Terça-feira, 18 de Março de 2008

O FORTE DA GRAÇA--Do Nascimento à Ruína – X

 

Forte da Graça – Uniformes – Colaboração gentilmente cedida pelo Senhor Coronel de Cavalaria José Luís Trinité Rosa -  que fez  um notável trabalho de levantamento de toda a uniformologia do Exercito Português – para a Direcção de Serviço Histórico – Militar.

 

            Com a Paz de Fontainebleau, em 10 de Fevereiro de 1763, que põe termo à Guerra dos Sete anos, inicia-se em Portugal um conjunto de reformas tendentes a dotar o Exército de uma nova organização que lhe imprima as características de um verdadeiro exército regular e permanente.

            O Primeiro Ministro de D. José – Conde de Oeiras, mais tarde, marquês de Pombal – terminada a Campanha de 1762, não descura o problema militar e retém, em Portugal, o Conde Guilherme de Schaumburg Lippe a quem encarrega de estabelecer a legislação necessária a consolidar a disciplina das Tropas e a promover a sua instrução.

            É, verdadeiramente, notável a acção do Conde de Lippe, em todos os domínios da esfera militar, produzindo legislação e regulamentos que vieram alterar profundamente a instituição colocando o Exército português em pé de igualdade – quer quanto à sua organização quer quanto à sua disciplina – com os melhores exércitos contemporâneos.

            Entre outra legislação, o Conde de Lippe faz publicar o Alvará de 24 de Março de 1764 que estabelece normas rígidas com vista a uniformizar os fardamentos como parte importante da disciplina militar. Este documento legislativo – acompanhado de um “Livro Iluminado” cujos figurinos (Oficial – Soldado – Tambor) serviam de modelo para todas as tropas – é bem um plano de uniformes que se manteve, com ligeiras alterações, até 19 de Maio de 1806, data em que – por decreto – se estabelece um verdadeiro Plano de Uniformes Militares que só entrará em vigor em 1807.

            No mesmo Alvará de 24 de Março de 1764 era criado o armazém Geral de Fardamento que funcionava junto do Arsenal do Exército, sendo igualmente criados dois Armazéns Provinciais, um em Estremoz e outro no Porto.

São os Uniformes, estabelecidos pelo referido Alvará, que vamos encontrar nos militares que constituíam a guarnição do Forte da Graça após ter terminado a sua construção em 1792. São Uniformes Militares Portugueses que, naturalmente, sofreram uma nítida influência da escola militar prusiana o que levou alguns críticos da época a classificá-los de “arlequinados” dado o seu exuberante colorido.

O Forte da Graça, integrado na defesa da Praça de Elvas, era guarnecido com militares dos regimentos de infantaria de guarnição, ao tempo, encarregados da defesa das praças-fortes. A Praça de Elvas, após a organização do Regimento da Província do Alentejo, dispunha de três regimentos: - Regimento de Infantaria 1º; Regimento de Infantaria 2º e Regimento de Cavalaria este, especificamente, destinado a missões de reconhecimento.

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O Uniforme do Regimento de Infantaria 1º de Elvas era o seguinte:

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== Oficial: - Cobertura da cabeça: Chapéu tricórnio, preto, guarnecido com galão dourado, com borlas e presilha douradas,

== Farda: - Casaca, de pano azul, com a gola, as bandas e os canhões, de pano encarnado, respectivamente, com dois, dezasseis, e quatro botões dourados, forros de casaca, em sarafina azul; dragonas douradas – Véstia, azul, com oito botões dourados, tendo colocada à cintura uma faixa carmesim com borlas azuis. – Camisa, branca, com um pescocinho (gravata) preto. – Calção, de pano, azul com seis botões dourados a apertar a perna. – Meias, brancas, com jarreteira dourada. – Polainas, de pano pretas, com botões dourados.

== Calçado: - Sapatos pretos

== Equipamento: - Boldrié, de anta, para segurar a espada.

== Armamento: - espada, direita, com copos de tigela e guardas simples.

== Soldado: - Cobertura da cabeça: - Chapéu tricórnio, preto, guarnecido com galão de pano amarelo, com borlas e presilha de lã amarela.

== Farda: - Casaca, de pano azul, com a gola, as bandas e os canhões, de pano encarnado, respectivamente, com dois, dezasseis e quatro botões de metal amarelo (latão); forros da casaca, em serafina azul; dragonas, de lã amarela.

-- Véstia, azul, com oito botões de metal amarelo (latão). Camisa, branca, com um pescocinho (gravata) preto. Calção de pano, azul, com seis botões de metal amarelo. – Meias, brancas, com liga, - Polainas, de pano, pretas com botões de metal amarelo.

== Calçado: - Sapatos pretos

== Equipamento: - Bandoleira, de anta, branca, segurando a baioneta.

== Armamento Espingarda de sílex.

== Tambor: - Cobertura da cabeça: - Chapéu tricórnio, preto, guarnecido com galão de pano, amarelo, com borlas e presilha de lã amarela.

== Farda: - Casaco, de pano, encarnada como a gola, as bardas e os canhões, também de pano encarnado, respectivamente, com dois, dezasseis e quatro botões de metal amarelo (latão); forros da casaca, em serafina, azul; dragonas de lã amarelas. – Véstia, azul, com oito botões de metal amarelo (latão), Camisa, branca, com um pescocilho (gravata) preto. – Calção, de pano, encarnado com seis botões de metal amarelo apertando na perna. – Meias, brancas, com liga. – Polainas, de pano, pretas, com botões de metal amarelo.

== Calçado: - Sapatos pretos.

== Equipamento Bandoleira, de anta, branca, colocada a tiracolo, para suspender a caixa de guerra.

==Caixa de guerra: - Com os aros pintados de encarnado e os esticadores, de corda dupla de tripa, pintados de amarelo, tendo, lateralmente, sobre fundo azul, o Escudo Nacional sobreposto a quatro estandartes, em cruz, com as cores das subunidades do Regimento.

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.274 – 18-Novembro-05

Conversas Soltas

 

sinto-me: Coronel José Luis Trinité Rosa
música: Forte da Graça -10
publicado por Maria José Rijo às 20:16
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