Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

Passaram por esta Biblioteca

 Passaram por esta Biblioteca em 4 anos

deste mandato dúzias de jóvens que à sombra

das árvores, no Verão, limpavam livros.

Foram:

A.T.D. - P.O.C. - O.T.J. - O.T.L.

etc...etc...

Alegraram o ambiente.

Colaboraram.

Fizeram trabalho válido.

Duas vezes foram limpos

um a um todos os livros.

Permanecem nos seus lugares:

O Bibliotecário arquivista - Dr. Alberto Marinho -

dirigiu o trabalho de fichas e catalogação

Manuel Branca - encadernador

Cila -- a simpática

José Marante -- colaborador eficiente

Lúcia -- (a Tímida) eficiente e calada

Glória -- outra preciosa colaboradora

Florinda -- também técnica de BAD por mérito próprio

e vontade política da Câmara que patrocinou o

curso e criou o lugar.

Leandro -- Um menino grande - generoso

e bem educado que dá gosto proteger

Mariana

Ester

Mariana e Ester

são duas senhoras de brio que se

orgulham do apuro da Biblioteca

como se fora sua própria casa.

Ana do Carmo - a sensível

 Ângela

Ana do Carmo e Ângela

são duas técnicas de BAD.

A Ângela deve a sua promoção profissional

a esta Câmara que lhe proporcionou os

meios de se libertar da condição de tarefeira

que era havia  6 anos.

 ..

Maria José Rijo

sinto-me: Sala Eurico Gama
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 22:50
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A Inauguração da Sala do escritor Eurico Gama

 

Dona Maria Amélia Gama

e Maria José Rijo

Dr. Pires Antunes

e Maria José Rijo

Dr. Pires Antunes está comovido

porque foi ele que fez o agradecimento

à Câmara em nome de sua irmã,

viuva do escritor.

Velhos Amigos

Dr. Pires Antunes,

cunhado de Eurico Gama

D. Maria Rosa Celestino da Silva Cidrais

e Maria José Rijo

Entraram as visitas

Aqui o Pintor António Cadete

e Dona Maria José Caldeira de Carvalho

Neste canto reconstituiu-se

o escritório do Escritor.

Eram de sua casa as

estantes, os adornos,

a secretária.

Sobre ela estão os óculos

de Eurico Gama na

página aberta do

último livro que leu.

.

Maria José Rijo

sinto-me: Sala Eurico Gama
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 19:49
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Domingo, 29 de Junho de 2008

Inauguração da Sala Eurico Gama

 Dona Maria Amélia Gama

 O mandato tinha seis meses.

Cumpria-se a promessa feita.

Inaugurava-se a

Sala Eurico Gama.

Começa a cerimónia com uma

sessão Solene na Sala Nobre

- A Públia Hortensia .

Quatro crianças,

alunas do Dr. Zagalo

liam trabalho seu, orientado

por esse senhor Professor,

sobre a vida e obra de Eurico Gama.

O Sr. Presidente da Câmara

Dr. João Carpinteiro faz a entrega da chave

da nova sala à Sra. Dona Maria Amélia Gama

viúva do escritor.

 Ela abre a porta.

A Rosinha Cidrais, amiga de todas as horas

nesta cruzada de correr contra o tempo

para cumprir o prometido, observa atenta.

Eurico Gama

deixara à cidade de Elvas cerca de

6.000 volumes

- toda a sua biblioteca -

Falecera havia 9 anos e,

por inércia a cidade estava privada

de tão valioso património.

.

Maria José Rijo

 

 

 

sinto-me: Sala Eurico Gama
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 22:45
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Eurico Gama

 

 

 

Eurico Garcia Miranda Gama

nasceu em Elvas

no dia 11 de Junho de 1913

 

 

Faleceu

no dia 5 de Junho de 1977

em Portalegre

sinto-me: Inauguração da Sala
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 20:54
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A Sala Eurico Gama

Era assim:

Antes de 1986

Foi desta desordem que nasceu a sala

Eurico Gama

que se mostra em baixo.

A estante onde se lê

Biblioteca Maria Amélia

separa-a da sala de Arquivo.

O Bibliotecário - Dr. Marinho

orienta duas O.T.J.

na arrumação de um ficheiro

 Eurico Gama que fora

Director da Biblioteca Municipal de Elvas

legou por testamento a sua

biblioteca particular

de 6.000 Volumes à

Biblioteca da sua cidade de Elvas

ao falecer

em 5 de Junho de 1977

 Sala Eurico Gama

Onde se reconstituiu o ambiente familiar

do escritor.

Para o conseguir sua viuva a

Senhora Dona Maria Amélia Gama

ofereceu o mobiliário que a compunha:

secretária, cadeira, estantes.

 Longos anos aguardou a cidade

que se criasse espaço para receber

o precioso legado.

Em 11 de Junho de 1986

data do nascimento de Eurico Gama

abriu-se a sala ao público.

Eurico nascera em 1913 e falecera a

5 de Junho de 1977

em Portalegre.

.

Pouco tempo antes de falecer, ainda

era Elvas e Só Elvas  a sua preocupação,

quando confidênciava a sua mulher

"A vida é tão curta e eu tinha ainda tanto que fazer".

-

9 anos depois da sua morte

fazia-se finalmente à memória

de Eurico a merecida justiça!

.

Maria José Rijo

 

sinto-me: Sala Eurico Gama
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 20:50
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Monografia – Eurico Gama

Rainha da Fronteira

 

NOTA BREVE

 

É quase com o sentimento de culpa de quem comete uma inconfidência, que se lê o “Termo de Abertura” de

 

ELVAS

Rainha da Fronteira

 

(monografia resumida)

Por

Eurico Gama

 

Qualquer pessoa, por muito desprevenida que esteja, ao tomar contacto com esta obra, sentirá, que, para além da verdade histórica que lhe é narrada, toca os sentimentos íntimos do autor.

Em verdade, se Eurico Gama foi escritor, etnólogo, investigador e historiador reconhecido, tudo isso soube ser – por ter sido – não apenas, mas muito principalmente: Poeta do Amor à sua terra.

Eurico nasceu em Elvas a 11 de Junho de 1913 e viria a falecer em Portalegre em 5 de Junho de 1977.

Pouco tempo antes de morrer, ainda era Elvas e só Elvas, a sua maior preocupação, quando confidenciava a sua mulher:

“ A vida é tão curta e eu tenho ainda tanto que fazer!”

Eurico, tal como um herói de velhas lendas ou destemido cavaleiro medieval – frente à sua Rainha – a cidade de Elvas – foi o súbdito reverente, zeloso e fiel, que apaixonadamente a serviu a vida inteira.

Este Câmara, que da mesma cidade de Elvas recebeu mandato neste ano de 1986 – publicando obra sua – exerce justiça e honra a sua memória.

 

Junho de 1986

 

Maria José Rijo

 

sinto-me: Sala Eurico Gama
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 17:20
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Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

De caminho para a Sala Eurico Gama

 

Este é o corredor que conduz à

SALA EURICO GAMA

- que se vê ao fundo-.

...

Era como se mostram nas fotografias,

antes de ser recuperado.

Neste corredor frente à comoda onde se vê

uma jarra com flores

fica a sala nobre da Biblioteca

"SALA PUBLIA HORTÊNSIA DE CASTRO"

À porta desta sala está

uma velha estante de

música com uma reprodução do

"Cancioneiro de Elvas",

estudado por

MANUEL JOAQUIM

seu achador na referida sala.

CANCIONEIRO DA PUBLIA HORTÊNSIA

CANCIONEIRO DE MANUEL JOAQUIM

São os

outros nomes dados a este

códice do séc. XV ou XVI

..

Maria José Rijo

sinto-me: Sala Publia Hortênsia d Castro
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 00:18
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

Sala Publia Hortênsia de Castro

 

A esta bela sala se restaurou o tecto;

o chão que levou dias a raspar

para ser libertado do "Dabri" .

Arranjaram-se as estantes,

compôs-se com cortinados

e se enriqueceu com um piano

que veio do "velho" clube  Elvense.

"Públia Hortênsia "

é o nome que esta bela sala ostenta

em letras gravadas numa placa de

mármore sobre a sua porta de entrada

a que aí dá a mesma designação

.

Maria José Rijo

sinto-me: Sala Publia Hortênsia de Castr
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 23:58
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A Distância de 3 Anos

BIBLIOTECA:

A Distância de 3 Anos

PATRIMÓNIO HERDADO E… RECONQUISTADO!

Tendo consciência da importância formativa da crítica, se ela for isenta, rigorosa e de honesta intenção, julgo estar na posição certa para oferecer às pessoas interessadas em avaliar o trabalho desta Câmara – com justiça e sem maledicência – alguns dados sobre os objectivos do projecto que serviu de base à sua actuação, nomeadamente no campo da cultura.

Com inegável coragem e escassos meios financeiros, votou este mandato, do Dr. João Carpinteiro, o propósito de não deixar parecer o valioso património bibliográfico à sua guarda, que recebera decadente.

Não conseguindo do Instituto do Livro e da Leitura o apoio financeiro solicitado, em desespero, ao verificar que a formiga branca infestava livros, chão e mobiliário – deu esta câmara, com a sua decisão e coragem, uma verdadeira lição de consciência de dever e saber estar que cabe aos verdadeiros dirigentes – salvando um património cultural de tal valor que torna a Biblioteca de Elvas conhecida e procurada por estudiosos de todo o Mundo.

Sendo eu, no elenco desta Câmara, o único elemento sem filiação partidária (embora confessando a mágoa de não realizar em absoluto um sonho que partilhei) não escondo que me foi grato ter podido ajudar, ao longo destes três anos, um Homem cuja honestidade sempre comprovei, e a quem, ninguém poderá ter a ousadia de negar a evidente dedicação de cada dia do seu mandato à causa do Progresso e do Bem Estar de Elvas, pesem embora as falhas de toda a obra que é humana.

No momento em que está quase terminada a obra que em Outubro de 87 merece já o comentário da Secretária de Estado da Cultura:

com muito apreço pelo esforço já realizado na recuperação desta valiosa Biblioteca” – Elvas pode orgulhar-se  de ter reconquistado o inalienável direito à guarda e posse da sua legítima herança.

 

Maria José Rijo

(Vereadora da Cultura)

.

Boletim Municipal de Elvas

Nº 17 – série II

Novembro/Dezembro de 1988

 

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música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 23:06
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Cerca de 40 cadeiras...

existentes estavam estropiadas,

empilhadas aos montes,

pelos cantos com livros, madeiras,

caixas com lixo numa confusão

assustadora.

Era a imagem perfeita do que se pode

o desamor e, a ignorância.

A Biblioteca "ganhou"

o seu carpinteiro privativo

-- O Sr. Vidigal --

e, a pouco e pouco tudo foi mudando.

Depois do espaço abandonado

- surgiu o aproveitamento digno -

como se vê:

Limpar toda esta documentação

papel por papel

arrumá-la em caixas próprias

que as defendem de poeiras,

excesso de luz, etc... etc...

referenciá-la com etiquetas identificadoras

será tarefa de anos...

..

Maria José Rijo

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 22:03
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Defender o Nosso património...

 

Promover a transformação

que se verifica por estas duas fotos

(antes - e - depois)

Deu-nos o direito de, em nome da nossa

cidade responder com firmeza

para defender o nosso legítimo

património

.

Maria José Rijo

 

 

 

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 21:41
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Do caos nasce...

(Manuel Branca - encadernador autodidacta)

.

Monta-se uma oficina de encadernação num

longo corredor que se recuperara e

compartimenta depois de serem consertadas

as estantes partidas

abandonadas com desleixo.

 Do cao, com trabalho e determinação

faz-se nascer ordem, limpeza,

funcionalidade e, até, beleza.

 

 o Arquivo

 o espaço de convívio,

surgiram

no espaço desleixado

que se mostra em primeiro lugar.

.

Maria José Rijo

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música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 21:33
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Antes do mandato 86/89

tinha havido uma tentativa de arranjo

da Biblioteca,

Ao que nos contam...

Não foi por diante.

Esboçaram a recuperação

do arquivo.

Aceitaram algumas estantes

da marinha mas...

ficaram por aí.

A Biblioteca não tinha pessoal

em quantidade

(uma mulher a dias limpava???

Biblioteca e Museu)

 e não dispunha de um projécto sólido

nem houve vontade politica de chegar

ao fundo da questão.

.

Maria José Rijo

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 21:04
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Mudanças ...

Deste corredor "de loucura"

uma vez limpo, arrumado, com o chão

substituido por tijoleira encerada

onde uma passadeira abafa o ruido

dos passos

nasce uma imagem de apurado

asseio e dignidade.

São 4 anos de trabalho

onde se empenha o esforço de

A.T.D - O.T.J - P.O.C - O.T.L

para que todas estas rimas

de papeis, revistas, livros e documentos

encontrem a ocupem o lugar certo

e possam as fichas e

catalogação devida.

 

Maria José Rijo

 

música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 20:18
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Onde era...

 

Onde era um espaço vazio e inutil

cria-se uma sala polivalente.

Faz de SALA DO CONTO.

Serve para reuniões,

Conferências, aulas.

O arranjo e a limpeza dão

agora o tom!

.

Maria José Rijo

 

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 18:44
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Ambiente da Biblioteca

 

Nota-se bem a diferença do ambiente

tendo como referência a fotografia onde o chão

se mostra sem brilho.

Os estudantes ganham o jeito de vir à

Biblioteca. Sentem-se lá bem.

 

A sala do fundo que se vê vazia na

fotografia (como era antes)

Já ostenta um cortinado que o brilho

do chão agora reflete e

gera conforto.

.

Maria José Rijo

 

 

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 18:31
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Prof. Dr. Gil Miranda

 

Nesta fotografia podem ver-se:

- os óculos, lápis, lupa, papeis, pasta e cajado

do investigador

Prof. Dr. Gil Miranda

que está a preparar um trabalho

sobre pregaminhos musicais do séc. XV

existentes na Biblioteca de Elvas

e que podem ver-se sobre a mesa,

à esquerda.

.

Maria José Rijo

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 18:15
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Criou-se...

 

um espaço para os mais

pequeninos

Compraram-se ficheiros

Procedeu-se à catalogação, limpeza e

arranjo de livros.

Aboliu-se a lavagem do chão que passou

a ser encerado.

Instalou-se música ambientadora.

Campainhas para chamar o pessoal.

.

Maria José Rijo

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 18:04
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Entrada da Biblioteca

 

Quando em 18 de Março de 1989 o

Sr. Presidente da Republica -

Dr. Mário Soares -visitou Elvas

já a entrada da Biblioteca mudara de côr,

de floreiras, de arranjo.

.

(Em Fevereiro de 1989 sob a direcção do

Dr. Carlos Beloto de Conimbriga

fez-se o levantamento dos mosaicos

e arranjou-se o pavimento com

funcionários da Câmara).

.

As FLOREIRAS

foram-me oferecidas por uma amiga:

Ana Guerra Silva

a quem as pedi para a Biblioteca.

.

Neste momento (25 de Junho de 2008)

Não fazem parte da decoração!!!!....

.

Maria José Rijo

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 18:02
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Terça-feira, 24 de Junho de 2008

A entrada da Biblioteca

 

Vasos de cimento grosseiros e feios

tornavam vulgar

uma entrada que é

bela e nobre.

Era assim em:

7 de Março de 1986

quando se começou

a obra da sala

Eurico Gama

A Biblioteca tinha um ar triste.

Era fria, desaconchegada.

Os mosaicos romanos

estavam escondidos por

sucessivas camadas de "dabri".

Não havia tapete sequer para

limpar os pés à entrada.

.

Maria José Rijo

 

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 23:55
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Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

Continuação...

 

Substituia-se a pouco e pouco o pôdre

mudavam-se os livros dentro do esquema

combinado para voltarem depois aos locais

próprios sem erros, como na verdade,

aconteceu.

Com a colaboração das funcionárias

Ana Matos

Angela Martins

Anabela Pires(OTJ)

na minha qualidade de Vereadora

assumi a responsabilidade da tarefa

de remodelação dos (cerca de 30.000)

livros dentro dum plano que elaborei e,

graças a Deus - Resultou.

.

Maria José Rijo

 

 

 

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 23:37
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Continua o trabalho...

 

Os livros mais atacados

foram arrumados ao meio

dos corredores.

O cheiro dos produtos utilizados

era horroroso e os gases altamente tóxicos.

A Biblioteca fechou ao público.

Trouxeram-se do museu as peças

necessitadas de expurgo.

Maria José Rijo

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 23:21
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A desinfestação foi um trabalho, caro dificil e penoso...

Fez-se um plano de trabalho. A tarefa é enorme.

Avaliada a situação estabeleceram-se prioridades.

Vêm técnicos de Lisboa, procede-se a uma

profunda desinfestação.

A Biblioteca fecha ao público.

Todo o soalho é levantado e substituido por tijoleira.

Esvaziam-se as estantes.

30.000 livros saiem do lugar e as próprias

estantes são arrancadas das paredes.

Dirijo o trabalho.

Ajudam-me a Ana do Carmo,

a Angela e a AnaBela (O.T.J)

.

Maria José Rojo

 

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 23:01
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Investiga-se o soalho...

é pior do que se julgava...

 O chão de soalho que sobre barrotes de

madeira fora colocado 15 a 20cm acima da velha

tijoleira, encobria todo o rodapé das estantes e

criara uma zona (vão) onde mercê das frequentes

lavagens com baldes de água e esfregona se

mantinha um grau de humidade que provocava o

apodrecimento das madeiras do pavimento.

 O ambiente cheirava a bolor e a ratos podres,

cujos restos se encontraram ao levantar o soalho.

A formiga branca encontra o seu espaço ideal...

 .

Maria José Rijo

 

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 22:29
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Domingo, 22 de Junho de 2008

A monte, sem cuidados...

 

nem critério,

entre papéis velhos e lixo

estavam

preciosidades...

.

Maria José Rijo

 

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 22:29
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10 anos sem desinfestação...

 

Victimas do esquecimento

A ameaça é séria

os estragos são irremediáveis...

Palavras, para quê?...

 

... morrendo aos poucos

estavam os livros...

.

Maria José Rijo

 

música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 21:45
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A Biblioteca ... em silêncio...

 

Sob a poeira de 10 anos, sem limpeza

e sem desinfestações, sem cuidados,

nem critério, entre papeis velhos e

lixo os livros sofriam...

O Jardim com seu ar de

romantismo triste parecia saber

que a sua Biblioteca, em silêncio,

era pasto da formiga branca...

Maria José Rijo

 

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 21:29
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A Biblioteca Municipal de Elvas

 

A Biblioteca Municipal de Elvas

sonhada e criada com alegria

e orgulho em 1880

estava em 1986 como se documenta fotograficamente...

.

Maria José Rijo

 

sinto-me:
música: Mandato - 1986 - 1989
publicado por Maria José Rijo às 20:27
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Sábado, 21 de Junho de 2008

Câmara de 1986 - 1989

 

Na reunião de 20 de Janeiro de 1986, foram distribuídos

Os Pelouros, de harmonia com o disposto na lei.

 

########

 

PRESIDENTE

Administração Geral, Financeira e Administração Pessoal,

Informações e Relações Públicas, Juventude e

Desporto e Habitação.

 

Maria José Rijo

Cultura e Turismo

 

Leonel Nascimento

Saúde, Acção Social, Parque de Máquinas e Oficinas,

Obras, Higiene e Limpeza, Electrificação e Águas.

 

Luís Abreu

Transito e Viação

Parque de Estacionamento e Comércio

 

Barrocas Guerra

Freguesias e Desenvolvimento do Concelho

 

José Marcolino

Mercados, Feiras e Actividades Económicas

 

Aníbal Franco

Jardins, Parques, Espaços Verdes e Comércio

 

###

 

Com este elenco do qual Aníbal Franco se afastou dando

lugar a António Ferreira sob a

Presidência de João Manuel Valente Pereira Carpinteiro

se promoveu corajosamente a recuperação da

Biblioteca Municipal de Elvas como por

comparação, também, fotograficamente se documenta.

 

Maria José Rijo

 

 

 

 

 

sinto-me:
música: Distribuição de Pelouros - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 22:04
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“Auto da inauguração da biblioteca municipal da cidade d’Elvas.

Aos 10 dias do mez de Junho de 1880 (anno de nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo), n’esta cidade d’Elvas, pelo meio-dia, em uma das salas do pavimento inferior do edifício do seminário episcopal, reunida a Câmara municipal d’este concelho, composta dos srs. Presidente interino e vereadores abaixo assignados, e achando-se também presentes as auctoridades civis, militar e ecclrsiástica, os presidentes das corporações administrativas, de beneficência, recreio e insytrução, além dum numero considerável de pessoas qualificadas, atraídas a este acto solemne pelo convite feito pelo referido sr. presidente da Câmara, e em presença de grande concurso de povo, se procedeu á ceremonia da inauguração da biblioteca municipal d’Elvas (que se acha installada n’esta mesma salla) pela forma seguinte:

“O sr. presidente  interino da Câmara abriu a sessão com um breve e apropositado discurso, e em seguida foi lida um exposição, relatando  todas as vicissitudes por que havia passado este estabelecimento desde a sua fundação até ao dia d’hoje; depois do quê, orou eloquentemente o sr. José Alexandre de Menezes Feio, digno capelão do regimento de cavallaria nº 1, acerca das vantagens que se podem auferir das bibliothecas públicas, fazendo ao mesmo tempo a apologia do grande épico portuguez Luiz de Camões, cujo tricentenário hoje o paiz inteiro tão enthusiásticamente festeja com a inauguração deste instituto litterario. Por último o sr. presidente agradeceu em nome da Câmara os relevantíssimos serviços prestados pela ilustre commissão installadora, manifestando a sua gratidão  a todos os cavalheiros que se dignaram abrilhantar este acto com a sua  presença, e ao distincto orador que o tornou ainda mais solemne, e a sua exª o sr general governador da praça pela valiosíssima cooperação que se dignou prestar, a fim d’elle poderser levado a effeito; mandando lavrar o presente auto, que eu, António Thomaz Pires, escrivão da Câmara, escrevi, li e subscrevo.

“Eusébio David Nunes da Silva – Manuel Caetano da Costa – Francisco Domingues Tenório – Atilano António da Silva Rijo – Joaquim Dias Barroso – Caetano José da Costa – O general, Roque Francisco Furtado de Mello – O Juiz de direito, Francisco António da Silva Seide – Manuel da Silva Freire, general de brigada – Emigdio José Xavier Machado, coronel commandante d’artilheria nº 2 – Diogo Pires Monteiro Bandeira, tenente-coronel de lanceiros 1 – Ignacio de Loyola, major de lanceiros 1 – João Travassos Valdez – Zacarias de Sousa Callado, major de caçadores 8 – o cónego-desembargador da Relação patriarcal, Joaquim António Barradas – Manuel José da Costa e Silva, major reformado – Joaquim Maria d’Almeida – João José d’Ataíde Banazol – Roque de Brito Berredo Furtado de Mello – José Francisco da Silveira Falcato – Joaquim António de Campos Araújo – Joaquim José da Guerra - João Joaquim Silveira Falcato – O cónego, Francisco Maria de Sousa Carvalho – Joaquim José da Silva – Alberto Hipólito Godinho Risques Pereira – Círiaco José da Cunha – José Ferreira da Silva, Júnior – António Maria Loureiro – Francisco Pereira d’Azevedo – Arthur Eduardo d’Almeida Brandão – Manuel Maria Loureiro Banazol – José Roldão Ramires Lobo – Estêvão António de Brito  Fallé – Manuel Joaquim Barbosa, capellão de caçadores 8 – O padre José Alexandre de Menezes Feio Serra, capelão de cavallaria nº 1 – Izidro da Cruz Maltez – José Nunes da Silva, Sobrinho – Joaquim Nunes da Silva – Henrique António Pereira Barroso – Fernando Anselmo Pires – João Henriques Tierno – António da Silva Rosado – Manuel Joaquim Mouta – Francisco Augusto César de Vasconcellos – José Joaquim de Sousa Callado – Isidro Simão dos Santos Miranda – Joaquim José Sertã – Desiderio Procopio Simplício Franco – Manuel Joaquim Cardoso – Victorino de Santa Anna Pereira d’Almada, ex-secretário da comissão installadora – António Thomaz Pires”.

Assignado que foi o auto, a música de caçadores tocou algumas peças, terminando com marcha a Camões, quando o velho governador, os demais convidados, e a Câmara municipal saíram do edifício.

Á noite foi illuminada a fachada principal d’este, e estiveram patentes as salas da bibliotheca, que foram visitadas por innúmera concorrência. Dia 8 até ás 11 horas conservou-se tocando a música de sobredito batalhão á porta da bibliotheca, e a d’infanteria 4 e a charanga dando-se também toda a cidade.

Vamos agora fazer o remate d’este artigo, já demasiadamente longo, com a resenha de quanto de mais consideração tem ulteriormente accorrido, relativo ao estabelecimento de que tratamos.

A 22 Junho 1880 o sr. Eusébio Nunes, perfilando a ideia do sr, Silva Mata, e ampliando-a, propôz que se estabelecesse junto á bibliotheca municipal uma secção d’archeölogia e numismática, em que se reunissem alguns objectos e moedas, que desde logo se pudessem obter de particulares, e outros que de futuro fossem achados, evitando-se com esta providencia a perda de muitas antiguidades, que o acaso tivesse poupado ao vandalismo de tantos séculos.

Foi approvada esta proposta, e passou-se ordem immediata aos trabalhadores de todo o concelho, para apresentarem na secretaria da Câmara todos os objectos que encontrassem nas escavações que fizessem, e que tivessem o cunho d’antiguidade.

 

Transcrição do dicionário de Vitorino de Almada

 

sinto-me:
música: BB-Biblioteca Municipal de Elvas
publicado por Maria José Rijo às 18:37
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Conclusão...

Passaram cerca de quinze anos sobre a decisão – dolosa para a cidade de Elvas – que a Câmara de Rondão Almeida assumiu ao destruir a Quinta do Bispo, apesar do enorme empenhamento demonstrado por muitas personalidades de vários pontos do País, e de Elvas, em cartas, jornais e revistas pedindo e, explicando o porquê da sua – necessária – e justa conservação.
Hoje, onde havia árvores majestosas, vegetação exuberante, controlada, e, entre avencas e fetos, corria água das cascatas para os lagos, há agora lixo – lixo aos montes, lixo, ruínas – e mais lixo...
Na zona arrasada para construção, o empreiteiro, por falência (?), deixou em esqueleto metade das inestéticas moradias com que mutilaram a Quinta na sofreguidão doentia de fazer dinheiro a qualquer preço, mesmo sobre o arraso de importante parte da história de Elvas...
Alias, um dia se saberá porque aconteceu – e quem beneficiou – com tão vil negócio...
Foi um inútil desastre que não honra quem o perpetrou e, nos envergonha a todos por o termos consentido.
Comparou-se, certa vez, a si próprio, Rondão Almeida com o Marquês de Pombal.
Pombal, reconstruiu Lisboa após o terramoto de 1755
mas, dele o que ninguém esquece é a matança dos Távoras, que para sempre lhe turva a memória.
Rondão, promovendo a construção desenfreada que por aí vai, e não conseguindo impedir a perda de valências e serviços na Cidade, – tem sido, ele próprio, "o terramoto", como neste caso, e noutros, ao adulterar com arrebiques parolos a carismática sobriedade da feição de pedra adusta deste velho burgo medieval.
Pode Deus, na sua infinita misericórdia, perdoar-lhe.
Pode!
Porém – A História – essa, jamais.

Maria José Rijo

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música: A Quinta do Bispo
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Domingo, 15 de Junho de 2008

Elvas, 15 de Junho de 2008

 A Casa

A  casa de António Sardinha

A Nora Alta

Descida da Nora Alta

Portinha da entrada para a contramina da Nora alta

A Rua do Buxo 

 Amoreiras

A Rua das Amoreiras

O caminho para o Lago

 O Lago

 A Cascata

A Rua dos Lilazes

As Árvores 

Árvores

 Ruina

O Banco da Nora Alta

 O Parque Infantil

O Platano

O Platano Centenário

@@

 

A Quinta do Bispo

está assim !

 

Maria José Rijo

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música: Aspecto actual
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Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

A última Primavera...

 

A última Primavera

na Quinta do Bispo

..

Quadro a Óleo

de

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 16:10
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Terça-feira, 10 de Junho de 2008

“Em torno de uma efeméride “

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.385 – 17-Janeiro-1997

Conversas Soltas

 

            Elvas 10 de Janeiro de 1997.

            Há 72 anos faleceu na sua casa da Quinta do Bispo – António Sardinha.

       Colho, desse local, que foi a “Versalles de Elvas” a imagem de hoje.

            Fica-me frente ás janelas.

            Convivo com ela diariamente.

            Ofereço-a aos meus olhos e legendo-a (com profunda mágoa) com a isenção a que me obriga o respeito pela nossa cidade, a verdade de que ela dá testemunho.

            Frequentemente a televisão nos mostra com entrevistas e imagens, soluções inteligentes encontradas para o enriquecimento de muitas terras do nosso país.

            O grande e belo Porto – hoje património do mundo – não desdenhou a sua quinta de Serralves.

            Foz Côa, não deixou afogar as suas gravuras.

            Algures, também no Norte, um autarca veio contar como um “eco-museu” está restaurando velhos usos e costumes... Velhos ciclos (o ciclo do pão, foi um dos referidos).

            Desse modo garante – vai promover turismo e defender da desertificação a sua terra situada no interior. Afirma que assim se criam empregos, desenvolve o comércio e a riqueza do seu concelho.

            Agorinha mesmo – o professor David Martins – falou do êxito conseguido por ele e pelos seus professores da sua escola que, em ligação interdisciplinar já levam dois discos de sucesso com actuações dos alunos de música de Vila Praia de Ancora.

            E anuncia que: - a autarquia vai propiciar o progressivo ensino da música às crianças desde a sua entrada nas escolas – gratuito -  portanto.

            É verdade que opções, são opções...

            Ao falar da Quinta do Bispo veio-me à lembrança outra responsabilidade que herdei e tenho a missão de recordar.

            Talvez os critérios de escolha tão afastados por vezes, das coisas do espírito tenham assustado o senhor Cónego Dr. Silvestre e o tenham decidido a reter em suas mãos os “nove grossos manuscritos da Genealogia dos Vasconcelos” que foram oferecidos á Biblioteca de Elvas como sua Excelência bem sabe.

            Ao menos – com ele – estarão a salvo o que não acontece à Quinta!

            Estranha é a sorte que impede sobre o património de uma cidade cuja rara beleza – a torna única – e tão carregada de história que quase parece um conto de fadas.

            Servir – servindo-a devia ser considerado um privilégio – embora com todo o melindre que essa distinção sempre confere.

 

 

Maria José Rijo

 

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Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

“Adeus Quinta do Bispo-(para ser cantado com a música de Elton John)

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.444 – 13 - Março - 1998

Conversas Soltas

 

“Adeus Quinta do Bispo "-

(para ser cantado com a música

de Elton John)

 

         Adeus Quinta do Bispo...Adeus!

         Mal sabias quando nas tuas árvores te revias

         Ao florir em cada Primavera

         Que para os homens a quem sorrias

         Só a força do dinheiro impera!

        

Adeus Quinta do Bispo,...adeus!

Respiras história, saudade, falas de bispos, poetas. -

        Fazes parte da cidade.

 

        Adeus Quinta do Bispo...adeus!...

         Assim se matam cidades, morreram civilizações    

                                               

         E nascem as provações da gesta        

            Que matam a paz dos tempos

         Os vindouros hão-de sussurrar a dor sem remédio

            De encontrar cimento sepultando o pensamento

            E não terão lágrimas que cheguem para chorar

            O que jamais se poderá recuperar

 

            Adeus Quinta do Bispo! Adeus!       

         Adeus - Rosa de Portugal !...            

         Adeus Rosa de Elvas, – Good  Bye !

 

            Como uma vela no vento

         Te perderás nas brumas do tempo

           O futuro te chorará sem remédio!

         Serás lenda, em versos te cantarão!...

         Mas serás vergonha - como sempre é a traição...

 

           E o chão bento da Capela

         De orago a S. Sebastião

         Que às “Invasões Francesas” foi poupado

            Duma vil profanação 

            Será profanado, agora, pela nossa própria mão...

            Adeus Rosa de Elvas!

            Adeus Rosa de Portugal!

         Good bye!

….

.

Almeida Santos, actual Presidente da Assembleia da Republica – uma das maiores inteligências de Portugal; Homem de cultura e saber absolutamente indiscutíveis - quer se goste ou não do seu percurso político - acaba de publicar um livro a que deu um título curioso : «- Preocupem-se por Favor.»

         Então eu, tendo entendido pelas palavras de apresentação da obra, (que escutei) de como, a todos nós, cabe a preocupação que só transformada em acção terá sentido – de defender este País, que é o nosso, de toda e qualquer agressão...

         Então eu...que acredita que nada acontece por acaso... Pensei: este recado é também para mim!

         Depois, quis mistificar a leitura da mensagem que acabava de me tocar enleando-me em considerações, tais como: - tu já disseste, tu já fizeste, e de nada valeu, etc. etc. etc...

         Pois é verdade que fiz, é verdade que disse, porém, sinto que, contra tudo e contra todos, – até contra a minha própria comodidade devo voltar ao assunto.

         E porquê? - É a interrogação natural – a que respondo:

         Eu pretendi lutar pela Quinta dentro dos moldes que entendia serem justos – respeitando os interesses da Cidade, da nossa Cidade. Quis salvar a Quinta pelo que ela representa – verdadeiramente.

         Melhor dizendo:

         Pretendi que a Quinta do Bispo se salvasse a si própria pelo peso que tem na história de Elvas, pelo local em que se situa, pela qualidade do desenvolvimento cultural e turístico que podia propiciar à nossa Cidade. Em resumo – por uma série de factores que, a meus olhos, estavam, e estão, à altura do seu merecimento...

         Posso ter sido mais ou menos feliz, nas minhas tentativas...

         Porém, reconheça-se – nunca usei nomes, nem ventilei números de cheques, importâncias de comissões, fotocópias de cartas, ou quaisquer documentos – porque, essas, não são contas do meu rosário, nem fazem parte do meu entendimento de rectidão na defesa de ideais.  

Não o fiz então, nem o faria agora! -. Nunca o faria! - Porque a Quinta do Bispo teria – (ou terá?) que ser salva pelo que representa e os esforços para o conseguir só poderiam ser à altura dos valores espirituais de que ela pode dar testemunho. A Quinta vale pelo que vale! E o seu actual proprietário – que em certa medida também foi vitima – facto que é preciso não esquecer – tem o legitimo direito de vender a peso de ouro, se o entender, toda a área que vai ficar separada pela avenida que a vai atravessar (e só não foi feita em vida da senhora dona Ana Sardinha por interferência do senhor Dr. Teotónio Pereira, que muito estimava a respeitável Senhora como pessoa admirável que era, e como viúva de António Sardinha)

Todo o resto, teria que ser património da Cidade a que pertence!

“Por favor! – Preocupem-se.!..”.

         Talvez outros métodos tivessem podido dar outros resultados, talvez! - Porem, é minha convicção que agir em nome de direitos também impõe deveres. Mais uma vez, estou tentando servir a cidade como posso e sei. De forma pouco realista para os tempos que correm - talvez - mas séria e  limpa como o que me motiva merece e, se me permitem - eu também !

         Todos nos lembramos ainda da triste experiência das gravuras do vale do Côa

O que para um partido político estava certo, para outro estava errado!

         Quando um Pais se joga assim aos dados mal vai esse Pais...

         Uma Câmara consegue libertar da fúria dos interesses cegos um espaço carismático de uma região, outra, mostra a sua eficiência desfazendo o que a primeira conseguira por justo convencimento. Não se cuida aqui de fazer melhor! - Trata-se de evidenciar a capacidade de mando que destas atitudes se julga poder extrair. E, assim se usa por vezes o poder sem virtude e sem nobreza, transformado apenas numa pobre demonstração de autoritarismo despido de senso e de razão, vazio de sensibilidade.

         Breve, muito breve, virá outro partido, que irá descobrir que se não respeitar ideias alheias (porque as próprias serão sempre as mais brilhantes no seu convencimento) será ainda mais poderoso e importante, mais admirável! 

         Moverá céus e terra para o demonstrar e outro plano de pormenor mais afoito surgirá...

Daí que, destes processos, se conclua: - ou a Quinta do Bispo se salva porque as pessoas entendem que há valores que o dinheiro não paga, ou jamais qualquer parcela da nossa terra, por mais sagrada que seja, estará segura, tenha ela o significado que tiver Almeida Santos sabe o que diz:

“Por favor – Preocupem – se!”

.O funeral que aí vem, vai passar à nossa porta...

Goodbye! Quinta do Bispo -Goodbye!....

 

Maria José Rijo

 

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Domingo, 8 de Junho de 2008

Sardinha – a Quinta do Bispo – Porquê? VI e último E...algumas coisas mais...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.496 – 19-Março-1999

Conversas Soltas

   

                        

         As árvores da Quinta do Bispo, este ano, ainda floriram.

Elas não sabem que esta deve ter sido a sua última Primavera. Agora o portão da Quinta ostenta, como um condenado à morte, o aviso da sorte humilhante que a ganância e a insensibilidade dos homens lhe traçou.

         Olho pensativamente aquele solo, abençoado pela fertilidade, que o cimento, agora, vai cobrir e relembro aquele Bispo que, para não consentir que o chão sagrado da sua capela de São Sebastião, fosse profanado pelas tropas invasoras dos franceses, mandou, em nome da honra e da dignidade, que ela fosse apeada. (Foi ali na mesma, dita, Quinta)

         Vejo a terra indefesa a beber em paz estas chuvadas, como se nada pudesse interromper os seus ciclos normais de generosa produção! - E penso nas ironias do destino.

         Penso no que a Quinta representa como património histórico, intelectual, sentimental e cultural desta cidade, e no que poderia continuar a representar...

         Relembrei, aqui, opiniões várias de gentes de mérito que esta Nobre Elvas tem e sempre teve.

         Mostrei-me, expondo-me embora a incómodos, (que sofri) fiel e entusiasta discípula, que sou, de todos quantos, sem rebuço e generosamente defendem a sua pátria defendendo intransigentemente o Bem das suas terras, na riqueza da sua expressão de alma.

         Essa não é, porém, bastas vezes, a linguagem da política e dos políticos.

         Poderia ter usado cartas, e outros documentos que possuo, e que talvez provassem como nascem os declives por onde resvalam os caminhos que conduzem a estes tristes desfechos.

         Não o fiz ; e não me arrependo.

         Só assim posso sentir que ganhei a minha causa.

         Compartilhei, com quem o quis, ou soube, entender os motivos porque entendia que a Quinta deveria viver. Falei da sua história. Da sua linda e rica e bela história.

         Citei pareceres de gente insuspeita.

         Recebeu esta causa apoios comoventes: escritores, professores, jornalistas e, muito principalmente de gente anónima cheia de coração e sensibilidade que não enjeitou juntar ao que pensava a coragem de o assumir publicamente.

         A todos, hoje, aqui, volto a agradecer. É com gente como vós que se faz o melhor que na vida acontece

         Lutei para que a Quinta se salvasse a si própria se Elvas a amasse como ela merecia e lhe quisesse BEM, como penso deveria querer-lhe...

         Contrapus valores morais a valores monetários, a interesses financeiros.      É evidente que aconteceu o que era previsível.

 Como também é evidente que não será por isso que deixarei de lutar sempre, que por convicção o entenda, pelos valores perenes que sustentam a riqueza do espírito.

         Eu luto por ideais – seja qual for o resultado.

         Vencer, para mim, é isso: - Ter a coragem de remar contra a maré se for esse o desígnio da minha consciência.

         Às vezes, pergunto-me que gosto terá um desfecho favorável para quem não olha a meios para atingir os seus fins!...e nem o consigo imaginar...graças a Deus!

        Seguirá, agora, a Quinta a sua sorte, agoirada e anunciada...

Lembro, que algumas vezes li na imprensa local advertências – até dos apoiantes desta solução pesadelo – para o cuidado a ter com o excesso de população que por ali se vai gerar. Deus queira, que pelo menos, essa precaução não soçobre, também, frente aos euros...

Quando, por formação e por temperamento, se evita contradizer seja quem for, e só se assumem posições contrárias a quem quer que seja – quando se entende que é dever nosso não nos acobardarmos porque estão em causa não os nossos interesses, mas os colectivos...

Atitude que em Democracia se chama cumprir os deveres de cidadania, nem sempre se recebe a compreensão devida.

Quebrei, há tempos, a onda de adulação que se gerou por aí, quando foram mascarradas a alcatrão as ruas das freguesias.

Fi-lo porque sabia errada tal decisão e porque vi chorar gente de idade que não tinha hipótese de dizer publicamente, como sofria com tal “inovação”

Hoje, volto a esse assunto para contar:

A Aldeia da Luz vai ficar submersa pelas águas da barragem do Alqueva.

         Vão ser valorizadas, como aldeias históricas, algumas povoações, aldeia da Estrela, por exemplo., dado que constituirão um importante complexo turístico.

Uma das primeiras iniciativas para cumprir esse propósito é ARRANCAR O ALCATRÃO E REPOR A CALÇADA NA SUA FORMA TRADICIONAL! RAZÕES: além de não ser o alcatrão um vizinho saudável (até o acusam, alguns, como ao tabaco, de ser cancerígeno) impermeabiliza os solos que não permitindo, então, o escoamento das águas pluviais tornam assim mais prováveis as inundações nas casas baixas.

Vide:RuadeAlcamim.                                                                      Acusar sistematicamente de estarem contra este ou aquele os que não se demitem de estar A FAVOR DO BEM COMUM -  é erro crasso.

Até do ponto de vista do emprego, é mais útil criar cursos de calceteiros, com trabalho garantido, do que tisnar num só dia ,as ruas de uma Freguesia inteira.

Porque ninguém, em muitos casos, pode acusar, quem tem opinião própria, de estar a defender qualquer espécie de regalias ou reformas; é sempre de boa prudência, o comedimento no que se diz...

APENAS USANDO O SEU INALIENÁVEL DIREITO À LIBERDADE DE PENSAR, DE SE EXPRESSSAR E INTERFERIR NA VIDA DAS SUAS COMUNIDADES. QUALQUER INDIVIDUO SE TORNA CIDADÃO DE DIREITO

Fazer de uma qualquer pessoa, especialmente quando das suas boas graças se depende, uma divindade é pobreza de espírito.

Quem nunca tem dúvidas e aceita ser divinizado – Sobra-lhe em vaidade o que lhe falta em consciência moral e cívica, e em humildade e sabedoria de vida.

O que será sempre lamentável pelos danos e vítimas que causa, é minha firme convicção.

.

Maria José Rijo

 

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Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

Sardinha, a Quinta do Bispo - Porquê - V

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.494 – 5-Março – 1999

Conversas Soltas

 

 

          Limitar-me-ei hoje a dividir convosco um artigo impresso no jornal “Linhas de Elvas” nº 1563 de 9/1/81. Está assinado por um elvense ilustre de seu nome: Joaquim Tomaz Miguel Pereira.

         Homem de honra, escritor conhecido, poeta de Elvas, que muito embora tenha feito grande parte da sua vida na cidade de Coimbra, nunca, nunca, se alheou da sorte desta sua e nossa terra que ama, estuda, conhece como poucos e, por tais razões não se cansa de defender.

         Com a devida vénia, cedo-lhe gostosamente este” meu” espaço:

 

         “ A António Sardinha, bom português, pelo muito que amou e serviu Elvas “

         E por que não instalar na Quinta do Bispo a Casa-Museu da Grei Alentejana?

         (suprimo a primeira parte do artigo que vou citar e, entro directamente no que mais se liga ao que tenho tentado demonstrar ao longo do tempo sobre o tema em epígrafe)....

         Mas não foi para falarmos do António Sardinha político, poeta, ensaísta, doutrinador, que quebramos hoje um silêncio de vários anos. Foi para falarmos do munícipe elvense que ele foi nos últimos anos da sua fecunda vida, isto é, até 10 de janeiro de 1925, data em que morreu na sua Quinta do bispo, fronteira ao majestoso Aqueduto da Amoreira, ao qual se referiu em páginas de antologia. Aliás, numa atitude que só a honrou, a Câmara Municipal de Elvas dessa altura logo mandou colocar nas seculares pedras desse monumento a lápide que ainda hoje se pode lá ver: «A ANTÓNIO SARDINHA, BOM PORTUGUES, PELO MUITO QUE AMOU E SERVIU ELVAS».

         Tenhamos consciência de um facto: são os homens, os grandes Homens, que constituem a glória de uma pátria. Não é a multidão anónima e manipulada por cabecilhas de ocasião que faz a história ou acrescenta mais uma pedra à construção do edifício nacional. A história de Portugal foi feita por homens que partiam, contra ventos e marés, em pequenas caravelas, em demanda de outros mundos; a história desse colosso que se plasmou em pouco mais de cem anos, os Estados unidos da América, foi feita pelos pioneiros que se dirigiam para o oeste, lutando contra uma natureza inóspita, em frágeis carroças de tracção animal. Em tudo, o que interessa é o homem - o Homem que leva a carta a Garcia, o Homem que se afirma e levanta a voz perante um deserto de    mediocridades , mesmo que tenha que remar contra  marés...

         Elvas teve entre os seus muros um desses Homens, uma personalidade que a serviu e a amou apaixonadamente. Isso nos leva a afirmar que consideramos da maior actualidade a proposta apresentada, em 18 de Outubro de 1978, pela comissão Municipal de Turismo e que o “Linhas de Elvas” transcreveu na sua edição de 3 de Novembro seguinte: «...que pelos serviços competentes, seja preservada, nos estudos de planificação urbanística de Elvas, a Quinta do Bispo».

         Num momento em que existe uma Secretaria de Estado vocacionada para a defesa do património cultural, paisagístico e arquitectónico do País, a Quinta do Bispo  deveria constar, para já, do inventário do que há a conservar e a proteger entre nós. Nela se manteria bem viva a memória do grande Poeta que a habitou – , mas em sua homenagem - , homenagem que bastante grata lhe seria, ao lado de recordações que lhe dissessem respeito, deveria instalar-se um MUSEU DA GREI ALENTEJANA, um museu do Alentejo, Grei e Província que ele cantou em estrofes elevadas de sentimento e de beleza formal.

         Não tem Portalegre, a ”cidade-branca”, a Casa-Museu ”José Régio? Não se conserva no ridente Minho, a casa do torturado de Ceide? Não se visitam, por toda a Europa culta, as casas onde viveram os homens que de si deixaram indelével memória, como as que se encontram, a cada passo, na magnificente Paris (a casa de Balzac, a de Rodin, a de Victor Hugo e tantas outras?...)·             

 Se a Câmara Municipal de Elvas não puder arcar com a realização do proposto, que seja o Estado a actuar nesse sentido, integrando no património nacional, na devida oportunidade, a Quinta do Bispo e dotando-a dos meios que permitam a sua salvaguarda .( o sublinhado é meu )

          Mas Elvas inteira, a menina bonita dos olhos do grande Poeta que a cantou, apaixonada e vibrantemente, terá uma palavra a dizer. O que interessa, para já, é que a Quinta do Bispo, continuando a ser como hoje ainda, mercê do culto mantido pela excelsa Esposa do grande Português que foi António Sardinha, um verdadeiro lugar de Portugalidade, venha a ser, mais tarde, uma prova de gratidão prestada pela “Chave do Reino” a uma das maiores figuras nacionais que nela viveu.

 

         Após esta transcrição pergunto:                                                                                                                          

         Como se pode entender o que se passa com a Quinta?

Se o mais difícil, estava feito. Que era salvar a Quinta da ganância que leva à construção das “ brandoas” que descaracterizam as cidades e sepultam delas a alma e a história…

Como se pode entender o que se passa com a Quinta? - Volto a perguntar!

         Frente à opinião insuspeita de elvenses ilustres que SEMPRE, ao longo dos anos se bateram pela preservação daquela jóia elvense, como se pode entender tamanha reviravolta só para destruir o que todos recomendavam fosse poupado...

         Deixo a interrogação.

         Responda quem souber.

         É que eu não vislumbro resposta

 

 

 Maria José Rijo

 

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Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Sardinha, a Quinta do Bispo – Porquê? – IV

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.492 – 19 – Fevereiro-1999

Conversas Soltas

 

 

Talvez seja a altura de relembrar aqui, alguns pareceres, que, na imprensa de Elvas, em épocas diferentes, foram aparecendo sobre o assunto em epígrafe.

Vou faze-lo por ordem no tempo, e, porque algumas das opiniões, provêm de gente ilustre, – infelizmente já falecida – espero que se entenda perfeitamente que eu não inventei esta preocupação.

Quer se encare de frente, quer se façam ouvidos de mercador, o problema existe.

Resolvê-lo é dever de Elvas, e essas decisões de problemas locais, - essas – e não outras – que, em série, se vão, mais ou menos, resolvendo por determinações exteriores, no nosso e em outros municípios, é que  dão a dimensão real do espírito de iniciativa e da visão de quem decide.

Em Sábado 2 de Maio de 1970 – dizia assim o “Linhas de Elvas” pela mão de Ernesto Ranita Alves e Almeida, então seu director.

Cito: “ À nossa mesa de trabalho acaba de chegar mais um livro, mais uma belíssima manifestação das qualidades investigadoras de Eurico Gama, sempre disposto a dar-nos a justa medida do que vale o seu nome no campo cada vez mais restrito dos que, sem qualquer turvo intuito de interesse próprio, se dedicam à constante e nobre tarefa de difundir apontamentos culturais, factos e  perfis de ilustres figuras elvenses ou com elas relacionadas por motivos de ordem espiritual. (o sublinhado é meu).

Referia-se assim Ernesto Alves, à obra: - “António Sardinha (páginas esquecidas e achegas para a sua biografia)” – que Eurico, na altura lhe enviara.

As referências são extensas, mas muito interessantes. Limito-me a destacar, por curiosidade, o que me parece ser menos conhecido.

 

“Vemos um António Sardinha integrado no meio elvense, cliente da Barbearia Samuel, felizmente ainda hoje em actividade; um António Sardinha presidente da Câmara Municipal; um António Sardinha polemista enfrentado na “Fronteira, a fogosidade talentosa de um arronchense ilustre – Teófilo Junior –, um António Sardinha colaborador da imprensa de Elvas, e muitos outros aspectos relevantes da sua biografia “local”.

Assim contava Ernesto Alves – repito – citando Eurico que em livro enaltecia a figura de António Sardinha.

Fecho este apontamento voltando a citar o meu saudoso amigo Ernesto, também ele, Elvense, com maiúscula e indómito defensor do bem de Elvas.

“Homens como Eurico Game têm qualquer coisa de missionários e devem ser apontados às novas gerações como paradigma e estímulo do que significa o trabalho olhando para o alto, defendendo abnegadamente a herança que os nossos maiores legaram ao património espiritual da Nação “

 

Que admira então, que, de vez em quando, este assunto que permanece latente na consciência dos elvenses interessados pelo seu património, ressurja, com a força de tudo quanto tendo fundas raízes no passado, e dando testemunho da história da nossa terra, nunca se afasta dos seus corações?

Em 6-7-1979 voltava a perguntar-se no Linhas de Elvas:

E por que não a Casa Museu António Sardinha? (e, seguia-se o texto)

Toda a cidade sabe o muito que se deve a essa figura impar das letras pátrias, que à sombra do Aqueduto escreveu a maior parte das suas importantes obras, hoje completamente esgotadas.

E, mais adiante: Pois agora ocorre-nos alvitrar à Câmara Municipal a aquisição da Quinta do Bispo, onde o Mestre do Integralismo Lusitano passou grande parte da sua vida, a fim de que seja transformada em Casa-Museu”.

No mesmo jornal, nº 1486 de 6-7-1979; também se podia ler:

“Já estava a primeira página composta, quando nos chegou às mãos a proposta que o vereador Joaquim Trindade apresentou na sessão de segunda-feira e que foi aprovada por unanimidade. Quem ler estas duas notícias há-de pensar que houve acordo prévio entre o jornalista e o edil. Podemos garantir que tal não sucedeu. O que houve foi mera coincidência, e julgamos de difícil repetição.

 

Passamos a transcrever a proposta, que diz o seguinte:

 

“É de todos sobejamente conhecido o que António Sardinha representa para Elvas, cidade onde viveu e onde produziu toda a sua valiosa obra literária.

Por duas vezes já a sua memória foi aqui devidamente comemorada, estando o seu nome gravado em placa no monumento mais significativo da cidade – os Arcos da Amoreira.

Em tempo oportuno foi o plátano anexo à sua residência na nossa cidade considerado de utilidade pública.

Perdida que foi, a favor de uma Universidade de Lisboa, a sua valiosa Biblioteca, inicialmente prevista para enriquecer a nossa Biblioteca Municipal, resta assegurar para o património cultural da Cidade a sua casa junto ao plátano já considerado de utilidade pública.

Assim sendo, proponho que a Câmara Municipal envide todos os esforços no sentido de que, ainda na vigência do nosso mandato, a casa onde viveu António Sardinha seja considerada pública.”

 

Chamo a atenção para a preocupação, aliás, justa e bem legítima, dos cidadãos de Elvas com a Quinta do Bispo, - propondo à sua Câmara que a comprasse e defendesse.

Comentar, para quê?

Apenas recordar que naquela época a Quinta ainda estava na família de António Sardinha, mesmo assim, em nome de valores perenes, erguiam-se vozes, embora, com o desconforto que se depreende, por tal situação...

De outra vez, se Deus quiser, citarei outras opiniões, também ventiladas neste jornal. Pelo menos vai-se rescrevendo a história e avivando recordações.

Quem sabe se acordando responsabilidades.

A esperança é a última coisa que morre...

 

Maria José Rijo

 

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Quarta-feira, 4 de Junho de 2008

Sardinha, a Quinta do Bispo – Porquê? III

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.487 – 15 – Janeiro-1999

Conversas Soltas

  

         Pensei que deveria escrever sobre Aires Varela.

         Querendo faze-lo com o máximo de correcção fui, logicamente, beber na fonte de onde a informação é sempre limpa e indesmentível.

         Socorri-me do saber que nos foi legado por Victorino de Almada, no seu dicionário, onde, assim se conta:

         Aires VarelaO Sr Dr. Francisco de Paula de Santa Clara, a quem, como dissemos na introdução d’este trabalho, pedimos a fineza de nos dar alguns artigos completos a respeito dos mais salientes indivíduos do corpo eclesiástico elvense, começa a honrar-nos com uma colaboração mais assídua, subscrevendo os dois seguintes, que suprem muito vantajosamente os pobres esclarecimentos que poderíamos dar do historiador clássico Aires Varella, e de seu tio do mesmo nome, prior que foi da igreja de Santa Maria da Alcáçova.

         Eis as fontes. Agora, só a parte do relato que mais nos interessa.

Volto a citar:

............Também se chamou “D’Aires Varellaa Quinta, que presentemente se denomina do Bispo no rocio d’esta cidade. Há nos tombos da Câmara Municipal vários documentos que o comprovam ….

………..O bispo D. Manuel da Cunha houve depois a dita Quinta por compra, que fez aos herdeiros do cónego magistral, e legou-a à mitra de Elvas.

         Nos Arquivos d’esta diocese ainda existem vários instrumentos, que lavrou e assignou o notário apostólico Aires Varela; e o signal publico, de que usava, era assim: entre as maiúsculas A e V duas espadas cruzando-se pousavam sobre um altar, e ladeavam a cruz, que ali se erguia sobre a seguinte legenda: nec spe, nec metu.

         Mas as armas de sua nobilíssima família, e de que usava, traziam em campo de prata cinco bastões de verde em banda, e timbre meio leão rompante de prata e na mão direita um bastão.

         As obras da penna de Aires Varela ainda que ficaram na máxima parte inéditas, grangearam-lhe tal reputação, que ufana-se a cidade d’ Elvas de ver enumerar entre os clássicos da língua portuguesa o seu docto escriptor.

         Delle fazem a mais honrosa memoria Moreri e Nicolau António entre os estrangeiros; e dos nossos D. Francisco Manuel de Mello, o padre João de Vasconcellos, Antonio Carvalho da Costa, Diogo Barbosa Machado, fr. Jeronymo de Belem, Antonio Caetano de Sousa, J. C. de Figanière, Innocencio Francisco da Silva, e outros.

         As obras de Aires Varela que correm impressas são as seguintes:

         Successos que houve nas fronteiras dÉlvas, Olivença, Campo Maior e Ouguella o primeiro anno da recuperação de Portugal, que começou no Iº de Dezembro de 1640,

e fez fim no ultimo de novembro de 1641.”

Lisbôa, por Domingos Lopes Rosa, 1642. 4ª De 38 folhas numeradas só na frente.

         É extremamente rara esta relação; e d’um exemplar, que possuo, tirei copia, que dei à redacção do Trastagano. E foi a ditta relação reimpressa na Typographia Elvense, 1861.8º de 99 páginas.

         “Successos que houve nas fronteiras d’Elvas, Olivença, Campo Maior,e Ouguella o segundo anno da rcupreração de Portugal, que começou no 1º de dezembro de 1641 e fez  fim no ultimo de novembro de1642.”- Ibi, pelo mesmo, 1643. 4º De 112 paginas com algumas estampas, que representam a planta das praças tomadas ao inimigo.

         As obras, que Aires Varela deixou inéditas, consideram-se perdidas; e, segundo o testemunho de bibliographos de fé, erão as seguintes:

         “Successos que houve nas fronteiras d’Elvas, olivença, Campo Maior e Ouguella, e outros logares do Alemtejo, o terceiro anno da recuperação de Portugal, que começou em 1º de dezembro de 1642, e fez fim em o ultimo de novembro de 1643.,. O original estava depositado no cartorio da Serenissima Casa de Bragança, e foi devorado pelo incendio, que succedeu ao terramoto no iº de novembro de 1755. O Abade de Sever ali o viu.”

         “Genealogia de todas as Familias do Bispado d’Elvas”. Este manuscripto se conservava no meado do século passado em poder de Diogo Gomes de Figueiredo.

         Theatro das Antiguidades d’Elvas com a historia da mesma cidade e descripção das terras da sua comarca”, em folio, e constava de seis livros: 1º desde os celtas, seos fundadores, até a possuírem os mouros - 2º desde Elrei D. Affonso Henriques  até D.Fernando- 3º desde Elrei D. João 1º até D. Afonso 5º, - 4º desde elreiD. João 2º até D. Manuel - 5º desde El rei D. João 3º, até D Filippe 4º- desde El rei D. João 4º até ao cerco de Torrecusa.

         A esta obra se refere se refere D Francisco Manuel nas suas Cartas Familiares, publicadas em Roma em o anno de 1664. Na carta 62ª da 3ª centuria diz o erudito escriptor :” Mas quem quiser sabersuas memorias e antigualhas (d’Elvas), satisfará seos desejos, vendo o douto e diligente livro, que de sua historia tem composto o doutor Aires Varela, filho benemerito d‘aquela cidade, Governador de seu Bispado e Vigario Geral.”

         ....Já septuagenario e carregado de serviços passou d’esta vida para o seio da eternidade o licenciado Aires Varela em o dia 8 d’outubro de 1655......

....Jaz no cruzeiro da cathedral em frente do altar do Santíssimo Sacramento

......... E se o Cabido suffragou assim a alma do conego magistral, quantas orações não fariam os seos amigos mais dedicados?!

         Permito-me sublinhar as frases que se seguem:

quantas lagrimas e saudades lhe não espalharia sobre a sepultura o povo elvense?!

         Taes tributos se pagam à virtude! Vae já meado o terceiro seculo depois que viu seu ultimo dia o mestre e investigador das antiguidades da nossa terra, e todavia o seu nome vive e viverá na memoria das gerações.

         Na alta torre da cathedral d’Elvas espalham ainda os sinos som lugubre em o dia 8 d’outubro de cada anno; e os ministros da igreja, vestidos de lucto, gemem e fazem oracção sobre a sepultura do mestre saudoso.

         Se por acaso alguém se interessar por saber mais sobre Aires Varela, de quem a Quinta do Bispo, também teve o nome, o caminho para isso é a Biblioteca Municipal de Elvas.

         Julgo ter deixado aqui o essencial para se avaliar da qualidade e da importância do historiador, noutra ocasião, se me calhar, poderei mostrar, como ele foi integro nos seus pareceres e decisões e a grandeza moral, a dimensão humana que o tornou notável e credor do reconhecimento de todas as gerações de elvenses.

 

 Maria José Rijo

 

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Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Sardinha, a Quinta do Bispo – Porquê? (II)

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.485 – 1/Janeiro /1999

Conversas Soltas

 

 

 

         Dedico estes comentários de hoje, a todos quantos me têm apoiado, – e são bastantes – e que simbolizo na pessoa do senhor Arlindo Sousa Pinto, que não conheço, mas a quem estou grata por ver como entende as minhas razões, e a quem devo estima.

Dedico ainda, e também, a João Carpinteiro e António Rodrigues, que muito estimo desde há dezenas de anos, por razões que eles próprios intuirão...    

Dedico também a quem comprou a Quinta empenhando a sua palavra na afirmação de que a habitaria e nunca a destruiria... (e, já até, a terá vendido a um cidadão espanhol - garantem-me!)

Dedico ainda ao actual senhor Presidente da Câmara, pela evidência de como, usa os quase setenta por cento de votos que tão generosamente lhe foram confiados, confundindo serviço, com mando....

Faço-o sem rancor, sem arrogância, – faço-o com a humildade de quem com a idade aprendeu, que é sempre tempo de repensarmos as nossas próprias acções e, as nossas próprias palavras.

       Pertenço a uma geração em que palavra, honra, dever, dignidade, eram valores pelos quais se vivia e lutava.

       Pertenço a uma geração em que não era preciso ser ilustre para perseguir tais ideais – bastava para tal, a consciência de ser gente, para se e pugnar para ser pessoa de bem. Gente credível, gente de compromisso.

.        Quando alguém pronunciava essas tais palavras, todos sabíamos que elas significavam sentimentos, compromissos, que representavam esses valores.

         Hoje, estão esvaziadas de sentido.

Perseguem-se ideais diferentes. Tomam-se por ideais valores materiais e com eles se pretendem substituir os valores morais. As pessoas são as mesmas. Têm as mesmas capacidades, as mesmas potencialidades. Apenas põem a tónica no imediatismo, na pressa desenfreada, na ilusão de que todos podem colher tudo ainda que o não tenham semeado, ou que nada semeiem.

Substituiu-se a decisão moral pela decisão política, que devendo continuar a ser ainda e principalmente decisão moral, se despe desse atributo para passar a ser apenas decisão de oportunidade ou, pior ainda, apenas de oportunismo. O brilho muitas vezes cega. Ofusca até a qualidade do material que brilha, mas seduz, embora também iluda.

Este ano está no fim.

O frio impera.

         A chuva chegou finalmente, apetece sentar ao lume e contar histórias. Não me vou furtar à invocação de um elvense – o senhor Alves – que eu conheci quando era estudante no liceu de Beja e ele era um velho Senhor, cheio de dignidade que percorria os bairros pobres protegendo os necessitados, recolhendo crianças órfãs, despojando-se de tudo em favor de quem precisasse.

O senhor Alves pertencia a uma família Abébora. Gente de meios que habitava uma grande casa na rua de Alcamin. Cresceu com a psicologia do menino rico inútil. Frio, altivo, arrogante. Ganhou fama e proveito de conquistador e usou e abusou de mulheres e moças quantas quis. Até que um dia comprometeu a filha de alguém que foi capaz de o “acordar”. Fê-lo sob um terrível estado de embriaguez. Quando sóbrio, ao tomar conhecimento dos excessos cometidos e das suas consequências prometeu sob palavra de honra que jamais na sua boca entraria uma só gota de álcool que fosse.

         Quando no fim da vida ao ser-lhe ministrado um novo medicamento. Não tendo já capacidade para ler a sua composição indagou o que continha e ao ser-lhe dito que continha vinho do Porto disse: não tomo nem que daí dependa a minha morte. É que eu prometi a” um homem de bem “que na minha boca jamais entraria álcool.

         Eram assim os caminhos da dignidade...Da honra...Da palavra empenhada.

         Penso e repenso no que vejo e ouço acontecer...

Às vezes, muitas vezes, nem já se põem em causa as decisões tomadas, mas, sim, os caminhos que a elas conduziram. 

           

    O ano de 98 despede-se. Ponho algumas das estrofes da Epifania dos lilases de António Sardinha a perfumar o seu adeus e com elas, também agradeço a quem me lê desejando um muito feliz 99.

 

 

Florescem os lilases brandamente,

florescem os lilases com brandura.

E o seu perfume tépido, envolvente,

de tentações povoa a noite escura.

 

De tentações povoa a noite lenta

o aroma dos lilases em segredo.

Há no silêncio um bafo que adormenta,

um bafo perturbante de bruxedo.

 

 

         FELIZ 1999

        Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:40
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Sardinha, a Quinta do Bispo – Porquê? (I)

 

 

 

Quando por qualquer circunstância temos uma mazela, por mínima que seja, é certo e sabido que tudo lá encalha e toca...

Comigo está a ser um pouco assim.

Ando distraidamente a arrumar papelada e catrapus! Lá me aparecem jornais antigos com artigos sobre António Sardinha!

Há dias encontrei um de Eurico Gama, datado de Maio de 1970! - Agora, outro, desta vez de Joaquim Tomaz Miguel Pereira com data de 9 de Janeiro de 1981!

Faço permuta de livros com um grande amigo, muito interessado e conhecedor destas coisa de literatura, e o que é que ele me traz desta vez? - Nada mais, nada menos, do que a Revista Cultural de Portalegre, – “a cidade” de Julho/Dezembro de 1988, toda ela dedicada a quem havia de ser: - António Sardinha.                               

Se isto não é uma mensagem do destino, então não sei como interpretar semelhante coincidência...

Vai daí, decidi-me a destrinçar para mim própria e para quem por tal se interessar, – a Quinta do Bispo e António Sardinha porquê! - Por teimosia? Por masoquismo sabendo por experiência própria e publica ao que me sujeito? - Não. Claro que não!

Os dias da Quinta estão contados. Se bem sei, restam-lhe apenas dois meses, no máximo, para conviver com a esperança de que a insensatez dos homens nunca ousaria sepultar a história, e, do ponto de vista turístico, destruir a galinha dos ovos de ouro, mas a cupidez e o desamor, muitas vezes fazem obra destruindo o futuro das cidades.

As gerações futuras ficam defraudadas, empobrecidas. - E, é pena!

                  Ramalho Ortigão

Já Ramalho Ortigão – referindo o sacrifício que representou a construção do nosso Aqueduto, escrevia: “Uma tal empresa é a humilhação e a vergonha do nosso tempo, incapaz de pagar com igual carinho ao futuro aquilo que deve à previdência, aos sacrifícios e aos desvelos do passado.”

Porque não me furto ao que considero meu dever, e também porque me parece justo que sempre que alguém se propõe destruir uma coisa, que é de todos, é justo que saiba em consciência o quê. - O que se destrói, voltarei a falar da Quinta do Bispo.

Irei assim, se Deus quiser, sempre que possível, tentando explicar o porquê da minha insistência em tratar, mais uma vez, deste assunto.

Repetidas e bastas vezes, um outro amigo meu, formado em história, e profundo conhecedor da nossa história local, me repete:

Elvas é das cidades do nosso país aquela a que Portugal é mais devedor.

Elvas foi a cidade mais sacrificada e mais gloriosa na luta pela nossa independência.

Aqui, até um bispo, mandou destruir a igreja de S. Sebastião para que ela não fosse profanada pelos franceses aquando das invasões.

Essa igreja situava-se nos terrenos da Quinta do Bispo!

Vamos então começar daqui a nossa evocação? - Vamos, que vale a pena.

Era uma vez...

...De “Teatro das Antiguidades de Elvaspasso a transcrever, actualizando a ortografia.

«....No ano de 1506 a peste, que chamaram grande invadiu, e matou quase a a maior parte da gente deste Reino, desconfiada a gente do socorro humano recorreram ao divino, tomaram por intercessor ao invicto mártir S. Sebastião levantando-lhe os de Elvas uma ermida mais de duzentos passos distante para o poço de Cam Cam, impuseram os moradores para o fabrico da Igreja um púcaro de azeite sobre cada moedura de azeitona. Pela intercessão deste Santo foi Deus servido aplacar tão grande mal.

                     São Sebastião, por Mantegna.

Depois pelo nascimento del rei D. Sebastião se ordenou procissão geral solene que todos os anos no dia do mesmo Santo vai à sua ermida.»

Poderíamos começar a falar de mais fundo, no tempo, da identidade daquele espaço

Podia ser, mas começar pela evocação dum milagre atribuído a S. Sebastião, pela gratidão duma população, pela devoção da gente de Elvas, – dos nossos antepassados –, parece-me uma forma particular e verdadeira de começar esta narrativa

Hoje pouco mais direi. Mas para aqueles mais distraídos que porventura encolhendo os ombros digam para si mesmos: - o que temos nós a ver com estas coisas. Tão lá do fundo dos séculos vou citar desse tão falado escritor falecido há poucos dias – José Cardoso Pires – um pouco do que ele escreveu sobre a importância da memória.

“Sem memória esvai-se o presente que simultaneamente já é passado morto. Perde-se a vida anterior. E a interior, bem entendido, porque sem referências do passado morrem os afectos e os laços sentimentais. E a noção do tempo que relaciona as imagens do passado e que lhes dá luz e o tom que as datam e as tornam significantes, também isso”

Porque a história é a memória dos povos vale a pena sem saudosismos piegas preservar a imagem da nossa própria identidade não destruindo o rasto dos que a fizeram com o valor das suas vidas e obras. Vale a pena viver com a consciência de que fruímos um legado que nos cabe respeitar e nunca devastar, e agir em conformidade com esse imperativo desejo de passar honradamente o testemunho.

 

Maria José Rijo

 

 

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.482 – 11 - Dezembro de 1998

 

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música: Sardinha,a Quinta do Bispo - Porquê? - 1
publicado por Maria José Rijo às 21:20
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Revista Cultural de Portalegre

 

 

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música: Participação de Maria José Rijo neste livro
publicado por Maria José Rijo às 00:34
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Domingo, 1 de Junho de 2008

A quinta do Bispo... Hoje ... I

 

Rua dos Lilazes...

... o abandono...

A Nora alta

o lago...

águas paradas...

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:18
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