Sábado, 22 de Março de 2008

O Forte da Graça - Do nascimento à ruína – XIV

            Nos anais do Forte da Graça consta apenas uma visita real com pompa e circunstância …

            Afora ela, há a notícia de D. José I em 1763 ter visitado as obras logo no seu início.

 

Uma visita de D. Pedro V ao Forte da Graça

                                          

 

            Encontrando-se em Elvas, em 1860, visitou D. Pedro V o Forte da Graça, sendo governador do mesmo o brigadeiro Frederico Leão Cabreira. O Jornal a Voz do Alentejo, no seu nº 7 de 24 de Outubro de 1860, descreve assim este facto:

                                   2000 Reis 1859  -  D. Pedro V ( EM OURO )

            «Depois do jantar, Sua Majestade tinha-se dignado prevenir pessoalmente o ex.mo Conselheiro Frederico Leão Cabreira, General Governador do Forte de Nossa Senhora da Graça, de que no dia 19 (de Outubro de 1860) pelas 6 horas da manhã visitaria aquela fortaleza.

            «Com efeito no dia indicado e hora partiu o Augusto-Soberano do palácio episcopal em que se achava alojado, acompanhado pelo Sereníssimo Senhor Infante D. João e por toda a corte, assim pelos Ex.mos Conde do Bonfim general comandante da divisão, brigadeiro Silveira Pinto governador de Elvas, brigadeiro graduado Mancos - comandante dos engenheiros da mesma divisão, e outros oficiais e pessoas distintas que quizeram ter a honra de acompanhá-lo.

            «Iam na frente do real cortejo dois oficiais do Estado-maior servindo de batedores e uma força de cavalaria como guarda avançada, e na retaguarda dois esquadrões da mesma arma, salvando esta praça quando sahiu d’ela.

            «O ex.mo brigadeiro Cabreira, governador do Forte, com o ill.mo tenente-coronel Ripado, e mais oficiais do respectivo estado maior, esperavam a Sua Majestade em devida forma à entrada da primeira barreira da estrada coberta, e logo que o excelso-Soberano ali chegou teve a honra o mesmo ex.mo Governador de proceder à entrega das chaves do forte recitando de cor a seguinte breve alocução:

 

            «Senhor! – Na qualidade de governador deste Forte, ou para melhor dizer deste importante e perfeito modelo de fortificação, e cumprindo o mais grato dos deveres deste cargo, eu tenho a honra de apresentar a Vossa Majestade, com as chaves deste mesmo Forte os mais puros protestos de verdadeira dedicação, constante respeito e alta lealdade de toda a sua diminuta guarnição. Esta guarnição, Senhor, é composta de portugueses e os bons portugueses tiveram em todos os tempos por seu máximo interesse o interesse da sua pátria, e por sua máxima gloria a glória dos seus augustos Soberanos.»

            «Orgulhosos por ser Vossa Majestade o nosso actual Soberano, e por vermos em Vossa majestade concentradas todas as altas virtudes que transluziram nos ínclitos heróis, seus Augustos progenitores, não podemos deixar de fazer, como fazemos, constantes votos ao céu pela conservação da preciosa vida de Vossa Majestade, e de toda a sua Real Família, com infindas prosperidades; bem certos de que as prosperidades de Vossa Majestade farão constantemente florescer e prosperar esta sempre heróica monarquia».

            «Sua Majestade, conservando-se a cavalo, dignou-se ouvir atentamente a mesma alocução à qual teve a bondade de responder em breves termos com aquela alta e eloquente benevolência que brilha em todos os seus régios actos e discursos; dizendo em resumo – que o ex.mo governador deveria conservar em seu poder as mesmas chaves em prova de confiança quando aquele cargo lhe foi confiado.»

 

            «Em seguida apeou-se Sua Majestade e todo o Real cortejo, e guiado pelo mesmo governador se dirigiu à formosa capela do forte onde fez oração a Nossa Senhora da Graça, padroeira do mesmo Forte, e que já o era daquela localidade antes de ser fortificada. A capela achava-se decorada, com a possível magnificência, devido principalmente ao zelo do muito digno capelão o rev. Padre António Joaquim da Assunção Cruz, que com as devidas vestes sacerdotais, esperou Sua Majestade à porta principal da mesma capela para ter a honra de lhe apresentar o hissope na forma do estilo. Concluída a oração passou o excelso monarca a examinar em sua totalidade o complexo das obras do mesmo forte subindo para isso ao pavimento principal da residência dos governadores, e pouco depois ao observatório que sobre ele existe, donde se descobre um vasto horizonte oferecendo as mais agradáveis e variadas vistas. Ali se demorou mais de meia hora, falando com diversas pessoas sobre vários objectos dos que se apresentavam á vista; descendo depois ao pavimento inferior, e passando a percorrer os terraplenos dos baluartes e cortinas da magistral, com seus flancos casamatados.»

 

            «Terminado este giro passou Sua Majestade a visitar alguns dos paioes do Forte e os armazéns do material de artilharia, e ultimamente os quartéis ou casas matas que servem de alojamento aos destacamentos do 2º regimento de artilharia e 17 de infantaria, que constituem aquela diminuta guarnição; o que tudo se achava no devido arranjo e ordem.»

            «Depois desceu ao fosso da magistral, e entrou na vasta e completa galaria de contra minas da contra escarpa percorrendo parte dela; e em seguida regressou ao fosso, e subiu  á estrada coberta; da qual percorreu grande parte, demorando-se em vários pontos salientes donde melhor se descobria a campanha.»

            «Ali deu o excelso monarca por finda a sua real e sempre lembrada visita; e dirigindo-se á porta principal do Forte, seriam nove e meia horas da manhã, montou a cavalo e regressou a esta praça com toda a corte e acompanhamento na mesma ordem com que para lá se dirigira.»

 

            Suscitando ainda tanto interesse as visitas ao Forte (pese embora a sua avançada decadência), dá ideia que a reconstituição desta visita real, com todo o aparato que a envolveu, poderia ser um aliciante cartaz turístico … para as festas da cidade .

                           Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.278 – 16— Dez.—1994

Conversas Soltas

 

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música: Forte da Graça - 14
publicado por Maria José Rijo às 15:36
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