Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Registo de Documentos

 

Registo de Documentos Antigos

do Sr. Dr. António Sardinha

Pertença

da Sra. Dona Maria José Rijo

 8 cartas de António Sardinha para D. Ana Júlia Nunes

da Silva quando Namoro

7 cartas de António Sardinha a seu sogro

13 cartas diversas e outros documentos como

procurações, escrituras, autos de posses,

Dote de casamento da Sra D. Ana Julia Nunes da Silva

Certidão de casamento do Sr. António Sarinha e D. Ana

  Diversos documentos como:

Títulos , registos de conservatória, escrituras de

compra, escrituras,diversas cartas.

...

Num total de 48 documentos

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música: Documentos de António Sardinha
publicado por Maria José Rijo às 23:42
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Terça-feira, 10 de Junho de 2008

“Em torno de uma efeméride “

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.385 – 17-Janeiro-1997

Conversas Soltas

 

            Elvas 10 de Janeiro de 1997.

            Há 72 anos faleceu na sua casa da Quinta do Bispo – António Sardinha.

       Colho, desse local, que foi a “Versalles de Elvas” a imagem de hoje.

            Fica-me frente ás janelas.

            Convivo com ela diariamente.

            Ofereço-a aos meus olhos e legendo-a (com profunda mágoa) com a isenção a que me obriga o respeito pela nossa cidade, a verdade de que ela dá testemunho.

            Frequentemente a televisão nos mostra com entrevistas e imagens, soluções inteligentes encontradas para o enriquecimento de muitas terras do nosso país.

            O grande e belo Porto – hoje património do mundo – não desdenhou a sua quinta de Serralves.

            Foz Côa, não deixou afogar as suas gravuras.

            Algures, também no Norte, um autarca veio contar como um “eco-museu” está restaurando velhos usos e costumes... Velhos ciclos (o ciclo do pão, foi um dos referidos).

            Desse modo garante – vai promover turismo e defender da desertificação a sua terra situada no interior. Afirma que assim se criam empregos, desenvolve o comércio e a riqueza do seu concelho.

            Agorinha mesmo – o professor David Martins – falou do êxito conseguido por ele e pelos seus professores da sua escola que, em ligação interdisciplinar já levam dois discos de sucesso com actuações dos alunos de música de Vila Praia de Ancora.

            E anuncia que: - a autarquia vai propiciar o progressivo ensino da música às crianças desde a sua entrada nas escolas – gratuito -  portanto.

            É verdade que opções, são opções...

            Ao falar da Quinta do Bispo veio-me à lembrança outra responsabilidade que herdei e tenho a missão de recordar.

            Talvez os critérios de escolha tão afastados por vezes, das coisas do espírito tenham assustado o senhor Cónego Dr. Silvestre e o tenham decidido a reter em suas mãos os “nove grossos manuscritos da Genealogia dos Vasconcelos” que foram oferecidos á Biblioteca de Elvas como sua Excelência bem sabe.

            Ao menos – com ele – estarão a salvo o que não acontece à Quinta!

            Estranha é a sorte que impede sobre o património de uma cidade cuja rara beleza – a torna única – e tão carregada de história que quase parece um conto de fadas.

            Servir – servindo-a devia ser considerado um privilégio – embora com todo o melindre que essa distinção sempre confere.

 

 

Maria José Rijo

 

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Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Sardinha, a Quinta do Bispo – Porquê? – IV

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.492 – 19 – Fevereiro-1999

Conversas Soltas

 

 

Talvez seja a altura de relembrar aqui, alguns pareceres, que, na imprensa de Elvas, em épocas diferentes, foram aparecendo sobre o assunto em epígrafe.

Vou faze-lo por ordem no tempo, e, porque algumas das opiniões, provêm de gente ilustre, – infelizmente já falecida – espero que se entenda perfeitamente que eu não inventei esta preocupação.

Quer se encare de frente, quer se façam ouvidos de mercador, o problema existe.

Resolvê-lo é dever de Elvas, e essas decisões de problemas locais, - essas – e não outras – que, em série, se vão, mais ou menos, resolvendo por determinações exteriores, no nosso e em outros municípios, é que  dão a dimensão real do espírito de iniciativa e da visão de quem decide.

Em Sábado 2 de Maio de 1970 – dizia assim o “Linhas de Elvas” pela mão de Ernesto Ranita Alves e Almeida, então seu director.

Cito: “ À nossa mesa de trabalho acaba de chegar mais um livro, mais uma belíssima manifestação das qualidades investigadoras de Eurico Gama, sempre disposto a dar-nos a justa medida do que vale o seu nome no campo cada vez mais restrito dos que, sem qualquer turvo intuito de interesse próprio, se dedicam à constante e nobre tarefa de difundir apontamentos culturais, factos e  perfis de ilustres figuras elvenses ou com elas relacionadas por motivos de ordem espiritual. (o sublinhado é meu).

Referia-se assim Ernesto Alves, à obra: - “António Sardinha (páginas esquecidas e achegas para a sua biografia)” – que Eurico, na altura lhe enviara.

As referências são extensas, mas muito interessantes. Limito-me a destacar, por curiosidade, o que me parece ser menos conhecido.

 

“Vemos um António Sardinha integrado no meio elvense, cliente da Barbearia Samuel, felizmente ainda hoje em actividade; um António Sardinha presidente da Câmara Municipal; um António Sardinha polemista enfrentado na “Fronteira, a fogosidade talentosa de um arronchense ilustre – Teófilo Junior –, um António Sardinha colaborador da imprensa de Elvas, e muitos outros aspectos relevantes da sua biografia “local”.

Assim contava Ernesto Alves – repito – citando Eurico que em livro enaltecia a figura de António Sardinha.

Fecho este apontamento voltando a citar o meu saudoso amigo Ernesto, também ele, Elvense, com maiúscula e indómito defensor do bem de Elvas.

“Homens como Eurico Game têm qualquer coisa de missionários e devem ser apontados às novas gerações como paradigma e estímulo do que significa o trabalho olhando para o alto, defendendo abnegadamente a herança que os nossos maiores legaram ao património espiritual da Nação “

 

Que admira então, que, de vez em quando, este assunto que permanece latente na consciência dos elvenses interessados pelo seu património, ressurja, com a força de tudo quanto tendo fundas raízes no passado, e dando testemunho da história da nossa terra, nunca se afasta dos seus corações?

Em 6-7-1979 voltava a perguntar-se no Linhas de Elvas:

E por que não a Casa Museu António Sardinha? (e, seguia-se o texto)

Toda a cidade sabe o muito que se deve a essa figura impar das letras pátrias, que à sombra do Aqueduto escreveu a maior parte das suas importantes obras, hoje completamente esgotadas.

E, mais adiante: Pois agora ocorre-nos alvitrar à Câmara Municipal a aquisição da Quinta do Bispo, onde o Mestre do Integralismo Lusitano passou grande parte da sua vida, a fim de que seja transformada em Casa-Museu”.

No mesmo jornal, nº 1486 de 6-7-1979; também se podia ler:

“Já estava a primeira página composta, quando nos chegou às mãos a proposta que o vereador Joaquim Trindade apresentou na sessão de segunda-feira e que foi aprovada por unanimidade. Quem ler estas duas notícias há-de pensar que houve acordo prévio entre o jornalista e o edil. Podemos garantir que tal não sucedeu. O que houve foi mera coincidência, e julgamos de difícil repetição.

 

Passamos a transcrever a proposta, que diz o seguinte:

 

“É de todos sobejamente conhecido o que António Sardinha representa para Elvas, cidade onde viveu e onde produziu toda a sua valiosa obra literária.

Por duas vezes já a sua memória foi aqui devidamente comemorada, estando o seu nome gravado em placa no monumento mais significativo da cidade – os Arcos da Amoreira.

Em tempo oportuno foi o plátano anexo à sua residência na nossa cidade considerado de utilidade pública.

Perdida que foi, a favor de uma Universidade de Lisboa, a sua valiosa Biblioteca, inicialmente prevista para enriquecer a nossa Biblioteca Municipal, resta assegurar para o património cultural da Cidade a sua casa junto ao plátano já considerado de utilidade pública.

Assim sendo, proponho que a Câmara Municipal envide todos os esforços no sentido de que, ainda na vigência do nosso mandato, a casa onde viveu António Sardinha seja considerada pública.”

 

Chamo a atenção para a preocupação, aliás, justa e bem legítima, dos cidadãos de Elvas com a Quinta do Bispo, - propondo à sua Câmara que a comprasse e defendesse.

Comentar, para quê?

Apenas recordar que naquela época a Quinta ainda estava na família de António Sardinha, mesmo assim, em nome de valores perenes, erguiam-se vozes, embora, com o desconforto que se depreende, por tal situação...

De outra vez, se Deus quiser, citarei outras opiniões, também ventiladas neste jornal. Pelo menos vai-se rescrevendo a história e avivando recordações.

Quem sabe se acordando responsabilidades.

A esperança é a última coisa que morre...

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:55
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Revista Cultural de Portalegre

 

 

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música: Participação de Maria José Rijo neste livro
publicado por Maria José Rijo às 00:34
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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

António Sardinha (1888-1925)

 

 

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música: António Sardinha
publicado por Maria José Rijo às 00:21
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Câmara insensível à Cultura?

Um dos muitos inconvenientes da Democracia, quanto a nós, é a autoridade que ela confere às multidões, neste caso ao eleitorado que, por vezes, pouco esclarecido, a outorga a qualquer um através do voto.

Assim, o Poder passa a ser exercido por delegacia em pessoas que nem sempre são as mais indicadas para o exercer.

É toda a força dos partidos com o oportunismo das suas clientelas.

Isto a nível dos governos e também das Autarquias, estas ultimamente férteis em fornecer grandes “Manchetes” aos meios da Comunicação, por coisas que acontecem e que não deviam acontecer.

Na nossa, pela aposta do seu Presidente num falso progresso, uma coisa parece que vai acontece.

É o “crime” do loteamento da Quinta do Bispo, património cultural da cidade de Elvas, onde o insigne escritor e pensador que foi António Sardinha que escreveu toda a sua obra, que se pode considerar um autêntico monumental da Cultura Lusíada.

O “Literato”, como teimosamente insiste em chamar-lhe Presidente, é hoje parte integrante da literatura nacional e, a alguns, até superou.

A “esta Elvas” como ele amorosamente lhe chamava, parecem estar reservadas grandes surpresas, pela acção deste executivo cujo conceito de progresso atinge a sua máxima expressão apenas nas flores de cimento armado.

O reino do betão, que apenas serve os interesses de uma nova vaga da alta finança agora surgida em Portugal, não pode nem deve atropelar o primado do espírito, da inteligência, da cultura e de todos os valores históricos de qualquer País.

Lotear a Quinta do Bispo, o mesmo é dizer que a construção se irá prolongar em toda aquela zona até ao Santuário do Senhor Jesus da Piedade que, a breve trecho, se verá também rodeado de imponentes edifícios e até, quem sabe, por mais alguma unidade hoteleira.

Na nossa autarquia não haverá um vereador(a) do pelouro da cultura, que tenha uma palavra a dizer sobre o assunto?

Será por incompetência, o que deve ser o caso, ou não passará de mais uma “marionette” nas mãos do Presidente?

Ou nos enganamos muito ou a nossa Câmara está a ser governada com poderes discricionários.

É que o Socialismo e a Democracia pressupõem um certo respeito pela liberdade dos outros na defesa dos princípios e dos valores em que acreditam.

Se assim não for este tipo de Democracia está fielmente retratado na definição de um grande pensador francês quando lhe chama o “Património da Mediocridade”.

O presidente do actual executivo tem que repensar bem a ideia do loteamento da Quinta do Bispo, porque ali continua presente a memória desse grande vulto das letras nacionais, que foi António Sardinha.

O polémico assunto, que já no tempo do executivo de João Carpinteiro tinha sido apresentado pelo actual proprietário da Quinta, ouviu um rotundo “não”, para preservar valores que devem estar muito acima dos míseros interesses particulares.

Nobre atitude por parte de uma autarquia que continua a ser acusada de incúria por tudo o que se relacione com Elvas.

A última é a afirmação no esclarecimento feito pelo chefe do executivo a essa grande Senhora que é a D. Maria José Rijo e que tem sido uma intemerata defensora daquele espaço para o qual, a sua grande sensibilidade, deseja outro destino que não seja o de uma sementeira de tijolos a dois, a três ou a quatro pisos.

Dizia o referido comunicado que o actual executivo veio encontrar as muralhas e outros monumentos num estado de devastação como o que foi deixado pelas invasões Francesas.

Face a este exagero também podemos fazer, se nos é permitido, uma comparação histórica.

Se as coisas continuarem assim, com toda esta dinâmica de progresso (?) atropelando certos valores, este executivo corre o risco de imitar o cavalo de Átila, Rei dos Hunos, que segundo reza a lenda, onde pisava jamais crescia erva.

Por tudo isto somos forçados a criar aqui um grande pensamento, dele masmo, António Sardinha, inserto nas páginas brilhantes de uma das suas obras, quando se referia a certos acontecimentos da época: “Sofremos uma estiagem de personalidades – sufoca-se debaixo de uma nuvem de medíocres aparatosos”.

Parece que eles ainda continuam por aí, para perpetuar a espécie.

 

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Jornal Linhas de Elvas

11-Novembro- 1994

 

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música: Artigo de apoio - António Magéssi
publicado por Maria José Rijo às 22:08
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

Quando o nosso coração bate ao compasso do amor por Elvas

Em 10 de Janeiro de 1925 com 37 anos incompletos, na sua Quinta do Bispo, faleceu António Maria de Sousa Sardinha.

Em 10 de Janeiro de 1973, dia em que se cumpria o 48º aniversário da sua morte – Elvas – com a fidalguia de ser: - “ A Rainha da Fronteira” pela sensibilidade da Câmara de então, fez editar 12 sonetos desse grande Poeta – até aí inéditos – antecedendo-os da seguinte nota:

                            “NASCE-SE e morre-se onde Deus quer."

  Mas pode-se eleger, em muitos casos, o local mais grato ao nosso coração, para residir.

António Sardinha (figura do mais alto prestígio nas  Letras Portuguesas, em todos os géneros que cultivou; inspiradíssimo poeta; extraordinário português;  cristão dos mais puros  e sinceros; paladino honesto e batalhador de todas as ideias  que defendeu) escolheu Elvas para viver, construir família, pensar e escrever; amou-a com acrisolado afecto; contou-a com os melhores dotes que Deus lhe deu; quis torná-la sua mãe adoptiva!

Elvas perfilhou-o com orgulho e carinho; chorou-o, desoladamente; quando Deus o levou para a Pátria Celeste.

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Hoje, 48º aniversário da sua morte, reafirma-lhe o seu amor, a sua gratidão, a sua reverência, a sua saudade;

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                          “EVOCA E PERPETUA A SUA MEMÓRIA”.

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Este ano, de 1994, está à beira do fim. Sobre a “Quinta do Bispo” paira o mau agoiro do “plano de pormenor” do Senhor Arquitecto Barral.

Sobre Elvas escreveu António Sardinha in:

“De Vitae t Moribus”:-- “Esta Elvas!... Esta Elvas!...

A noite morre, o dia rompe, outra noite vem, outro dia morre – e Elvas, igual à essência eterna da Vida, com os seus baluartes, o seu Aqueduto, as suas Igrejas, os seus eirados, continua sendo um apelo súbito às forças que dormitam dentro da nossa sensibilidade.

 “Que essas forças que dormitam dentro da nossa sensibilidade”

 – acordem para que a história não registe – dos elvenses de hoje – o desinteresse – que permita à actual Câmara renegar o sentir dos nossos Maiores.

        Que o 1º de Janeiro de 1995 não possa ser assinalado com o perjúrio do que em livro e em pedra se gravou no Aqueduto.

 

                                         Maria José Rijo

 

 .

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.271 – 28 – X - 1994

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música: Doc. nº 11
publicado por Maria José Rijo às 23:25
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Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

DAMA DEFENDE BISPO

A defesa do não loteamento da Quinta do Bispo que a autarquia agora pretende executar, teve desde logo um rosto: Maria José Rijo. A ex-vereadora do município é uma profunda conhecedora de toda a história da quinta, e a sua sensibilidade às questões histórico-culturais levou-a desde o principio, por intermédio deste semanário, a incetar essa cruzada pela defesa da identidade desse local tão representativo para a cultura elvense.  

Maria José Rijo considera que qualquer coisa que se venha a fazer é “uma resposta que estamos a dar à história “e que” não seria bom em nome de interesse particulares agredir um património cultural comum.”

Já esta semana esta dama da cultura local veio de novo em defesa do bispo que tanto admira. Fê-lo em jeito de carta aberta ao presidente que aqui publicamos.

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Exmo. Senhor Presidente

 

Os meus cumprimentos.

E, desde logo, com eles afirmo que, pessoalmente, nada me move contra V. Excelência – que até considero.

Quero apenas, porque V.Exª me confessou que “Cultura” não é o seu ramo e não é sensível a esses valores, contar-lhe o que é a Quinta do Bispo em termos de Património Cultural e Histórico de Elvas:

 

“ A Quinta do Bispo era a de São Sebastião e depois de Aires Varela, a quem foi comprada pelo 6º Bispo de Elvas, D. Manuel da Cunha, donde lhe vem o nome.

Em 1800 havia na quinta um palacete e também uma ermida, de Santo Mártir, onde se veneravam também as imagens da Senhora do Bom Sucesso e de São Caetano. A 20 de Janeiro era a festa do seu orago, feita pela Câmara. (Ermidas e palacete foram no princípio do séc XX para que não servissem de alojamento aos Franceses.)

 António Sardinha escreveu ali grande parte da sua obra.

 

“… eu vivo numa quinta de gloriosas tradições episcopais com suas altas e copadas árvores, com  seu doce e  regalado sossego. Por aqui andaram doidejando, ladinas,  as musas de António Dinis da  Cruz e Silva. E talvez que no mesmo assento tosco em que  esta tarde me reposei deleitadamente, ouvindo a queixa saudosista das regas, se sentasse também algum dia, chorando a dor do seu orgulho ferido, aquele D. Lourenço de Alencastre – o prelado famoso da guerra do Hissope. (Cruz e Silva chamava à quinta, humoristicamente, o Versailles de Sua Excelência, o bispo.)

In – Monografia de Elvas por Maria do Céu Dentinho

 

Por estas e outras mais razões, ela está no “P.G.U.” – como zona verde – zona protegida.

V. Exª sabe-o. Sabe-o tão claramente que foi buscar a Évora o Sr. Arquitecto Barral para desmanchar o que estava feito – aliás, muito bem feito – com olhos de futuro para a Cidade, gizado com respeito pelas nossas tradições.

Se, V.Exª vai tirar a Quinta de “P.G.U.” para localizar lá o terminal rodoviário – se é só por isso – não vale a pena o trabalho e os gastos – nada o justifica!

V. Exª tem, que lhe ficou da Câmara anterior – um local já aprovado pela Direcção Geral de Transportes Terrestres – no Rossio do Meio, Fonte Nova – para esse tão falado quanto indispensável Terminal Rodoviário.

Dispõe também, para tal, de projecto quase concluído e negociações em curso com o Lar Júlio Alcântara Botelho.

Porque despreza tanto caminho já andado? Adia soluções e vai gastar mais dinheiro a refazer o que está feito? (V. Exª queixa-se tanto de falta de meios!)

Acha assim tão premente a necessidade de enterrar história com cimento e poluição degradando o trânsito – já difícil – (com cruzamentos perigosos) criando uma zona potencial de acidentes com nós rodoviários tão perto da Escola Secundária?

Se a Quinta está à venda, porque não a adquire a Câmara , com dinheiros comunitários para nela instalar condignamente o “Museu Agrícola”?

Há fundos especiais para esses efeitos. Sabe-o V.Eª e o seu Arquitecto bem melhor do que eu. Se a “bomba” cozinhada no segredo dos deuses tivesse sido essa – que felicidade para Elvas.

O abandono que a Quinta foi votada pelos seus actuais proprietários – que a adquiriram sabendo de antemão que era zona protegida, não loteável até dava para que a Exmª Câmara a expropriasse para utilidade pública – aproveitando assim o trabalho de desanexação encomendado por V. Exª ao Senhor Arquitecto Barral e já feito.

Fica a sugestão – de tão justificável atitude – para proveito da cidade – como seria evidente.

V. Exª justificou-se publicamente por ter adquirido bens em Elvas. V.Exª é de cá. Pensa cá radicar-se caso contrário, não o faria.

Nem essa circunstância lhe merece um olhar mais profundo, mais pensado, a um progresso enquadrado que respeite a alma das gentes, as suas raízes culturais e o património secular herdado?

Olhe que a cultura é quase um sortilégio, uma atmosfera que se respira – creia!

Que ninguém vive sem respirar, sabe V.Exª, até eu sei, e sabe toda a gente.

V. Exª deixou que fossem desmantelados os trabalhos de recuperação da nossa Biblioteca (a 2ª ou 3ª do País em qualidade e volume de obras); a organização do museu – que havia sido delineada por museólogos!...

Será que V.Eª quer ficar para a história da Cultura de Elvas, com uma imagem mais devastadora do que deixaram as Invasões Francesas?

Não posso crer!

A maior queixa que tenho, neste nosso muito amado País, é a maneira como são eleitos os Presidentes de Câmaras.

Não fora a “Clubite partidária” e, a cadeira, que V.Exª ocupa – não seria sua.

V.Exª esteve fora de “Esta Elvas” – como dizia António Sardinha – tempo excessivo.

O lugar de Presidente de qualquer Câmara deveria ser, sempre, e só, ocupado por quem, alheio a cores politicas, fosse capaz de sacrificar paz, sossego, comodidade – tudo – pela sua terra.

Por quem renegasse a glória fácil e se guiasse pela lição do Aqueduto da Amoreira; trabalhando: - para os netos, dos netos, dos nossos netos.

Por quem se rendesse aos valores perenes da Humanidade – os valores culturais – e, não se “passasse dos carretos” – permita-me que cite V.Exª – por tricas e bagatelas.

Renovo-lhe os meus cumprimentos.

Senti, como simples munícipe, que sou, dever compartilhar com V.Exª a experiência dos meus quase 70 anos.

O tempo que vivi – é o meu património.

Deixo-lhe, também, as palavras do poeta Leopold Sédar Senghor – que foi presidente do seu país – O Senegal – e é um notável da cultura dos nossos dias.

 

“ A terra não é nossa. Foram os nossos filhos que no-la emprestaram”

 

Foi com elas que a elvense ilustre Drª Maria do Céu Dentinho rematou a “Monografia de Elvas” de sua autoria.

Lá as fui respigar para as oferecer à nossa terra – à nossa gente – com o respeito e gratidão que Elvas me merece.

 

                             Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.270 – 21 de Outubro de 1994

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Resposta da Câmara a esta carta

Pode consultar no Jornal Linhas de Elvas

28- Outubro de 1994

 

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música: Quinta do Bispo - 7
publicado por Maria José Rijo às 21:42
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Terça-feira, 1 de Abril de 2008

António Sardinha – “ O literato” ?!!!

Lendo a nota que da Câmara emanou como resposta ao “Alarme” sobre a Quinta do Bispo publicado em 9/10/94 neste jornal – fica por demais evidente a falta de sensibilidade e de respeito do actual executivo frente a valores culturais.

António Sardinha – “ o literato”?!!!

António Sardinha também foi um literato, mas todos nós sabemos, e muito bem, que há maneiras de usar certas verdades em jeito de ofensa.

Referir António Sardinha como:”o literato” é na minha leitura uma forma depreciativa, quase pejorativa, de se referir quem foi: um grande poeta e escritor da língua portuguesa.

Um dos maiores a escrever sobre o Alentejo e sobre Elvas – “Esta Elvas” – que dele é parte e pertença.

O “literato” António Sardinha – só? – apenas?!!! – é ainda um modo pouco ético de avaliar a inteligência dos elvenses.

Foram eles – os elvenses – que com o coração em lágrimas e luto – colocaram alto, no Aqueduto lá no arco sob o qual passou pela última vez de regresso à terra onde nascera e onde desejou ser sepultada a lápide onde se lê: “A António Sardinha – Bom Português – Pelo muito que amou e serviu Elvas”.

Os elvenses de agora são dessa mesma grata e honrada gente – que a qualidade de assim ser é deles a melhor herança.

Que a Câmara que foi eleita para servir Elvas – que o mesmo é dizer: para servi-los – não se aventure a julgá-los “menores” a tal ponto que fossem capazes de imortalizar no seu mais grandioso monumento um qualquer “literato”.

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                                      Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.270 – 21-Outubro de 1994

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música: Quinta do Bispo - 5
publicado por Maria José Rijo às 22:32
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António Sardinha (1888-1925)

Ao morrer, nos arredores de Elvas, em 1925, com 37 anos incompletos (nascera em Monforte do Alentejo em 1888), António Maria de Sousa Sardinha, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, era unanimemente considerado, no contexto político do Portugal de então, o mais sério adversário das ideias e das instituições republicanas, o mais alto expoente do pensamento contra-revolucionário, o mais acérrimo defensor de uma restauração monárquica de tipo legitimista.

Principal teorizador do Integralismo Lusitano, dirigiu a revista Nação Portuguesa, órgão central do movimento, e publicou várias obras de doutrina política e de investigação histórica – entre as quais se destacam: O Valor da Raça (1915), A Questão Ibérica (1916), Ao Princípio era o Verbo (1924) -, além de  ter deixado inéditas muitas  outras que só postumamente  foram publicadas, como : Ao Ritmo da Ampulheta (1925), Na Feira dos Mitos (1926), À Sombra dos Pórticos (1927), De Vita et Moribus (1931), Glossário dos Tempos (1942), À Lareira de Castelos (1944).

Mas não menos representativas do seu talento são as obras poéticas em que também exprimiu, num registo ora lírico ora epopeico, e informando pelos mesmos pressupostos ideológicos, a mesma  crença nos valores da tradição, o mesmo arreigado amor ao  torrão transtagano e à terra da pátria. De tais obras salientam-se: A Epopeia da Planície (1915), Quando as Nascentes Despertam (1921), Na corte da Saudade (1922), Chuva da Tarde (1923) e – esta já de publicação póstuma – Roubo de Europa (1931).

Independentemente do aplauso que mereçam ou não as suas ideias naquilo que têm de absoluto ou de radical (e, sob tais formas, nenhum suscitam no

organizador desta antologia), o certo é que não podem pôr-se em dúvidas a inteligência e a sensibilidade de António Sardinha, a coragem das suas opções e a limpidez do seu portuguesismo.

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David Mourão-Ferreira

In Portugal A Terra e o Homem

10 de Junho 1979 – “posterior ao 25 de Abril”

 

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Publicado no

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.272 – 9 – Novembro de 1994   

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música: A Quinta do Bispo 4
publicado por Maria José Rijo às 21:32
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Domingo, 30 de Março de 2008

A QUINTA DO BISPO

A Quinta do Bispo era a de São Sebastião e depois de Aires Varela, a quem foi comprada pelo 6º Bispo de Elvas, D. Manuel da Cunha, donde lhe vem o nome.

 

Em 1800 havia na quinta um palacete e também uma ermida, do Santo Mártir, onde se veneravam também as imagens da Senhora do Bom Sucesso. A 20 de Janeiro era a festa do seu orago, feita pela Câmara (Ermida e palacete foram destruídos no princípio do séc XX para que não servissem de alojamento aos Franceses).

António Sardinha escreveu ali grande parte da sua obra.

 

“… eu vivo numa quinta de gloriosas tradições episcopais com suas altas e copadas árvores, com seu doce e regalado sossego. Por aqui andaram doidejando, ladinas, as musas de António Dinis da Cruz e Silva. E talvez que no mesmo assento tosco em que esta tarde me repousei deleitadamente, ouvindo a queixa saudosista das regas, se sentasse também algum dia, chorando a dor do seu orgulho ferido, aquele D. Lourenço de Alencastre – o prelado famoso da guerra do Hissope”. (Cruz e Silva chamava à quinta, humoristicamente, o Versailles de Sua Excelência, o bispo).

 

Na sua casa da Quinta do Bispo – onde escreveu grande parte da sua obra – faleceu em 10 de Janeiro de 1925 – António Maria de Sousa Sardinha

Atendendo ao seu historial e à sua situação a “Quinta do Bispo” foi considerada Património Cultural da Cidade e, como tal, classificada como zona protegida pelo P.G.U.

A Quinta foi vendida em 24 de Outubro de 1989 já classificada como zona verde – zona reservada não loteável.

Tinha na altura centenas de árvores novas que foram morrendo de sede – ao longo dos impiedosos Verões alentejanos.

De 1989 a 1984 o único cuidado que o proprietário da Quinta teve foi – deixá-la ao abandono para provocar a degradação que “justificasse” a alteração do P.G.U. por um plano de pormenor que os técnicos da Câmara Municipal de Elvas sempre se negaram a fazer.  Veio então de Évora – para o intentar o Arquitecto Paulo Barral.

.

                     Maria José Rijo

 

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Terça-feira, 25 de Março de 2008

AINDA O FORTE DA GRAÇA

Realmente o meu propósito hoje, nesta conversa solta, é ainda falar sobre o Forte da Graça.

Acontece que me recordei de ter tido conhecimento (quando se aventou a hipótese da sua desactivação, julgo que aí por 89, 90?) de uma sugestão para aproveitamento do Forte, adaptando-se a Museu – feita pelo Coronel Nuno Valdez dos Santos.

Mais! Pelo General Themudo Barata foi, ao tempo, nomeada uma Comissão encarregada de estudar o assunto.

Dela faziam parte o Brigadeiro Lemos dos Santos, do Museu Militar, o Coronel Santos Reis, Dir. Serv. Histórico e um Oficial do Serv. Histórico e um Oficial do Serviço de Fortificações e Obras Militares. A comissão apresentou um relatório favorável à criação no Forte da Graça do “Museu da Arquitectura Militar”.

Do despacho final nada sei. Aceito poder haver algum lapso ou troca nos nomes que cito, dada a distância no tempo e as circunstâncias da minha vida particular que me afastaram destas e de outras preocupações com a vida da Cidade.

Agora porém, estes acontecimentos recentes impuseram-se-me de tal modo que o que parecia definitivamente esquecido se tornou presente.

Assim, calha-me, hoje, tornar públicos estes factos de que quase não me lembrava e que provocam como no meio militar houve – graças a Deus – quem tivesse sido sensível ao duvidoso destino que poderia ameaçar a Fortaleza e tivesse tido o cuidado e o sentido de Estado de prever para ela aproveitamento compatível com a sua grandeza e valor histórico.

Honra lhes seja!

Nesta altura em que se quer desdizer o que indesmentivelmente está escrito no Diário da República – apetece também reafirmar, e nunca se repetirá à saciedade – que o povo não é tolo nem facilmente manipulavel – pois que, por ancestralidade, tem a intuição aguda da importância das coisas que sabe, aprendidas a fundo na universidade da vida.

Também parece oportuno falar como “achega para valorizar a peça de leilão” que o culto dos antigos deuses da Lusitânia foi muito praticada por estas terras de Elvas.

                        

CITO ANTÓNIA SARDINHA:

 

“ Ó Endovélico, ó menino antigo,

  que esta paisagem adorou temente,

  os horizontes ainda estão contigo,

  alembram-se de ti saudosamente.

 

  Pedem ao Céu perdão p’ra teu castigo,

  Ó pensativo, ó meigo adolescente.

  Acharam em Jesus um doce abrigo,

  Querem que tu o aches igualmente. “

 

Para acréscimo vamos a “Religiões da Lusitânia” de J. Leite de Vasconcelos onde depois de tomarmos consciência da importância do culto ao Deus Endovélico sabermos também onde havia santuários para o culto da deusa Atégina…

Ora… diz a lenda? Que o santuário de Atégina era precisamente onde para enterrar essas marcas pagãs logo após a conquista de Elvas por D. Sancho se estabeleceram os pregadores que fundaram o tal convento de S. Domingos…

Que o convento lá existiu – conta Ayres Varela.

Que a bisavó de Vasco da Gama sobre as suas ruínas mandou construir a capela em louvor de Nossa Senhora da Graça também é verdade histórica…

Do resto – quem se interessar que investigue…

De qualquer modo, assim como os fantasmas valorizam os castelos ingleses – pode ser que ajude a um bom preço esta auréola de deuses e mitos que coroa a nobre fortaleza situada como se diz no “Santuário Mariano”:

                          

“ Meya legoa fora da cidade de Elvas, se vê o Santuário e casa de Nossa Senhora da Graça situada em huma fragosa montanha, formada de penediais, de antigamente intratável por espessura de matoa; mas hoje aberta e cultivada. He esta casa da Senhora muyto antiga, e alguns querem que tivesse princípio, pouco depois que a Cidade de Elvas foy tomada aos Mouros, que foy pelos annos 1.200, a segunda vez que a tomou D. Sancho II outros querem, que esta casa a edificasse Catharina Mendes, Senhora Illustre, que casou em Elvas com Estação Vaz da Gama, do qual ficou viúva sendo de dezoito annos. Viveo sempre em Elvas, e muytos annos, com grande exemplo  de virtude , e honestidade. Com a sua muyta virtude, e grande devoção que teve a Nossa Senhora, lhe edificou a Ermida de Nossa Senhora da Graça, de que agora tratamos; e se ella já havia sido erecta, a reedificou, e fez novamente, e tomou della o Padroado.”

 

Foi este o Santuário que o Forte envolveu e abraçou…

É este “mundo” que vai à praça!!!

 

                           Maria José Rijo

@@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.261 – 12- Agosto – 1994

Conversas Soltas

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Quinta-feira, 13 de Março de 2008

“ O FORTE DA GRAÇA-Do Nascimento à Ruína V

Tínhamos ficado na citação de ”Memória Histórica do Forte da Graça”- por F. A. Rodrigues Gusmão In “O Elvense” do ano de 1881.

 

“Aproveitaram-se os primeiros momentos depois da paz em crear um verdadeiro exercito conde de Lippe emendou radicalmente os defeitos da nossa antiga táctica; mudou inteiramente a nossa constituição militar, adoptando os princípios da constituição prussiana, cujo regulamento resumido nos foi dado por lei e norma; melhorou consideravelmente a nossa artilharia, e lançou também as suas vistas sobre as nossas praças de guerra. (11).

De todos os projectos militares d`este ilustre general, que entre nós chegaram a realizar-se, um dos mais dignos de seus vastos conhecimentos na arte de guerra, e mais permanente pela sua natureza, e aquele a que a nação agradecia devia, por consequência vincular o seu nome, como efectivamente vinculou, foi o forte de Lippe.

Forte da Graça

(Foto Mário Batista)

....

Esta fortaleza, destinada a fazer respeitável a praça d`Elvas, a mais importante da província do Alentejo pela sua posição, e que sem ella seria absolutamente ineficaz para a defesa da mesma província, foi projectada por sua alteza (12), e a construção confiada a M. Etienne, oficial de mui distincto merecimento.

Necessitou, porém, o conde, que M. Etienne lhe fosse dirigir em Alemanha a contrucção da fortaleza de Wilhelmstein, e para o substituir na do Forte de Lippe escolheu M. Valleré.

Era este official sem a mínima duvida, o mais capaz de encarregar-se d`esta commisão importante; e, em verdade, não só continuou a construir o Forte de Lippe, segundo os planos approvados  pelo príncipe, mas fez-lhe diversos additamentos, que concorreram para tornar aquella fortaleza muito mais apta para fim a que era destinada.

Forte da Graça - Elvas

Quizeramos descrever estes additamentos , que são os que mais louvam e admiram os intelligentes, e particulisar todas as bellezas d`esta obra prima de arquitectura militar, fallecem-nos, porém, as habilitações para o fazemos condignamente.

F.A. Rodrigues de Gusmão.

 

Um dos dois viajantes, personagem do “tal “ livro de Costigan) Lord Freeman confessa a certo passo: que a sua resolução de viajar em Portugal provinha [...] do desejo que tinha de examinar a sua força e a sua situação política [ ...] e, sobretudo, conhecer o estado do exército, que lhe disseram ser razoável desde que organizado pelo conde de Lippe”.

 

Em conversa com outro oficial inglês em serviço nesta área da fronteira ele afirma:

Encontrava-me então no centro do meu elemento: os soldados eram pagos regularmente e devo fazer aos camponeses portugueses a justiça de declarar que não há homens na terra que sejam melhores soldados do que eles, mais fáceis de comandar ou mais dispostos a cumprir, contando que se consiga que façam bom juízo de nós, e está-se certo de o conseguir procedendo como deve ser e tratando-os humanamente.

 

        Já, porém, em referência aos oficiais portugueses de então... é lamentável a opinião formulada...

 

        O conde de Lippe sempre se enganou ao julgar que poderia fazer dos portugueses bons oficiais. Agora ninguém está mais completamente convencido do que ele que, para formar um oficial (além de um certo grau de conhecimentos militares que lhes falta totalmente), são indispensáveis predicados de fidelidade, candura, probidade e honra, que eles também não têm.

 

       E, do clero... – valha-nos Deus!

      Só uma amostra da apreciação feita a D. Lourenço de Alencastre - atribuída a Valleré.

 

     “Era o eclesiástico mais intrigante e manhoso que jamais conheceu: [...] tinha em casa duas concubinas, a quem chamavam sobrinhas”, etc. etc. etc...

 

     São retalhos da história de gentes que pisaram estes mesmos caminhos que nós pisamos hoje, dia a dia, nesta nossa cidade.

     “Esta Elvas” onde “à sombra das suas muralhas (se pode ouvir) de coração encostado a elas, a marcha compassada do tempo, marcando o ritmo da eternidade”.

      Como soube dizer António Sardinha – esse – António de Monforte que foi, como também o aludido prelado, dono e morador da “Quinta do Bispo”.

      E o vento que perpassa entre a folhagem do Plátano centenário que a assinala - espalha pelos ares muitas destas histórias que ele viu acontecer.

     E conta – a quem queira entender – que a “nora alta” quando em cada ano se cobre com o manto lilás e perfumado das suas glicínias em flor está apenas a renovar as roupagens cor de saudade pelo Poeta que mereceu ser imortalizado pelos elvenses numa lápide incrustada no Aqueduto da Amoreira.

A

                                      António Sardinha

Bom Português

Pelo muito que

Amou e serviu

Elvas

 

                        Maria José Rijo

 

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.269 – 14 – Out. – 1994

Conversas Soltas

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