Segunda-feira, 17 de Março de 2008

FORTE DA GRAÇA - Do nascimento à ruína IX

O Forte da Graça foi erecto no reinado do Senhor D.José I - o reformador.

     Quando o rei entregou a alma ao Criador – sucedeu-lhe sua filha a Senhora Dona Maria I – a piedosa.

     Da Rainha e do Forte, com a moderada censura de quem sofre com tristeza os erros e injustiças que na sua pátria se perpetram, assim conta Rodrigues Gusmão:

 

     “A senhora D. Maria I, mais piedosa do que agradecida aos relevantes serviços do conde de Lippe, esbulhou este general da posse, em que esteve por muitos anos, da bem merecida gloria de haver dado o seu nome a este célebre monumento.

     Pouco depois de haver subido ao trono ordenou, que o forte de Lippe se denominasse de Nossa Senhora da Graça, por haver existido n’aquele sítio com esta invocação uma ermidinha.

     É certo, porém, que no povo d’ Elvas, e no Alentejo, onde esta fortaleza é mais conhecida, tem permanecido a denominação primitiva, reservando-se a prescripta pela rainha para a correspondência oficial entre as repartições do Estado e o governador do Forte”.

 

     Com a agudeza crua de olhos sem perdão assim os mesmos factos são relatados no livro de Costigan que até hoje nos tem dado apoio e companhia:

 

     “Quando o rei D.José expirou, a 23 de Fevereiro de 1777, e o governo foi confiado ao marquês de Angeja e à Igreja, tive, dentro em breve, ocasião de me convencer do meu erro; porque até então o estado desprezível em que se encontrava o exército não provinha senão da indiferença e do desleixo (causas suficientes para destruir um exercito em pouco tempo), mas agora o governo, como se não estivesse ainda satisfeito com tão desgraçada condição, parece apostado em a aumentar desonrando o próprio ser e existência do soldado. Parece que resolveram então desfazer-se o mais depressa possível dos oficiais estrangeiros. A rainha, por erradas noções de compaixão, soltou, indistintamente, todos os malfeitores dos regimentos, que o Marquês de Pombal deixava morrer de fome nas prisões, onde estavam encerrados por sentenças dos tribunais

militares; e a todos perdoando, fê-los reingressar nos corpos a que pertenciam ou mandou-os servir para fora do reino; e este procedimento abominável não é nada em comparação com a protecção concedida pelo ministro aos dois indignos oficiais do meu regimento, ainda suspensos, o major e o quartel-mestre, que o governo desta cidade, por ordem do secretário da guerra, em nome da rainha, pôs em liberdade, como tendo sido injustamente castigados pelo seu coronel, o qual nunca fizera nenhum relatório sobre o seu caso, nem dera o mínimo motivo da sua detenção. E podereis observar que a fim de encontrar um pretexto para reforçar o caso, e subir no conceito da sua soberana, o secretário da guerra recorreu à mais estupenda falsidade: em todas as estatísticas mensais, durante os anos anteriores, foi regularmente mencionada a clausura destes dois homens, assim como a sua causa, que toda a gente conhecia por informações várias. Assim eu soube, pela minha parte, que o que os dois traidores referiam nas suas cartas, relativamente à protecção que recebiam do marquês de Angeja, era verdade”.

 

 Visões mais ou menos claras...mais ou menos escuras... que conduzem à conclusão da verdade histórica de que não houve isenção nas decisões e a injustiça aconteceu.  

 

                       Maria José Rijo     

         

Ao Senhor Henrique Graça – um grande muito obrigado – pela atenção que fez favor de me dispensar – um esclarecimento e – um pedido.

    Na verdade – acertou! Meu Sogro, o saudoso capitão Trindade Rijo foi Comandante do Forte durante anos.

    Meu marido e seus irmãos, com os filhos de outros militares, brincaram soltos e felizes naqueles revelins que conheciam palmo a palmo e a que ligavam um mundo de recordações.

  O pedido: sabe por acaso quadras sobre o Forte que tivesse a gentileza de me enviar?

 

                    Maria José Rijo

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.273 – 11-Nov. – 1994

Conversas Soltas

 @@@@@

Fotos do blog -->  http://olhares-meus.blogspot.com/

sinto-me:
música: Forte da Graça - 9
publicado por Maria José Rijo às 18:19
| comentar | ver comentários (2)
Quinta-feira, 13 de Março de 2008

“ O FORTE DA GRAÇA-Do Nascimento à Ruína V

Tínhamos ficado na citação de ”Memória Histórica do Forte da Graça”- por F. A. Rodrigues Gusmão In “O Elvense” do ano de 1881.

 

“Aproveitaram-se os primeiros momentos depois da paz em crear um verdadeiro exercito conde de Lippe emendou radicalmente os defeitos da nossa antiga táctica; mudou inteiramente a nossa constituição militar, adoptando os princípios da constituição prussiana, cujo regulamento resumido nos foi dado por lei e norma; melhorou consideravelmente a nossa artilharia, e lançou também as suas vistas sobre as nossas praças de guerra. (11).

De todos os projectos militares d`este ilustre general, que entre nós chegaram a realizar-se, um dos mais dignos de seus vastos conhecimentos na arte de guerra, e mais permanente pela sua natureza, e aquele a que a nação agradecia devia, por consequência vincular o seu nome, como efectivamente vinculou, foi o forte de Lippe.

Forte da Graça

(Foto Mário Batista)

....

Esta fortaleza, destinada a fazer respeitável a praça d`Elvas, a mais importante da província do Alentejo pela sua posição, e que sem ella seria absolutamente ineficaz para a defesa da mesma província, foi projectada por sua alteza (12), e a construção confiada a M. Etienne, oficial de mui distincto merecimento.

Necessitou, porém, o conde, que M. Etienne lhe fosse dirigir em Alemanha a contrucção da fortaleza de Wilhelmstein, e para o substituir na do Forte de Lippe escolheu M. Valleré.

Era este official sem a mínima duvida, o mais capaz de encarregar-se d`esta commisão importante; e, em verdade, não só continuou a construir o Forte de Lippe, segundo os planos approvados  pelo príncipe, mas fez-lhe diversos additamentos, que concorreram para tornar aquella fortaleza muito mais apta para fim a que era destinada.

Forte da Graça - Elvas

Quizeramos descrever estes additamentos , que são os que mais louvam e admiram os intelligentes, e particulisar todas as bellezas d`esta obra prima de arquitectura militar, fallecem-nos, porém, as habilitações para o fazemos condignamente.

F.A. Rodrigues de Gusmão.

 

Um dos dois viajantes, personagem do “tal “ livro de Costigan) Lord Freeman confessa a certo passo: que a sua resolução de viajar em Portugal provinha [...] do desejo que tinha de examinar a sua força e a sua situação política [ ...] e, sobretudo, conhecer o estado do exército, que lhe disseram ser razoável desde que organizado pelo conde de Lippe”.

 

Em conversa com outro oficial inglês em serviço nesta área da fronteira ele afirma:

Encontrava-me então no centro do meu elemento: os soldados eram pagos regularmente e devo fazer aos camponeses portugueses a justiça de declarar que não há homens na terra que sejam melhores soldados do que eles, mais fáceis de comandar ou mais dispostos a cumprir, contando que se consiga que façam bom juízo de nós, e está-se certo de o conseguir procedendo como deve ser e tratando-os humanamente.

 

        Já, porém, em referência aos oficiais portugueses de então... é lamentável a opinião formulada...

 

        O conde de Lippe sempre se enganou ao julgar que poderia fazer dos portugueses bons oficiais. Agora ninguém está mais completamente convencido do que ele que, para formar um oficial (além de um certo grau de conhecimentos militares que lhes falta totalmente), são indispensáveis predicados de fidelidade, candura, probidade e honra, que eles também não têm.

 

       E, do clero... – valha-nos Deus!

      Só uma amostra da apreciação feita a D. Lourenço de Alencastre - atribuída a Valleré.

 

     “Era o eclesiástico mais intrigante e manhoso que jamais conheceu: [...] tinha em casa duas concubinas, a quem chamavam sobrinhas”, etc. etc. etc...

 

     São retalhos da história de gentes que pisaram estes mesmos caminhos que nós pisamos hoje, dia a dia, nesta nossa cidade.

     “Esta Elvas” onde “à sombra das suas muralhas (se pode ouvir) de coração encostado a elas, a marcha compassada do tempo, marcando o ritmo da eternidade”.

      Como soube dizer António Sardinha – esse – António de Monforte que foi, como também o aludido prelado, dono e morador da “Quinta do Bispo”.

      E o vento que perpassa entre a folhagem do Plátano centenário que a assinala - espalha pelos ares muitas destas histórias que ele viu acontecer.

     E conta – a quem queira entender – que a “nora alta” quando em cada ano se cobre com o manto lilás e perfumado das suas glicínias em flor está apenas a renovar as roupagens cor de saudade pelo Poeta que mereceu ser imortalizado pelos elvenses numa lápide incrustada no Aqueduto da Amoreira.

A

                                      António Sardinha

Bom Português

Pelo muito que

Amou e serviu

Elvas

 

                        Maria José Rijo

 

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.269 – 14 – Out. – 1994

Conversas Soltas

 Fotos do Blog -->> http://olhares-meus.blogspot.com/
música: Forte da Graça - 5
publicado por Maria José Rijo às 21:02
| comentar | ver comentários (3)

.Quem sou

.pesquisar

 

.Junho 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.Agora diz-se

. FORTE DA GRAÇA - Do nasci...

. “ O FORTE DA GRAÇA-Do Nas...

.Ficou Escrito...

. Junho 2017

. Maio 2016

. Março 2016

. Novembro 2015

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Julho 2010

. Junho 2010

. Abril 2009

. Março 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

.tags

. todas as tags

.favoritos

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.Por onde me levo

.Contador - Julho-2007

.Ficou Escrito:

Câmara de 1986 - 1989 @@@@@@@@@@@@@@
@@@@@@@@@@@@@@

.Excertos de artigos

Considero que é urgente e necessário provar aos nossos jovens que o dinheiro não compra consciências e é de nossa obrigação dar-lhes alternativas à droga e ao vício, mostrando-lhes que se pode lutar por ideais - dessinteressadamente - e que, só assim procedendo teremos moral para apontar caminhos e fazer exigências - do que dermos exemplo... - Maria José Rijo @@@@@@@@@@ Os elvenses de agora são dessa mesma grata e honrada gente - que a qualidade de assim o ser é deles a melhor herança. ... - Maria José Rijo
blogs SAPO