Sexta-feira, 13 de Maio de 2016

Um testemunho

"Há quem diga que o passado nunca morre"

A propósito de uma "Conversa" com João Alves director do Jornal Linhas de Elvas onde foi

editada em 18- Fevereiro-2016, na rubrica "Testemunho de uma vida... " 

Recebi esta carta.

AFINAL - ainda há quem recorde.

Sempre vale a pena !

.

Obrigada “Tia” Zé

Em 1988 fui convidada por a D. Maria José Rijo a entrar num projecto muito aliciante pois era pioneiro na cidade de Elvas. Consistia em abrir uma escola de Ballet integrado na escola de música, mas com muito poucos recursos.

A sala que era disponibilizada era muito pequena, e sem as características de uma sala normal de Ballet, o dinheiro escasseava por isso as minhas deslocações de Lisboa/ Elvas, as refeições e o alojamento seria a cargo da D. Maria José Rijo a titulo pessoal, mas a vontade desta Sra.. era tão grande e tão motivante que eu tive de aceitar, e foi dos trabalhos mais gratificantes que já tive! Fui completamente “adotada” por o casal Rijo, e essa amizade e carinho ficou para sempre!

A evolução de toda a escola durante os 5 anos em que fiz parte deste projecto , desde  as alunas a aparecerem em maior numero e conseguir passar-lhes o prazer de dançar , fazer com que a Câmara de Elvas acreditasse  cada vez mais no projecto e ir-nos proporcionando mais condições favoráveis foi memorável, e tudo isto devido a uma pessoa com um coração do tamanho do mundo e uma vontade gigante de superar todos os obstáculos, uma guerreira que enfrentou tudo e todos para que Elvas pudesse dar as crianças a oportunidade de conhecer e experimentar uma arte lindíssima que é o Ballet – a  D. Maria José Rijo! A ela devemos estar todos profundamente agradecidos! Espero que ao longo das gerações, todos os que foram alunos desta escola não se esqueçam de quem vos proporcionou tal prazer! Eu nunca me esquecerei e só tenho de agradecer em me ter escolhido para entrar nesta viagem consigo, OBRIGADA!

E espero que o Ballet continue sempre presente na linda cidade de ELVAS!


Aqui ficam algumas memórias desses 5 anos que guardo no coração.

 

Filipa Neuparth

1.JPG

2.JPG

3.JPG

4.JPG

5.JPG

6.JPG

7.JPG

8.JPG

9.JPG

10.JPG

11.JPG

12.JPG

13.JPG

14.JPG

15.JPG

16.JPG

17.JPG

18.JPG

 

 

 

publicado por Maria José Rijo às 15:15
| comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 27 de Novembro de 2015

As lembranças do Forte da Graça

 

Maria josé Rijo conta as suas Lembranças / Memórias  do Forte da Graça

http://fortegraca.aiaradc.org/estorias-do-forte/

1-JoseRijoPhotografy.jpg

2-Joserijophotografy.jpg  

(( 1933 - 2015 = 82 anos ))

3-JoserijoPhotografy.jpg

4-JoseRijoPhotografy.jpg

5-JoseRijoPhotografy.jpg

6-JoseRijoPhotografy.jpg

7-JoseRijoPhotografy.jpg

8-JoseRijoPhotografy.jpg

9-JoseRijoPhotografy.jpg

10-JoseRijoPhotografy.jpg

11-joseRijoPhotografy.jpg

12-JoseRijoPhotografy.jpg

13-JoseRijoPhotografy.jpg

 

 

sinto-me: Jose Rijo
música: Forte da Graça- 1934-2015
publicado por Maria José Rijo às 23:26
| comentar
Segunda-feira, 5 de Julho de 2010

Como nasceram a Escola de Música e o Coral Públia Hortênsia de Castro - IV

 

Numa das alíneas referentes ao desenvolvimento cultural, que deveria centrar-se nos espaços - Biblioteca – Museu , constava:

Está em curso uma profunda remodelação no funcionamento da Biblioteca e Museu Municipais. Contamos inaugurar dia 11 de Junho a sala Eurico Gama – que acolheu o legado do escritor, investigador, etnólogo e historiador elvense de cerca de 6000 livros.

Para o efeito remodelou-se a instalação eléctrica, caiaram-se já algumas dependências, consertaram-se estantes.

Após a inauguração deste sector a Biblioteca continuará em obras para a criação da “Sala do Conto”compartimentação dos claustros para “Sala de Música”, arejamento de livros, remodelação de instalações sanitárias.

A posterior utilização como espaço vivo de cultura destas dependências melhoradas dependerá para o efeito de aquisição de aparelhagem de som – um fotocopiador – desumidificadores, e, até de um autocarro que possa permitir às crianças das freguesias o acesso à utilização das estruturas criadas e à comparticipação das actividades a elaborar – dadas as distâncias dos seus lares à cidade e a diferença entre os horários escolares e os horários das actividades a fomentar para levar a cidade à freguesia e a freguesia à cidade na procura de identificação e diferenças.

 

Seguiam-se a enumeração de dez objectivos principais, sendo o primeiro:

Pretende-se música ambiente (na Biblioteca no Museu) em torno do tema: - “um compositor por mês”

sinto-me: escola musica- Coral P. H. de
música: de Elvas
publicado por Maria José Rijo às 10:17
| comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

Como nasceram a Escola de Música e o Coral Públia Hortênsia de Castro - III

Dona Maria Elvira Vaz Serra Cabrita, conhecia o Plano Cultural que fora apresentado à Senhora Secretária de Estado da Cultura Doutora Teresa Patrício Gouveia e que havia merecido a visita a Elvas do Doutor Joaquim Roque Abrantes para expressar, pessoalmente, a aprovação e apreço em que fora tido, e , do qual, pela oportunidade, aqui agora se mostram a introdução e o enunciado das rubricas que o integravam.

 

 

 [comministrada+cultura.jpg]

 .

 

Exposição Entregue À Senhora Secretária De Estado Da Cultura

 

Cultura

a) Introdução

 

b) Acções levadas a efeito durante o ano 1986 na Biblioteca

 

c)Acções levadas a efeito durante o ano 1986 no Museu

 

d)Principais Acções Culturais a levar a efeito durante o ano de

1987

 

e)Carências mais prementes na Biblioteca e no Museu

 

f) Algumas obras bastante carecidas de restauro

 

g) Obras com premente necessidade de serem editadas.

 

 

a) Introdução

 

                  A cidade de Elvas para ter o desenvolvimento Cultural

e Turístico de que necessita e merece deverá ser considerada no todo, como Cidade - Museu inter-muralhas, de modo que tudo nela se interligue, conjugue e funcione como peça única.

                   Dada a sua posição geográfica que a situa na Fronteira com Espanha, Elvas, deverá ser dotada de todas as condições para marcar desde logo as diferenças de cultura e maneira de estar no mundo, que definem os dois povos ibéricos – Português e Espanhol.

                    Elvas, pode e deve conviver longamente com o País vizinho, mas deverá ter condições para defender todo o seu património cultural identificador – muito especialmente a pureza da língua – tradições, história, música, usos, costumes, … etc, etc…   

                      Torna-se pois evidente a urgência de olhar Elvas não como “ a última cidade que está lá para junto da fronteira com Espanha” – mas, sim, como a “primeira cidade” que os milhares de utilizadores da fronteira do Caia, encontram ao pisar terra Portuguesa. Elvas tem que ser radical a defender a sua condição de cidade Lusíada – porque é aqui que Portugal primeiro se mostra e se define.

 

“ Chave defensa escudo

Sou do Reino Lusitano

Freio sou do castelhano

Elvas sou e digo tudo”

 

 Maria José Rijo

sinto-me: escola musica/Coral
publicado por Maria José Rijo às 14:51
| comentar | ver comentários (1)
Quinta-feira, 17 de Junho de 2010

Como nasceram a Escola de Música e o Coral Públia Hortênsia de Castro - II

Informado o elenco camarário do resultado da visita, foi delegada na pessoa da Vereadora toda a responsabilidade na preparação das

Celebrações, com a obrigação, lógica, de ir comunicando à Câmara, a par e passo, todos os projectos de quanto se fosse organizando e decidindo.

Consultada Dona Maria Elvira Vaz Serra Cabrita, sobre as necessidades mais prementes, no campo musical na cidade de Elvas, e do que seria possível organizar para a preparação de uma recepção condigna a quantos nos visitassem, propôs de imediato que o Pelouro da Cultura providenciasse esforços para a formação de um Grupo Coral e que se usasse a oportunidade para se tentar, posteriormente conseguir a criação de uma Escola de Música.

A Câmara aplaudiu a ideia, deu parecer favorável.

Então, nas instalações do Turismo abriram-se as inscrições para os possíveis candidatos e, através da rádio local e dos jornais fez-se circular a notícia.

A adesão foi, pode dizer-se, notável.

 

Foram elementos fundadores do Grupo Coral na sua primeira aparição em publico no dia 30 de Maio de 1987 num Convívio Musical na sala Públia Hortênsia de Castro da Biblioteca Municipal.

 

Tenores:

Manuel Duarte

Diogo Santos

Diogo Santos

António Lopes

António Lopes

António Vinagre

Luís Santos

Lemitamen Santos

 

Contraltos:

Fernanda Velasques

Teresa Moita

Lurdes Vinagre

Susana Duarte

Ester Martins

Cláudia Jessica

Beatriz Feiticeiro

Joana Conceição

Aida Miguens

Emília Adriaça

Rosa Abrunheiro

Francelina Coelho

Valentina Marques

 

Sopranos:

Luísa Mata

Laura Miranda

Patrícia Duarte

Ana Maria Monteiro

Ana Joaquina Pinto

Maria Joana Mé

Rita Barradas

Teresa Esperança

Rosa Cidrais

Maria das Dores Romão

Joaquina Gonçalves

Carlota Cabaceira

 

Baixos:

José Luís Drogas

José Nunes

António Balsinhas

Alberto Marinho

Manuel Barroso

Manuel Figueira

 

 

Generosamente aceitou as funções de Maestro, sob a orientação de Dona Maria Elvira o, então ainda, estudante de Música do Conservatório de Badajoz - Carlos Velasques

sinto-me: Escola de Musica
música: Coral Publia Hortensia de Castro
publicado por Maria José Rijo às 21:55
| comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 4 de Junho de 2010

Como nasceram a Escola de Música e o Coral Públia Hortênsia de Castro - I

Como nasceram a Escola de Música e o Coral Públia Hortênsia de Castro

 .

O dia Mundial da Música foi celebrado na cidade de Elvas no ano de 1987.

Mais propriamente nos dias 1,2,e 3 do mês de Outubro desse ano.

A escolha das cidades, a eleger para o efeito, fazia-se por ordem alfabética. Em 86, fora Castelo Branco, a cidade eleita e, no prosseguimento desse critério, nesse mesmo ano, foi perguntado à Câmara de Elvas se lhe interessava dar guarida às comemorações de 1987.

 

 Aceita a ideia, para melhor se avaliar dos preparativos necessários para o decurso de tais celebrações foi decidido que se deslocasse à cidade de Castelo Branco uma representação da Câmara de Elvas correspondendo assim ao convite que, para tanto, lhes havia sido enviado. 

 

Designaram-se para o efeito a vereadora: Maria José Rijo - independente - que defendia,  os pelouros da Cultura e Turismo e o Eng. Barrocas Guerra, que representava no elenco o partido Socialista, e, a quem foram atribuídos – Freguesias e desenvolvimento do Concelho – ambos vereadores sem vencimento. Por sugestão de Maria José Rijo, logo apoiada por Barrocas Guerra, procurou-se incluir nesta embaixada alguém com formação musical.

 

Assim, dado o apreço, e o reconhecimento geral, no meio, do saber e competência da professora de música Dona Maria Elvira Vaz Serra Cabrita, foi ela a pessoa escolhida, até porque, não se tratando de actividade lucrativa ou paga, de qualquer modo, só o amor à causa e a amizade poderiam unir em empreendimento de tamanha responsabilidade a distinta musicóloga e a vereadora.

sinto-me: Escola de Musica de Musica
música: Coral Publia Hortensia de Castro
publicado por Maria José Rijo às 12:12
| comentar | ver comentários (4)

Como nasceram a Escola de Música e o Coral Públia Hortênsia de Castro

Como nasceram a Escola de Música e o Coral Públia Hortênsia de Castro
sinto-me: Como nasceram
música: a Escola de Música e o Coral Públia Hortênsia
publicado por Maria José Rijo às 11:59
| comentar
Terça-feira, 7 de Abril de 2009

A Sé de Elvas

 

sinto-me: Igreja da Sé
música: O Orgão da Sé
publicado por Maria José Rijo às 22:19
| comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

ADENDA

Pareceu-me interessante, pela sua ligação ao tema tratado, referir também esta lista, com nomes de Bispos de Elvas, datada de 1851 – que para além da preciosa informação que contem – é um documento curioso, até, pela requintada caligrafia, bem ao estilo floriado da época.

1 - D. António Mendes de Carvalho

2 - D. António de Mattos de Noronha

3 - Rui Pires dos Vega

4 - D. Tr. Lourenço de Tavora

5 - D. Sebastião de Mattos

6 - D. Manuel da Cunha

7 - D. João de Mello Botelho

8 - D. Alexandre da Silva

9 - D. (Frei) Valerio de S. Raimundo

 

sinto-me: Bispos de Elvas
publicado por Maria José Rijo às 22:42
| comentar | ver comentários (2)

Adenda...

10 - D. Jerónimo Soares

11 - D. Bento de Beja

12  - D. António Pereira da Silva

13 - D. Tr. Pedro de Lencastre

 

15 - D. João de Sousa de Castello Branco

16 - D. Pedro de Vilas Boas

17 - D. Baltazar de Tavira e Villas Boas

18 - D. Lourenço de Lancastre

19 - D. João Teixeira de Carvalho

20 - D. Fr. Diogo de Jezuz Jardim

21 - D. Jozé da Costa Torres

22 - D. Joze Joaquim da Cunha Azevedo Coutinho

23 - D. Fr. Joaquim de Menezes e Ataíde

24 - D. Fr. Angelo de Nossa Senhora da Boa Morte

sinto-me: Bispos de Elvas
música: Bispos de Elvas (Sé de Elvas)
publicado por Maria José Rijo às 22:21
| comentar | ver comentários (1)
Domingo, 5 de Abril de 2009

No Linhas de Elvas

 

http://linhasdeelvas.net/

sinto-me: O Orgão da Sé de Elvas
música: Jornal Linhas de Elvas
publicado por Maria José Rijo às 18:41
| comentar | ver comentários (2)
Sábado, 4 de Abril de 2009

Noticia - no Diário do Sul

 

Diário do Sul

Regional

Terça-feira – 5 de Agosto de 2008

 

UM CASO LAMENTÁVEL:

O órgão da Sé de Elvas

 

Em Elvas, e ao que nos contou o Dr. Artur Goulard, o assunto é diferente e mesmo escandaloso. A história é assim: há vinte anos foi acordado com determinado organeiro proceder-se ao restauro do instrumento da Sé de Elvas. Acertou-se o custo e o técnico desmontou tudo

 

o interior do órgão levando consigo as diversas componentes destinadas à reparação e substituição. Só que posteriormente o artífice veio exigir um novo preço, situação que foi rejeitada pelo então IPPAR, que colocou o assunto em Tribunal. A pendência manteve-se na justiça até ao veredicto ser pronunciado há dois anos, e dando razão ao IPPAR.

Depois disso nada mais se soube. Apenas que a caixa do órgão em Elvas continua vazia despojada dos seus pertences, e nada transpirou acerca do ponto da situação; do que é feito dos materiais levados da cidade raiana, e se o trabalho de recuperação virá ou não a ser feito.

Um mistério.

 

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 22:57
| comentar | ver comentários (3)
Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Nota final

 

O Órgão, foi entregue ao Organeiro Senhor António Simões de Condeixa-a-nova em: 17 de Agosto de 1988

Contacto telefónico na época – 039-942119

A comissão de Defesa e Recuperação dos Órgãos Portugueses – sob cuja responsabilidade o trabalho seria

efectuado dependia do Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico que estava sob a direcção da

Sr.ª. Dr.ª. Nidia Maria Correia – segundo as informações que foi possível recolher.

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 23:30
| comentar | ver comentários (3)
Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

A Aquisição do Orgão...

…………

E a cidade e Elvas já se poderia ufanar de ter contribuído para a história da nossa música erguendo ao alto o precioso livro das FLORES DE MÚSICA Capade Manuel Rodrigues Coelho. Mas verdade seja que não ficou por aqui.

 

Organizada a vida da diocese em 1572, como já ficou dito a música passou a ter em Elvas a existência efectiva quer na prática diária do canto do Ofício das Horas Canónicas por

                      Noa

 parte do Cabido, quer no ensino que competia ao Mestre de Capela em cujas funções encontramos a obrigação de andar “ alguns caminhos” procurando dentro e fora dos muros da cidade, os moços que mostrassem aptidões para poderem ser ensinados na arte da música.

            

Assim nos 310 anos de Bispado a vida cultural em Elvas floresceu e todos os quadrantes, como se depreende pelos relatos da época.

Pode até afirmar-se sem sombra de exagero que a decadência da importância da cidade começa com a extinção infligida por

               Sebastião José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras e Marquês de Pombal

 Pombal ao mandar encerrar em 1759 todos os colégios de ensino médio entre os quais o de Elvas, que funcionava onde

 

é hoje a Biblioteca Municipal, com a expulsão dos padres da Companhia de Jesus, e rematada com a extinção do seu bispado em 1882.

 

 O Órgão da Sé, em questão, foi o último que para ela foi adquirido.

 Foi promotor da sua aquisição o Exº e Reverendíssimo Senhor Dom Lourenço de Lancastre – Bispo de Elvas – corria o ano de 1769.

 

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 21:11
| comentar | ver comentários (3)
Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

A Catedral de Elvas...

Neste passo a história de Elvas, para lá das glórias militares que lhe enfeitam o nome de festões coloridos e a revestem de capelas violáceas, encontra-se com outros motivos que lhe suavizam os graves aspectos bélicos.

 A Catedral de Elvas é agora o pólo de atracção da Diocese. Todos os dias, a horas fixas consoante o tempo, o Cabido faz ouvir o canto da salmodia do Ofício Divino ao som dos órgãos tangidos por mestres de arte. Nos Domingos e dias solenes ouve-se a Capela dos Cantores cantando a polifonia do tempo sob a direcção do respectivo Mestre.

E a antiga Matriz da cidade, agora transformada em Sé Catedral, construída por Mestre Francisco Arruda em tempos del-Rei D. Manuel, regurgita de elvenses que ali acorrem levados pela novidade do clima artístico que era apanágio de todas as Sés Catedrais.

Entretanto sucedem-se os bispos, mudaram os serviçais e a vida da Catedral manteve como lhe competia, a sua vida específica até à extinção do bispado em 1882. Foram exactamente, 310 anos, após os quais, tudo foi esquecido, tudo foi abandonado como se, de facto, nada tivesse acontecido em Elvas nos domínios da arte da música”

São célebres e internacionalmente admiradas e conhecidas as obras do Padre Manuel Rodrigues Coelho que se afirmava elvense de nascimento no frontispício do seu livro – Flores de Música  Capa impressas em 1620 do qual constam 133 composições escritas para órgão ou harpa.

 

sinto-me: Igreja da Sé
publicado por Maria José Rijo às 21:07
| comentar | ver comentários (3)
Terça-feira, 31 de Março de 2009

O que simboliza o Órgão da Sé de Elvas

Vou usar “a lição” do Senhor Cónego Alegria ao falar sobre a história da música em Elvas, para se entender ainda melhor, para além do valor real, o que simboliza o Órgão da Sé de Elvas, como património cultural, - até – do nosso País.

.

Passo a citar alguns excertos da sua notável palestra:

                       

“…com efeito, (esta) história de Elvas… começa em 1513 com o alvará concedido pelo Rei D. Manuel I, outorgando-lhe o título de cidade, título que implica automaticamente, por direito e, por vontade do Soberano, a promoção de Elvas a sede de bispado.

 

…….. Em 1571 foi, finalmente proposto para primeiro Bispo de Elvas D. António Mendes de Carvalho, sagrado na igreja de S. Vicente de Fora em Lisboa.

Fora em Lisboa, no terceiro domingo de Setembro de 1571.

O novo bispo não era um clérigo vulgar; fizera estudos em Paris e ensinara na Universidade de Coimbra. Entretanto nesta cidade competia-lhe organizar o seu bispado nos moldes de todos os outros da Cristandade

….Nesses tempos, era preocupação essencial e imediata, fornecer a Sé Catedral dos meios humanos e económicos para lhe dar independência suficiente para que a liturgia pudesse alcançar a solenidade prescrita pelas rubricas dos respectivos livros aprovados pela Autoridade de Roma. Para o conseguir faziam-se articulados legais obrigando as Capelas, assim como o artista que serviria a igreja.

Tudo foi feito exemplarmente por D. António Mendes de Carvalho e esses suplementos, felizmente, chegaram intactos aos nossos dias como normas que disciplinaram toda a actividade da nova Sé de Elvas.

sinto-me: Orgão da sé
música: A igreja da sé
publicado por Maria José Rijo às 23:11
| comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Desejava-se o restauro do Órgão da Sé - Porquê?

Desejava-se o restauro do Órgão da Sé - Porquê?

Na época o mandato decorria sob o reconhecimento e valorização da cultura na formação do individuo e enobrecimento da sociedade, tentando despertar a Cidade para a recuperação de valores patrimoniais que pudessem restaurar “velhos” e importantes tradições da história local – tais como os concertos de órgão – e relembrar a importância que Elvas tivera no campo musical principalmente nos séculos XVI e XVII.

Tínhamos - até – emoldurado e posto na parede da sala de leitura o texto de Sophia de Mello Breyner Andersen

 

A cultura também é higiene, defesa do ambiente, defesa da Natureza. E, também as boas maneiras, a forma de pronunciar as palavras a forma de construir e habitar a cidade ou a aldeia, a forma de cultivar os campos, a forma de entender o trabalho. E, também a consciência da história e a consciência dos problemas e das possibilidades do presente.

Não é apenas a atenção que damos à luz, ao ar, à terra, à água, ás outras pessoas! O apoio às mulheres grávidas e à primeira infância, a recuperação e a integração dos deficientes são obrigações sociais mas são também actos criadores que definem a consciência cultural de uma sociedade.

 

Tendo pois que fazer escolha entre os órgãos das igrejas da cidade, ao ser beneficiado apenas um – teria de ser escolhido o precioso exemplar que a Sé possui.

sinto-me: Porquê???
música: O orgão da Sé
publicado por Maria José Rijo às 22:18
| comentar | ver comentários (2)
Domingo, 29 de Março de 2009

Cartas do Sr.Padre Melo

De:

Instituto da Cultura e Coordenação Cientifica

Secretaria de Estado da Cultura

Instituto Português do Património Cultural

Instituto de José de Figueiredo

 

Para:

Exma Senhora

Presidente do Instituto Português do Património Cultural

Campo Grande, 83

1799 – Lisboa Codex

 

21 de Setembro de 1982

ASSUNTO: - Tratamento de Pinturas existentes na Sé de Elvas

 

Em referência ao oficio acima indicado, tenho a honra de informar V.Exª, de que as pinturas da Sé de Elvas foram examinadas no local em 12 de Abril último.

Embora não se torne urgente o seu restauro, terão de ser tratadas no Instituto, segundo uma ordem de prioridades a estabelecer e o tempo que houver disponível. Face ao grande número de trabalhos em curso nas oficinas.

Com os melhores cumprimentos.

 

O Conselho Directivo.

 

 

P:S: - As fotografias enviadas a título devolutivo, por serem necessárias à documentação do processo, só serão devolvidas depois da realização da brigada.

 

.

 

De:

Instituto Português do Património Cultural

Rua Ocidental ao Campo Grande, 83 – 1º Piso

(Edifício da Biblioteca Nacional)

1799 Lisboa Codex

 

Para:

Exmo. E Reverendo

Padre Joaquim José Carneiro de Mello

Avenida D. Sancho Manuel nº 22

7350 Elvas

 

18 de Outubro de 1982

ASSUNTO: - Tratamento de Pinturas existentes na Sé de Elvas

 Em referencia ao assunto  em epigrafe, cumpre-me levat ao conhecimento de V. Reverência, para os devidos efeitos, fotocópia da informação prestada sobre o assunto pelo Instituto de José de Figueiredo.

Com os melhores cumprimentos.

 

O Vice-Presidente

Justino Mendes de Almeida

 

..................

 

 

DE:

Instituto Português do Património Cultura

Departamento de Musicologia

Palácio Nacional da Ajuda

1300 Lisboa

 

PARA:

Exmo Senhor:

Pároco da Igreja de Nossa Senhora da Assunção (Sé)

7350 Elvas

 

8 de Março de 1984

ASSUNTO: - Restauro de Órgãos

 

Informo V. Exa. De que, devido aos condicionalismos financeiros actuais, não será possível, durante o corrente ano, encarar a possibilidade de restauro do órgão desse Monumento.

 

Com os melhores cumprimentos

 

O Vice-Presidente

Justino Mendes de Almeida

 

 

 

sinto-me:
música: Cartas do Padre Melo
publicado por Maria José Rijo às 21:43
| comentar | ver comentários (4)
Sábado, 28 de Março de 2009

Cartas...

.

.

Presidência Do Conselho de Ministros

Secretaria de Estado da Cultura

Instituto Português do Património Cultural

Rua Ocidental ao Campo grande, 83 1º piso

(Edifício da Biblioteca Nacional)

1799 – Lisboa Codex

9 de Março de 1982

 

Exmo. Reverendo

Padre Joaquim José Carneiro de Melo

Av. D. Sancho Manuel, nº 21

7350 Elvas

 

Em referência à carta acima mencionada, solicito de V. Exa. Se digne enviar a estes Serviços, fotografias, se possível coloridas, das pinturas em causa, - Sé de Elvas -, a fim de se avaliar da possibilidade de restauro.

 

Com os melhores cumprimentos,

 

O Vice-Presidente,

Justino Mendes de Almeida

 

 

 

..

 

 

 

 

Elvas, 15 de Abril de 1982

 

Exmo. Senhor

Doutor Joaquim Mendes de Almeida

Digmo Vice-Presidente do Instituto Português do Património Cultural

Rua Ocidental ao Campo Grande, nº 83 – 1º Piso

1799 LISBOA CODEX

 

Respondendo à carta de V. Excia de 9 de Março de 1982, com a referência 82/11(24), envio inclusas as fotografias pedidas, sendo a do grande painel de Lorenzo Gramiera(1); e o de Santo António é atribuído a Bento Coelho da Silveira(2); e o autor do outro desconheço neste momento.

 

Agradeço muito a melhor atenção, que este assunto mereceu e subscrevo-me atenciosamente

 

O Pároco da Sé de Elvas

Padre Joaquim José Carneiro de Melo

 

.............

Juntei 4 fotografias:

Nossa Sra da Assunção(1)

Santo António (2)

Nossa Senhora das Vitórias(3)

 

Ex-Voto de Nossa Senhora de Guadalupe(4)

 

sinto-me:
música: Cartas do Padre Melo
publicado por Maria José Rijo às 21:11
| comentar
Sexta-feira, 27 de Março de 2009

O Orgão da Sé

Revmo. Senhor

Padre Joaquim José Carneiro de Melo

Pároco de Nossa Senhora da Assunção

Elvas

27 de Março de 1981

 

Revmo. Senhor Prior

Agradecemos a carta de V.Reva. referente ao órgão da Sé de Elvas e também a interferência de Revmo. Cónego Dr. José Augusto Alegria.

Depois de consultar o nosso arquivo podemos informar o seguinte.

Em fins de 1959, há portanto 23 anos, fizemos uma estimativa para reparação do órgão, tendo a Direcção Dos Monumentos Nacionais mandado iniciar a obra.

Construímos um novo fole que foi transportado para aí e guardado na antiga casa dos foles.

No ano seguinte os trabalhos não continuaram, como estava previsto, julgamos que por falta de verba.

Quanto a nós, é-nos impossível tomar conta de qualquer trabalho antes do próximo ano.

 

Agradecendo mais uma vez, subscrevemo-nos muito atentamente

 

José Ramos Sampaio

 

sinto-me: Carta - 2
música: Orgão da Sé - 3
publicado por Maria José Rijo às 21:56
| comentar | ver comentários (1)
Quinta-feira, 26 de Março de 2009

Relembremos

Conhecedores das personalidades envolvidas e situados no tempo – Relembremos:

Quando tomou conhecimento da proposta para a recuperação do Órgão, foi a Comissão Organizadora – a nível local – contactada pelo saudoso Senhor Padre José Joaquim Carneiro de Melo (o Senhor Padre Melo como era carinhosamente conhecido na cidade) – congratulando-se com a proposta de tal realização e, pondo à disposição da dita Comissão, as provas dos esforços por si efectuados – em vão – com o mesmo louvável intento.

 

Elvas, 16 de Março de 1981

 

Exmo. Senhor:

Engenheiro João Sampaio

Digmo Organeiro Oficial dos Monumentos Oficiais

Travessa do Monte, nº 7

1100 Lisboa

 

 

Ando preocupado com o órgão da Sé de Elvas ( séc. 18), desde há alguns anos.

Dizem-me que, em tempos, levaram os foles para Lisboa, mas não me sabem dizer nem quem, nem para onde.

Com aquele peso e volume, a sua deslocação só poderia ter sido feita de acordo com OS EDIFICIOS E MONUMENTOS NACIONAIS.

Estão dezenas de tubos tirados, certamente com a intenção de os colocarem novamente.

Estão a ser cuidadosamente limpos do pó e recolocados pela mesma ordem…

Há dias, falando com o meu colega de Évora, Cónego Dr. José Augusto Alegria, sobre este assunto e solicitando-lhe colaboração, ele indicou-me V.Excia e foi perentório em afirmar que V.Excia ou me ajudaria a resolver o problema ou me indicaria o rumo certo, que deveria tomar. E é o que venho pedir-lhe.

Não me conformo que o órgão continue indefinidamente silenciado.

Ele deve ser igual ou parecido ao da Sé, digo, ao da Capela-mor da Sé de Évora, e é o único que temos na cidade com este porte.

Desde já agradeço a V.Excia toda a ajuda, que me possa dar e as indicações, que julgar mais úteis.

Subscreve-se, com muita consideração,

 

O Pároco de Nossa Senhora da Assunção (Sé), de Elvas

 

Padre Joaquim José Carneiro de Melo

 

 

 

 

 

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 20:18
| comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 25 de Março de 2009

O Órgão da Sé

Quando das celebrações em Elvas de -  O dia Mundial da Música 1987 – que a Secretaria de Estado da Cultura e o Instituto Português do Património Cultural – patrocinaram no primeiro mandato da Câmara presidida pelo Dr. João Manuel Valente Carpinteiro – uma das contrapartidas que a cidade recebeu foi, para além da criação da Casa da Cultura, e do apoio à criação da Escola de Música, o “restauro do Órgão da Sé”, e, ainda a edição fac-similada do Cancioneiro de Manuel Joaquim - seu achador - ou de Públia Hortênsia de Castro, como é mais conhecido.

Eram ao tempo -  Secretária de Estado da Cultura a Senhora Drª. Dona Teresa Patrício Gouveia.

Estava no departamento de Musicologia do IPPC o Senhor Dr. Humberto d´Ávila sendo Presidente do referido Instituto, o Senhor Engenheiro António Lamas.

Foram oradores oficiais das cerimónias a Senhora Profª Doutora Maria Augusta Barbosa, professora jubilada da Universidade Nova de Lisboa, (Departamento de Ciências Musicais, na altura docente da Faculdade de Letras de Lisboa, e, também na Universidade Autónoma de Lisboa “ Luís de Camões”( Universidade Particular)

E, também - O Senhor Cónego José Alegria, membro do Cabido da Sé de Évora, Sócio da Consotiatio Internationalis Musicae Sacrae, de Roma; Sócio correspondente da Academia Portuguesa de História; Sócio do Instituto Interamericano de Museologia (Uruguai); Sócio Honorário da Sociedade Brasileira de Musicologia; Sócio da Pontifícia Academia Mariana Internationalis, de Roma e membro da Sociedade Española da Musiologia e da Sociedade Portuguesa de Estudos Medievais.

(estas conferências foram, ambas, editadas em livro pela Câmara de então.

 

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 21:35
| comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Fernando Pessoa escreveu:

.

“Deus quer – o homem sonha – a obra nasce”

Assim se passam nos trâmites do costume os acontecimentos.

Assim se passou na reabilitação do Forte de Santa Luzia.

Depois de anos e anos a apodrecer, foi cobiçado para uma pousada de turismo.

Uma Câmara pensou-lhe outro destino que o salvasse da ruína e não o transformasse em desleal competidor da sua vizinha Pousada de Santa Luzia.

Deus quis

Uma Câmara sonhou

Outra realizou.

Tudo bem – se quem realizar a obra, honrar a memória de quem teve o sonho que o guiou.

“Deus quer – o homem sonha – a obra nasce!

E... quando é do sonho – que Deus permite a uns – que a obra de outros – se erga – só repartindo – com justiça – os méritos a que, cada qual, tem direito – os feitos enobrecem quem os pratica.

 

 

Maria José Rijo

 

 

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 22:23
| comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

Carta de Miguel Baena

Lisboa 16 de Março de 1988

Exma. Senhora D. Maria José

 

Na sequência do telefonema que a Senhora D. Maria José teve a amabilidade de me fazer, não queria deixar de, por este meio, lhe dar conta do andamento dos vossos trabalhos.

Após as “cartas convites” rapidamente as entreguei aos destinatários. Todos eles foram unânimes em aceitar, tudo na ocasião tido oportunidade de conversar com cada um deles sobre o assunto.

Ficou assente o seguinte: O Prof. Rafael Moreira encontra-se em Itália, estando o seu regresso previsto para o dia 22 deste mês. Sendo assim, teríamos uma reunião conjunta de todos os colaboradores e deslocar-nos-íamos, logo a seguir, aí a Elvas, a fim de tomarmos contacto com a realidade.

 

Entretanto e a respeito da ausência do Prof. Rafael Moreira tive de, com os colaboradores restantes e com a APH.

(Associação dos Professores de História), Associação para o ensino Permanente e Associação dos Amigos dos Castelos, trocar algumas impressões com vista a definir coordenadas onde encontrasse o projecto.

Tenho em mente a definição de uma estrutura com características e dimensões magnificamente amplas para que se possa vir a construir como único em Portugal, com um impacto grande que ajuda a projectar Elvas, a todos os níveis, quer interna, quer internacionalmente.

Daí a importância desta fase de concepção, durante a qual tenho falado com toda agente, todas as instituições e todos os especialistas antes da elaboração definitiva do projecto. E daí também a razão porque parece estar tudo parado. Mas não está. Pode a Senhora D. Maria José estar tranquila que tudo se encontra encaminhado e em pleno andamento.

 

 

 

Quero acreditar que dentro de dois meses já estará o projecto pronto e bem definido. Depois será entregue ao arquitecto Canelhas que tentará adaptar todas aquelas ideias aos espaços existentes. Trata-se, no fundo, da tradução de uma ideia para um conjunto arquitectónico.

Terminado o projecto haverá igualmente um orçamento para os custos do mesmo.

A titulo particular posso informar ainda que me tenho debruçado igualmente sobre possíveis fontes de financiamentos, para o caso de algo poder falhar da vossa parte.

 

Sobre este assunto e devido ao melindre do mesmo prefiro falar pessoalmente com a Senhora D. Maria José quando for aí a Elvas.

Sendo assim, julgo que, antes do Verão estaremos prontos para arrancar com tudo, já com as ideias muito claras e definidas.

Conto talvez dentro de uma semana estar aí para, particularmente trocar algumas impressões, com a Senhora D. Maria José.

 

Beijo-lhe respeitosamente as suas mãos

Deus a guarde por muitos anos

 

Miguel Sanches Baena

 

 

sinto-me: forte de Sta. Luzia
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 22:47
| comentar
Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Carta de Leite Rio

 

LEITE RIO

7300 Portalegre

 

 

Exmo. Senhor:

Dr. Miguel Sanches Baena

 

Tal como solicitado por V.Exª e pelo Exº Senhor presidente da Câmara Municipal de Elvas, envio pela presente, algumas considerações e consequente proposta de honorários, para o projecto de recuperação de honorários, para o projecto de recuperação e adaptação do Forte de Santa Luzia em Elvas.

Esta proposta abrange as áreas do Desing de Equipamento e Comunicação, para além da produção de programas audiovisuais.

*

1- A diversidade dos trabalhos a realizar neste projecto é para além dos trabalhos gráficos e audiovisuais, de carácter imprevisível, dado o estado do imóvel e o tipo de intervenção no mesmo.

*

2- A interligação e multidisciplinaridade que caracteriza o projecto, obriga a estudos de conjunto e constantes adaptações do espaço e equipamento interior.

*

3 – O facto de grande parte dos trabalhos, especialmente a produção de equipamento interior, dever ser executado em Elvas, obriga a constantes deslocações para acompanhamento dos trabalhos e boa execução dos mesmos.

 

Assim, e pelas razões sumariamente atrás descritas, a existir desde a aprovação do ante projecto e que será consagrado com a empresa Manus Artis.

O ante projecto, será composto por peças desenhadas e descritivas para além de levantamento fotográfico, trabalho audiovisual explicativo e exposição do conjunto de propostas sectoriais.

 

Espero com estas considerações e propostas ter contribuído para um esclarecimento do nosso projecto comum e que muito me gostaria ver realizado. Para tal, considere-me V.Exª aberto à discussão da presente proposta que espere vá de acordo com o solicitado.

 

Com os melhores cumprimentos

Luís Fernando Correia Leite Rio

 

 

 

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 22:49
| comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

O cartão

Com os melhores cumprimentos

junto lhe remeto a celebre estimativa orçamental

para o Forte de Santa Luzia.

O original seguiu para o Presidente.

Aproveito a oportunidade

para mandar um beijinho grande.

 

Miguel Baena

 

sinto-me: Miguel Baena
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 22:37
| comentar

Estimativa - Miguel S. Baena

 

 

Estimativa orçamental para o trabalho de coordenação do projecto de recuperação e adaptação do Forte de Santa Luzia, em Elvas, por parte do responsável pelo mesmo, Miguel Sanches de Baena.

 

Esta estimativa abrange:

 

1— Concepção e estudo dos diferentes espaços culturais museológicos e acompanhamento da sua execução.

 

2 – Concepção e estudo das zonas arqueológicas e acompanhamento da sua execução.

 

3 – Concepção e estudo das áreas documentais e acompanhamento da sua execução.

 

4 – Articulação dos projectos definidos pelos restantes membros da equipe com as concepções especificadas.

 

5 – Definição das áreas turístico-culturais e sua concretização.

 

 

 

 

 

 

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 21:17
| comentar
Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

Projecto do Forte de Sta. Luzia - carta - I

Miguel Sanches de Baena

Lisboa

 

 

Exmo. Senhor

Presidente da Câmara Municipal de Elvas

Assunto: Projecto de remodelação e adaptação do Forte de Santa Luzia – Elvas

 

 

Em aditamento a anteriores contactos sobre o assunto em epigrafe, venho por este meio comunicar a V.Exª o orçamento estimado pela equipe sob minha orientação, para elaboração, acompanhamento e conclusão de todos os trabalhos inerentes ao processo de reabilitação do aludido forte. (Não estão incluídos trabalhos de engenharia Civil e electrotécnica, contando para eles com os técnicos municipais).

 

Os diferentes vectores que compõem a resolução final do trabalho proposto, revestem-se de características particulares pelo que V. Exª poderá ficar em fotocópias anexas, os diferentes técnicos envolvidos no processo, apresentam distintas e justificadas propostas de honorários.

Como V. Exª se dignará verificar, exceptuando os trabalhos de arquitectura propriamente dita, (a cargo do Arquitecto Pedroso Lima) e que estão consagrados por decreto-lei, entenderem os restantes membros optar por uma solução de avença, convictos de que tal facto, contribuirá para a solução que todos gostaríamos de ver realizada.

 

Deus guarde V.Exª. por muitos anos

 

Miguel Sanches de Baena

sinto-me: forte de Sta. Luzia
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 23:18
| comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

O Projecto para o Forte de Santa Luzia

 

“O Forte de Santa Luzia, a 400m da cidade, foi construído de 1641-87 sobre um outeiro que domina parte da praça.

O seu polígono de fortificação é um quadrado de 150m de lado, fortificado segundo o primeiro sistema Vauban, com revelins nas frentes, tudo cercado por estrada coberta e esplanadas, com três linhas de fossos”.

(Guia de Portugal 1927)

Entre o Forte de Santa Luzia e a cidade de Elvas passa a estrada Nacional nº 4 (Lisboa-Helsinquia) o que significa em termos actuais, dizer que entre a cidade e o Forte – se situam as principais portas da Europa – dado que entrando pela fronteira do Caia é a vista de Elvas a primeira, que, das cidades de Portugal se oferece.

 

Esta situação de privilégio faz pensar desde logo na necessidade de transformar o Forte de Santa Luzia num ex-líbris da cidade de Elvas que a vincule na memória de quem passa com o mesmo impacto que o faz o Aqueduto da Amoreira, que tal como o Forte, também beira a mesma importante via de comunicação.

 

Mas – recuperar o Forte como? –

 E para quê?

 

Sabendo-se que o destino de qualquer imóvel que não recupere simultaneamente utilidade e vida, é de novo, a ruína, parece-nos premente afirmar o seguinte:

 

a) Que a revitalização do Forte de Santa Luzia seja estudada com a minuciosa atenção que a recolocação de qualquer pedra de pormenor das suas muralhas

 

b) – Que aqueles que com a visita da sua elegante silhueta convivem desde o berço o sonham ver transformado em Museu de Arqueologia e história como fundo para actividades turísticas e culturais a promover nos seus espaços.

 

c) – Que a história ligada a esta fortaleza possa ser mostrada com figuração e som.

 

d) – Que se crie um espaço de atendimento para crianças com projecções tipo (asterix) para que os adultos possam livremente explorar outras actividades.

 

e) – Que se criem alguns focos de artesanato ligados à cavalaria, ferrador e correeiro (por exemplo)

 

f) – Que disponha de cavalariça e carros antigos para passeios de trem nas redondezas.

Guadiana e seus moinhos

Ponte da ajuda

Nascentes do Aqueduto e Museu de Ex-votos…

 

g) – Pavões nos fossos

 

h) – Pessoal vestido à moda da época da construção do Forte

 

i) – Mini-Restaurante-Bar – para refeições ligeiras – águas, chá, café, (doces tradicionais de Elvas)

 

j) – Sala para conferências

 

l) – Recuperação da capela

 

m) – A ponte levadiça deveria funcionar para acesso ao interior do Forte com “senha” e consequente protocolo.

 

n) – Nas noites de Verão, poderiam promover-se espectáculos de música ao ar livre no terraço superior de onde se tem uma soberba vista da cidade e dos campos vizinhos – para além do perfume dos pastos.

 

Em resumo, deveria ter as funções de uma estalagem medieval reportada aos nossos dias e de um museu vivo.

Assim, a traços largos, as linhas de base para um possível projecto cuja minúcia me transcende e no qual como já referi pessoalmente, se empenhou com entusiasmo o Sr. Dr. Miguel Sanches Baena.

Com os meus melhores cumprimentos sou muito atentamente

 

A Vereadora da Cultura e Turismo

Maria José Horta Travelho Rijo

(Câmara - 1986-1989) 

sinto-me: O Projecto
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 22:26
| comentar | ver comentários (1)

Boletim Municipal nº 13 - 1988

BOLETIM MUNICIPAL

Nº 13 – Série II –

Março / Abril de 1988

 

O Dr. Licínio Cunha, Secretario de Estado do Turismo, esteve de visita ao concelho, durante cerca de 9 horas, a partir das 15 horas de 23 de Abril, um Sábado.

Este membro do Governo era acompanhado pelo Governador Civil do Distrito de Portalegre, Dr. António Teixeira, e foi recebido, em sessão de boas vindas no edifício dos Paços do Concelho pelo Presidente da Câmara e vereadores.

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 21:12
| comentar

Apresentação

Pelo interesse e adesão conseguidos com a Iª Feira Internacional do Património - realizada em 17,18 e 19 de Outubro de 2008, no Centro de Negócios Transfronteiriço - ficou por demais evidente que é necessário revitalizar o Forte de Santa Luzia com as actividades que completariam o projecto da sua recuperação, levado a cabo por Rondão de Almeida e gizado, antes, num mandato de João Carpinteiro.

 

Em 1988, a 23 de Abril, Elvas foi visitada pelo Dr. Licínio Cunha, secretário de estado do Turismo.

Era então presidente da Câmara o Dr. João Carpinteiro.

 

Entre as potenciais riquezas turísticas da cidade visitou-se o Forte de Santa Luzia, cuja reutilização foi alvo dum cuidado estudo que, aqui “fica escrito”.

 

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 21:01
| comentar
Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

Forte de Santa Luzia

 

http://purl.pt/102/1/especulacao/engenharia/especulacao_eng_thumb_15-il.html

 

(Foto Luis Piçarra)

.

 

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 10:10
| comentar
Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Conclusão...

 

.CASA ONDE NASCEU EURICO GAMA

A CASA onde Eurico Gama nasceu

está em ruina.

A SALA que ele desejou foi

desmantelada

 

Resta sobre o seu túmulo

o voto expresso

no seu ex-libris

MORRA O HOMEM FIQUE A FAMA

..

Talvez nos possa ainda

restar alguma

esperança.

 

 

Maria José Rijo

sinto-me:
música: Conclusão
publicado por Maria José Rijo às 20:58
| comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

A Fé e o Culto

 ..

Talvez a fé e o culto sejam complementares.
Talvez!

 Mas não necessariamente, em públicas manifestações exteriores.

Se a fé for sentida como a crença íntima, a força anímica de uma vida, e o culto for a sua manifestação exterior, quase concluiríamos que sem essa exteriorização não haveria fé o que, convenhamos não tem qualquer fundamento de verdade.
A fé é um sentimento intrínseco da alma, e, dela indissociável, se for autêntico. Então toda a vida da pessoa de fé, em todos os seus actos e atitudes dão disso testemunho até, e muito principalmente nos mais pequenos e insignificantes gestos.
Porque toda a sua vida é um acto de culto, uma oração.

Todo o seu caminho, todo o seu rumo é um esforço individual na procura do que - Crê – conduz ao almejado destino - o regresso ao Criador.

 ...Também não estão visiveis estes dois preciosos vasos antigos, que a Senhora D. Ana Guerra ofereceu (a meu pedido) para a decoração da entrada da biblioteca, como se pode ver pela fotografia.

.......
É erro pensar, julgo eu, que oração é apenas reza feita de palavras que prometem intenções, preces e lamúrias.
A oração é, muito principalmente – atitude. Acção.
Já o culto, em si, pode ser apenas exibicionismo, alarde, sem corresponder a qualquer sentimento autêntico de fé.
Pela fé morreram e morrem os cristãos.
Pela fé se suportam e sofrem injustiças e perseguições.
Mas, pela fé se luta para viver em sã consciência.
Quem acreditar que o pensamento dos homens registado em livros é – também - um bem deste mundo que com convicção, nos cabe defender, a sua obrigação, a sua oração – na circunstância - é o dever de proceder em conformidade com aquilo que a sua consciência lhe impõe e mesmo obscuramente, cumpre.
Não pode, nem deve, estar à espera que se organize uma procissão que o leve em triunfo ou um banquete que aglutine multidões para que o vejam a exercer um dever - que descurou - anos e anos a fio, e, só cumpre à luz de holofotes e palmas em jeito de exibicionismo charlatão de quem a si próprio se cultura e despreza a verdade e o rigor a seu belo talante!
Essa, é em substância, a diferença que separa o alarde da autêntica fé.
Então:
Quem tivesse publicamente assegurado que um determinado trabalho não era prioritário, e tivesse retirado o pessoal que continuava a honrosa tarefa que outros antes tinham iniciado... e tivesse assim dado oportunidade a que alguns exemplares dessa riqueza tivessem desaparecido, pelo uso desprotegido, ignorante e desmazelado desse santuário, não viria quase vinte anos depois fazer, alarde público, mesmo que seja da remodelação duma nobre e bela Biblioteca – e, digo bela - porque é verdade e a verdade respeita-se e reconhece-se – quando os “santos” de culto andaram sabe Deus como e por onde! Tanto que alguns nem voltaram a casa... como oportunamente se registou – até - em jornais ...
Nem viria falar em pormenores de segurança – sem assumir - ter exposto aos azares da sorte em reuniões, descabidas - e incontroláveis – em tal espaço - os bens que agora em “publico acto de culto” assegura proteger , amar...e perigaram abandonados sob a sua responsabilidade.
Também não destruiria “a sala onde se preservavam como seu derradeiro pedido e vontade” as memórias legadas por quem fez do Amor à sua cidade o culto duma vida inteira.
Até em Fátima não se destruiu a “Capelinha” das aparições para construir a Catedral...
Fez-se o que a Fé impõe a quem a sente e respeita: incorporou-se.
A não ser que esteja na forja o
“Museu Eurico Gama” com todos os pertences por ele legados à cidade de Elvas e depositados na antiga Biblioteca por sua viúva a Senhora Dona Maria Amélia Gama - em sala própria, conforme última vontade de seu Marido - há coisas que não se entendem...
Porque numa cidade onde o excesso de “Lembretes” do mesmo autor já chamou - pelo ridículo - a atenção de todo o país só se completará a história com o “museu da lembrança” do que se apagou para escrever outro nome por cima – sempre o mesmo - como se a história começasse em si e depois viesse o apocalipse!...
Como se os elvenses fossem acéfalos, ou imbecis sem eira nem beira, nem discernimento...


     
Honra à memória de Tomaz Pires que - desde 1880 até agora -tinha o seu nobre nome, que se pretendia imortalizado pelos seus contemporâneos, na parede do seu extinto Museu.


      Honra à memória de Eurico Gama, filho ilustre desta terra a que legou - com a sua preciosa biblioteca - o mobiliário modesto do seu gabinete de trabalho, testemunha muda da sua vida dedicada à glória e ao engrandecimento desta nossa cidade – e está agora reduzido a gavetas como se no cemitério do esquecimento o tivessem sepultado de vez!
     
[Oxalá os seus pertences não tivessem engrossado o “lixo” que à porta da Biblioteca tanto atraiu e “regalou”, até turistas espanhóis como a última bandeira da Monarquia que o Museu preservava...]
      Honra a ELVAS – cidade mãe de Heróis e Santos.
      Honra e glória à cidade que ao longo da História resistiu a vis cobiças, vaidades, cercos, saques e batalhas e sempre se reergueu vitoriosa pelo braço corajoso dos seus honrados filhos.

 

        Maria José Rijo

 

 

 

JORNAL LINHAS DE ELVAS

Nº 2.943 – 15 de Novembro de 2007 

 @@@

sinto-me:
música: A Fé e o Culto
publicado por Maria José Rijo às 11:58
| comentar
Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

Excerto de reportagem

sobre Elvas da Jornalista

M. Mafalda Serrano

em 25 de Outubro de 2006

(Jornal o Despertador - nº 196)

@@

Tendo eu programada uma visita educativa à nossa mágica Cidade – muito ansiada pelos meus filhos já em idade escolar-, conduzi-os ao espaço da Biblioteca que tantas vezes visitei e pude, aliás, ver renascer. Recordo-me das suas portas internas que vejo escandalosamente encostadas às paredes exteriores do antigo edifício conventual. Pergunto aos trabalhadores da obra: “Estão a recuperar a Biblioteca? Respondem-me que sim: “Essas portas, pode levá-las, se quiser. São para o lixo, já cá esteve um espanhol que levou umas quantas para uma quinta. Pergunto: “Lixo?!!! Então e a parede com azulejos iguais àqueles ali?”. Perante o meu olhar incrédulo, as crianças desatam à gargalhada: “Oh mãe, os senhores das rotundas vão vender aqui donuts?”. “Sim, lixo”, tornam os trabalhadores. ”Isto está tudo velho, agora vai ter aqui um café e um elevador. Os azulejos estavam para aí, foi a Doutora que os levou, não sabemos para onde.” Confesso-lhe, Sr. Director, que me afastei da Biblioteca Municipal envergonhada pela experiência francamente antipedagógica de desagregação da sua entrada histórica e de cuja integridade arquitectónica tanto me orgulhava. Fujo, para esbarrar com a impotência perante o derrubar da História e com a minha própria incapacidade em fazer algo que impeça, de imediato, a destruição do meu País.

 

Pormenor de portal da Biblioteca atiradas

ao lixo

sinto-me:
música: carta aberta
publicado por Maria José Rijo às 20:57
| comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Lutamos pela recuperação...

 

destes livros

o que foi quase

completamente conseguido

( alguns do séc. XVII e XVIII)

Acabou devolvendo todos

depois de várias vezes negar

tê-los em seu poder.

Maria José

 

sinto-me:
música: Lista de livros
publicado por Maria José Rijo às 23:01
| comentar | ver comentários (1)

Resposta de Maria José Rijo

 

 

RESPOSTA DA VEREADORA MARIA JOSÈ RIJO

ASSUNTO: - Livros de Registo Paroquial

 

Cumpre-me informar:

 

Relendo cuidadosamente o prefácio da obra: CATÀLOGO DOS LIVROS PAROQUIAIS DA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE ELVAS – da autoria do historiador, etnólogo e investigador – Eurico gama, obra que a Academia Portuguesa de História publicou em 1980, encontrei a mais bem elaborada e documentada resposta possível à questão que me foi proposta.

 

Penso que outras Câmaras anteriores a esta determinaram também como única posição de justiça para com a população do concelho de Elvas, ser impensável colaborar no empobrecimento da Biblioteca e Arquivo de que a cidade tanto se orgulha – até porque a própria lei citada refere que os documentos deverão ser incorporados nos Arquivos Distritais - … salvo quanto aos concelhos em que existam arquivos municipais com organizações e instalações, que pela Direcção Geral sejam consideradas satisfatórias -.

Esta é, como o próprio catálogo que refiro mostra e qualquer inspecção poderá reconhecer sem favor, a nossa situação.

 

Creio, embora muito resumidamente, ter respondido com clareza, ao assunto em questão.

 

A Vereadora do Pelouro da Cultura

Maria José Rijo

 

1 - Foi ainda apoiados (ou utilizando) a obra de Eurico Gama que conseguimos – salvar para Elvas – o arquivo dos livros de Registo Paroquial

 

 

 

sinto-me: Resposta a Registo Paroquial
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 00:27
| comentar
Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Registo Paroquial - 2

 

De:

Ministério do Plano e da Administração do Território

22 de Janeiro de 1986

 

ASSUNTO : Livros de Registo Paroquial

 

Da Direcção-Geral dos Registos e do notariado recebemos o ofício junto, em que se expõe a situação de se encontrarem na posse da Câmara Municipal de Elvas livros de registo paroquial, contrariando o disposto no Artigo 3º do Decreto-Lei nº 149783, de 5 de Abril.

 

Assim, em virtude deste preceito legal, venho colocar o assunto à consideração de V.Exa., solicitando igualmente que nos sejam  facultados sobre a posição dessa Câmara, com vista a esclarecer a entidade acima referida.

 

Com os melhores cumprimentos

O Director-Geral

Miguel Ataíde

 

 

sinto-me: Registo Paroquial - 2
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 23:37
| comentar

Registo Paroquial - I

 

De:

Direcção Geral dos Registos e do Notariado

2 de Janeiro de 1986

 

Para:

Direcção-Geral da Administração Local

Praça do Comercio Lisboa

..

ASSUNTO – Livros de Registo Paroquial Existentes na Câmara Municipal de Elvas

 

Esta Direcção-Geral tem conhecimento de que se encontram indevidamente na Câmara Municipal de Elvas livros de registo paroquial, que não foram oportunamente entregues às conservatórias de registo civil, como impunha o código do Registo Civil de 1911 (artºs. 8º e 10º).

 

Como eles têm mais de cem anos, a sua transferência deve agora fazer-se para o arquivo competente, conforme determinação do artº. 48º. Do código do Registo Civil e nº. 1 do artº. 3º. Do Dec.-Lei n. 149/83, de 5/4.

 

Sucede, porém, que, segundo informação do Instituto Português do Património Cultural, a referida Câmara não tem correspondido às tentativas feitas pelo mesmo Instituto no sentido de realizar aquela transferência.

 

Porque esta situação não deve manter-se em virtude de ser ilegal tenho a honra de a levar ao conhecimento de V.Exª., solicitando que por essa Direcção-Geral sejam tomadas as medidas necessárias à respectiva regularização.

 

Com os melhores cumprimentos

O Inspector-Superior

Maria Ema de Amyl Bacelar Alvarenga Guerra

 

sinto-me: Registo Paroquial 1
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 23:15
| comentar
Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

Ofertas para a Biblioteca Municipal de Elvas

 

Oficio de 17 de Agosto de 1989

Assunto: Oferta de documentação de António Sardinha

 

Exmª. Senhora

Formalizada ontem por V. Exª a oferta de tão preciosos documentos, à Biblioteca Municipal cumpre agradecer.

O que faz, juntando fotocópias do respectivo registo.

Com os melhores cumprimentos

 

O bibliotecário-arquivista

Alberto de Oliveira Marinho

 

oficio -  20 -XII - 1989

Foi presente na reunião da Câmara Municipal

em 28 - 12 - 1989

Resolução

A Câmara Tomou conhecimento

.

Assunto: Relação de Ofertas

Exmª Senhora Vereadora

 

Eis a listagem das principais doações à Biblioteca de

entidades particulare, de 1986 a 1989:

 

-- De EURICO GAMA (2ª parte) :- correspondência - 2.604

       - Monografias, publicações e objectos -190

-- De Dr. Pires Antunes:- Monografias, publicações,

       periódicos e materiais diversos -1.406

       discos, acompanhados de um livro -  214

-- De D. Maria José Rijo :-Documentos relativos a

        António Sardinha- 48

-- De Dr. Manuel Paulo Mouta:- Vol. de livros - 47

-- De Dr. Vitória Pires:- idem -- 28

-- De Ernesto Ranita Alves e Almeida :- idem-62

-- De Eng. Engrácio Lopes:- idem -56

-- Do Musicólogo Manuel Joaquim, por sua filha Sra.

D. Lucinda Merino:- idem --102

 

Alberto Marinho

 

ACTA DA CÂMARA MUNICIPAL DE ELVAS

...

 

 INTERVENÇÃO DOS VEREADORES:- A Senhora Vereadora D. Maria José, apresentou à reunião um ofício donde constam os livros oferecidos à biblioteca( documento em anexo número dois). - A Câmara tomou conhecimento.-------------------------------

...

 APROVAÇÃO DA ACTA POR MINUTA:- Deliberado por unanimidade aprovar o teor da presente acta por minuta.----------...

 

Acta da reunião realizada em 28-Dezembro de 1989

sinto-me: Ofertas de Maria Jose Rijo
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 12:36
| comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Registo de Documentos

 

Registo de Documentos Antigos

do Sr. Dr. António Sardinha

Pertença

da Sra. Dona Maria José Rijo

 8 cartas de António Sardinha para D. Ana Júlia Nunes

da Silva quando Namoro

7 cartas de António Sardinha a seu sogro

13 cartas diversas e outros documentos como

procurações, escrituras, autos de posses,

Dote de casamento da Sra D. Ana Julia Nunes da Silva

Certidão de casamento do Sr. António Sarinha e D. Ana

  Diversos documentos como:

Títulos , registos de conservatória, escrituras de

compra, escrituras,diversas cartas.

...

Num total de 48 documentos

sinto-me:
música: Documentos de António Sardinha
publicado por Maria José Rijo às 23:42
| comentar | ver comentários (2)
Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Fizeram o Plano de recuperação...

Fizeram o Plano de recuperação do

Museu António Tomáz Pires

(presentemente desactivado)

o Sr. Dr. Jorge Zacarias Parreira

e a

Drª., Ana Rosa Carvalho Dias

PROPOSTA DE REORGANIZAÇÂO DO ESPAÇO

MUSEOLÓGICO DO NÚCLEO CENTRAL

DO MUSEU DE ELVAS

 

MUSEU DE ELVAS - Concebido como Museu Polinucleado

LOCAL DO NÚCLEO CENTRAL - Colégio dos Jesuitas

 

1-- Objectivos

-- MUSEU DE ELVAS - Núcleo central da actividade histórico-

    cultural do concelho

- Introdução à História da Região, desde as origens até ao séc.

     XIX

      A EXPOSIÇÃO conta de:

    -- Introdução Histórica (em percurso)

    -- Colecções de objectos organizados por épocas, em bolsas

        que acompanham o percurso histórico

    -- Exposições temáticas temporárias

 

2-- ESPAÇO

   .. ACOLHIMENTO -- 1º piso - na actual sala de venda de

                                     bilhetes.

   .. Introdução ao Museu -- Ao longo da escadaria

   .. Audiovisuais e espaço de animação - No alto da escadaria

   .. Percurso histórico: Corredores - Alas Norte,Leste e Sul

   .. Exposições por épocas - 5 salas laterais funcionando como

      bolsas de apoio ao percurso histórico - Arqueologia Pré-

      histórica e Clássica, Arqueologia Medieval e Moderna,

      História Moderna, Barroco e sala forte

    ..Exposições temporárias - Ala Oeste

 

    .. Gabinete do conservador - Sala ao fundo do corredor

         norte

    .. Gabinete de trabalho - 2 salas na ala Leste, uma delas

              com divisórias amoviveis.

    .. Reservas de colecções - 2 salas - pintura e material

          arqueológico

    .. Armazém de materiais de apoio à montagem de exposições

       - 1 sala

 

Nota: As reservas poderão ser visitadas por investigadores e utentes interessados, estando as colecções preparadas e disponíveis para consulta.

As características de cada espaço serão defenidas após haver acordo no sentido da concretização da presente proposta.

 

Évora, Novembro de 1988

 

Rui Jorge Zacarias Parreira

Ana Rosa carvalho Dias

 

 

sinto-me:
música: Projecto para o Museu Municipal
publicado por Maria José Rijo às 09:03
| comentar | ver comentários (3)

Luta contra a Humidade

 

Na Luta contra a Humidade

.

Eng. Luis Caldeira Fernandes

e o

Eng. Luis Elias Casa Casanovas

sinto-me:
música: Na luta contra a Humidade
publicado por Maria José Rijo às 00:44
| comentar

Para o Inventário

Para o Inventário e

tratamento de espécies existentes no

Museu Municipal de Elvas

-- João Palma-Ferreira --

 

Para conhecimento de V. Exª e efeitos convenientes,

junto se envia fotocópia do relatório da Divisão de

Esculturas do Instituto de José de Figueiredo, com a

data de 5.5.86, respeitante à escultura, talha e

mobiliário existentes naquele Museu, informando-se

de que o referido Instituto foi autorizado a efectuar os

trabalhos de tratamento de conservação e restauro,

nos termos propostos.

Com os melhores cumprimentos

O Presidente

João Palma-Ferreira

sinto-me: Museu Municipal de Elvas
música: Tratamento de espécies
publicado por Maria José Rijo às 00:28
| comentar

Orientação...

Orientaram-nos na recuperação

da Biblioteca

a Sra. Drª Celina Parente

Senhora Dona Maria José

Junto deixo uma "proposta" de esquema -

suporte para desenvolvimento de todas as

acções realizadas  correspondentes às

iniciativas" que eu conheço".

O Património existente na Biblioteca que

é também meu agradece à Exma. Vereadora

da Cultura que tem demonstrado bem todo o

seu interesse e actuando com todo o zelo e

competência que a sua sensibilidade lhe confere.

sinto-me: recuperação da Biblioteca
música: Drª Celina Parente
publicado por Maria José Rijo às 00:07
| comentar
Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

Quadros de Luis Morales

 Fez a identificação dos quadros

de Morales

e Pintura maneirista

o Senhor Professor Vitor Serrão

À Senhora Vereadora da Cultura da C.M.Elvas

com toda a consideração, do

Vitor Serrão

14/ IV / 1988

Est. 2 - LUIS DE MORALES

Sant'Ana e S. Joaquim.

1576-77

Museu Municipal de Elvas

Est. 3 - LUIS DE MORALES

Anunciação

1576-77

Museu Municipal de Elvas

Est. 4- LUIS DE MORALES 

Anunciação(pormenor)

1576-77

Museu Municipal de Elvas

Est. 5 - LUIS DE MORALES 

 Visitação

1576-77 

Igreja do Salvador de Elvas

 Est. 6 - LUIS DE MORALES 

 Adoração dos Magos

1576-77 

Igreja do Salvador de Elvas

 Est. 7 - LUIS DE MORALES 

 Apresentação no templo

1576-77 

Igreja do Salvador de Elvas

sinto-me: Pintura
música: Quadros de Luis de Morales
publicado por Maria José Rijo às 23:01
| comentar

Original de "Senhor da Cana Verde"

 

 

Saiu do Museu no dia 14 de Abril de 1988

um quadrobdo Pintor Morales para ser

guardado no cofre da Câmara Municipal

e tem o nº de inventário 3442, por ordem

da Vereadora da Cultura a Sra. D. Maria José Rijo.

Maria José Rijo

 

Entrou no gabinete da Câmara

João Carpinteiro

 

Original de " O Senhor da Cana Verde"

cuja cópia ficou exposta no Museu.

Maria José

 

 

 

 

sinto-me:
publicado por Maria José Rijo às 22:11
| comentar
Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

Uma sala que tem História

ELVAS preserva o “Bichinho da Bibliofilia”

Biblioteca Municipal expõe obras que são preciosidades

 

Correio da manhã

26- Dezembro de 1989

Texto de Inácio de Passos

Uma sala que tem História

 

Uma das salas da Biblioteca Municipal de Elvas é bastante curiosa, por reproduzir uma biblioteca caseira em todos os seus pormenores.

Nota-se nela a ausência de alguém, a não presença humana que fazia parte activa do ambiente recriado ali.

E trata-se na verdade da reposição do lugar caseiro de leitura de um dos elvenses ilustres, de nome EURICO GAMA, um investigador que deixou o seu nome ligado à cidade.

Maria José Rijo descreveu-nos a pequena e interessante história daquela sala, diferente de todas as outras:

Trata-se da biblioteca de Eurico Gama, um erudito elvense falecido em 5 de Junho de 1977. Fomos a sua casa buscar as estantes dele e aqui as montamos da mesma forma que lá se encontravam. A sua viúva ofereceu-nos a mesa onde ele trabalhava no Inverno, e a mesa onde fazia os seus trabalhos de investigação no Verão, e reconstituiu-se aqui o meio ambiente em que ele vivia, ou pelo menos onde passava grande parte do seu tempo.

O Eurico Gama era um homem baixo – prosseguiu – com uma deficiência física, motivo porque as estantes tinham pouca altura, para que a elas lhe fosse possível chegar sem grande esforço. Eurico Gama não foi em vida um homem rico, mas tinha uma alma nobre, muito nobre. Ele amealhou estes livros todos, eram o seu tesouro e deixou-o à sua cidade.

O seu gesto merecia ser respondido por nós com toda a ternura, e por isso reconstituímos aqui o seu ambiente de estudo, para darmos, mais ainda, a medida humana ao seu nobre gesto de oferecer à cidade aquilo de que mais gostava: os seus livros.

Sobre a secretária a que diariamente Eurico Gama se sentava a ler, encontra-se o livro aberto, e os óculos repousam sobre o livro, dando ao visitante a impressão de que está para chegar, de um momento para o outro, alguém disposto a reencetar a leitura interrompida.

Maria José Rijo justifica esse singelo detalhe daquele diferente espaço da Biblioteca, com estas palavras:

Eurico Gama morreu repentinamente e deixou o livro que estava a ler na secretária para continuar a leitura no outro dia. Só que esse outro dia não lhe chegou jamais, por a morte colher quando ele não a esperava. Nós colocámos o livro e todos os objectos nos mesmos locais em que ele os deixou pela última vez que esteve na sua biblioteca, para melhor se entender o seu ambiente de trabalho.

Traçando um curto retrato dos últimos momentos do investigador elvense, disse ainda:

Ele era um homem que não esperava a morte quando ela lhe chegou. Tudo indica que esperava viver mais, por não considerar completa a sua obra. Já de cama, doente, quando um amigo o foi visitar disse-lhe:”tenho ainda tanto que fazer…” E tinha na verdade ainda muito que fazer, embora a sua obra seja bastante importante. A sua grande preocupação foi sempre a sua cidade, Elvas.

Ainda sobre Eurico Gama aquela sala da Biblioteca Municipal, Maria José Rijo tinha mais a acrescentar, traçando-nos um quadro que bastante a sensibilizou, como nos disse:

Quando fizemos a inauguração desta casa Eurico Gama foi o investigador. Ora acontece que as crianças da escola tiveram por programa escolar fazer uma investigação sobre Eurico Gama, e vieram então aqui ler os seus trabalhos. Foi um quadro muito enternecedor, muito bonito, ver os meninos a ler os seus trabalhos sobre o Eurico Gama, quando ele fora, afinal, o grande investigador da cidade de Elvas. São imagens que a vida nos reserva e que jamais se esquecem.

 

Correio da manhã

26- Dezembro de 1989

Texto de Inácio de Passos

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 23:39
| comentar | ver comentários (2)
Domingo, 27 de Julho de 2008

História rocambolesca de um códice precioso

 

"Ao Senhor João Joaquim D'Andrade

Guarde Deus muitos anos.

Cónego prebendado na Sé d'Elvas,

Cavaleiro professo da ordem de

Cristo, secretário do Ex.mo Sr. Bispo

Inquisidor geral, etc, Rio de Janeiro."

Irmão do que foi vigário capitular da

Diocese de Elvas

(Cónego António Joaquim Epifanio de Andrade),

nasceu em 1790, e faleceu em 1859.

O "Cancioneiro de Elvas" era  propriedade sua.

Através dos seus herdeiros é que veio

parar à nossa Biblioteca Municipal.

CANCIONEIRO DE ELVAS

Foi o Musicólogo MANUEL JOAQUIM quem,

PRIMEIRO, intuiu o seu valor  e estudou o

códice, que, em 1928, descobriu na

Biblioteca de Elvas.

Conservava ainda vestígios de encadernação

do séc. XVIII e, na lombada, a inscrição:

"ROMANCES DE J.J.D'A"

Só em 1940, cerca de doze anos depois, é que

pode dedicar-se ao estudo aprofundado da obra

tão preciosa. Subsidiado pelo Instituto para a

alta cultura, fez sair a lume

"O CANCIONEIRO MUSICAL E POÉTICO
DA BIBLIOTECA PÚBLIA HORTÊNSIA

com prólogo, transcrição e notas de

Manuel Joaquim

@@@@@@

@@@

@

 

O códice “Públia Hortênsia”, repositório manuscrito de música e canções do séc. XVI, cujo autor é desconhecido mas constitui uma das raridades bibliográficas da Biblioteca Municipal de Elvas

###

££££££££

ENTRE o invulgar espólio da Biblioteca Municipal de Elvas destaca-se um códice preciosíssimo, do séc. XVI, contemporâneo de Garcia de Resende pelo qual os intelectuais daquela cidade nutrem um grande afecto.

Trata-se de um repositório manuscrito de música e canções populares, em castelhano e português, cujo autor é desconhecido, mas isso não impediu de o baptizarem com o nome de “Públia Hortênsia”.

Tivemos o interessante códice nas nossas mãos e sobre ele nos falou o Dr. Alberto de Oliveira Marinho, o actual bibliotecário e arquivista daquela casa de cultura.

Segundo este investigador, o códice chegou ao poder da biblioteca incluído nos 12.602 exemplares da doação que António José Torres de Carvalho fez à Câmara local, dos quais cerca de 6 mil tinham sido pertença do Dr. Francisco de Paula Santa Clara, seu tio, que crismara esta colecção com o nome de Biblioteca Públia Hortênsia.

Públia Hortênsia foi o nome de uma portuguesa do séc. XVI, cuja fama de teóloga e filósofa saltou as nossas fronteiras e, assim, acabou por ser baptizado o códice seiscentista.

Já fazendo parte do episódio da Biblioteca Municipal de Elvas, o códice era um ilustre desconhecido e foi o primeiro-tenente Manuel Joaquim, ainda na primeira metade do presente século, quem suspeitou do seu valor, por se tratar de um musicólogo insigne.

O primeiro-tenente Manuel Joaquim teve de se ausentar de Elvas e, por certo, para que o livro manuscrito não corresse o risco de “perder-se” no enorme espólio, guardou-o numa gaveta da biblioteca.

Passados anos, quando regressou à cidade, foi encontrá-lo no mesmo sítio onde o guardara e iniciou um estudo mais aturado, estudo esse  que culminou com a publicação de uma edição em parte fac-similada e em parte transcrita, com a música original passada para música actual.

Mas antes de ter pertencido à colecção bibliográfica do Dr. Francisco de Paula Santa Clara, por onde estaria este maravilhoso códice?

Segundo pistas com grande possibilidade de serem as mais correctas, o códice “Públia Hortênsia” chegou a estar no Brasil, aquando das invasões napoleónicas, com a corte de D. João VI.

Com a corte regressou, também, para Portugal na posse  de um cónego de nome Joaquim Andrade, o qual veio a ser cónego da Sé Catedral de Elvas.

Através de herdeiros foi parar às mãos do Dr. Francisco de Paula Santa Clara, destas para as do sobrinho, António Torres de Carvalho, o doador.

Mas tanto o Dr. Marinho como a vereadora da Cultura, Maria José Rijo, foram unânimes em salientar que a descoberta se deve ao primeiro-tenente Manuel José que, se não fosse ele a aperceber-se do valor do manuscrito que lhe fora parar às mãos, este eventualmente ter-se-ia perdido.

 

Jornal Correio da Manhã

Texto de Victor Mendanha

Fotos de Madeira Marques

3 de Janeiro de 1988

 

 

 

sinto-me: Manuel Joaquim
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 18:52
| comentar

Mulher de armas salva a Biblioteca de Elvas

Se não fosse a acção decisiva de uma verdadeira mulher de armas, actualmente vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal

 

de Elvas, a Biblioteca local continuaria entregue aos bichos.

Durante vários anos todo o espólio daquela casa de cultura, composta

por 80 mil volumes, 20 mil manuscritos valiosos, além de 2 mil obras

musicais dos séculos XVIII e XIX, correram o risco de se

 transformarem em serradura.

Felizmente que fim tão trágico como prosaico não tiveram obras únicas como o cancioneiro “Públia Hortênsia” manuscrito

do século XVI, ou a

“Nobreza de Portugal”, trabalho raro de Duarte Lobo

remontando ao

Século XVIII, mas o mesmo não se pode dizer de dezenas e

Dezenas de volumes e manuscritos, como a “Histoire Generále 

dês Voyages”, com os quais a praga de formiga branca se banqueteou alarvemente.

Tratou-se de um crime contra a cultura, principalmente

devido ao factoda Biblioteca Municipal de Elvas,

em face do valor do seu espólio,

Continuar sendo a terceira do País, o que toma a intervenção de

Maria José Rijo, assim se chama a decidida vereadora, ainda digna

dos maiores louvores

Teve de ser Maria José Rijo, com o total apoio do actual presidente da Edelidade, a meter mãos à obra e salvar um património cuja importância talvez os anteriores responsáveis autárquicos, por certo mais sensibilizados pela política do que pela cultura, nem sequer descortinavam.

 

Fomos a Elvas investigar como um desastre nacional esteve à beira de suceder e, a nosso pedido, a vereadora Maria José Rijo não só nos mostrou as provas evidentes de tal desastre como nos contou peripécias rocambolescas que, felizmente, terminaram com o salvamento da Biblioteca Municipal de Elvas a 10 de Junho de 1880, em festiva cerimónia, com as ruas engalanadas e tapetes de flores, mas cujo funeral esteve até marcado para pouco depois do seu centenário…

 

A Biblioteca estava num estado lastimoso

O actual presidente, antes da campanha, pediu a Maria José Rijo para, caso viesse a ser eleito, aceitar o pelouro da Cultura por existirem graves problemas nesse campo que o preocupavam muito, assim como a uma série de pessoas responsáveis da cidade de Elvas.

-- Aconteceu que ele foi eleito, eu vim com ele e coube-me o pelouro da Cultura. Cheguei aqui, à Biblioteca e deparei com uma situação ainda muito pior do que nós podíamos, porventura, ter suposto – garantiu a nossa entrevistada.

 

Segundo Maria José Rijo, a Biblioteca Municipal de Elvas estava sem desinfestação havia já dez anos e, por mais incrível que pareça, o chão de madeira em lugar de ser encerado era lavadas duas ou três vezes por semana. Contra as mais elementares regras, mantendo um clima de humidade propício à propagação de fungos e outras pragas que atacavam os livros.

 

Recheadas de preciosidades provenientes de antigas bibliotecas conventuais, entre as quais se contam as dos mosteiros de Portalegre, o seu interior era um verdadeiro património,

conforme a vereadora lembra:

-- Podemos garantir que os livros encontravam-se aos montes, pelo chão. Talvez mais de 8 mil exemplares nem sequer possuíam registo, não se podendo chamar biblioteca a um desarrumado armazém.

O problema era grave e a solução exigia verba vultuosa, tornando-a quase inviável pois a Câmara herdara imensas dividas e problemas ainda por resolver, problemas prementes e prioritários, como a falta de habitação e saneamento básico no concelho.

Por isso Maria José Rijo recorda:

-- não era fácil a uma câmara, altamente endividada, colocar a defesa deste património em primeiro lugar, pois ficaria em confronto com a realidade dos problemas das populações, as quais têm dificuldades prementes, mas também era urgente salvar a biblioteca, já que todos nós tínhamos consciência dos valores culturais que aqui estavam em perigo.

 

Tentaram salvar o que foi possível

A nossa interlocutora  manifestou-se convencida de que a Biblioteca Municipal de Elvas, mesmo apesar dos últimos anos de atribuição, possui mais interesse do que a Biblioteca do Porto ou a de Coimbra, garante pelas riquezas insuspeitas, vindas à luz do dia com o trabalho de organização que nela se leva a efeito, apresentando um largo campo para a actividade dos investigadores.

Na verdade, para além de manuscritos valiosíssimos em número desusado, foi recebendo ofertas de particulares cada vez mais consideráveis e em 1892 o seu inventário já registava 6.942 volumes.

Entre as doações mais importantes destacamos:

-- A do folclorista elvense António Tomás Pires, com 970 volumes.

-- A do Dr. João Henriques Tierno, com 3.013 volumes

E a mais valiosa, composta por 12.602 volumes, feita pelo erudito bibliófilo António Torres de Carvalho, esta em 1934.

Não é, pois, sem razão que a vereadora da cultura realçou:

-- Por uma questão de dignidade e amor próprio, pois os elvenses merecem muito mais do que o estado da sua biblioteca e demonstrava, o senhor presidente e eu fomos de opinião que a Câmara se devia empenhar em fazer tudo quanto fosse possível para mostrar o seu respeito por este património, até porque se trata de um património não só de Elvas mas nacional, não sendo erro considerá-lo património universal.

Assim, tentaram iniciar, com grande esforço, uma obra em várias fases durante a qual, primeiro, salvaram o que se podia salvar e, em segundo lugar, passaram à fase da arrumação.

O que nos foi dado ver, em resultado da primeira fase, a de salvamento, é simultaneamente revoltante e consolador. Revoltante porque são muitas dezenas de livros raros e centenas de manuscritos semidevorados pela formiga branca mas consolador porque foram restaurados dentro das possibilidades e são, agora, um símbolo do que não deve acontecer outra vez.

..

 

O soalho cedeu e descobriu-se a praga

 

Procedeu-se, então, a desinfestações periódicas para controlar a praga,

mas Maria José Rijo  confessa ter tido, sempre, a consciência de faltar um trabalho de fundo, só que não era fácil fazê-lo dentro da desorganização

em que a biblioteca ainda se encontrava.

--Como mão-de-obra, fomos ajudados por raparigas estudantes, da Ocupação dos Tempos Livres. Dezasseis jovens permanentemente, e com

elas prosseguimos um trabalho de rigor.

 

Certo dia, a vereadora detectou algumas tábuas do

soalho que cediam e,

Mandando investigar, descobriu o grande foco de

formiga branca. Se não

Atacassem o mal por esta raiz todo o trabalho de

arrumação, catalogação

e pequenas desinfestações iria passar à categoria de inutilidade.

Só que uma desinfestação ao nível agora requerido custava algumas

centenas de contos, importância volumosa para uma Edilidade em situação

financeira difícil.

-- Telefonámos, então, para Lisboa, para

o Instituto Português do

Património Cultural, mas já o fizemos numa

posição diferente porque

Tínhamos demonstrado o nosso interesse e o nosso

respeito por um

Património que recebêramos absolutamente devastado –

prosseguiu a nossa entrevistada no seu relato.

Deslocaram-se a Elvas técnicos que se aperceberam

da gravidade do

Problema e da dignidade da atitude, tornando-se

sensíveis à situação,

Podendo dizer-se que se inventaram os 500 contos necessários

à Desinfestação salvadora.

 

Panos quentes ou solução drástica

 

No entanto, o relatório dos especialistas acabou por ser dramático,

após análise da situação no próprio local.

Ao emitir parecer foram peremptórios: ou se fazia uma pequena

Desinfestação e, durante 5 ou 6 anos, não teriam problemas salvando-se

a chamada honra do convento, ou havia que ir arranjar

coragem para

retirar cerca de 100 mil volumes do lugar, arrancar tudo

e salvar não o

“convento” mas a própria biblioteca por algumas dezenas de anos

No dia em que recebeu semelhante parecer, Maria José Rijo

foi para casa

e não conseguiu dormir mas, como a noite é boa conselheira, no dia

seguinte, conforme contou:

-- Avistei-me com o presidente, apresentei-lhe a situação muito

claramente e a sua resposta foi: “Vá para a frente”.

Assim sendo, cheguei aqui e assumi essa obra, com todo o apoio

da Câmara. Tirámos dezenas de milhares de livros,

tirámos as estantes

das paredes, arrancámos o soalho, desinfestou-se

tudo e substituímos o

soalho, que era de madeira, por tijoleira.

No final, os livros voltaram aos seus sítios quase sem erro.

A biblioteca encontrava-se, pelo menos, controlada e

a partir de agora

a atitude pode e deve ser outra: torná-la actuante,

fazê-la entrar na

vida da cidade.

 

E nos olhos calmos mas determinados da actual

vereadora da Cultura

perpassa um certo brilho de paz pelo dever cumprido,

por se ter evitado

que a terceira biblioteca do País fosse por água abaixo,

digerida por bichos incultos mas devoradores.

 

Fazer a biblioteca entrar na cidade 

Fazer entrar a Biblioteca Municipal de Elvas na vida da cidade,

de uma cidade que, embora da província, conserva grandes

tradições culturais, é o próximo objectivo.

Para isso Maria José Rijo, coadjuvada pelo Dr. Alberto de Oliveira Marinho, actual bibliotecário e arquivista, já tem um plano que começou a levar a cabo o ano passado, consistindo no atrair à biblioteca a população

local, a pretexto de palestras sobre os clássicos universais, já que se realizaram em Elvas as celebrações do Dia Mundial da Música.

--No ano passado de 1988 vamos continuar com a segunda fase desse programa, nas desta feita só com músicos portugueses. Também pensamos iniciar um outro programa com o tema “um livro de cada vez”, nos mesmos moldes

Adianta, realçando que existe na cidade uma equipa de professores interessada em tratar da iniciativa.

As crianças e a sua necessidade de cultura são temas que não

foram descurados por Maria José Rijo, tendo-se criado, para elas, um espaço onde

terão lápis e papéis à sua disposição e onde, após ouvirem um conto infantil, poderão desenhar sobre o tema da história que escutaram.

Não vão faltar, também nesse espaço as crianças, espectáculos de marionetas e uma escola de pintura, para alegria de quem a frequentar e

desespero da formiga branca, totalmente derrotada.

Ao fim e ao cabo, fazer com que a Biblioteca Municipal de Elvas funcione não como uma casa onde se vai a medo, nos bicos dos pés, mas entrando na vida do dia da cidade como o prolongamento da casa de cada um.

-- Como ninguém pode ter em sua casa, esta riqueza de livros, todas as pessoas podem vir aqui usufruir deste tesouro. Ler os jornais, consultar o “Diário da República”, estudar, investigar, conversar sobre livros e provocar até o convívio tendo como

base a leitura.

Convida a vereadora.

 

Sem tomar obrigatório o cartão de leitor, a politica de cultura da renascida biblioteca é a de facilitar o contacto com o livro e mesmo as raridades bibliográficas podem ser consultadas.

Quanto aos investigadores, têm eles ali um paraíso ainda por descobrir e para isso os alertamos, principalmente para a grande quantidade de manuscritos existentes, os quais poderão ser analisados desde que na presença de um funcionário, como é normal em qualquer biblioteca do Mundo.

É caso para dizer que a formiga branca perdeu mais um combate.

 

Texto de à Victor Mendanha

Fotos deà Madeira Marques

3 de Janeiro de 1988

Jornal Correio da Manhã

 

sinto-me: 3 de Janeiro de 1988
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 12:18
| comentar | ver comentários (2)

.Quem sou

.pesquisar

 

.Maio 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.Agora diz-se

. Um testemunho

. As lembranças do Forte da...

. Como nasceram a Escola de...

. Como nasceram a Escola de...

. Como nasceram a Escola de...

. Como nasceram a Escola de...

. Como nasceram a Escola de...

. A Sé de Elvas

. ADENDA

. Adenda...

. No Linhas de Elvas

. Noticia - no Diário do Su...

. Nota final

. A Aquisição do Orgão...

. A Catedral de Elvas...

.Ficou Escrito...

. Maio 2016

. Março 2016

. Novembro 2015

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Julho 2010

. Junho 2010

. Abril 2009

. Março 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

.tags

. todas as tags

.favoritos

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.Por onde me levo

@@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@ @@@@@@ Campanhas @@@@@@@@@@
@@@@@@@@@@
@@@@@@@@@@ free counters
Free counters @@@@@@@@@@

.Contador - Julho-2007

.Ficou Escrito:

Câmara de 1986 - 1989 @@@@@@@@@@@@@@
@@@@@@@@@@@@@@ O FORTE DA GRAÇA @@
@@@@@@@@@@@@@@@ A QUINTA DO BISPO
@@ANTÓNIO SARDINHA
@@@@@@@@@@@@@@@ Recuperação da Biblioteca Municipal -- Mandato de 1986-1989 @@@
@@Eurico Gama
@@@@@@@@@@@@@ Ex-libris- Eurico Gama
@@@@@@@@@@@@@ Forte da Santa Luzia
@@@@@@@@@@@@@ O Orgão da Sé
@@@@@@@@@@@@@ Escola Musica - Coral
@@@@@@@@@@@@@ Programa Cultura/Turismo Maria José Rijo- 1986-1989 @@@@

.Algumas fotos:

@@@@@@
@@@@@@
@@@@@@
@@
@@@@@@@@@@ Dr. Mário Soares
@@@@@@@@@@ Dr.Pires Antunes
@@@@@@@@@@ Drª Rosa Cidrais
@@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@

.Excertos de artigos

Considero que é urgente e necessário provar aos nossos jovens que o dinheiro não compra consciências e é de nossa obrigação dar-lhes alternativas à droga e ao vício, mostrando-lhes que se pode lutar por ideais - dessinteressadamente - e que, só assim procedendo teremos moral para apontar caminhos e fazer exigências - do que dermos exemplo... - Maria José Rijo @@@@@@@@@@ Os elvenses de agora são dessa mesma grata e honrada gente - que a qualidade de assim o ser é deles a melhor herança. ... - Maria José Rijo @@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@
blogs SAPO