Sexta-feira, 14 de Março de 2008

O FORTE DA GRAÇA “No Nascimento á Ruína VI ”

Vamos sensivelmente a meio destas “conversas soltas” sobre o Forte.

Pouco já nos vai restando para citar dos artigos extraídos de “O Elvense” n.º 37 e 38 de 1881.

Terminada a sua publicação conto acrescentar-lhe uma pequena antologia sobre o Forte.

Sobre ele escreveram historiadores, militares, jornalistas, poetas, prosadores.

Sobre ele escreveu e pensou o povo anónimo.

A soma de tudo isso pode torná-lo mais conhecido, mais amado e mais vivo na consciência de cada um de nós - que – o mesmo é dizer, na consciência da cidade que é a nossa e que servimos.

MEMORIA HISTÓRICA sobre o FORTE DE LIPPE II (Conclusão).

 

O que nos deu mais nos olhos, quando visitámos esta famosa cidadela em Junho de 1856 (13), foi o seu reducto acastellado, que M. Valleré colocou no centro do Forte, e construindo n`elle armazéns para munições de boca e de guerra; a cisterna, que fornece água com abundância, por seis mezes, a uma guarnição de seis mil homens; a igreja, cujas tribunas também são feitas para n’ellas se pôr artilheria, que defenda as quatro portas, que para ella dão entrada; e sobre estes edifícios a casa do governador, singular pela sua bem entendida architectura, e pelo gosto e riqueza dos estuques, que adornam o seu interior.

 

Não tendo conseguido imagem ou descrição da capela depois de adaptada ao projecto do Conde de Lippe – pensei que era interessante dar dela o relato que consta do “Santuário Mariano” vol. 6ª - Publicações de 1716:

 

         «Chronica de São Domingos de Portugal liv.4 cap.8 dà a entender em que esta nobre Matrona reedificaria a casa da Senhora, depois da primeyra fabrica, com generosa piedade, & com ella a augmentou, não em vida de seu marido, mas depois da sua morte.

Ao presente se vê esta mesma casa (sem deixar de se ver nella ser obra antiga) bem tratada. He de huma nave; tem tres Altares, o da Capella mor, & dous callateraes. No mayor se vè collacada a Imagem da nossa Senhora da Graça, recolhida dentro de hum nicho, formado no meimo retabolo, que está muyto bem dourado. Nos Altares colateraes se vem duas Imagens também de vulto: a que esta da parte do Evangelho, he do glorioso taumaturgo Portuguez, Santa António; & da parte Epistola se vè a gloriosa Maria Magdalena.

He esta Santíssima Imagem da Sanhora da Graça, de roca, & de vestidos; tem as mãos juntas, & levantadas, como se costumão pintar, & fabricar as Imagens de Nossa Senhora da Conceição: devendo estar com as mãos no peito, mostrando a admiração em que ella ficou à vista daquella Divina embaixada, em que se via constituída Mãy do filho de Deos. A sua estatura he grande, por que faz seis palmos, & meyo em alto. Está collocada sobre huma- peanha dourada,

& tem huma rica coroa na cabeça. Aos lados da Senhora se vem dous quadros, metidos em o mesmo retabolo, que he de obra antiga: o que fica à parte do Evangelho, he da Senhora da Conceição; & o da parte da Epistola, çe tem o Mysterio da Encarnação. Em o segundo corpo superior do mesmo retabolo , tem no meyo outro quadro , em que se vé pintado o Nascimento de Mar-ria Santissima.Ve-se hoje toda aquella Ermida , & Santuario da Senhora da Graça , azulejada de ajulezo moderno:he toda fechada de abodada , & a Capella  mor fechada de meya laranja.Tem esta Igreja muyto bons ornamentos , & tudo se ve com aceyo , & perfeyção.

He esta Soberana Senhora hoje servida de uma fervorosa Irmandade, aonde os seus devotos Irmãos. & Confrades se esmerão no seu culto, & serviço; porque acodem a tudo com muyto zelo , &liberdade .E he buscada dos moradores daquella Cidade, que todos tem para com ella  muyta  fe , & devoção & recorrendo á Senhora em seus apertos , & necessidades , experimentão logo os effeytos da sua piedade , & clemencia.Da Senhora da Graça de Elvas, faz menção o referido Padre Fr. Luis de Souza na sua Chronica liv.4.c 8- e humas relaçoens genealogicas de varios Authores, da Família dos Gamas.”.

 

Desde o século XVIII que Elvas acorda e adormece com o perfil do “Forte da Graça” no seu horizonte.

 

Mais propriamente: (cito Domingos Lavadinho)

 “ a 38graus , 53,6 de latitude N. e a 1 grau, 58’,1 de longitude E. do meridiano de Lisboa. ”

 

Recuperá-lo e conservá-lo ajudará, a que, por aqui, não se perca o Norte...

                        Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.270 – 21 – Out. – 1994

Conversas Soltas

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Terça-feira, 11 de Março de 2008

O FORTE DA GRAÇA” -“Do Nascimento à Ruína III

Quando na sexta-feira 23 despi o “impermeável” ao “Linhas de Elvas” e encarei os títulos de capa – ao ver, na síntese, uma chamada ao artigo de José Sanches Fava, sobre o Forte – confesso que me nasceu um sorriso de conforto.

             Folheei o jornal, de imediato, procurando-o e dizendo para comigo: – até que enfim, Elvas!

             Na verdade, tenho feito da insistência a minha arma para não deixar morrer este assunto e “provocar” aqueles que, sabem e podem entrar na defesa do Património da Cidade, para que o façam.

          Não basta a palmadinha nas costas, o telefonema de aplauso.

          Não! Não basta!

          Necessário; é isto:

           A coragem de assumir o que se pensa e fazer da palavra a bandeira que se hasteia na luta por princípios, convicções e fé no que nos cabe respeitar e defender.

         As Pedras adustas dos Fortes e Muralhas da nossa terra – só têm uma voz! – a voz das suas gentes.

        Que ela não emudeça, em nome dum comodismo fácil, é um imperativo da história.

        Mas... voltemos ao Forte, na época em que crescia em beleza e imponência, implantado lá no alto, como ninho de águias, para dele se perscrutar o horizonte até ao limite do olhar e se preverem ameaças acautelando estratégias, antecipando defesas ou ataques...

   Nessa altura, em Santa Luzia acontecia assim:

 

   (...) No dia seguinte fomos para a esplanada, á hora marcada. O primeiro regimento da guarnição encontrava-se na praça e esperava o governador; os uniformes eram novos e ficavam bem: azuis, forrados de encarnado, com gola branca e adornos cor de laranja, casaco branco e calções amarelos. O modelo, segundo parece, foi feito ao gosto do Conde de Lippe. Pouco depois apareceu o governador, precedido por todos os oficiais em serviço na cidade, a cavalo; ele próprio montado num belo e fogoso corcel, com um selim trabalhado que se erguia seis polegadas para a frente acima do assento e outro tanto para trás, o xairel bordado e

guarnecido com longas franjas de ouro; seguiam-no dois criados também montados, que conduziam dois cavalos á mão com o xairel igualmente bordado e com brasão, o qual figurava também na manga esquerda de cada um dos criados; levavam eles uma grande capa com as cores da libré, blasonada, na frente do selim. Quando o governador se aproximou da linha, apresentaram-lhe armas, rufaram os tambores e as bandeiras desfraldaram-se ao vento; seguiu-se o exercício e as manobras foram executadas com bastante ordem.

   O governador regressou em seguida a casa com a mesma pompa com que viera, e nós fomos observar os arredores e as cercanias do Forte de Santa Luzia e de Lippe. É espantoso, dissemos nós a Valleré, que não tenhais, num país como este, melhor exército do mundo; estais no melhor dos climas e não tendes a combater os elementos a que estamos expostos nos países do Norte; os vossos homens, pelo que me dizeis, são bem vestidos e bem pagos; o que impede, pois, que corra tudo como deve de ser? – Ah! Senhores, respondeu aquele militar, ouvistes já alguma vez falar de um exército sem oficiais, e poderia até existir um só regimento, uma só companhia sem os ter? Mas deixemos esse assunto por agora. Tenho hoje para jantar o governador e os principais oficiais da guarnição, e devo preparar-me para os receber. Antes da vossa partida, espero, todavia, dar resposta a todas as questões por vós levantadas até aqui; mas primeiro há que atender ao mais urgente! Após isto, voltamos para a guarnição (...)

 

       Para que suplantando o mito, nos fique com nitidez o recorte do militar e do homem que indelevelmente está ligado à nossa Cidade e à história do nosso País.

       Da mesma fonte – (As cartas de Costigan se transcreve, também, esta nota biográfica.

 

(...) O Conde de Lippe (Frederico Guilherme, conde de Schaumburg-Lippe) nasceu em Londres, onde então residia seu pai, em 1724, e morreu no seu condado de Schaumburg-Lippe em 1777.

Estudou na Holanda e em França e passou seguidamente a estar ao serviço de Inglaterra. Foi indicado pelo rei Jorge II para reorganizar o exército português por ocasião da guerra de 1762, sendo nomeado por D. José marechal-general e director-geral de todas as armas. Pelos serviços prestados, o rei português presenteou-o com seis canhões de ouro, tendo as armas do conde gravadas, pesando cada um, trinta arráteis e montados em carretas de ébano chapeadas de prata, com o seu retrato cercado de diamantes; com uma condecoração da Ordem da Águia Negra (de que o conde era cavaleiro), também de diamantes; com um par de fivelas de sapatos e de calções igualmente de diamantes. Foi o total do presente avaliado em quatrocentos mil francos. Depois da morte do conde, os canhões foram transformados em moedas.

 

    Apenas, como remate, um desabafo bem à alentejana:

    -Oh, minha terra!

    - Oh minha mãe!

   Terás alguma vez outro preço que não seja um entranhado AMOR por ti?

           Não acredito!

.                         

                              Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.267 – de – 30 - Set.-1994

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Segunda-feira, 10 de Março de 2008

“Forte Da Graça” Do Nascimento à Ruína II

        É evidente que não tenho a presunção de dar lições de história.

        Essas funções não me cabem, nem delas saberia dar conta.

        O que eu pretendo é falar sobre estas pequenas coisas que, no dia a dia, caiem sob os nossos olhos, nos prendem a atenção, e achamos tão interessantes que sempre nos apetece reparti-las com alguém mais.

Aqui fica dentro dessa linha, um excerto da “tal” carta, do Livro de Costigan, datada de 1778, em que se refere o Forte da Graça – que como se sabe -  foi construído entre 1763 e 1792.

 

 Chegados a Elvas, onde nos propúnhamos permanecer algum tempo, uma das sentinelas que estacionava á porta perguntou-nos num tom altivo donde vínhamos e o que é que nos trazia. João Carlos respondeu que vínhamos de Estremoz e que tínhamos cartas para sua excelência o governador. A sentinela então conduziu-nos ao oficial comandante da guarda, que nos deixou seguir até à casa do governador, acompanhados por um soldado, que levou os nossos cavalos à arreata; ficamos à porta, onde se juntou a populaça para nos ver.

Quando sua excelência acabou de ouvir missa, mandou-nos chamar.

       Lord Freeman apresentou a carta que levávamos. Depois de a ter lido, o governador disse que estimava muito ter a honra de nos conhecer; que a sua própria casa, o seu regimento, os fortes vizinhos de Santa Luzia e de La Lippe, a própria província do Alentejo, toda ela, estavam às nossas ordens para de tudo dispor como melhor nos parecesse; que esperava que o desculpássemos de não nos receber naquele momento, pois tinha vários negócios a despachar, mas que nos pedia o obséquio de jantar com ele à uma hora. (...)

   (...) Depois de muitas palavras sobre nadas, veio o café, e Lord Freeman aproveitou a ocasião para pedir ao governador autorização para ver o Forte de Lippe. Valleré puxou-o pela manga do casaco para o impedir de sofrer uma recusa, mas foi tarde de mais; o governador recorreu a Valleré para que confirmasse as positivas ordens que recebera da corte de não permitir a visita do forte a quem quer que fosse, e de mais a mais não sendo ele, nesse momento oficial ao serviço de Portugal; que um outro viajante também oficial, passara por ali, havia um ano, mostrara também grandes desejos de o visitar, e não o conseguira pela mesma razão.

 Declarou ter muita pena de não poder aceder ao nosso pedido, mas que tínhamos plena liberdade de examinar toda a guarnição e o Forte de Santa Luzia com o major-general. Convidou-nos então a irmos à esplanada na tarde do dia seguinte; daria ordem a um dos regimentos da guarnição para manobra diante de nós. Agradecemos, prometemos não faltar e em seguida despedimo-nos.

    Não dormimos a sesta, como todos os outros fizeram, mas percorremos os baluartes da guarnição. Encontrámo-los em boa ordem devido aos cuidados do Sr. de Valleré, que nos pôs a par de tudo quanto era

necessário para nossa elucidação; achámos as casernas dos soldados e as casamatas (um grande número das quais tinham sido construídas recentemente) asseadas e muito cómodas; os soldados, bem postos, tinham um ar marcial.”

 

              Curiosa a particularidade de se frisar o segredismo que envolvia o Forte de Elvas (que foi considerado uma obra-prima no seu género) não permitindo visitas ao interior da fortaleza, que, ao seu tempo, teria o papel de uma “Linha Maginot” ou uma “Siegfried” dos nossos dias.

       Assim, era defendida de curiosos, estrategas estrangeiros ou possíveis espiões, como arma de guerra, que era, e, como tal fazendo depender muita da sua eficácia, da surpresa que pudesse representar para os atacantes inimigos.

    Mas, para além das referências ao Forte de Lippe é quase romântica para a minha geração e para as de hoje, naturalmente, -que do Forte de Santa Luzia só conhecemos o recorte fantasma das suas nobres ruínas – ler um relato, se bem que breve, dos tempos em que ele era palco duma vida marcial actuante.

     Fica-se, depois disso, a pensar se os “homens” – realmente - não podem ou, não querem alterar o que parece ser o destino fatal de certos monumentos.

    Fica-se a cogitar em nome de que princípios ou interesses se deixam morrer esboroando-se lentamente testemunhos tão ricos da história de um país...

    E, apetece sonhar que nestas noites doces de Outono da nossa terra, Santa Luzia rezará para que “Nossa Senhora da Graça” – seu irmão mais novo (que viu nascer) – resista ao desamor até que os “homens” acordem ao toque de clarins que anunciem a alvorada de dias melhores.

É que as pedras – todos o sabemos - guardam muita da sabedoria dos tempos e contam no presente como contarão no futuro, a quem as escuta - lágrimas, alegrias, humilhações e glórias do passado...

   E, assim, se irá escrevendo a história.

.

                          Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

 

Nº 2.266 – de 23 – Set.-1994

Conversas Soltas

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Domingo, 9 de Março de 2008

“ O Forte da Graça “- Do Nascimento à Ruína -I

 

É curioso – e simpático para mim, confesso, – reconhecer que muitas pessoas me oferecem apoio quanto ao que escrevo, fornecendo-me dados e pedindo-me que continue a falar do Forte da Graça e de outros assuntos da nossa Cidade, a que, num passado recente, estive particularmente ligada.

         A todos vos respondendo, que se Deus quiser, como posso e sei, modestamente, a meu jeito, o irei tentando.

         Ainda agora, um ilustre casal, que conviveu connosco – aquando do Dia Mundial da Música em 1987 – (como representantes do então I.P.P.C.) – em visita de saudade a “ Elvas, me fez chegar às mãos: - “Cartas sobre a Sociedade e os Costumes de Portugal 1778 – 1779 “.

         Trata-se de uma obra em dois volumes, bastante curiosa, cuja leitura, ao que parece, esteve muito em voga entre os viajantes da época em que foi dada a estampa e ajudou (até...) a formar uma certa imagem, não muito favorável, sobre a sociedade portuguesa de então.

            De qualquer modo, ela contém, múltiplas informações e referências sobre Elvas. Cita factos e personalidades destacadas desses tempos e refere muito em especial o Forte da Graça e Valleré, que, como se sabe, foi o oficial de engenharia que dirigiu a construção da obra do Conde de Lippe.

            Algumas apreciações foram posteriormente contestadas por Louise Valleré – sua filha – que as considerou falsas e injuriosas.

Cito:

            A filha de um oficial francês, o qual figura em várias páginas da obra, Louise de Valleré, num apêndice da sua edição bilingue do Elogio Histórico de Guillaume – Louis – Antoine de Valleré, por Garção Stocker (Paris, 1808) escreve o seguinte, referindo-se às cartas que constituem os Sketches:

            «Ninguém hoje ignora que o brigadeiro F... é o verdadeiro autor das sobreditas cartas, o qual pelo seu mau carácter moral e opiniões religiosas, foi constrangido a largar o comando de artilharia do Minho e a sair de Portugal, no primeiro ano do reinado de Sua Majestade que Deus guarde.

Este homem, para exalar o veneno que lhe roía o coração contra o governo e a nação portuguesa, dos quais se considerava ofendido, serviu-se de um nome suposto para merecer mais crença e soltar livremente as rédeas à sua maledicência, escrevendo um amontoado de calúnias e vitupérios contra a nação em geral, e, em particular, contra todos aqueles que tiveram a desgraça de serem dele conhecidos.

Finge pois dois ingleses de distinção viajando em Portugal e, nas conversações que os faz ter com diversas pessoas, não hesita um só momento em comprometer nomes respeitáveis, contanto que satisfaça a sua raiva e o desejo insaciável que tem de dizer mal, tendo a baixeza e infâmia de atribuir às pessoas, com quem supõe falar, o que somente escreveu a sua pena, sugerido pela sua imaginação.

Uma delas foi meu Pai, e por esta razão me propus mostrar a falsidade de tudo o que lhe fez dizer.

«Lembro-me muito bem do brigadeiro F... ter estado em Elvas, e ser aí hospedado por meu pai, que o recebeu com aquela afabilidade e franqueza que lhe eram naturais, e com que recebia todas as pessoas; duvido porém muito que ele lhe contasse alguns dos sucessos da sua vida, e, se o fez, o brigadeiro F... os alterou de maneira que posso afirmar não haver uma só verdade em toda a sua narração»

.

            Louise de Valleré publica a seguir ao apêndice uma carta do pai, datada de 1774, com que identifica o brigadeiro F... como sendo um oficial chamado Ferriere.

            Estas opiniões controversas, porém, não se afiguram, na minha opinião, suficientes para tirar o encanto aos relatos, escritos com uma elegância epistolar indiscutível.

            Apenas, nos farão, julgo eu, estar mais atentos para a crítica que Louise Valleré assim denúncia e nos obrigarão a reconhecer que, ao tempo já havia “ Turistas “ mal intencionados e maledicentes...

            É, porém, evidente que, mesmo com este peso de suspeições na consciência, não é sem um arrepio de curiosidade e prazer que se lê reportando-nos ao séc. XVIII – uma carta onde diz assim:

                                       “ Chegados a Elvas... “

                              

            Mas, este relato, ficará para outra vez, se Deus quiser.

            Por hoje – quedo-me por aqui – confessando de novo que lamento a falta de sensibilidade e visão, que permite pensar que não tenha cotação para o Turismo de hoje – o que – por outras razões, obviamente, já era altamente cotada no séc. XVIII.

Que não se associe ao Forte todo o dramatismo que na sua história comporta – desde a ida dos soldados, prisioneiros, que cuidavam do aprovisionamento de água carregando às costas os pesados barris, em fila indiana até à Fonte do Marechal”(quando a Fortaleza já fora adaptada a Presídio Militar) e à recolha dum verdadeiro cancioneiro popular, a ele ligado, que o enquadrava na vivência de um doloroso quotidiano de que foi testemunha passiva.

“ Maldito Forte da Graça

escola de deserdados

cemitério de homens vivos

debaixo do chão enterrados ...“

 

 

Tinham razão, os meus distintos Amigos quando diziam que as Câmaras deviam ter o “ pelouro da imaginação “ – só que eu não resisto a acrescentar: os governos, sim! Precisavam de tal ministério.

.

                     Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.265 – 16/ Setembro / 1994

Conversas Soltas

 

 

 

 

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