Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

ADENDA

Pareceu-me interessante, pela sua ligação ao tema tratado, referir também esta lista, com nomes de Bispos de Elvas, datada de 1851 – que para além da preciosa informação que contem – é um documento curioso, até, pela requintada caligrafia, bem ao estilo floriado da época.

1 - D. António Mendes de Carvalho

2 - D. António de Mattos de Noronha

3 - Rui Pires dos Vega

4 - D. Tr. Lourenço de Tavora

5 - D. Sebastião de Mattos

6 - D. Manuel da Cunha

7 - D. João de Mello Botelho

8 - D. Alexandre da Silva

9 - D. (Frei) Valerio de S. Raimundo

 

sinto-me: Bispos de Elvas
publicado por Maria José Rijo às 22:42
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Adenda...

10 - D. Jerónimo Soares

11 - D. Bento de Beja

12  - D. António Pereira da Silva

13 - D. Tr. Pedro de Lencastre

 

15 - D. João de Sousa de Castello Branco

16 - D. Pedro de Vilas Boas

17 - D. Baltazar de Tavira e Villas Boas

18 - D. Lourenço de Lancastre

19 - D. João Teixeira de Carvalho

20 - D. Fr. Diogo de Jezuz Jardim

21 - D. Jozé da Costa Torres

22 - D. Joze Joaquim da Cunha Azevedo Coutinho

23 - D. Fr. Joaquim de Menezes e Ataíde

24 - D. Fr. Angelo de Nossa Senhora da Boa Morte

sinto-me: Bispos de Elvas
música: Bispos de Elvas (Sé de Elvas)
publicado por Maria José Rijo às 22:21
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Quarta-feira, 25 de Março de 2009

O Órgão da Sé

Quando das celebrações em Elvas de -  O dia Mundial da Música 1987 – que a Secretaria de Estado da Cultura e o Instituto Português do Património Cultural – patrocinaram no primeiro mandato da Câmara presidida pelo Dr. João Manuel Valente Carpinteiro – uma das contrapartidas que a cidade recebeu foi, para além da criação da Casa da Cultura, e do apoio à criação da Escola de Música, o “restauro do Órgão da Sé”, e, ainda a edição fac-similada do Cancioneiro de Manuel Joaquim - seu achador - ou de Públia Hortênsia de Castro, como é mais conhecido.

Eram ao tempo -  Secretária de Estado da Cultura a Senhora Drª. Dona Teresa Patrício Gouveia.

Estava no departamento de Musicologia do IPPC o Senhor Dr. Humberto d´Ávila sendo Presidente do referido Instituto, o Senhor Engenheiro António Lamas.

Foram oradores oficiais das cerimónias a Senhora Profª Doutora Maria Augusta Barbosa, professora jubilada da Universidade Nova de Lisboa, (Departamento de Ciências Musicais, na altura docente da Faculdade de Letras de Lisboa, e, também na Universidade Autónoma de Lisboa “ Luís de Camões”( Universidade Particular)

E, também - O Senhor Cónego José Alegria, membro do Cabido da Sé de Évora, Sócio da Consotiatio Internationalis Musicae Sacrae, de Roma; Sócio correspondente da Academia Portuguesa de História; Sócio do Instituto Interamericano de Museologia (Uruguai); Sócio Honorário da Sociedade Brasileira de Musicologia; Sócio da Pontifícia Academia Mariana Internationalis, de Roma e membro da Sociedade Española da Musiologia e da Sociedade Portuguesa de Estudos Medievais.

(estas conferências foram, ambas, editadas em livro pela Câmara de então.

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:35
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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

Forte de Santa Luzia

 

http://purl.pt/102/1/especulacao/engenharia/especulacao_eng_thumb_15-il.html

 

(Foto Luis Piçarra)

.

 

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publicado por Maria José Rijo às 10:10
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Conclusão...

Passaram cerca de quinze anos sobre a decisão – dolosa para a cidade de Elvas – que a Câmara de Rondão Almeida assumiu ao destruir a Quinta do Bispo, apesar do enorme empenhamento demonstrado por muitas personalidades de vários pontos do País, e de Elvas, em cartas, jornais e revistas pedindo e, explicando o porquê da sua – necessária – e justa conservação.
Hoje, onde havia árvores majestosas, vegetação exuberante, controlada, e, entre avencas e fetos, corria água das cascatas para os lagos, há agora lixo – lixo aos montes, lixo, ruínas – e mais lixo...
Na zona arrasada para construção, o empreiteiro, por falência (?), deixou em esqueleto metade das inestéticas moradias com que mutilaram a Quinta na sofreguidão doentia de fazer dinheiro a qualquer preço, mesmo sobre o arraso de importante parte da história de Elvas...
Alias, um dia se saberá porque aconteceu – e quem beneficiou – com tão vil negócio...
Foi um inútil desastre que não honra quem o perpetrou e, nos envergonha a todos por o termos consentido.
Comparou-se, certa vez, a si próprio, Rondão Almeida com o Marquês de Pombal.
Pombal, reconstruiu Lisboa após o terramoto de 1755
mas, dele o que ninguém esquece é a matança dos Távoras, que para sempre lhe turva a memória.
Rondão, promovendo a construção desenfreada que por aí vai, e não conseguindo impedir a perda de valências e serviços na Cidade, – tem sido, ele próprio, "o terramoto", como neste caso, e noutros, ao adulterar com arrebiques parolos a carismática sobriedade da feição de pedra adusta deste velho burgo medieval.
Pode Deus, na sua infinita misericórdia, perdoar-lhe.
Pode!
Porém – A História – essa, jamais.

Maria José Rijo

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música: A Quinta do Bispo
publicado por Maria José Rijo às 20:56
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Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

DAMA DEFENDE BISPO

A defesa do não loteamento da Quinta do Bispo que a autarquia agora pretende executar, teve desde logo um rosto: Maria José Rijo. A ex-vereadora do município é uma profunda conhecedora de toda a história da quinta, e a sua sensibilidade às questões histórico-culturais levou-a desde o principio, por intermédio deste semanário, a incetar essa cruzada pela defesa da identidade desse local tão representativo para a cultura elvense.  

Maria José Rijo considera que qualquer coisa que se venha a fazer é “uma resposta que estamos a dar à história “e que” não seria bom em nome de interesse particulares agredir um património cultural comum.”

Já esta semana esta dama da cultura local veio de novo em defesa do bispo que tanto admira. Fê-lo em jeito de carta aberta ao presidente que aqui publicamos.

..

..

Exmo. Senhor Presidente

 

Os meus cumprimentos.

E, desde logo, com eles afirmo que, pessoalmente, nada me move contra V. Excelência – que até considero.

Quero apenas, porque V.Exª me confessou que “Cultura” não é o seu ramo e não é sensível a esses valores, contar-lhe o que é a Quinta do Bispo em termos de Património Cultural e Histórico de Elvas:

 

“ A Quinta do Bispo era a de São Sebastião e depois de Aires Varela, a quem foi comprada pelo 6º Bispo de Elvas, D. Manuel da Cunha, donde lhe vem o nome.

Em 1800 havia na quinta um palacete e também uma ermida, de Santo Mártir, onde se veneravam também as imagens da Senhora do Bom Sucesso e de São Caetano. A 20 de Janeiro era a festa do seu orago, feita pela Câmara. (Ermidas e palacete foram no princípio do séc XX para que não servissem de alojamento aos Franceses.)

 António Sardinha escreveu ali grande parte da sua obra.

 

“… eu vivo numa quinta de gloriosas tradições episcopais com suas altas e copadas árvores, com  seu doce e  regalado sossego. Por aqui andaram doidejando, ladinas,  as musas de António Dinis da  Cruz e Silva. E talvez que no mesmo assento tosco em que  esta tarde me reposei deleitadamente, ouvindo a queixa saudosista das regas, se sentasse também algum dia, chorando a dor do seu orgulho ferido, aquele D. Lourenço de Alencastre – o prelado famoso da guerra do Hissope. (Cruz e Silva chamava à quinta, humoristicamente, o Versailles de Sua Excelência, o bispo.)

In – Monografia de Elvas por Maria do Céu Dentinho

 

Por estas e outras mais razões, ela está no “P.G.U.” – como zona verde – zona protegida.

V. Exª sabe-o. Sabe-o tão claramente que foi buscar a Évora o Sr. Arquitecto Barral para desmanchar o que estava feito – aliás, muito bem feito – com olhos de futuro para a Cidade, gizado com respeito pelas nossas tradições.

Se, V.Exª vai tirar a Quinta de “P.G.U.” para localizar lá o terminal rodoviário – se é só por isso – não vale a pena o trabalho e os gastos – nada o justifica!

V. Exª tem, que lhe ficou da Câmara anterior – um local já aprovado pela Direcção Geral de Transportes Terrestres – no Rossio do Meio, Fonte Nova – para esse tão falado quanto indispensável Terminal Rodoviário.

Dispõe também, para tal, de projecto quase concluído e negociações em curso com o Lar Júlio Alcântara Botelho.

Porque despreza tanto caminho já andado? Adia soluções e vai gastar mais dinheiro a refazer o que está feito? (V. Exª queixa-se tanto de falta de meios!)

Acha assim tão premente a necessidade de enterrar história com cimento e poluição degradando o trânsito – já difícil – (com cruzamentos perigosos) criando uma zona potencial de acidentes com nós rodoviários tão perto da Escola Secundária?

Se a Quinta está à venda, porque não a adquire a Câmara , com dinheiros comunitários para nela instalar condignamente o “Museu Agrícola”?

Há fundos especiais para esses efeitos. Sabe-o V.Eª e o seu Arquitecto bem melhor do que eu. Se a “bomba” cozinhada no segredo dos deuses tivesse sido essa – que felicidade para Elvas.

O abandono que a Quinta foi votada pelos seus actuais proprietários – que a adquiriram sabendo de antemão que era zona protegida, não loteável até dava para que a Exmª Câmara a expropriasse para utilidade pública – aproveitando assim o trabalho de desanexação encomendado por V. Exª ao Senhor Arquitecto Barral e já feito.

Fica a sugestão – de tão justificável atitude – para proveito da cidade – como seria evidente.

V. Exª justificou-se publicamente por ter adquirido bens em Elvas. V.Exª é de cá. Pensa cá radicar-se caso contrário, não o faria.

Nem essa circunstância lhe merece um olhar mais profundo, mais pensado, a um progresso enquadrado que respeite a alma das gentes, as suas raízes culturais e o património secular herdado?

Olhe que a cultura é quase um sortilégio, uma atmosfera que se respira – creia!

Que ninguém vive sem respirar, sabe V.Exª, até eu sei, e sabe toda a gente.

V. Exª deixou que fossem desmantelados os trabalhos de recuperação da nossa Biblioteca (a 2ª ou 3ª do País em qualidade e volume de obras); a organização do museu – que havia sido delineada por museólogos!...

Será que V.Eª quer ficar para a história da Cultura de Elvas, com uma imagem mais devastadora do que deixaram as Invasões Francesas?

Não posso crer!

A maior queixa que tenho, neste nosso muito amado País, é a maneira como são eleitos os Presidentes de Câmaras.

Não fora a “Clubite partidária” e, a cadeira, que V.Exª ocupa – não seria sua.

V.Exª esteve fora de “Esta Elvas” – como dizia António Sardinha – tempo excessivo.

O lugar de Presidente de qualquer Câmara deveria ser, sempre, e só, ocupado por quem, alheio a cores politicas, fosse capaz de sacrificar paz, sossego, comodidade – tudo – pela sua terra.

Por quem renegasse a glória fácil e se guiasse pela lição do Aqueduto da Amoreira; trabalhando: - para os netos, dos netos, dos nossos netos.

Por quem se rendesse aos valores perenes da Humanidade – os valores culturais – e, não se “passasse dos carretos” – permita-me que cite V.Exª – por tricas e bagatelas.

Renovo-lhe os meus cumprimentos.

Senti, como simples munícipe, que sou, dever compartilhar com V.Exª a experiência dos meus quase 70 anos.

O tempo que vivi – é o meu património.

Deixo-lhe, também, as palavras do poeta Leopold Sédar Senghor – que foi presidente do seu país – O Senegal – e é um notável da cultura dos nossos dias.

 

“ A terra não é nossa. Foram os nossos filhos que no-la emprestaram”

 

Foi com elas que a elvense ilustre Drª Maria do Céu Dentinho rematou a “Monografia de Elvas” de sua autoria.

Lá as fui respigar para as oferecer à nossa terra – à nossa gente – com o respeito e gratidão que Elvas me merece.

 

                             Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.270 – 21 de Outubro de 1994

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Resposta da Câmara a esta carta

Pode consultar no Jornal Linhas de Elvas

28- Outubro de 1994

 

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música: Quinta do Bispo - 7
publicado por Maria José Rijo às 21:42
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Sábado, 22 de Março de 2008

O Forte da Graça - Do nascimento à ruína – XIV

            Nos anais do Forte da Graça consta apenas uma visita real com pompa e circunstância …

            Afora ela, há a notícia de D. José I em 1763 ter visitado as obras logo no seu início.

 

Uma visita de D. Pedro V ao Forte da Graça

                                          

 

            Encontrando-se em Elvas, em 1860, visitou D. Pedro V o Forte da Graça, sendo governador do mesmo o brigadeiro Frederico Leão Cabreira. O Jornal a Voz do Alentejo, no seu nº 7 de 24 de Outubro de 1860, descreve assim este facto:

                                   2000 Reis 1859  -  D. Pedro V ( EM OURO )

            «Depois do jantar, Sua Majestade tinha-se dignado prevenir pessoalmente o ex.mo Conselheiro Frederico Leão Cabreira, General Governador do Forte de Nossa Senhora da Graça, de que no dia 19 (de Outubro de 1860) pelas 6 horas da manhã visitaria aquela fortaleza.

            «Com efeito no dia indicado e hora partiu o Augusto-Soberano do palácio episcopal em que se achava alojado, acompanhado pelo Sereníssimo Senhor Infante D. João e por toda a corte, assim pelos Ex.mos Conde do Bonfim general comandante da divisão, brigadeiro Silveira Pinto governador de Elvas, brigadeiro graduado Mancos - comandante dos engenheiros da mesma divisão, e outros oficiais e pessoas distintas que quizeram ter a honra de acompanhá-lo.

            «Iam na frente do real cortejo dois oficiais do Estado-maior servindo de batedores e uma força de cavalaria como guarda avançada, e na retaguarda dois esquadrões da mesma arma, salvando esta praça quando sahiu d’ela.

            «O ex.mo brigadeiro Cabreira, governador do Forte, com o ill.mo tenente-coronel Ripado, e mais oficiais do respectivo estado maior, esperavam a Sua Majestade em devida forma à entrada da primeira barreira da estrada coberta, e logo que o excelso-Soberano ali chegou teve a honra o mesmo ex.mo Governador de proceder à entrega das chaves do forte recitando de cor a seguinte breve alocução:

 

            «Senhor! – Na qualidade de governador deste Forte, ou para melhor dizer deste importante e perfeito modelo de fortificação, e cumprindo o mais grato dos deveres deste cargo, eu tenho a honra de apresentar a Vossa Majestade, com as chaves deste mesmo Forte os mais puros protestos de verdadeira dedicação, constante respeito e alta lealdade de toda a sua diminuta guarnição. Esta guarnição, Senhor, é composta de portugueses e os bons portugueses tiveram em todos os tempos por seu máximo interesse o interesse da sua pátria, e por sua máxima gloria a glória dos seus augustos Soberanos.»

            «Orgulhosos por ser Vossa Majestade o nosso actual Soberano, e por vermos em Vossa majestade concentradas todas as altas virtudes que transluziram nos ínclitos heróis, seus Augustos progenitores, não podemos deixar de fazer, como fazemos, constantes votos ao céu pela conservação da preciosa vida de Vossa Majestade, e de toda a sua Real Família, com infindas prosperidades; bem certos de que as prosperidades de Vossa Majestade farão constantemente florescer e prosperar esta sempre heróica monarquia».

            «Sua Majestade, conservando-se a cavalo, dignou-se ouvir atentamente a mesma alocução à qual teve a bondade de responder em breves termos com aquela alta e eloquente benevolência que brilha em todos os seus régios actos e discursos; dizendo em resumo – que o ex.mo governador deveria conservar em seu poder as mesmas chaves em prova de confiança quando aquele cargo lhe foi confiado.»

 

            «Em seguida apeou-se Sua Majestade e todo o Real cortejo, e guiado pelo mesmo governador se dirigiu à formosa capela do forte onde fez oração a Nossa Senhora da Graça, padroeira do mesmo Forte, e que já o era daquela localidade antes de ser fortificada. A capela achava-se decorada, com a possível magnificência, devido principalmente ao zelo do muito digno capelão o rev. Padre António Joaquim da Assunção Cruz, que com as devidas vestes sacerdotais, esperou Sua Majestade à porta principal da mesma capela para ter a honra de lhe apresentar o hissope na forma do estilo. Concluída a oração passou o excelso monarca a examinar em sua totalidade o complexo das obras do mesmo forte subindo para isso ao pavimento principal da residência dos governadores, e pouco depois ao observatório que sobre ele existe, donde se descobre um vasto horizonte oferecendo as mais agradáveis e variadas vistas. Ali se demorou mais de meia hora, falando com diversas pessoas sobre vários objectos dos que se apresentavam á vista; descendo depois ao pavimento inferior, e passando a percorrer os terraplenos dos baluartes e cortinas da magistral, com seus flancos casamatados.»

 

            «Terminado este giro passou Sua Majestade a visitar alguns dos paioes do Forte e os armazéns do material de artilharia, e ultimamente os quartéis ou casas matas que servem de alojamento aos destacamentos do 2º regimento de artilharia e 17 de infantaria, que constituem aquela diminuta guarnição; o que tudo se achava no devido arranjo e ordem.»

            «Depois desceu ao fosso da magistral, e entrou na vasta e completa galaria de contra minas da contra escarpa percorrendo parte dela; e em seguida regressou ao fosso, e subiu  á estrada coberta; da qual percorreu grande parte, demorando-se em vários pontos salientes donde melhor se descobria a campanha.»

            «Ali deu o excelso monarca por finda a sua real e sempre lembrada visita; e dirigindo-se á porta principal do Forte, seriam nove e meia horas da manhã, montou a cavalo e regressou a esta praça com toda a corte e acompanhamento na mesma ordem com que para lá se dirigira.»

 

            Suscitando ainda tanto interesse as visitas ao Forte (pese embora a sua avançada decadência), dá ideia que a reconstituição desta visita real, com todo o aparato que a envolveu, poderia ser um aliciante cartaz turístico … para as festas da cidade .

                           Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.278 – 16— Dez.—1994

Conversas Soltas

 

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música: Forte da Graça - 14
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Segunda-feira, 17 de Março de 2008

FORTE DA GRAÇA - Do nascimento à ruína IX

O Forte da Graça foi erecto no reinado do Senhor D.José I - o reformador.

     Quando o rei entregou a alma ao Criador – sucedeu-lhe sua filha a Senhora Dona Maria I – a piedosa.

     Da Rainha e do Forte, com a moderada censura de quem sofre com tristeza os erros e injustiças que na sua pátria se perpetram, assim conta Rodrigues Gusmão:

 

     “A senhora D. Maria I, mais piedosa do que agradecida aos relevantes serviços do conde de Lippe, esbulhou este general da posse, em que esteve por muitos anos, da bem merecida gloria de haver dado o seu nome a este célebre monumento.

     Pouco depois de haver subido ao trono ordenou, que o forte de Lippe se denominasse de Nossa Senhora da Graça, por haver existido n’aquele sítio com esta invocação uma ermidinha.

     É certo, porém, que no povo d’ Elvas, e no Alentejo, onde esta fortaleza é mais conhecida, tem permanecido a denominação primitiva, reservando-se a prescripta pela rainha para a correspondência oficial entre as repartições do Estado e o governador do Forte”.

 

     Com a agudeza crua de olhos sem perdão assim os mesmos factos são relatados no livro de Costigan que até hoje nos tem dado apoio e companhia:

 

     “Quando o rei D.José expirou, a 23 de Fevereiro de 1777, e o governo foi confiado ao marquês de Angeja e à Igreja, tive, dentro em breve, ocasião de me convencer do meu erro; porque até então o estado desprezível em que se encontrava o exército não provinha senão da indiferença e do desleixo (causas suficientes para destruir um exercito em pouco tempo), mas agora o governo, como se não estivesse ainda satisfeito com tão desgraçada condição, parece apostado em a aumentar desonrando o próprio ser e existência do soldado. Parece que resolveram então desfazer-se o mais depressa possível dos oficiais estrangeiros. A rainha, por erradas noções de compaixão, soltou, indistintamente, todos os malfeitores dos regimentos, que o Marquês de Pombal deixava morrer de fome nas prisões, onde estavam encerrados por sentenças dos tribunais

militares; e a todos perdoando, fê-los reingressar nos corpos a que pertenciam ou mandou-os servir para fora do reino; e este procedimento abominável não é nada em comparação com a protecção concedida pelo ministro aos dois indignos oficiais do meu regimento, ainda suspensos, o major e o quartel-mestre, que o governo desta cidade, por ordem do secretário da guerra, em nome da rainha, pôs em liberdade, como tendo sido injustamente castigados pelo seu coronel, o qual nunca fizera nenhum relatório sobre o seu caso, nem dera o mínimo motivo da sua detenção. E podereis observar que a fim de encontrar um pretexto para reforçar o caso, e subir no conceito da sua soberana, o secretário da guerra recorreu à mais estupenda falsidade: em todas as estatísticas mensais, durante os anos anteriores, foi regularmente mencionada a clausura destes dois homens, assim como a sua causa, que toda a gente conhecia por informações várias. Assim eu soube, pela minha parte, que o que os dois traidores referiam nas suas cartas, relativamente à protecção que recebiam do marquês de Angeja, era verdade”.

 

 Visões mais ou menos claras...mais ou menos escuras... que conduzem à conclusão da verdade histórica de que não houve isenção nas decisões e a injustiça aconteceu.  

 

                       Maria José Rijo     

         

Ao Senhor Henrique Graça – um grande muito obrigado – pela atenção que fez favor de me dispensar – um esclarecimento e – um pedido.

    Na verdade – acertou! Meu Sogro, o saudoso capitão Trindade Rijo foi Comandante do Forte durante anos.

    Meu marido e seus irmãos, com os filhos de outros militares, brincaram soltos e felizes naqueles revelins que conheciam palmo a palmo e a que ligavam um mundo de recordações.

  O pedido: sabe por acaso quadras sobre o Forte que tivesse a gentileza de me enviar?

 

                    Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.273 – 11-Nov. – 1994

Conversas Soltas

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Fotos do blog -->  http://olhares-meus.blogspot.com/

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música: Forte da Graça - 9
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