demais evidente a falta de sensibilidade e de respeito do actual executivo frente a valores culturais.

António Sardinha – “ o literato”?!!!

António Sardinha também foi um literato, mas todos nós sabemos, e muito bem, que há maneiras de usar certas verdades em jeito de ofensa.

Referir António Sardinha como:”o literato” é na minha leitura uma forma depreciativa, quase pejorativa, de se referir quem foi: um grande poeta e escritor da língua portuguesa.

Um dos maiores a escrever sobre o Alentejo e sobre Elvas – “Esta Elvas” – que dele é parte e pertença.

O “literato” António Sardinha – só? – apenas?!!! – é ainda um modo pouco ético de avaliar a inteligência dos elvenses.

Foram eles – os elvenses – que com o coração em lágrimas e luto – colocaram alto, no Aqueduto lá no arco sob o qual passou pela última vez de regresso à terra onde nascera e onde desejou ser sepultada a lápide onde se lê: “A António Sardinha – Bom Português – Pelo muito que amou e serviu Elvas”.

Os elvenses de agora são dessa mesma grata e honrada gente – que a qualidade de assim ser é deles a melhor herança.

Que a Câmara que foi eleita para servir Elvas – que o mesmo é dizer: para servi-los – não se aventure a julgá-los “menores” a tal ponto que fossem capazes de imortalizar no seu mais grandioso monumento um qualquer “literato”.

 .

                                      Maria José Rijo

 

 ..

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.270 – 21-Outubro de 1994

sinto-me:
música: Quinta do Bispo - 5
publicado por Maria José Rijo às 22:32
| comentar | ver comentários (1)

António Sardinha (1888-1925)

Ao morrer, nos arredores de Elvas, em 1925, com 37 anos incompletos (nascera em Monforte do Alentejo em 1888), António Maria de Sousa Sardinha, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, era unanimemente considerado, no contexto político do Portugal de então, o mais sério adversário das ideias e das instituições republicanas, o mais alto expoente do pensamento contra-revolucionário, o mais acérrimo defensor de uma restauração monárquica de tipo legitimista.

Principal teorizador do Integralismo Lusitano, dirigiu a revista Nação Portuguesa, órgão central do movimento, e publicou várias obras de doutrina política e de investigação histórica – entre as quais se destacam: O Valor da Raça (1915), A Questão Ibérica (1916), Ao Princípio era o Verbo (1924) -, além de  ter deixado inéditas muitas  outras que só postumamente  foram publicadas, como : Ao Ritmo da Ampulheta (1925), Na Feira dos Mitos (1926), À Sombra dos Pórticos (1927), De Vita et Moribus (1931), Glossário dos Tempos (1942), À Lareira de Castelos (1944).

Mas não menos representativas do seu talento são as obras poéticas em que também exprimiu, num registo ora lírico ora epopeico, e informando pelos mesmos pressupostos ideológicos, a mesma  crença nos valores da tradição, o mesmo arreigado amor ao  torrão transtagano e à terra da pátria. De tais obras salientam-se: A Epopeia da Planície (1915), Quando as Nascentes Despertam (1921), Na corte da Saudade (1922), Chuva da Tarde (1923) e – esta já de publicação póstuma – Roubo de Europa (1931).

Independentemente do aplauso que mereçam ou não as suas ideias naquilo que têm de absoluto ou de radical (e, sob tais formas, nenhum suscitam no

organizador desta antologia), o certo é que não podem pôr-se em dúvidas a inteligência e a sensibilidade de António Sardinha, a coragem das suas opções e a limpidez do seu portuguesismo.

 ..

David Mourão-Ferreira

In Portugal A Terra e o Homem

10 de Junho 1979 – “posterior ao 25 de Abril”

 

 ..

Publicado no

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.272 – 9 – Novembro de 1994   

sinto-me:
música: A Quinta do Bispo 4
publicado por Maria José Rijo às 21:32
| comentar

.Quem sou

.pesquisar

 

.Junho 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.Agora diz-se

. Aniversário do Coral Públ...

. Um testemunho

. Conservação e Restauro do...

. As lembranças do Forte da...

. PROGRAMA-Cultura/Turismo ...

. PROGRAMA -Cultura/Turismo...

. PROGRAMA -Cultura/Turismo...

. PROGRAMA -Cultura/Turismo...

. PROGRAMA -Cultura/Turismo...

. PROGRAMA -Cultura/Turismo...

. PROGRAMA -Cultura/Turismo...

. PROGRAMA -Cultura/Turismo...

. PROGRAMA -Cultura/Turismo...

. PROGRAMA -Cultura/Turismo...

. PROGRAMA -Cultura/Turismo...

.Ficou Escrito...

. Junho 2017

. Maio 2016

. Março 2016

. Novembro 2015

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Julho 2010

. Junho 2010

. Abril 2009

. Março 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

.tags

. todas as tags

.favoritos

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.Por onde me levo

.Contador - Julho-2007

.Ficou Escrito:

Câmara de 1986 - 1989 @@@@@@@@@@@@@@
@@@@@@@@@@@@@@

.Excertos de artigos

Considero que é urgente e necessário provar aos nossos jovens que o dinheiro não compra consciências e é de nossa obrigação dar-lhes alternativas à droga e ao vício, mostrando-lhes que se pode lutar por ideais - dessinteressadamente - e que, só assim procedendo teremos moral para apontar caminhos e fazer exigências - do que dermos exemplo... - Maria José Rijo @@@@@@@@@@ Os elvenses de agora são dessa mesma grata e honrada gente - que a qualidade de assim o ser é deles a melhor herança. ... - Maria José Rijo
blogs SAPO