Sábado, 31 de Maio de 2008

Um amigo, a Quinta do Bispo e eu

“ A Verdade da sua conduta

A Beleza da sua obra

O Bem do seu carácter”

 

O Homem que, uma vez, perante uma muito selecta assistência, terminou, com estas frases, a conferência que proferiu homenageando outro Homem (Cabral Antunes, já ausente…) – é também meu amigo e, telefonou-me.

Telefonou-me para falar sobre a Quinta do Bispo.

Telefonou-me a acautelar-me sobre a “exploração” a que o assunto se presta e fez-me algumas perguntas.

A um Homem que avalia a “dimensão” de outro com tais premissas – Verdade, Beleza, Bem – eu devo respostas e, mais ainda porque se trata dum “menino da Luz” – como meu marido também foi.

AQUI VÃO:

Quando os livros e pertences do escritório de António Sardinha saíram da Quinta eu não estava em Elvas mas ainda que estivesse não me teria intrometido. “A verdade da minha conduta” – ter-me-ia obrigado a reconhecer que não era obrigado a reconhecer que não era então a mim que me cabia fazê-lo.

Havia, na altura, outras vozes muito mais autorizadas para o fazerem.

Se o não fizeram foi porque as circunstâncias post-25 de Abril os levaram a temer pelo espólio, que não por eles próprios – posso afirmá-lo.

Em relação aos bens que constituíam o recheio da casa nunca me permitiria dar sequer opinião.

Considero um direito de família terem repartido como bem entenderam o que - por herança – deles era e continua a ser.

A mim, como a qualquer outra pessoa que admira a “Beleza da obra” – pode caber até refutar, por diferença de convicções, as suas ideias.

Pode.

Porém, o que jamais poderá ser contestada é a qualidade dessa obra e o seu inestimável valor nas letras portuguesas.

Olha, Amigo! – Cada um é para o que nasce.

Em velhos tempos andou a PIDE atrás de meu marido e de mim – porque nos permitíamos expressar livremente opiniões – e não foi fácil – porém, como sabes não nos acobardámos.

Hoje, é da Câmara que procuro ajudar na defesa do nosso património dizendo em voz alta a minha opinião, que se insinuam suspeições sobre o “Bem do nosso carácter”…

Que posso fazer, Amigo!

Pois fica a saber que convidei pelo telefone o Senhor Presidente e depois insisti pessoalmente para que viesse tomar um café a nossa casa. Ele acedeu mas não concretizou a promessa (vai quase um ano passado) e, acabou, não me dando essa oportunidade, por me forçar a tornar públicos assuntos que teriam sido tratados de forma muito mais a meu contento…

Repara que fiz estas diligências depois de o Senhor Presidente me ter por escrito remetido para o Senhor Vereador da Cultura como resposta à minha primeira tentativa de com ele conversar.

Eu raramente saio – como sabes e também sabes porquê mas, retomando o assunto.

Depois que perdemos também José Telloque será sempre uma referência ímpar na cidade de Elvas – quem está por aí com disposição para quebrar o silêncio que é sempre cúmplice com a morte de alguns valores??

Vejo António Tello Barradas com a sua coragem e lúcido saber e, a tua velha amiga, com o impulso que lhe dá o peso dos anos – e, também – com o apoio daqueles que, mesmo com desconforto vão secundando a luta porque a reconhecem justa.

A minha pública homenagem ao Linhas de Elvas e aos seus valorosos colaboradores.

Assim que, como podes concluir, não é neste ponto da minha jornada, que vou renegar princípios que sempre me nortearam. Não posso deixar, sem reagir, que se destrua um espaço que desde o século XVII Aires Varela – com a sua obra – tornou referência histórica para a Cidade.

Eu ousaria, era, pedir-te que endereçamos ao Senhor Presidente da Câmara – que confessaste apreciar – as palavras que me dirigiste um dia com tão corajosa amizade (quando anunciei sair da Câmara):

Não deixes que a tua vaidade e o teu amor-próprio te ultrapassem.

Podes crer que esse teu alerta está subjacente à minha atitude está subjacente à minha atitude em defesa da Quinta do Bispo.

É que a tua amizade por nós, foi sempre tão nítida, como o abraço que me mandaste no meio daquela folha de papel grande e branca. Sabes bem quando…

Por tudo isto gostaria de ter também “deste lado” agora.

A causa é justa embora difícil.

Quando o dinheiro ganha voz submerge muitas vezes a razão – e, é pena.

Ousemos confiar num desfecho feliz…

A cidade é a nossa – e, temos que a merecer.

A escolha será tua.

Sim ou não – são posições opostas.

Tu decidirás.

A amizade é outra coisa.

Em nome dela – até sempre.

 

Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

18 de Novembro de 1994

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:43
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Que não saia da Mira o fulcro da questão”

Deveres, coragem, obrigações, opiniões, cifrões e… más criações…

Aqui estão valores que tantas vezes se confundem e baralham por emoções.

Vamos destrinçar um pouco…

Eu penso que é meu dever ter a coragem de defender publicamente a minha opinião em que, por envolverem muitos cifrões, me sujeitem a suportar algumas (possíveis) más criações, ou confusões…

Eu penso que, a ideias se contrapõem ideias e jamais vinganças, represálias. Descortesias, abusos de poder, ataques pessoais…

Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também, dos ideais.

O filho não deixa de ser filho por não casar à vontade dos pais – nem o cidadão deixa de ser respeitável por discordar do governante – e vice-versa.

Daí que não esperando – seja quem for – que todos o entendam, ou creiam, teremos que aprender – qualquer de nós a viver com esse desconforto o que é coisa normal e corrente.

O que não se pode, deve ou quer, é alguém sentir-se cobarde por ter desistido de lutar pelo que sente ser justo – só para fugir aos riscos da incompreensão.

Acima do respeito dos outros – que todos desejamos – tem que estar o respeito por nós próprios e isso é conquista só nossa.

Penso que o aplauso e adesão à proposta lançada sobre o futuro da “Quinta do Bispo” para testar se ela deveria ou não continuar a ser zona verde como consta do P.G.U. (Plano Geral de Urbanização) merece já uma serena e desapaixonada ponderação.

Sem amores próprios, vaidades ou orgulhos exacerbados ou imaturo espírito de rivalidades sem justificação.

Da falta de compostura e dos ataques pessoais mais ou menos encapotados só se pode deduzir que: onde faltam argumentos válidos se resvala facilmente para a má criação que torna ainda mais evidente a ausência dessas tais sólidas razões.

Reconhece-se sem favor e com justiça – e ninguém ainda o pôs em duvida – que não é suportável nem decoroso que a Quinta do Bispo possa continuar abandonada e desmazelada da forma confrangedora a que propositadamente foi votada!!!

Reconhece-se a urgência de pôr cobro a tão escandalosa situação, resolvendo-a rapidamente MAS tendo os superiores interesses na cidade como lema.

Reconhece-se assim a flagrante necessidade de serem estudadas com rigor as soluções possíveis dentro das hipóteses que o P.G.U. comporta.

ASSIM QUE:

Com o mínimo prejuízo possível para os proprietários que aliás adquiriam a Quinta sabendo os condicionamentos implicados no P.G.U. que já vigorava à data da transacção se deverá encontrar uma solução que honre o respeito e preservação do que é Património histórico-cultural da cidade de Elvas e, só depois os interesses particulares.

Esta é a essência da questão.

O resto é fogo posto, para arranjar derivativos que perturbem a visão clara dos factos.

Frente a uma argumentação séria que nos prove (a mim e às centenas de pessoas que já estão a apoiar a posição que defendemos) – que estamos errados – frente a essa circunstância – tomaríamos a atitude que também esperamos da dignidade dos nossos opositores – que continuamos a respeitar – honestamente desistiríamos.

Em qualquer caso ficaria sempre a consciência de se ter evitado uma atitude irreflectida e apressada numa tão grave como importante decisão para o futuro de Elvas.

Aqui só a cidade ganha ou perde.

Ter a consciência do que se afirma e assumi-la é a maneira como sei e quero continuar a viver – assim Deus me ajude.

 

Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

9 de Dezembro de 1999

 

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música: Maria José Rijo disse assim
publicado por Maria José Rijo às 21:06
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Contribuições recebidas para a compra da Quinta do Bispo

 

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Jornal Linhas de Elvas

de 9 de Dezembro de 1994

 

 

 

 

 

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Terça-feira, 27 de Maio de 2008

Leitores escrevem sobre a Quinta do Bispo - III

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Carta de 16 de Dezembro de 1994

 

FORÇA ELVENSES

 

Através do Jornal Expresso de 12/11 p.p., tive conhecimento da intenção destrutiva da nossa Quinta do Bispo, pelo Sr. Presidente da Câmara – Rondão de Almeida.

É do nosso conhecimento que desde 1986 se tem tentado o loteamento da referida Quinta, mas sempre se respeitou o (PGU) Plano Geral de Urbanização e, consequentemente, o património histórico-cultural da cidade. Naquela notícia o Sr. Presidente acusa “os cultos de impedirem o desenvolvimento e a modernização da cidade” mas para ele outro valor mais alto se alevanta que o cultural – o vil metal.

Segundo os socialistas “a maioria laranja”, no Parlamento e no governo, tem estragado o País e tem sido bastante criticada até pelo Sr. Presidente da República, embora o Sr. Gutterres a deseje para si. Na nossa autarquia a maioria absoluta socialista está agora prestes a consumar a destruição daquele património elvense.

Não critico os elvenses por terem querido mudar a cor política do município, pois há sempre a esperança e melhorar, mas é sabido e conhecido que os socialistas dão sempre primazia ao aspecto pecuniário, desbaratando, contudo, todas as verbas como “manteiga em focinho de cão”.

Tendo agora, amigos e simpatizantes elvenses, a ocasião de vos redimirdes da escolha feita, não consentido que aqueles que vocês elegeram, como transmissores dos vossos anseios, queiram agora fazer “gato e sapato” dos vossos conceitos culturais e desrespeitaram a vossa vontade.

Se o Sr. José Marques não tem condições para manter condignamente a propriedade, servindo esta de antro a prostitutas, droga e homossexualidade, que a venda à Câmara, sem valor especulativo para que o Sr. presidente possa manter aqueles valores culturais, mesmo contra sua vontade, mas pró-Elvas.

Assim, como amante da nossa cidade, admirador e respeitador de todos os valores histórico-culturais, regionais e nacionais, manifesto aqui todo o meu apoio ao povo elvense e, se há uma maioria na autarquia, há uma outra maioria mais sólida e possante – a população de Elvas.

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José Severino de Lança Brito

 

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música: Carta de José Severino Lança Brito
publicado por Maria José Rijo às 23:23
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Leitores escrevem sobre a Quinta do Bispo - II

 

Cartas de – 16 – de Dezembro – 1994

 

Em 1910, o encanto que se depreende de Elvas e ao qual sucumbe sem reservas, não lhe tolda o espírito crítico. “Incaracterístico”, na época, não tinha porventura as conotações de hoje. A palavra não deixa, mesmo assim, de albergar certo valor profético. Meditemos nele, saboreando ao mesmo tempo o colorido da evocação.

Preservar a Quinta do Bispo é, sem dúvida alguma, prestar homenagem aos hóspedes ilustres de outros tempos. A Cruz e Silva, a António Sardinha que ali escreveram e pensaram “longe do vão ruído dos homens” com “o azul lá em cima a espreitar por entre a verdura”. ((carta de A. Sardinha a A. Júlia, 1919). Mas não só. Preservá-la é, antes de mais nada, homenagear os Elvenses, o seu sentido da História, do amanhã.

A Quinta do Bispo pertence aos Elvenses, é parte integrante da sua história comum. E essa história é também nossa, de todos os Portugueses, inscreve-se no grande livro da memória colectiva, Apagar qualquer testemunho vivo desse passado escrito e tantas vezes é, convenhamos, um acto impensável. Mas tudo isto, os Elvenses já sabem, não é verdade?

 .

Maria do Rosário Sardinha

 

 

 

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música: Carta de D. Maria do Rosário Sardinha
publicado por Maria José Rijo às 22:24
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Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Carta de apoio do Arq. Fernando Monteiro

 

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Carta de Apoio

datada de 20 de Dezembro de 1994

 

 

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música: Carta do Arq. Fernando Monteiro
publicado por Maria José Rijo às 22:22
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Domingo, 25 de Maio de 2008

Quinta do Bispo na Grande reportagem - 1998-Set

 

Revista mensal

Nº 90 - ano IX - 2ª série

Setembro de 1998

pág. 20

matéria de I.L.

 

Chamaram-lhe primeiro Quinta de São Sebastião. Mais tarde, recebeu o nome de Aires Varela. Anos depois, quando foi comprada pelo bispo de Elvas Dom Manuel da Cunha, ganhou o nome que tem hoje: Quinta do Bispo. Mas talvez não dure muito.

 

A Quinta onde se veneram imagens da Nossa Senhora do Bom Sucesso e onde vivia o poeta António Sardinha pode voltar a mudar de nome. Ou de designação, passando de quinta a bloco de apartamentos.

 

A novela começa quando os herdeiros de António Sardinha precisam de vender a quinta. Na altura, Maria José Rijo vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Elvas, consegue incluir esta casa, rodeada por um jardim de 35 mil metros quadrados, no plano de urbanização da autarquia classificando-a como zona verde. Por isso, quem compra a quinta em 1989 compromete-se a mantê-la.

Por alguma razão, o novo proprietário acaba por despedir o caseiro e entrega à bicharada uma construção com quatro séculos e um jardim de árvores centenárias.

 

Mas em 1995, um “inesperado” pedido de loteamento da Quinta do Bispo aterra nos serviços da Câmara Municipal de Elvas.

Se pessoas como Maria José Rijo, que defendem “a recuperação do terreno e do espaço histórico”, chegaram a acreditar que a classificação no PDM seria suficiente para assegurar a preservação da Quinta, a opinião do actual presidente da Câmara, José Rondão Almeida, parece ser outra: “A maior parte do espaço é um monte de entulho abandonado”, justifica o autarca socialista.

“Depois de loteado, dará lugar a uma urbanização com prédios de quatro ou cinco andares”. Segundo o presidente, a velha casa e o jardim, que ocupam cerca de cinco mil metros quadrados, “serão preservados e será exigido ao novo proprietário do loteamento a sua recuperação.

 

Talvez. Mas se o futuro proprietário for tão zeloso como o último, a urbanização arrisca-se a ter vista para um monte de entulho.

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I.L.

 

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música: Quinta do Bispo - Na Grande Reportagem
publicado por Maria José Rijo às 22:00
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Carta da Drª. Angelina Martins

 

 

Senhor Director do “Linhas de Elvas”

 

A História coloca desde cedo logo na infância de cada um de nós o nome de Elvas. A aprendizagem do nosso patriotismo recolhe alimento abundante nas páginas dos seus fastos. Depois, ao lado das grandezas que moveram exércitos, sempre houve na vida da cidade razões de referência para a importância do património do País.

 

“A Quinta do Bispo” é, com o seu historial, um exemplo significativo dessa referência. Habitada pelo Bispo Dom Lourenço de Lencastre, que António Diniz da Cruz e Silva imortalizou no seu “O Hyssope”, modelo mundialmente apreciado do Poema Herói-cómico, já por isso devia ser conservada com carinho.

 

Se, porém, tal não aceitarmos como condição suficiente, lembremos que mais tarde vem valorizá-la a presença de António Sardinha. Ora, Elvas tem sabido respeitar, pelo menos até agora a sua figura de patriota e escritor. E se faço esta limitação é porque, com amargura, já o vi também agora referido como “esse literato”.

 

Fui bastantes anos professora e co-proprietária do Colégio Elvense. Criei então com a cidade cumplicidades duradouras, pois, ausentando-me ou mesmo chegada a hora de desaparecer, aí estão os alunos que, com todo o afecto de que era capaz, ajudei a formar.

 

 

Sinto-me, pois, no direito – e sem contradição, no dever – de lhe pedir, senhor Director do “Linhas de Elvas”, que me ceda umas linhas no seu prestigiado Jornal para enviar um apelo aos meus alunos os quais, seja qual for a posição que ocupem, são todos – ou muito me decepcionariam - Elvenses  conscientes do dever de defenderem os valores da sua terra.

 

A Quinta do Bispo é um desses valores. Não tem a imponência do Aqueduto da Amoreira. Não chama à oração como a Sé ou São Domingos. Não acende entusiasmos bélicos como os Fortes que nos convidam a entrar na cidade ou as muralhas que ainda a abraçam. Mas é também um monumento. Está na história. A Arte e o Espírito também são material histórico.

 

Se infelizmente, como sinal dos tempos confusos que vivemos, isso vier a acontecer, será em nome de quê?

Não deixem, meus antigos alunos do velho colégio Elvense que não individualizo aqui porque todos continuam no meu coração – não deixem que a Quinta do Bispo morra afogada em cimento

 

Tenha paciência quem se sentir atingido, mas a resposta quanto a mim, é esta: em nome do lucro e da ignorância, se não apenas do menosprezo por tudo o que transcende o que se pode desenhar numa folha de papel espetada em qualquer cavalete.

 

Nos agradecimentos que lhe apresento por acolher as minhas palavras incluo os que se destinam à promotora desta campanha, a Exmª. Senhora D. Maria José Rijo a quem Elvas fica a dever mais esta prova de dedicação.

 .

Atentamente

Angelina Vasquez Martins

 .

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Jornal Linhas de Elvas

16 - Dezembro - 1994

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música: Carta da Drª Angelina Vasques martins
publicado por Maria José Rijo às 20:47
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Argumento do Hyssope

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José Carlos de Lara, Deão da Sé de Elvas, querendo obsequiar o seu Bispo, o Excelentíssimo e Reverendíssimo Dom Lourenço de Lencastre, vinha oferecer-lhe o Hyssope à porta da casa do Cabido todas as vezes que este Prelado ia executar as suas funções na Cathedral.

Depois, esfriando entre eles a amizade por motivos que nos são ocultos, mudou o Deão o sistema; o que o Bispo sentiu em extremo como uma grande afronta à sua ilustríssima Pessoa; e para obrigar o mesmo Deão a continuar no costumado obséquio, conseguiu por meio de alguns seus parciais do Cabido, que este lavrasse um Acórdão, pelo qual o Deão fosse obrigado, debaixo de certas multas, q que não o esbulhasse da pretendida posse em que se achava.

Deste Acórdão appelou  o Deão para a Metropoli, onde teve sentença contra si. Esta é a acção do Poema.

Passado pouco tempo depois da referida sentença, morreu o Deão, e lhe sucedeu no Benefício hum sobrinho seu, chamado Ignacio Joaquim Alberto de Mattos; o qual recusando sujeitar-se, como seu Tio, a sobredita obrigação, foi pelo Bispo asperamente repreendido, e ameaçado.

Então interpôs o mesmo hum Recurso para o Juiso da Coroa, o qual mandando continuar vista da petição ao Bispo do estylo; ele,possuído de hum terro pânico, se não foi temor reverencial, desistindo da imaginada posse, negou haver tal Acórdão, e tudo quanto tinha obrado a este respeito.

Tudo, isto, que se seguiu depois da Sentença da Relação Eclesiástica de Évora, da matéria ao Vaticano de Abracadadabro, e he hum dos episódios, que entrarão na composição deste Poema.

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Dr. João Falcato

 

 

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música: O pOema em 8 cantos
publicado por Maria José Rijo às 18:20
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Leitores escrevem sobre a Quinta do Bispo

 

 

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Jornal Linhas de Elvas

16 - Dezembro de 1994

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música: mais cartas de Apoio
publicado por Maria José Rijo às 17:56
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Carta de apoio de Joaquim Pereira

 

 

 

 

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Carta de 23 de Novembro de 1994

Coimbra

 

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música: Carta de Joaquim Pereira
publicado por Maria José Rijo às 17:49
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Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

O Marquês de Pombal entra na história do Hyssope

O Bispo de Elvas, Dom Lourenço de Lencastre era do sangue do Duque de Lencastre que a Inglaterra veio em auxilio do Mestre de Avis e que deixou uma filha Rainha e a “Ínclita Geração”.

De boa linhagem, manda a justiça que se diga que prestou assinados serviços à Igreja. Ligado aos Marqueses de Lavradio, conde de Avintes e Marqueses da Mina, era filho do ilustre Dom Rodrigo de Lencastre.

Para ganhar serenidade, fugindo ao farfante Deão e ao poeta do Hyssope, deixa o seu palácio na cidade, compra aprazível Quinta nos subúrbios de Elvas que, por esse só facto se passa a chamar “Quinta do Bispo”.

Quando se apresta para ocupar aquele paradisíaco local, ó céus, verifica que dele, de todos os pontos, se enxerga o Convento de S. Francisco onde se acolhia o Lara. Manda que uma sebe frondosa de árvores exóticas o liberte da visão.

Por tão frondosa vegetação, o poeta do Hyssope chama à Quinta a “versailhes “ de Elvas.

Liberto do Deão pela protecção das árvores, como igualmente se havia de libertar do poeta!? Recorre para o “Juiso da Coroa”, que despropósito, para administrar justiça, exige que venha à sua presença o poeta e, no seu gabinete, recite para ele na presença do Bispo partes do poema que previamente tinha marcado.

No final despachou o Bispo para Elvas e castigou o poeta nomeando-o para o mais alto cargo das Justiças do Brasil.

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.276

2 de Dezembro de 1994

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:37
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O centenário Platano da Quinta do Bispo

 

 

 

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música: O magestoso Plátano
publicado por Maria José Rijo às 00:35
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Quinta do Bispo no Diário de Noticias

Diário de Noticias

em: País

6 de Dezembro de 1994

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matéria

assinada por

Manuel Carvalho

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música: Quinta do Bispo no Diário de Noticias
publicado por Maria José Rijo às 22:06
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A Quinta do Bispo -no Jornal Expresso

Câmara de Elvas

destrói

quinta histórica

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Jornal Expresso

12 - Novembro de 1994

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matéria redigida por

J. E.

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música: Quinta do Bispo no Jornal Expresso
publicado por Maria José Rijo às 21:57
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Dr. João Falcato - Uma Carta que sensibiliza

Residindo hoje em Borba, o Dr. João Falcato é um homem que tem

 

 

por Elvas um carinho muito especial, pois foi proprietário e director do Colégio Elvense.

Esta semana, enviou ao director do Linhas de Elvas, João Alves e Almeida, a missiva que agora passamos a transcrever:

“ Vivi em Elvas bastantes anos. O meu contacto diário com alunos e famílias deu-me razões para uma recordação muito grata desse tempo.

Afastado por deveres e profissionais, Elvas continuou a ser para mim a referência duma das melhores épocas da minha vida. Hoje ainda, já lá vão bastantes anos, sinto-me ligado à cidade como se ela fosse a terra do meu segundo lar.

Desejo que Elvas não venha a perder nunca algumas dessas características desse testemunho do património que sempre fizeram dela uma das mais lindas urbes de Portugal.

A “Quinta do Bispo” é um dos elementos ricos e significativos do património elvense. O seu significado transcende os interesses locais. Não esqueçamos que há séculos ali decorreram vidas que fazem parte dos factos nacionais.

Preservar esse recinto, embelezá-lo e defende-lo é dever de todo o elvense. Destruí-lo, não – tal atentado só pode passar pela cabeça de quem tem por culto os valores do cimento armado que levam a rendimentos materiais, desprezando os valores espirituais.

Uma terra só é rica quando sabe conservar as suas tradições, preservando-as dum falso progresso.

Associo-me, pois àqueles que estão levantando a sua voz para que Elvas não fique empobrecida sob o argumento falso da melhoria de condições de vida.

Aqui estou, portanto, a comparticipar com a importância de 500.000$00 (Quinhentos mil escudos), esperando que em breve sejam alcançados os objectivos desta cruzada de amor pela sua terra, em boa hora levantada pela Senhora D. Maria José Rijo.”

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.275  - 25 Novembro de 1994

 

 

 

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música: Carta nº 7 - Dr. João Falcato
publicado por Maria José Rijo às 21:29
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Não Há 2 sem três

CHEQUES PARA A COMPRA DA QUINTA DO BISPO CONTINUAM A CHEGAR

Há duas semanas atrás, era lançado o desafio aos leitores do nosso jornal, no sentido de contribuírem na medida do possível – “… basta o valor de um café ou de um gelado…” – para a aquisição da Quinta do Bispo pela população elvense e demais amigos da cidade.

A nossa colaboradora Maria José Rijo, mentora desta ideia, avançou logo com um cheque no valor relativo ao seu subsídio de Natal.

 

Ainda poucos dias eram passados e chegava à nossa redacção um outro cheque, no valor de 200 contos, remetido por D. Maria del Cármen Baena Nunes da Silva Cruz Almeida, residente em Coimbra.

Já esta semana, o Dr. João Falcato enviava-nos – além da tocante carta que acima publicamos – um cheque de 500 mil escudos, também à ordem da (por enquanto) hipotética Comissão de Compra da Quinta do Bispo.

Assim, a campanha lançada nas páginas do Linhas rendeu até agora  a quantia de 853.945$00 (sendo o nosso jornal depositário dos três  cheques referidos), uma importância de certa forma significativa, mas ainda bastante longe dos valores pretendidos – o que aliás é perfeitamente compreensível.

Assim, continuamos duplamente à espera: por um lado, da formação de facto da Comissão para a Compra da Quinta do Bispo e, por outro lado, de que até nós cheguem mais donativos para o fim em vista.

“Tijolo a tijolo”, a “obra” pode nascer – e o sonho transforma-se em realidade…

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.275

25  de Novembro de 1994

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:31
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Apontamento:

Quando se pretender fazer uma convincente tomada de consciência sobre o loteamento da Quinta do Bispo, chamem-se a Elvas técnicos da Comissão de Coordenação da Região do Alentejo (C.C.R.A.), da Direcção Geral de Transportes e do Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico (I.P.P.A.R.).

Convoquem-se técnicos da região, consultem-se os Ministérios do Ambiente e do Planeamento, a Secretaria de Estado da Cultura, artistas e técnicos ainda que não residentes.

Para que o povo possa reconhecer que está a ser tratado com o respeito que merece e a que tem direito.

 

                        Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:16
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Campanha de Angariação

Continua a dar frutos a campanha de angariação de fundos para a compra da Quinta do Bispo pela população elvense e amigos da Cidade.

De Borba, o Dr. João Falcato, director do Colégio Elvense, enviou um cheque de 500 contos.

 

 

 

publicado por Maria José Rijo às 19:04
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Sejamos lógicos

Se eu afirmar “gosto muito de Olivais”, ninguém espera que eu arranque todas as minhas oliveiras!...

Em 2 de Março de 1986 – faleceu com 98 anos de idade a Senhora Dona Gica - que fora proprietária da Quina do Bispo até cerca de 1980.

 

Em 25 de Abril de 1974 – Se, ainda hoje, pessoas colocadas em lugares de responsabilidade – de quem se espera atitudes justas e isentas – promovedoras de união e consenso, escamoteiam o sentido de justiça e a lucidez de corajosos actos de amor a Elvas…

- Se os transformam em baixa e cinzenta politiquice, com insinuações de fascistas e mais não sei quê – a quem se nega à ofensa de chamar de “literato” um dos grandes Homens das letras portuguesas…

Haverá alguém que não entenda – num rápido olhar – que foram os outros iguais a esses – aqueles que, confundindo e baralhando em lugar de discutir, os que “perfumaram” com ódio os cravos da revolução de Abril – que forçaram essa generosa e grande Senhora a salvar entregando à Igreja, o espólio de seu marido que de todo o coração ela tinha querido entregar a Elvas?!

Se 20 anos passados após o 25 de Abril…

Hoje ainda se usa o mesmo artifício, de forma tão pouco ética, pensemos nas horas dramáticas que terá suportado tão Santa Senhora, sob ataques de fanatismos ignorantes, à memória de seu marido…

Em 24 de Outubro de 1989 a Quinta do Bispo é comprada ao casal Sousa Lopes pela verba de 47.500 contos, esta é a verba autêntica e não outras…

(Tenho cópia de toda a documentação relativa ao acto, desde o número dos cheques, às importâncias, aos nomes dos dois intermediários comissionistas – tudo – até à carta de protesto do vendedor quando se apercebeu de “factos” que tanto o magoaram (por virem de “amigos”que, pode dizer-se, lhe abreviaram a morte).

 

Tenho porque me deram – e guardo porque, tudo quanto digo e faço, nada tem de agressão pessoal contra ninguém nem visa escândalos ou atitudes menos limpas.

Visa tão simplesmente ajudar Elvas.

Assim, aconteça o que acontecer, que ninguém possa desculpar-se, agora, ou no futuro, dizendo:

-- Ninguém me esclareceu! – Não sabia!

Acontece, que estou no “Linhas de Elvas! Desde a hora em que o jornal nasceu e, este semanário que vive e pulsa à sombra da mais importante batalha da independência de Portugal tem esse enigma de fé:

Serve sem medo a cidade e o concelho como uma voz de consciência indómita e corajosa, ignorando pressões – ousando falar verdade – sem titubear, como nesta hora em que levanta uma questão  nacional – a insensatez dos loteamentos não ponderados.

O Linhas não loteia! O Linhas norteia.

Assim – resumindo e concluindo:

Numa zona verde – protegida pelo P.G.U. – alguém compra uma Quinta.

Para quê? Para a habitar? Para arrendar ou cultivar? – Não!

Compra-a para driblar leis e princípios.

Compra-a porque menospreza a inteligência dos seus concidadãos.

Compra-a para esperar a hora de facturar e lotear – esta é a questão isto é evidente.

Isto é feio!

Isto é tão feio, como chamar a António Diniz da Cruz e Silva “literato” – como ousou fazer o despeitado Bispo D. Alexandre de Lencastre… Daí, todo o ridículo que imortalizou no “Hyssope”- e, a gargalhada que o acompanha já há dois séculos e o acompanhará através dos tempos nessa  obra prima da literatura portuguesa tão ligada à histórica “Quinta do Bispo”

Soluções possíveis:

a)    Os proprietários habitam e cuidam a quinta.

b)    Os proprietários vendem a quinta – que continua a ser zona verde – mas que por estar há seis anos entregue à incúria e ao desleixo se encontra fortemente desvalorizada pela morte de mais de 100 amendoeiras, laranjeiras e outras árvores de fruto e ornamentais.

c)    A Câmara cria para lá um projecto de utilidade pública que respeite o seu valor histórico – cultural organiza um dossier com todos os elementos já ventilados e outros e procede à sua justa expropriação.

 

Daqui não há que fugir – porque não há contrapartidas (de terminais acanhados e mal implantados) que tapem o sol com uma peneira – nem passeios em manhãs de sábados soalheiros, nem finais de telenovela ao vivo em cine-teatros que confundam a verdade evidente.

A última usufrutuária da casa à direita da entrada da Quinta faleceu em 22 de Junho de 1993.

Porém o apartamento do caseiro como todo o restante espaço tem estado inteiramente ao abandono desde 1989.

O povo trabalha e cumpre.

Quem o levanta é o desmando de quem governa.

O povo entende quando:

-- Por fora há cordas de viola e por dentro pão bolorento! E… não há branco que o encubra!

 

 

                                Maria José Rijo

 

€€€€

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.275 – 25 Novembro de 1994

 

 

 

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 18:43
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