Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

Quadros de Luis Morales

 Fez a identificação dos quadros

de Morales

e Pintura maneirista

o Senhor Professor Vitor Serrão

À Senhora Vereadora da Cultura da C.M.Elvas

com toda a consideração, do

Vitor Serrão

14/ IV / 1988

Est. 2 - LUIS DE MORALES

Sant'Ana e S. Joaquim.

1576-77

Museu Municipal de Elvas

Est. 3 - LUIS DE MORALES

Anunciação

1576-77

Museu Municipal de Elvas

Est. 4- LUIS DE MORALES 

Anunciação(pormenor)

1576-77

Museu Municipal de Elvas

Est. 5 - LUIS DE MORALES 

 Visitação

1576-77 

Igreja do Salvador de Elvas

 Est. 6 - LUIS DE MORALES 

 Adoração dos Magos

1576-77 

Igreja do Salvador de Elvas

 Est. 7 - LUIS DE MORALES 

 Apresentação no templo

1576-77 

Igreja do Salvador de Elvas

sinto-me: Pintura
música: Quadros de Luis de Morales
publicado por Maria José Rijo às 23:01
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Original de "Senhor da Cana Verde"

 

 

Saiu do Museu no dia 14 de Abril de 1988

um quadrobdo Pintor Morales para ser

guardado no cofre da Câmara Municipal

e tem o nº de inventário 3442, por ordem

da Vereadora da Cultura a Sra. D. Maria José Rijo.

Maria José Rijo

 

Entrou no gabinete da Câmara

João Carpinteiro

 

Original de " O Senhor da Cana Verde"

cuja cópia ficou exposta no Museu.

Maria José

 

 

 

 

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 22:11
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Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

Uma sala que tem História

ELVAS preserva o “Bichinho da Bibliofilia”

Biblioteca Municipal expõe obras que são preciosidades

 

Correio da manhã

26- Dezembro de 1989

Texto de Inácio de Passos

Uma sala que tem História

 

Uma das salas da Biblioteca Municipal de Elvas é bastante curiosa, por reproduzir uma biblioteca caseira em todos os seus pormenores.

Nota-se nela a ausência de alguém, a não presença humana que fazia parte activa do ambiente recriado ali.

E trata-se na verdade da reposição do lugar caseiro de leitura de um dos elvenses ilustres, de nome EURICO GAMA, um investigador que deixou o seu nome ligado à cidade.

Maria José Rijo descreveu-nos a pequena e interessante história daquela sala, diferente de todas as outras:

Trata-se da biblioteca de Eurico Gama, um erudito elvense falecido em 5 de Junho de 1977. Fomos a sua casa buscar as estantes dele e aqui as montamos da mesma forma que lá se encontravam. A sua viúva ofereceu-nos a mesa onde ele trabalhava no Inverno, e a mesa onde fazia os seus trabalhos de investigação no Verão, e reconstituiu-se aqui o meio ambiente em que ele vivia, ou pelo menos onde passava grande parte do seu tempo.

O Eurico Gama era um homem baixo – prosseguiu – com uma deficiência física, motivo porque as estantes tinham pouca altura, para que a elas lhe fosse possível chegar sem grande esforço. Eurico Gama não foi em vida um homem rico, mas tinha uma alma nobre, muito nobre. Ele amealhou estes livros todos, eram o seu tesouro e deixou-o à sua cidade.

O seu gesto merecia ser respondido por nós com toda a ternura, e por isso reconstituímos aqui o seu ambiente de estudo, para darmos, mais ainda, a medida humana ao seu nobre gesto de oferecer à cidade aquilo de que mais gostava: os seus livros.

Sobre a secretária a que diariamente Eurico Gama se sentava a ler, encontra-se o livro aberto, e os óculos repousam sobre o livro, dando ao visitante a impressão de que está para chegar, de um momento para o outro, alguém disposto a reencetar a leitura interrompida.

Maria José Rijo justifica esse singelo detalhe daquele diferente espaço da Biblioteca, com estas palavras:

Eurico Gama morreu repentinamente e deixou o livro que estava a ler na secretária para continuar a leitura no outro dia. Só que esse outro dia não lhe chegou jamais, por a morte colher quando ele não a esperava. Nós colocámos o livro e todos os objectos nos mesmos locais em que ele os deixou pela última vez que esteve na sua biblioteca, para melhor se entender o seu ambiente de trabalho.

Traçando um curto retrato dos últimos momentos do investigador elvense, disse ainda:

Ele era um homem que não esperava a morte quando ela lhe chegou. Tudo indica que esperava viver mais, por não considerar completa a sua obra. Já de cama, doente, quando um amigo o foi visitar disse-lhe:”tenho ainda tanto que fazer…” E tinha na verdade ainda muito que fazer, embora a sua obra seja bastante importante. A sua grande preocupação foi sempre a sua cidade, Elvas.

Ainda sobre Eurico Gama aquela sala da Biblioteca Municipal, Maria José Rijo tinha mais a acrescentar, traçando-nos um quadro que bastante a sensibilizou, como nos disse:

Quando fizemos a inauguração desta casa Eurico Gama foi o investigador. Ora acontece que as crianças da escola tiveram por programa escolar fazer uma investigação sobre Eurico Gama, e vieram então aqui ler os seus trabalhos. Foi um quadro muito enternecedor, muito bonito, ver os meninos a ler os seus trabalhos sobre o Eurico Gama, quando ele fora, afinal, o grande investigador da cidade de Elvas. São imagens que a vida nos reserva e que jamais se esquecem.

 

Correio da manhã

26- Dezembro de 1989

Texto de Inácio de Passos

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 23:39
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Domingo, 27 de Julho de 2008

História rocambolesca de um códice precioso

 

"Ao Senhor João Joaquim D'Andrade

Guarde Deus muitos anos.

Cónego prebendado na Sé d'Elvas,

Cavaleiro professo da ordem de

Cristo, secretário do Ex.mo Sr. Bispo

Inquisidor geral, etc, Rio de Janeiro."

Irmão do que foi vigário capitular da

Diocese de Elvas

(Cónego António Joaquim Epifanio de Andrade),

nasceu em 1790, e faleceu em 1859.

O "Cancioneiro de Elvas" era  propriedade sua.

Através dos seus herdeiros é que veio

parar à nossa Biblioteca Municipal.

CANCIONEIRO DE ELVAS

Foi o Musicólogo MANUEL JOAQUIM quem,

PRIMEIRO, intuiu o seu valor  e estudou o

códice, que, em 1928, descobriu na

Biblioteca de Elvas.

Conservava ainda vestígios de encadernação

do séc. XVIII e, na lombada, a inscrição:

"ROMANCES DE J.J.D'A"

Só em 1940, cerca de doze anos depois, é que

pode dedicar-se ao estudo aprofundado da obra

tão preciosa. Subsidiado pelo Instituto para a

alta cultura, fez sair a lume

"O CANCIONEIRO MUSICAL E POÉTICO
DA BIBLIOTECA PÚBLIA HORTÊNSIA

com prólogo, transcrição e notas de

Manuel Joaquim

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O códice “Públia Hortênsia”, repositório manuscrito de música e canções do séc. XVI, cujo autor é desconhecido mas constitui uma das raridades bibliográficas da Biblioteca Municipal de Elvas

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ENTRE o invulgar espólio da Biblioteca Municipal de Elvas destaca-se um códice preciosíssimo, do séc. XVI, contemporâneo de Garcia de Resende pelo qual os intelectuais daquela cidade nutrem um grande afecto.

Trata-se de um repositório manuscrito de música e canções populares, em castelhano e português, cujo autor é desconhecido, mas isso não impediu de o baptizarem com o nome de “Públia Hortênsia”.

Tivemos o interessante códice nas nossas mãos e sobre ele nos falou o Dr. Alberto de Oliveira Marinho, o actual bibliotecário e arquivista daquela casa de cultura.

Segundo este investigador, o códice chegou ao poder da biblioteca incluído nos 12.602 exemplares da doação que António José Torres de Carvalho fez à Câmara local, dos quais cerca de 6 mil tinham sido pertença do Dr. Francisco de Paula Santa Clara, seu tio, que crismara esta colecção com o nome de Biblioteca Públia Hortênsia.

Públia Hortênsia foi o nome de uma portuguesa do séc. XVI, cuja fama de teóloga e filósofa saltou as nossas fronteiras e, assim, acabou por ser baptizado o códice seiscentista.

Já fazendo parte do episódio da Biblioteca Municipal de Elvas, o códice era um ilustre desconhecido e foi o primeiro-tenente Manuel Joaquim, ainda na primeira metade do presente século, quem suspeitou do seu valor, por se tratar de um musicólogo insigne.

O primeiro-tenente Manuel Joaquim teve de se ausentar de Elvas e, por certo, para que o livro manuscrito não corresse o risco de “perder-se” no enorme espólio, guardou-o numa gaveta da biblioteca.

Passados anos, quando regressou à cidade, foi encontrá-lo no mesmo sítio onde o guardara e iniciou um estudo mais aturado, estudo esse  que culminou com a publicação de uma edição em parte fac-similada e em parte transcrita, com a música original passada para música actual.

Mas antes de ter pertencido à colecção bibliográfica do Dr. Francisco de Paula Santa Clara, por onde estaria este maravilhoso códice?

Segundo pistas com grande possibilidade de serem as mais correctas, o códice “Públia Hortênsia” chegou a estar no Brasil, aquando das invasões napoleónicas, com a corte de D. João VI.

Com a corte regressou, também, para Portugal na posse  de um cónego de nome Joaquim Andrade, o qual veio a ser cónego da Sé Catedral de Elvas.

Através de herdeiros foi parar às mãos do Dr. Francisco de Paula Santa Clara, destas para as do sobrinho, António Torres de Carvalho, o doador.

Mas tanto o Dr. Marinho como a vereadora da Cultura, Maria José Rijo, foram unânimes em salientar que a descoberta se deve ao primeiro-tenente Manuel José que, se não fosse ele a aperceber-se do valor do manuscrito que lhe fora parar às mãos, este eventualmente ter-se-ia perdido.

 

Jornal Correio da Manhã

Texto de Victor Mendanha

Fotos de Madeira Marques

3 de Janeiro de 1988

 

 

 

sinto-me: Manuel Joaquim
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 18:52
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Mulher de armas salva a Biblioteca de Elvas

Se não fosse a acção decisiva de uma verdadeira mulher de armas, actualmente vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal

 

de Elvas, a Biblioteca local continuaria entregue aos bichos.

Durante vários anos todo o espólio daquela casa de cultura, composta

por 80 mil volumes, 20 mil manuscritos valiosos, além de 2 mil obras

musicais dos séculos XVIII e XIX, correram o risco de se

 transformarem em serradura.

Felizmente que fim tão trágico como prosaico não tiveram obras únicas como o cancioneiro “Públia Hortênsia” manuscrito

do século XVI, ou a

“Nobreza de Portugal”, trabalho raro de Duarte Lobo

remontando ao

Século XVIII, mas o mesmo não se pode dizer de dezenas e

Dezenas de volumes e manuscritos, como a “Histoire Generále 

dês Voyages”, com os quais a praga de formiga branca se banqueteou alarvemente.

Tratou-se de um crime contra a cultura, principalmente

devido ao factoda Biblioteca Municipal de Elvas,

em face do valor do seu espólio,

Continuar sendo a terceira do País, o que toma a intervenção de

Maria José Rijo, assim se chama a decidida vereadora, ainda digna

dos maiores louvores

Teve de ser Maria José Rijo, com o total apoio do actual presidente da Edelidade, a meter mãos à obra e salvar um património cuja importância talvez os anteriores responsáveis autárquicos, por certo mais sensibilizados pela política do que pela cultura, nem sequer descortinavam.

 

Fomos a Elvas investigar como um desastre nacional esteve à beira de suceder e, a nosso pedido, a vereadora Maria José Rijo não só nos mostrou as provas evidentes de tal desastre como nos contou peripécias rocambolescas que, felizmente, terminaram com o salvamento da Biblioteca Municipal de Elvas a 10 de Junho de 1880, em festiva cerimónia, com as ruas engalanadas e tapetes de flores, mas cujo funeral esteve até marcado para pouco depois do seu centenário…

 

A Biblioteca estava num estado lastimoso

O actual presidente, antes da campanha, pediu a Maria José Rijo para, caso viesse a ser eleito, aceitar o pelouro da Cultura por existirem graves problemas nesse campo que o preocupavam muito, assim como a uma série de pessoas responsáveis da cidade de Elvas.

-- Aconteceu que ele foi eleito, eu vim com ele e coube-me o pelouro da Cultura. Cheguei aqui, à Biblioteca e deparei com uma situação ainda muito pior do que nós podíamos, porventura, ter suposto – garantiu a nossa entrevistada.

 

Segundo Maria José Rijo, a Biblioteca Municipal de Elvas estava sem desinfestação havia já dez anos e, por mais incrível que pareça, o chão de madeira em lugar de ser encerado era lavadas duas ou três vezes por semana. Contra as mais elementares regras, mantendo um clima de humidade propício à propagação de fungos e outras pragas que atacavam os livros.

 

Recheadas de preciosidades provenientes de antigas bibliotecas conventuais, entre as quais se contam as dos mosteiros de Portalegre, o seu interior era um verdadeiro património,

conforme a vereadora lembra:

-- Podemos garantir que os livros encontravam-se aos montes, pelo chão. Talvez mais de 8 mil exemplares nem sequer possuíam registo, não se podendo chamar biblioteca a um desarrumado armazém.

O problema era grave e a solução exigia verba vultuosa, tornando-a quase inviável pois a Câmara herdara imensas dividas e problemas ainda por resolver, problemas prementes e prioritários, como a falta de habitação e saneamento básico no concelho.

Por isso Maria José Rijo recorda:

-- não era fácil a uma câmara, altamente endividada, colocar a defesa deste património em primeiro lugar, pois ficaria em confronto com a realidade dos problemas das populações, as quais têm dificuldades prementes, mas também era urgente salvar a biblioteca, já que todos nós tínhamos consciência dos valores culturais que aqui estavam em perigo.

 

Tentaram salvar o que foi possível

A nossa interlocutora  manifestou-se convencida de que a Biblioteca Municipal de Elvas, mesmo apesar dos últimos anos de atribuição, possui mais interesse do que a Biblioteca do Porto ou a de Coimbra, garante pelas riquezas insuspeitas, vindas à luz do dia com o trabalho de organização que nela se leva a efeito, apresentando um largo campo para a actividade dos investigadores.

Na verdade, para além de manuscritos valiosíssimos em número desusado, foi recebendo ofertas de particulares cada vez mais consideráveis e em 1892 o seu inventário já registava 6.942 volumes.

Entre as doações mais importantes destacamos:

-- A do folclorista elvense António Tomás Pires, com 970 volumes.

-- A do Dr. João Henriques Tierno, com 3.013 volumes

E a mais valiosa, composta por 12.602 volumes, feita pelo erudito bibliófilo António Torres de Carvalho, esta em 1934.

Não é, pois, sem razão que a vereadora da cultura realçou:

-- Por uma questão de dignidade e amor próprio, pois os elvenses merecem muito mais do que o estado da sua biblioteca e demonstrava, o senhor presidente e eu fomos de opinião que a Câmara se devia empenhar em fazer tudo quanto fosse possível para mostrar o seu respeito por este património, até porque se trata de um património não só de Elvas mas nacional, não sendo erro considerá-lo património universal.

Assim, tentaram iniciar, com grande esforço, uma obra em várias fases durante a qual, primeiro, salvaram o que se podia salvar e, em segundo lugar, passaram à fase da arrumação.

O que nos foi dado ver, em resultado da primeira fase, a de salvamento, é simultaneamente revoltante e consolador. Revoltante porque são muitas dezenas de livros raros e centenas de manuscritos semidevorados pela formiga branca mas consolador porque foram restaurados dentro das possibilidades e são, agora, um símbolo do que não deve acontecer outra vez.

..

 

O soalho cedeu e descobriu-se a praga

 

Procedeu-se, então, a desinfestações periódicas para controlar a praga,

mas Maria José Rijo  confessa ter tido, sempre, a consciência de faltar um trabalho de fundo, só que não era fácil fazê-lo dentro da desorganização

em que a biblioteca ainda se encontrava.

--Como mão-de-obra, fomos ajudados por raparigas estudantes, da Ocupação dos Tempos Livres. Dezasseis jovens permanentemente, e com

elas prosseguimos um trabalho de rigor.

 

Certo dia, a vereadora detectou algumas tábuas do

soalho que cediam e,

Mandando investigar, descobriu o grande foco de

formiga branca. Se não

Atacassem o mal por esta raiz todo o trabalho de

arrumação, catalogação

e pequenas desinfestações iria passar à categoria de inutilidade.

Só que uma desinfestação ao nível agora requerido custava algumas

centenas de contos, importância volumosa para uma Edilidade em situação

financeira difícil.

-- Telefonámos, então, para Lisboa, para

o Instituto Português do

Património Cultural, mas já o fizemos numa

posição diferente porque

Tínhamos demonstrado o nosso interesse e o nosso

respeito por um

Património que recebêramos absolutamente devastado –

prosseguiu a nossa entrevistada no seu relato.

Deslocaram-se a Elvas técnicos que se aperceberam

da gravidade do

Problema e da dignidade da atitude, tornando-se

sensíveis à situação,

Podendo dizer-se que se inventaram os 500 contos necessários

à Desinfestação salvadora.

 

Panos quentes ou solução drástica

 

No entanto, o relatório dos especialistas acabou por ser dramático,

após análise da situação no próprio local.

Ao emitir parecer foram peremptórios: ou se fazia uma pequena

Desinfestação e, durante 5 ou 6 anos, não teriam problemas salvando-se

a chamada honra do convento, ou havia que ir arranjar

coragem para

retirar cerca de 100 mil volumes do lugar, arrancar tudo

e salvar não o

“convento” mas a própria biblioteca por algumas dezenas de anos

No dia em que recebeu semelhante parecer, Maria José Rijo

foi para casa

e não conseguiu dormir mas, como a noite é boa conselheira, no dia

seguinte, conforme contou:

-- Avistei-me com o presidente, apresentei-lhe a situação muito

claramente e a sua resposta foi: “Vá para a frente”.

Assim sendo, cheguei aqui e assumi essa obra, com todo o apoio

da Câmara. Tirámos dezenas de milhares de livros,

tirámos as estantes

das paredes, arrancámos o soalho, desinfestou-se

tudo e substituímos o

soalho, que era de madeira, por tijoleira.

No final, os livros voltaram aos seus sítios quase sem erro.

A biblioteca encontrava-se, pelo menos, controlada e

a partir de agora

a atitude pode e deve ser outra: torná-la actuante,

fazê-la entrar na

vida da cidade.

 

E nos olhos calmos mas determinados da actual

vereadora da Cultura

perpassa um certo brilho de paz pelo dever cumprido,

por se ter evitado

que a terceira biblioteca do País fosse por água abaixo,

digerida por bichos incultos mas devoradores.

 

Fazer a biblioteca entrar na cidade 

Fazer entrar a Biblioteca Municipal de Elvas na vida da cidade,

de uma cidade que, embora da província, conserva grandes

tradições culturais, é o próximo objectivo.

Para isso Maria José Rijo, coadjuvada pelo Dr. Alberto de Oliveira Marinho, actual bibliotecário e arquivista, já tem um plano que começou a levar a cabo o ano passado, consistindo no atrair à biblioteca a população

local, a pretexto de palestras sobre os clássicos universais, já que se realizaram em Elvas as celebrações do Dia Mundial da Música.

--No ano passado de 1988 vamos continuar com a segunda fase desse programa, nas desta feita só com músicos portugueses. Também pensamos iniciar um outro programa com o tema “um livro de cada vez”, nos mesmos moldes

Adianta, realçando que existe na cidade uma equipa de professores interessada em tratar da iniciativa.

As crianças e a sua necessidade de cultura são temas que não

foram descurados por Maria José Rijo, tendo-se criado, para elas, um espaço onde

terão lápis e papéis à sua disposição e onde, após ouvirem um conto infantil, poderão desenhar sobre o tema da história que escutaram.

Não vão faltar, também nesse espaço as crianças, espectáculos de marionetas e uma escola de pintura, para alegria de quem a frequentar e

desespero da formiga branca, totalmente derrotada.

Ao fim e ao cabo, fazer com que a Biblioteca Municipal de Elvas funcione não como uma casa onde se vai a medo, nos bicos dos pés, mas entrando na vida do dia da cidade como o prolongamento da casa de cada um.

-- Como ninguém pode ter em sua casa, esta riqueza de livros, todas as pessoas podem vir aqui usufruir deste tesouro. Ler os jornais, consultar o “Diário da República”, estudar, investigar, conversar sobre livros e provocar até o convívio tendo como

base a leitura.

Convida a vereadora.

 

Sem tomar obrigatório o cartão de leitor, a politica de cultura da renascida biblioteca é a de facilitar o contacto com o livro e mesmo as raridades bibliográficas podem ser consultadas.

Quanto aos investigadores, têm eles ali um paraíso ainda por descobrir e para isso os alertamos, principalmente para a grande quantidade de manuscritos existentes, os quais poderão ser analisados desde que na presença de um funcionário, como é normal em qualquer biblioteca do Mundo.

É caso para dizer que a formiga branca perdeu mais um combate.

 

Texto de à Victor Mendanha

Fotos deà Madeira Marques

3 de Janeiro de 1988

Jornal Correio da Manhã

 

sinto-me: 3 de Janeiro de 1988
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 12:18
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Sábado, 12 de Julho de 2008

Uma opinião

 

 

 

 

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 21:32
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Obras de Eurico Gama

O Forte da Graça. História e descrição, 1929

Gente Alentejana, Capitão Augusto Tello, escrito e e combatente da Grande Guerra. 1932

Memórias de um actor- amador. Aníbal Velês (em oito números do Correio Elvense). 1936

2º Centenário da romaria do Senhor Jesus da Piedade. 1937.

Um cruzeiro notável – A Cruz de Galindo (sec. XV). (Em oito Nºs do “Correio Elvense”

O Iº De Dezembro de 1640 – Elvas 1937

Luis de Camões – 1937

Cortes de Amor – Jogos Florais Luso- Espanhóis Separata do Jornal de Elvas – Elvas, 1938 IIª Salão de Arte Alentejana Em Elvas Em colaboração com Nunes Ramos e Azinhal Abelho.

Bibliografia Elvense, A notável obra editorial de António José Torres de Carvalho. 1941

Mala-Posta

Boletim do (grupo dos Amigos de Elvas – De colaboração com Azinhal Abelho e Guilherme Pinhol – Elvas 1945.

Manuscritos e outros documentos da Biblioteca Municipal de Elvas.

I-1945 – II1948

Roteiro topográfico da cidade de Elvas. (Em 28 números do “Jornal De Elvas) 1947 A Dialectologia Alentejana (Nótulas criticas e bibliográficas).

(No nº 65 da Revista de Portugal – Série A- Língua Portuguesa) 1948

Roteiro Turístico de Elvas – Elvas 1948

Santa Eulália, “ Flor” do Alto Alentejo 1948

Crónica de Viagem da Rainha - Mãe de Portugal, Dona Maria Vitória de Bourbon, a Espanha, no Outubro de 1777

Separata da revista “Ocidente”, Lisboa MCMLII

A Santa Casa Da Misericórdia de Elvas – MCMLIV

Duas Imagens de Nossa Senhora dos Mártires – MCMLV

Breve Notícia Da Diocese De Elvas com uma relação completa dos Bispos que a Governaram

As Cortes de Elvas em 1361

Separata do Boletim da Junta de Província do Alto Alentejo – 1956

(já publicada no Jornal “ A Voz” de Lisboa

Os Pregões de Elvas – com sete Estampas e 33 músicas dos Pregões – 1954

Jornalismo Campomaiorense – MCMLVI

À sombra do aqueduto – estudos elvenses

Que engloba vários fascículos, quer da autoria de Eurico, quer de outros autores

De Eurico: - Roteiro antigo de Elvas – 1ª e 2ª. Séries

Estudos Elvenses – A Vida Quotidiana em Elvas

Durante o cerco e a Batalha das “ Linhas De Elvas”

Crónicas de Odiana

Comezainas e gulodices

Catálogo dos Ex-Libris da Biblioteca Municipal de Elvas

Roteiro Antigo de Elvas III – série em 1972

António Sardinha

(páginas esquecidas e achegas para a sua biografia)

Procissões de outrora em Elvas – separata de Arqueologia e História

9ª Série das publicações. Volume II

Colhendo Em Estranha Seara – separata da Revista de Portugal – Série A: - Língua portuguesa – Volume XXIX – Lisboa, 1964

O SENHOR JESUS DA PIEDADE DE ELVAS – 1972

AZULEJARIA ELVENSE – 1974 (?) reeditado em 1985

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Não tenho a pretensão de ter, com esta mostra, esgotado a citação de tudo que sobre Elvas Eurico produziu ou editou.

O meu convívio com Eurico começou quando ele escreveu para um jornal de Lisboa – uma carta falando sobre Elvas, que encabeçou com a adversativa “Mas”. Então meu marido e eu vivíamos nas Caldas da Rainha.

Com este jeito de reagir a tudo quanto me pareça injustiça, e porque achei dura a crítica, também concorri dizendo: Eurico disse mas, eu venho para dizer: -Se... e rebati o que me parecia excessivo.

Eurico ganhou o prémio da semana, e, eu o da “minha” semana e, depois o do mês.

Então, Eurico, felicitou-me, “multou-me” num presente de “cavacas”, que lhe enviei e, ofereceu-me um exemplar de cada uma das suas obras, que ainda possuía, porque na sua maioria dada a importância que têm como documentos históricos que são – estão esgotadas. Ficamos então muito amigos, a tal ponto que sua viuva havia de - por meu intermédio – confiar à Câmara presidida pelo Dr. João Carpinteiro a execução do seu último pedido:

Dar á sua cidade de Elvas todo o seu espólio. NA CONDIÇÃO ÚNICA de que ficasse numa sala com o seu nome, que na medida do possível evocasse a modéstia do seu quotidiano em que o seu único luxo era estudar, investigar e render preito aos grandes Elvenses que o antecederam nesse mesmo culto - Elvas

Na Sala Eurico Gama havia exemplares de todas as 1ªs edições das suas obras.

Sobre a sua secretária, pousados sobre a página aberta do último livro que lera, os óculos, como era seu costume deixar. Na parede o calendário parado no tempo, marcava o mês da sua partida.

As estantes estavam á altura da sua mão. Eurico era deficiente físico.

Era no seu conjunto a reprodução fiel, autêntica, do mundo de um Homem que tinha Elvas como o maior interesse da sua vida.

Logo que esta Câmara tomou posse a Senhora Drª Elsa – anunciou que o serviço da biblioteca não era prioritário e, desmantelou-o

A Sala Públia Hortênsia começou a servir para actividades políticas e, tal como na Quinta do Bispo a degradação foi minando tudo.

Ergue-se então a figura humana e sensata da Drª Vitória Branco que aceita dissabores e injustiças, mas começa uma luta difícil para salvar a biblioteca... o que consegue.

Procede-se então à obra que está à vista de todos, mas, como sempre os louros não são ela a colhe-los.

E, para que não se altere a marcha vitoriosa das tropas, como nas invasões francesas, faz-se terra queimada do passado.

Nem se repara que se desrespeitam os heróis na sanha de apagar os nomes dos soldados fiéis.

 

Maria José Rijo

 

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 21:24
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Postal D. Maria Amélia Gama

 

4 de Julho de 1984

Minha amiga

Bem haja por ter recordado o meu marido,

na sua crónica de Junho, mês de tantas e

dolorosas recordações, para mim...

Que as minhas palavras despertem nos mais

jovens o desejo de conhecerem as obras de

Eurico Gama, que ele escreveu com o coração

cheio de Amor e entusiasmo pela sua cidade natal.

Que eles continuem a entusiasmar-se por tudo quanto

possa engrandecer a cultura na nossa terra, isto é,

continuarem a obra que tão cedo foi interrompida...

Cumprimentos para o seu marido

e um afectuoso abraço

da amiga

Maria Amélia Gama

 

música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 15:56
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Terça-feira, 1 de Julho de 2008

EURICO GAMA - na Enciclopédia

 

Para quem desconhece ou não se lembra,

O nome de EURICO GAMA faz parte da

Enciclopédia Luso Brasileira de Cultura.

 

GAMA (Eurico Garcia Miranda)

Publicista port. (n. Elvas, 11.6.1913).

Prof. do ensino secundário, tem-se dedicado ao jornalismo, colaborando em diversos jornais, nomeadamente no Jornal de Elvas, de que foi director.

É actualmente (1969), director da Biblioteca e conservador do Museu de Elvas.

Pertence à Associação dos Arqueólogos Portugueses e à Academia Portuguesa de Ex-libris.

Colaborador da VELBC.

OBRAS PRINC.:

-- Crónica da Viagem da Rainha Dona Mariana Vitória a Madrid em 1777, Lx., 1952;

-- Os Pregões de Elvas , Lx., 1954;

-- A Santa Casa da Misericórdia de Elvas, C., 1955

-- Duas Imagens de Nossa Senhora dos Mártires, C., 1955

-- As cortes de Elvas em 1361, Év., 1959

-- Gil Fernandes, Alcaide-mor Elvas, Lx., 1961

-- Roteiro Antigo de Elvas, I e II séries, Elvas, 1963 e 1964,

-- Catálogo dos Pergaminhos do Arquivo Municipal de Elvas, C., 1963;

-- O Senhor Jesus da Piedade de Elvas, monografia de Elvas, 1965;

-- Cartas de Leite de Vasconcelos e António Tomás Pires, Lx., 1965;

-- Comezainas e Gulodices, Elvas, 1966

 ...

Vol 9

Pág 115

Verbo

Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura

 

música: Eurico Gama
publicado por Maria José Rijo às 22:59
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