Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Conclusão...

Passaram cerca de quinze anos sobre a decisão – dolosa para a cidade de Elvas – que a Câmara de Rondão Almeida assumiu ao destruir a Quinta do Bispo, apesar do enorme empenhamento demonstrado por muitas personalidades de vários pontos do País, e de Elvas, em cartas, jornais e revistas pedindo e, explicando o porquê da sua – necessária – e justa conservação.
Hoje, onde havia árvores majestosas, vegetação exuberante, controlada, e, entre avencas e fetos, corria água das cascatas para os lagos, há agora lixo – lixo aos montes, lixo, ruínas – e mais lixo...
Na zona arrasada para construção, o empreiteiro, por falência (?), deixou em esqueleto metade das inestéticas moradias com que mutilaram a Quinta na sofreguidão doentia de fazer dinheiro a qualquer preço, mesmo sobre o arraso de importante parte da história de Elvas...
Alias, um dia se saberá porque aconteceu – e quem beneficiou – com tão vil negócio...
Foi um inútil desastre que não honra quem o perpetrou e, nos envergonha a todos por o termos consentido.
Comparou-se, certa vez, a si próprio, Rondão Almeida com o Marquês de Pombal.
Pombal, reconstruiu Lisboa após o terramoto de 1755
mas, dele o que ninguém esquece é a matança dos Távoras, que para sempre lhe turva a memória.
Rondão, promovendo a construção desenfreada que por aí vai, e não conseguindo impedir a perda de valências e serviços na Cidade, – tem sido, ele próprio, "o terramoto", como neste caso, e noutros, ao adulterar com arrebiques parolos a carismática sobriedade da feição de pedra adusta deste velho burgo medieval.
Pode Deus, na sua infinita misericórdia, perdoar-lhe.
Pode!
Porém – A História – essa, jamais.

Maria José Rijo

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música: A Quinta do Bispo
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Domingo, 15 de Junho de 2008

Elvas, 15 de Junho de 2008

 A Casa

A  casa de António Sardinha

A Nora Alta

Descida da Nora Alta

Portinha da entrada para a contramina da Nora alta

A Rua do Buxo 

 Amoreiras

A Rua das Amoreiras

O caminho para o Lago

 O Lago

 A Cascata

A Rua dos Lilazes

As Árvores 

Árvores

 Ruina

O Banco da Nora Alta

 O Parque Infantil

O Platano

O Platano Centenário

@@

 

A Quinta do Bispo

está assim !

 

Maria José Rijo

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música: Aspecto actual
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Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

A última Primavera...

 

A última Primavera

na Quinta do Bispo

..

Quadro a Óleo

de

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 16:10
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Terça-feira, 10 de Junho de 2008

“Em torno de uma efeméride “

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.385 – 17-Janeiro-1997

Conversas Soltas

 

            Elvas 10 de Janeiro de 1997.

            Há 72 anos faleceu na sua casa da Quinta do Bispo – António Sardinha.

       Colho, desse local, que foi a “Versalles de Elvas” a imagem de hoje.

            Fica-me frente ás janelas.

            Convivo com ela diariamente.

            Ofereço-a aos meus olhos e legendo-a (com profunda mágoa) com a isenção a que me obriga o respeito pela nossa cidade, a verdade de que ela dá testemunho.

            Frequentemente a televisão nos mostra com entrevistas e imagens, soluções inteligentes encontradas para o enriquecimento de muitas terras do nosso país.

            O grande e belo Porto – hoje património do mundo – não desdenhou a sua quinta de Serralves.

            Foz Côa, não deixou afogar as suas gravuras.

            Algures, também no Norte, um autarca veio contar como um “eco-museu” está restaurando velhos usos e costumes... Velhos ciclos (o ciclo do pão, foi um dos referidos).

            Desse modo garante – vai promover turismo e defender da desertificação a sua terra situada no interior. Afirma que assim se criam empregos, desenvolve o comércio e a riqueza do seu concelho.

            Agorinha mesmo – o professor David Martins – falou do êxito conseguido por ele e pelos seus professores da sua escola que, em ligação interdisciplinar já levam dois discos de sucesso com actuações dos alunos de música de Vila Praia de Ancora.

            E anuncia que: - a autarquia vai propiciar o progressivo ensino da música às crianças desde a sua entrada nas escolas – gratuito -  portanto.

            É verdade que opções, são opções...

            Ao falar da Quinta do Bispo veio-me à lembrança outra responsabilidade que herdei e tenho a missão de recordar.

            Talvez os critérios de escolha tão afastados por vezes, das coisas do espírito tenham assustado o senhor Cónego Dr. Silvestre e o tenham decidido a reter em suas mãos os “nove grossos manuscritos da Genealogia dos Vasconcelos” que foram oferecidos á Biblioteca de Elvas como sua Excelência bem sabe.

            Ao menos – com ele – estarão a salvo o que não acontece à Quinta!

            Estranha é a sorte que impede sobre o património de uma cidade cuja rara beleza – a torna única – e tão carregada de história que quase parece um conto de fadas.

            Servir – servindo-a devia ser considerado um privilégio – embora com todo o melindre que essa distinção sempre confere.

 

 

Maria José Rijo

 

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Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

“Adeus Quinta do Bispo-(para ser cantado com a música de Elton John)

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.444 – 13 - Março - 1998

Conversas Soltas

 

“Adeus Quinta do Bispo "-

(para ser cantado com a música

de Elton John)

 

         Adeus Quinta do Bispo...Adeus!

         Mal sabias quando nas tuas árvores te revias

         Ao florir em cada Primavera

         Que para os homens a quem sorrias

         Só a força do dinheiro impera!

        

Adeus Quinta do Bispo,...adeus!

Respiras história, saudade, falas de bispos, poetas. -

        Fazes parte da cidade.

 

        Adeus Quinta do Bispo...adeus!...

         Assim se matam cidades, morreram civilizações    

                                               

         E nascem as provações da gesta        

            Que matam a paz dos tempos

         Os vindouros hão-de sussurrar a dor sem remédio

            De encontrar cimento sepultando o pensamento

            E não terão lágrimas que cheguem para chorar

            O que jamais se poderá recuperar

 

            Adeus Quinta do Bispo! Adeus!       

         Adeus - Rosa de Portugal !...            

         Adeus Rosa de Elvas, – Good  Bye !

 

            Como uma vela no vento

         Te perderás nas brumas do tempo

           O futuro te chorará sem remédio!

         Serás lenda, em versos te cantarão!...

         Mas serás vergonha - como sempre é a traição...

 

           E o chão bento da Capela

         De orago a S. Sebastião

         Que às “Invasões Francesas” foi poupado

            Duma vil profanação 

            Será profanado, agora, pela nossa própria mão...

            Adeus Rosa de Elvas!

            Adeus Rosa de Portugal!

         Good bye!

….

.

Almeida Santos, actual Presidente da Assembleia da Republica – uma das maiores inteligências de Portugal; Homem de cultura e saber absolutamente indiscutíveis - quer se goste ou não do seu percurso político - acaba de publicar um livro a que deu um título curioso : «- Preocupem-se por Favor.»

         Então eu, tendo entendido pelas palavras de apresentação da obra, (que escutei) de como, a todos nós, cabe a preocupação que só transformada em acção terá sentido – de defender este País, que é o nosso, de toda e qualquer agressão...

         Então eu...que acredita que nada acontece por acaso... Pensei: este recado é também para mim!

         Depois, quis mistificar a leitura da mensagem que acabava de me tocar enleando-me em considerações, tais como: - tu já disseste, tu já fizeste, e de nada valeu, etc. etc. etc...

         Pois é verdade que fiz, é verdade que disse, porém, sinto que, contra tudo e contra todos, – até contra a minha própria comodidade devo voltar ao assunto.

         E porquê? - É a interrogação natural – a que respondo:

         Eu pretendi lutar pela Quinta dentro dos moldes que entendia serem justos – respeitando os interesses da Cidade, da nossa Cidade. Quis salvar a Quinta pelo que ela representa – verdadeiramente.

         Melhor dizendo:

         Pretendi que a Quinta do Bispo se salvasse a si própria pelo peso que tem na história de Elvas, pelo local em que se situa, pela qualidade do desenvolvimento cultural e turístico que podia propiciar à nossa Cidade. Em resumo – por uma série de factores que, a meus olhos, estavam, e estão, à altura do seu merecimento...

         Posso ter sido mais ou menos feliz, nas minhas tentativas...

         Porém, reconheça-se – nunca usei nomes, nem ventilei números de cheques, importâncias de comissões, fotocópias de cartas, ou quaisquer documentos – porque, essas, não são contas do meu rosário, nem fazem parte do meu entendimento de rectidão na defesa de ideais.  

Não o fiz então, nem o faria agora! -. Nunca o faria! - Porque a Quinta do Bispo teria – (ou terá?) que ser salva pelo que representa e os esforços para o conseguir só poderiam ser à altura dos valores espirituais de que ela pode dar testemunho. A Quinta vale pelo que vale! E o seu actual proprietário – que em certa medida também foi vitima – facto que é preciso não esquecer – tem o legitimo direito de vender a peso de ouro, se o entender, toda a área que vai ficar separada pela avenida que a vai atravessar (e só não foi feita em vida da senhora dona Ana Sardinha por interferência do senhor Dr. Teotónio Pereira, que muito estimava a respeitável Senhora como pessoa admirável que era, e como viúva de António Sardinha)

Todo o resto, teria que ser património da Cidade a que pertence!

“Por favor! – Preocupem-se.!..”.

         Talvez outros métodos tivessem podido dar outros resultados, talvez! - Porem, é minha convicção que agir em nome de direitos também impõe deveres. Mais uma vez, estou tentando servir a cidade como posso e sei. De forma pouco realista para os tempos que correm - talvez - mas séria e  limpa como o que me motiva merece e, se me permitem - eu também !

         Todos nos lembramos ainda da triste experiência das gravuras do vale do Côa

O que para um partido político estava certo, para outro estava errado!

         Quando um Pais se joga assim aos dados mal vai esse Pais...

         Uma Câmara consegue libertar da fúria dos interesses cegos um espaço carismático de uma região, outra, mostra a sua eficiência desfazendo o que a primeira conseguira por justo convencimento. Não se cuida aqui de fazer melhor! - Trata-se de evidenciar a capacidade de mando que destas atitudes se julga poder extrair. E, assim se usa por vezes o poder sem virtude e sem nobreza, transformado apenas numa pobre demonstração de autoritarismo despido de senso e de razão, vazio de sensibilidade.

         Breve, muito breve, virá outro partido, que irá descobrir que se não respeitar ideias alheias (porque as próprias serão sempre as mais brilhantes no seu convencimento) será ainda mais poderoso e importante, mais admirável! 

         Moverá céus e terra para o demonstrar e outro plano de pormenor mais afoito surgirá...

Daí que, destes processos, se conclua: - ou a Quinta do Bispo se salva porque as pessoas entendem que há valores que o dinheiro não paga, ou jamais qualquer parcela da nossa terra, por mais sagrada que seja, estará segura, tenha ela o significado que tiver Almeida Santos sabe o que diz:

“Por favor – Preocupem – se!”

.O funeral que aí vem, vai passar à nossa porta...

Goodbye! Quinta do Bispo -Goodbye!....

 

Maria José Rijo

 

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Domingo, 8 de Junho de 2008

Sardinha – a Quinta do Bispo – Porquê? VI e último E...algumas coisas mais...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.496 – 19-Março-1999

Conversas Soltas

   

                        

         As árvores da Quinta do Bispo, este ano, ainda floriram.

Elas não sabem que esta deve ter sido a sua última Primavera. Agora o portão da Quinta ostenta, como um condenado à morte, o aviso da sorte humilhante que a ganância e a insensibilidade dos homens lhe traçou.

         Olho pensativamente aquele solo, abençoado pela fertilidade, que o cimento, agora, vai cobrir e relembro aquele Bispo que, para não consentir que o chão sagrado da sua capela de São Sebastião, fosse profanado pelas tropas invasoras dos franceses, mandou, em nome da honra e da dignidade, que ela fosse apeada. (Foi ali na mesma, dita, Quinta)

         Vejo a terra indefesa a beber em paz estas chuvadas, como se nada pudesse interromper os seus ciclos normais de generosa produção! - E penso nas ironias do destino.

         Penso no que a Quinta representa como património histórico, intelectual, sentimental e cultural desta cidade, e no que poderia continuar a representar...

         Relembrei, aqui, opiniões várias de gentes de mérito que esta Nobre Elvas tem e sempre teve.

         Mostrei-me, expondo-me embora a incómodos, (que sofri) fiel e entusiasta discípula, que sou, de todos quantos, sem rebuço e generosamente defendem a sua pátria defendendo intransigentemente o Bem das suas terras, na riqueza da sua expressão de alma.

         Essa não é, porém, bastas vezes, a linguagem da política e dos políticos.

         Poderia ter usado cartas, e outros documentos que possuo, e que talvez provassem como nascem os declives por onde resvalam os caminhos que conduzem a estes tristes desfechos.

         Não o fiz ; e não me arrependo.

         Só assim posso sentir que ganhei a minha causa.

         Compartilhei, com quem o quis, ou soube, entender os motivos porque entendia que a Quinta deveria viver. Falei da sua história. Da sua linda e rica e bela história.

         Citei pareceres de gente insuspeita.

         Recebeu esta causa apoios comoventes: escritores, professores, jornalistas e, muito principalmente de gente anónima cheia de coração e sensibilidade que não enjeitou juntar ao que pensava a coragem de o assumir publicamente.

         A todos, hoje, aqui, volto a agradecer. É com gente como vós que se faz o melhor que na vida acontece

         Lutei para que a Quinta se salvasse a si própria se Elvas a amasse como ela merecia e lhe quisesse BEM, como penso deveria querer-lhe...

         Contrapus valores morais a valores monetários, a interesses financeiros.      É evidente que aconteceu o que era previsível.

 Como também é evidente que não será por isso que deixarei de lutar sempre, que por convicção o entenda, pelos valores perenes que sustentam a riqueza do espírito.

         Eu luto por ideais – seja qual for o resultado.

         Vencer, para mim, é isso: - Ter a coragem de remar contra a maré se for esse o desígnio da minha consciência.

         Às vezes, pergunto-me que gosto terá um desfecho favorável para quem não olha a meios para atingir os seus fins!...e nem o consigo imaginar...graças a Deus!

        Seguirá, agora, a Quinta a sua sorte, agoirada e anunciada...

Lembro, que algumas vezes li na imprensa local advertências – até dos apoiantes desta solução pesadelo – para o cuidado a ter com o excesso de população que por ali se vai gerar. Deus queira, que pelo menos, essa precaução não soçobre, também, frente aos euros...

Quando, por formação e por temperamento, se evita contradizer seja quem for, e só se assumem posições contrárias a quem quer que seja – quando se entende que é dever nosso não nos acobardarmos porque estão em causa não os nossos interesses, mas os colectivos...

Atitude que em Democracia se chama cumprir os deveres de cidadania, nem sempre se recebe a compreensão devida.

Quebrei, há tempos, a onda de adulação que se gerou por aí, quando foram mascarradas a alcatrão as ruas das freguesias.

Fi-lo porque sabia errada tal decisão e porque vi chorar gente de idade que não tinha hipótese de dizer publicamente, como sofria com tal “inovação”

Hoje, volto a esse assunto para contar:

A Aldeia da Luz vai ficar submersa pelas águas da barragem do Alqueva.

         Vão ser valorizadas, como aldeias históricas, algumas povoações, aldeia da Estrela, por exemplo., dado que constituirão um importante complexo turístico.

Uma das primeiras iniciativas para cumprir esse propósito é ARRANCAR O ALCATRÃO E REPOR A CALÇADA NA SUA FORMA TRADICIONAL! RAZÕES: além de não ser o alcatrão um vizinho saudável (até o acusam, alguns, como ao tabaco, de ser cancerígeno) impermeabiliza os solos que não permitindo, então, o escoamento das águas pluviais tornam assim mais prováveis as inundações nas casas baixas.

Vide:RuadeAlcamim.                                                                      Acusar sistematicamente de estarem contra este ou aquele os que não se demitem de estar A FAVOR DO BEM COMUM -  é erro crasso.

Até do ponto de vista do emprego, é mais útil criar cursos de calceteiros, com trabalho garantido, do que tisnar num só dia ,as ruas de uma Freguesia inteira.

Porque ninguém, em muitos casos, pode acusar, quem tem opinião própria, de estar a defender qualquer espécie de regalias ou reformas; é sempre de boa prudência, o comedimento no que se diz...

APENAS USANDO O SEU INALIENÁVEL DIREITO À LIBERDADE DE PENSAR, DE SE EXPRESSSAR E INTERFERIR NA VIDA DAS SUAS COMUNIDADES. QUALQUER INDIVIDUO SE TORNA CIDADÃO DE DIREITO

Fazer de uma qualquer pessoa, especialmente quando das suas boas graças se depende, uma divindade é pobreza de espírito.

Quem nunca tem dúvidas e aceita ser divinizado – Sobra-lhe em vaidade o que lhe falta em consciência moral e cívica, e em humildade e sabedoria de vida.

O que será sempre lamentável pelos danos e vítimas que causa, é minha firme convicção.

.

Maria José Rijo

 

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Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

Sardinha, a Quinta do Bispo - Porquê - V

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.494 – 5-Março – 1999

Conversas Soltas

 

 

          Limitar-me-ei hoje a dividir convosco um artigo impresso no jornal “Linhas de Elvas” nº 1563 de 9/1/81. Está assinado por um elvense ilustre de seu nome: Joaquim Tomaz Miguel Pereira.

         Homem de honra, escritor conhecido, poeta de Elvas, que muito embora tenha feito grande parte da sua vida na cidade de Coimbra, nunca, nunca, se alheou da sorte desta sua e nossa terra que ama, estuda, conhece como poucos e, por tais razões não se cansa de defender.

         Com a devida vénia, cedo-lhe gostosamente este” meu” espaço:

 

         “ A António Sardinha, bom português, pelo muito que amou e serviu Elvas “

         E por que não instalar na Quinta do Bispo a Casa-Museu da Grei Alentejana?

         (suprimo a primeira parte do artigo que vou citar e, entro directamente no que mais se liga ao que tenho tentado demonstrar ao longo do tempo sobre o tema em epígrafe)....

         Mas não foi para falarmos do António Sardinha político, poeta, ensaísta, doutrinador, que quebramos hoje um silêncio de vários anos. Foi para falarmos do munícipe elvense que ele foi nos últimos anos da sua fecunda vida, isto é, até 10 de janeiro de 1925, data em que morreu na sua Quinta do bispo, fronteira ao majestoso Aqueduto da Amoreira, ao qual se referiu em páginas de antologia. Aliás, numa atitude que só a honrou, a Câmara Municipal de Elvas dessa altura logo mandou colocar nas seculares pedras desse monumento a lápide que ainda hoje se pode lá ver: «A ANTÓNIO SARDINHA, BOM PORTUGUES, PELO MUITO QUE AMOU E SERVIU ELVAS».

         Tenhamos consciência de um facto: são os homens, os grandes Homens, que constituem a glória de uma pátria. Não é a multidão anónima e manipulada por cabecilhas de ocasião que faz a história ou acrescenta mais uma pedra à construção do edifício nacional. A história de Portugal foi feita por homens que partiam, contra ventos e marés, em pequenas caravelas, em demanda de outros mundos; a história desse colosso que se plasmou em pouco mais de cem anos, os Estados unidos da América, foi feita pelos pioneiros que se dirigiam para o oeste, lutando contra uma natureza inóspita, em frágeis carroças de tracção animal. Em tudo, o que interessa é o homem - o Homem que leva a carta a Garcia, o Homem que se afirma e levanta a voz perante um deserto de    mediocridades , mesmo que tenha que remar contra  marés...

         Elvas teve entre os seus muros um desses Homens, uma personalidade que a serviu e a amou apaixonadamente. Isso nos leva a afirmar que consideramos da maior actualidade a proposta apresentada, em 18 de Outubro de 1978, pela comissão Municipal de Turismo e que o “Linhas de Elvas” transcreveu na sua edição de 3 de Novembro seguinte: «...que pelos serviços competentes, seja preservada, nos estudos de planificação urbanística de Elvas, a Quinta do Bispo».

         Num momento em que existe uma Secretaria de Estado vocacionada para a defesa do património cultural, paisagístico e arquitectónico do País, a Quinta do Bispo  deveria constar, para já, do inventário do que há a conservar e a proteger entre nós. Nela se manteria bem viva a memória do grande Poeta que a habitou – , mas em sua homenagem - , homenagem que bastante grata lhe seria, ao lado de recordações que lhe dissessem respeito, deveria instalar-se um MUSEU DA GREI ALENTEJANA, um museu do Alentejo, Grei e Província que ele cantou em estrofes elevadas de sentimento e de beleza formal.

         Não tem Portalegre, a ”cidade-branca”, a Casa-Museu ”José Régio? Não se conserva no ridente Minho, a casa do torturado de Ceide? Não se visitam, por toda a Europa culta, as casas onde viveram os homens que de si deixaram indelével memória, como as que se encontram, a cada passo, na magnificente Paris (a casa de Balzac, a de Rodin, a de Victor Hugo e tantas outras?...)·             

 Se a Câmara Municipal de Elvas não puder arcar com a realização do proposto, que seja o Estado a actuar nesse sentido, integrando no património nacional, na devida oportunidade, a Quinta do Bispo e dotando-a dos meios que permitam a sua salvaguarda .( o sublinhado é meu )

          Mas Elvas inteira, a menina bonita dos olhos do grande Poeta que a cantou, apaixonada e vibrantemente, terá uma palavra a dizer. O que interessa, para já, é que a Quinta do Bispo, continuando a ser como hoje ainda, mercê do culto mantido pela excelsa Esposa do grande Português que foi António Sardinha, um verdadeiro lugar de Portugalidade, venha a ser, mais tarde, uma prova de gratidão prestada pela “Chave do Reino” a uma das maiores figuras nacionais que nela viveu.

 

         Após esta transcrição pergunto:                                                                                                                          

         Como se pode entender o que se passa com a Quinta?

Se o mais difícil, estava feito. Que era salvar a Quinta da ganância que leva à construção das “ brandoas” que descaracterizam as cidades e sepultam delas a alma e a história…

Como se pode entender o que se passa com a Quinta? - Volto a perguntar!

         Frente à opinião insuspeita de elvenses ilustres que SEMPRE, ao longo dos anos se bateram pela preservação daquela jóia elvense, como se pode entender tamanha reviravolta só para destruir o que todos recomendavam fosse poupado...

         Deixo a interrogação.

         Responda quem souber.

         É que eu não vislumbro resposta

 

 

 Maria José Rijo

 

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Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Sardinha, a Quinta do Bispo – Porquê? – IV

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.492 – 19 – Fevereiro-1999

Conversas Soltas

 

 

Talvez seja a altura de relembrar aqui, alguns pareceres, que, na imprensa de Elvas, em épocas diferentes, foram aparecendo sobre o assunto em epígrafe.

Vou faze-lo por ordem no tempo, e, porque algumas das opiniões, provêm de gente ilustre, – infelizmente já falecida – espero que se entenda perfeitamente que eu não inventei esta preocupação.

Quer se encare de frente, quer se façam ouvidos de mercador, o problema existe.

Resolvê-lo é dever de Elvas, e essas decisões de problemas locais, - essas – e não outras – que, em série, se vão, mais ou menos, resolvendo por determinações exteriores, no nosso e em outros municípios, é que  dão a dimensão real do espírito de iniciativa e da visão de quem decide.

Em Sábado 2 de Maio de 1970 – dizia assim o “Linhas de Elvas” pela mão de Ernesto Ranita Alves e Almeida, então seu director.

Cito: “ À nossa mesa de trabalho acaba de chegar mais um livro, mais uma belíssima manifestação das qualidades investigadoras de Eurico Gama, sempre disposto a dar-nos a justa medida do que vale o seu nome no campo cada vez mais restrito dos que, sem qualquer turvo intuito de interesse próprio, se dedicam à constante e nobre tarefa de difundir apontamentos culturais, factos e  perfis de ilustres figuras elvenses ou com elas relacionadas por motivos de ordem espiritual. (o sublinhado é meu).

Referia-se assim Ernesto Alves, à obra: - “António Sardinha (páginas esquecidas e achegas para a sua biografia)” – que Eurico, na altura lhe enviara.

As referências são extensas, mas muito interessantes. Limito-me a destacar, por curiosidade, o que me parece ser menos conhecido.

 

“Vemos um António Sardinha integrado no meio elvense, cliente da Barbearia Samuel, felizmente ainda hoje em actividade; um António Sardinha presidente da Câmara Municipal; um António Sardinha polemista enfrentado na “Fronteira, a fogosidade talentosa de um arronchense ilustre – Teófilo Junior –, um António Sardinha colaborador da imprensa de Elvas, e muitos outros aspectos relevantes da sua biografia “local”.

Assim contava Ernesto Alves – repito – citando Eurico que em livro enaltecia a figura de António Sardinha.

Fecho este apontamento voltando a citar o meu saudoso amigo Ernesto, também ele, Elvense, com maiúscula e indómito defensor do bem de Elvas.

“Homens como Eurico Game têm qualquer coisa de missionários e devem ser apontados às novas gerações como paradigma e estímulo do que significa o trabalho olhando para o alto, defendendo abnegadamente a herança que os nossos maiores legaram ao património espiritual da Nação “

 

Que admira então, que, de vez em quando, este assunto que permanece latente na consciência dos elvenses interessados pelo seu património, ressurja, com a força de tudo quanto tendo fundas raízes no passado, e dando testemunho da história da nossa terra, nunca se afasta dos seus corações?

Em 6-7-1979 voltava a perguntar-se no Linhas de Elvas:

E por que não a Casa Museu António Sardinha? (e, seguia-se o texto)

Toda a cidade sabe o muito que se deve a essa figura impar das letras pátrias, que à sombra do Aqueduto escreveu a maior parte das suas importantes obras, hoje completamente esgotadas.

E, mais adiante: Pois agora ocorre-nos alvitrar à Câmara Municipal a aquisição da Quinta do Bispo, onde o Mestre do Integralismo Lusitano passou grande parte da sua vida, a fim de que seja transformada em Casa-Museu”.

No mesmo jornal, nº 1486 de 6-7-1979; também se podia ler:

“Já estava a primeira página composta, quando nos chegou às mãos a proposta que o vereador Joaquim Trindade apresentou na sessão de segunda-feira e que foi aprovada por unanimidade. Quem ler estas duas notícias há-de pensar que houve acordo prévio entre o jornalista e o edil. Podemos garantir que tal não sucedeu. O que houve foi mera coincidência, e julgamos de difícil repetição.

 

Passamos a transcrever a proposta, que diz o seguinte:

 

“É de todos sobejamente conhecido o que António Sardinha representa para Elvas, cidade onde viveu e onde produziu toda a sua valiosa obra literária.

Por duas vezes já a sua memória foi aqui devidamente comemorada, estando o seu nome gravado em placa no monumento mais significativo da cidade – os Arcos da Amoreira.

Em tempo oportuno foi o plátano anexo à sua residência na nossa cidade considerado de utilidade pública.

Perdida que foi, a favor de uma Universidade de Lisboa, a sua valiosa Biblioteca, inicialmente prevista para enriquecer a nossa Biblioteca Municipal, resta assegurar para o património cultural da Cidade a sua casa junto ao plátano já considerado de utilidade pública.

Assim sendo, proponho que a Câmara Municipal envide todos os esforços no sentido de que, ainda na vigência do nosso mandato, a casa onde viveu António Sardinha seja considerada pública.”

 

Chamo a atenção para a preocupação, aliás, justa e bem legítima, dos cidadãos de Elvas com a Quinta do Bispo, - propondo à sua Câmara que a comprasse e defendesse.

Comentar, para quê?

Apenas recordar que naquela época a Quinta ainda estava na família de António Sardinha, mesmo assim, em nome de valores perenes, erguiam-se vozes, embora, com o desconforto que se depreende, por tal situação...

De outra vez, se Deus quiser, citarei outras opiniões, também ventiladas neste jornal. Pelo menos vai-se rescrevendo a história e avivando recordações.

Quem sabe se acordando responsabilidades.

A esperança é a última coisa que morre...

 

Maria José Rijo

 

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Quarta-feira, 4 de Junho de 2008

Sardinha, a Quinta do Bispo – Porquê? III

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.487 – 15 – Janeiro-1999

Conversas Soltas

  

         Pensei que deveria escrever sobre Aires Varela.

         Querendo faze-lo com o máximo de correcção fui, logicamente, beber na fonte de onde a informação é sempre limpa e indesmentível.

         Socorri-me do saber que nos foi legado por Victorino de Almada, no seu dicionário, onde, assim se conta:

         Aires VarelaO Sr Dr. Francisco de Paula de Santa Clara, a quem, como dissemos na introdução d’este trabalho, pedimos a fineza de nos dar alguns artigos completos a respeito dos mais salientes indivíduos do corpo eclesiástico elvense, começa a honrar-nos com uma colaboração mais assídua, subscrevendo os dois seguintes, que suprem muito vantajosamente os pobres esclarecimentos que poderíamos dar do historiador clássico Aires Varella, e de seu tio do mesmo nome, prior que foi da igreja de Santa Maria da Alcáçova.

         Eis as fontes. Agora, só a parte do relato que mais nos interessa.

Volto a citar:

............Também se chamou “D’Aires Varellaa Quinta, que presentemente se denomina do Bispo no rocio d’esta cidade. Há nos tombos da Câmara Municipal vários documentos que o comprovam ….

………..O bispo D. Manuel da Cunha houve depois a dita Quinta por compra, que fez aos herdeiros do cónego magistral, e legou-a à mitra de Elvas.

         Nos Arquivos d’esta diocese ainda existem vários instrumentos, que lavrou e assignou o notário apostólico Aires Varela; e o signal publico, de que usava, era assim: entre as maiúsculas A e V duas espadas cruzando-se pousavam sobre um altar, e ladeavam a cruz, que ali se erguia sobre a seguinte legenda: nec spe, nec metu.

         Mas as armas de sua nobilíssima família, e de que usava, traziam em campo de prata cinco bastões de verde em banda, e timbre meio leão rompante de prata e na mão direita um bastão.

         As obras da penna de Aires Varela ainda que ficaram na máxima parte inéditas, grangearam-lhe tal reputação, que ufana-se a cidade d’ Elvas de ver enumerar entre os clássicos da língua portuguesa o seu docto escriptor.

         Delle fazem a mais honrosa memoria Moreri e Nicolau António entre os estrangeiros; e dos nossos D. Francisco Manuel de Mello, o padre João de Vasconcellos, Antonio Carvalho da Costa, Diogo Barbosa Machado, fr. Jeronymo de Belem, Antonio Caetano de Sousa, J. C. de Figanière, Innocencio Francisco da Silva, e outros.

         As obras de Aires Varela que correm impressas são as seguintes:

         Successos que houve nas fronteiras dÉlvas, Olivença, Campo Maior e Ouguella o primeiro anno da recuperação de Portugal, que começou no Iº de Dezembro de 1640,

e fez fim no ultimo de novembro de 1641.”

Lisbôa, por Domingos Lopes Rosa, 1642. 4ª De 38 folhas numeradas só na frente.

         É extremamente rara esta relação; e d’um exemplar, que possuo, tirei copia, que dei à redacção do Trastagano. E foi a ditta relação reimpressa na Typographia Elvense, 1861.8º de 99 páginas.

         “Successos que houve nas fronteiras d’Elvas, Olivença, Campo Maior,e Ouguella o segundo anno da rcupreração de Portugal, que começou no 1º de dezembro de 1641 e fez  fim no ultimo de novembro de1642.”- Ibi, pelo mesmo, 1643. 4º De 112 paginas com algumas estampas, que representam a planta das praças tomadas ao inimigo.

         As obras, que Aires Varela deixou inéditas, consideram-se perdidas; e, segundo o testemunho de bibliographos de fé, erão as seguintes:

         “Successos que houve nas fronteiras d’Elvas, olivença, Campo Maior e Ouguella, e outros logares do Alemtejo, o terceiro anno da recuperação de Portugal, que começou em 1º de dezembro de 1642, e fez fim em o ultimo de novembro de 1643.,. O original estava depositado no cartorio da Serenissima Casa de Bragança, e foi devorado pelo incendio, que succedeu ao terramoto no iº de novembro de 1755. O Abade de Sever ali o viu.”

         “Genealogia de todas as Familias do Bispado d’Elvas”. Este manuscripto se conservava no meado do século passado em poder de Diogo Gomes de Figueiredo.

         Theatro das Antiguidades d’Elvas com a historia da mesma cidade e descripção das terras da sua comarca”, em folio, e constava de seis livros: 1º desde os celtas, seos fundadores, até a possuírem os mouros - 2º desde Elrei D. Affonso Henriques  até D.Fernando- 3º desde Elrei D. João 1º até D. Afonso 5º, - 4º desde elreiD. João 2º até D. Manuel - 5º desde El rei D. João 3º, até D Filippe 4º- desde El rei D. João 4º até ao cerco de Torrecusa.

         A esta obra se refere se refere D Francisco Manuel nas suas Cartas Familiares, publicadas em Roma em o anno de 1664. Na carta 62ª da 3ª centuria diz o erudito escriptor :” Mas quem quiser sabersuas memorias e antigualhas (d’Elvas), satisfará seos desejos, vendo o douto e diligente livro, que de sua historia tem composto o doutor Aires Varela, filho benemerito d‘aquela cidade, Governador de seu Bispado e Vigario Geral.”

         ....Já septuagenario e carregado de serviços passou d’esta vida para o seio da eternidade o licenciado Aires Varela em o dia 8 d’outubro de 1655......

....Jaz no cruzeiro da cathedral em frente do altar do Santíssimo Sacramento

......... E se o Cabido suffragou assim a alma do conego magistral, quantas orações não fariam os seos amigos mais dedicados?!

         Permito-me sublinhar as frases que se seguem:

quantas lagrimas e saudades lhe não espalharia sobre a sepultura o povo elvense?!

         Taes tributos se pagam à virtude! Vae já meado o terceiro seculo depois que viu seu ultimo dia o mestre e investigador das antiguidades da nossa terra, e todavia o seu nome vive e viverá na memoria das gerações.

         Na alta torre da cathedral d’Elvas espalham ainda os sinos som lugubre em o dia 8 d’outubro de cada anno; e os ministros da igreja, vestidos de lucto, gemem e fazem oracção sobre a sepultura do mestre saudoso.

         Se por acaso alguém se interessar por saber mais sobre Aires Varela, de quem a Quinta do Bispo, também teve o nome, o caminho para isso é a Biblioteca Municipal de Elvas.

         Julgo ter deixado aqui o essencial para se avaliar da qualidade e da importância do historiador, noutra ocasião, se me calhar, poderei mostrar, como ele foi integro nos seus pareceres e decisões e a grandeza moral, a dimensão humana que o tornou notável e credor do reconhecimento de todas as gerações de elvenses.

 

 Maria José Rijo

 

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Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Sardinha, a Quinta do Bispo – Porquê? (II)

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.485 – 1/Janeiro /1999

Conversas Soltas

 

 

 

         Dedico estes comentários de hoje, a todos quantos me têm apoiado, – e são bastantes – e que simbolizo na pessoa do senhor Arlindo Sousa Pinto, que não conheço, mas a quem estou grata por ver como entende as minhas razões, e a quem devo estima.

Dedico ainda, e também, a João Carpinteiro e António Rodrigues, que muito estimo desde há dezenas de anos, por razões que eles próprios intuirão...    

Dedico também a quem comprou a Quinta empenhando a sua palavra na afirmação de que a habitaria e nunca a destruiria... (e, já até, a terá vendido a um cidadão espanhol - garantem-me!)

Dedico ainda ao actual senhor Presidente da Câmara, pela evidência de como, usa os quase setenta por cento de votos que tão generosamente lhe foram confiados, confundindo serviço, com mando....

Faço-o sem rancor, sem arrogância, – faço-o com a humildade de quem com a idade aprendeu, que é sempre tempo de repensarmos as nossas próprias acções e, as nossas próprias palavras.

       Pertenço a uma geração em que palavra, honra, dever, dignidade, eram valores pelos quais se vivia e lutava.

       Pertenço a uma geração em que não era preciso ser ilustre para perseguir tais ideais – bastava para tal, a consciência de ser gente, para se e pugnar para ser pessoa de bem. Gente credível, gente de compromisso.

.        Quando alguém pronunciava essas tais palavras, todos sabíamos que elas significavam sentimentos, compromissos, que representavam esses valores.

         Hoje, estão esvaziadas de sentido.

Perseguem-se ideais diferentes. Tomam-se por ideais valores materiais e com eles se pretendem substituir os valores morais. As pessoas são as mesmas. Têm as mesmas capacidades, as mesmas potencialidades. Apenas põem a tónica no imediatismo, na pressa desenfreada, na ilusão de que todos podem colher tudo ainda que o não tenham semeado, ou que nada semeiem.

Substituiu-se a decisão moral pela decisão política, que devendo continuar a ser ainda e principalmente decisão moral, se despe desse atributo para passar a ser apenas decisão de oportunidade ou, pior ainda, apenas de oportunismo. O brilho muitas vezes cega. Ofusca até a qualidade do material que brilha, mas seduz, embora também iluda.

Este ano está no fim.

O frio impera.

         A chuva chegou finalmente, apetece sentar ao lume e contar histórias. Não me vou furtar à invocação de um elvense – o senhor Alves – que eu conheci quando era estudante no liceu de Beja e ele era um velho Senhor, cheio de dignidade que percorria os bairros pobres protegendo os necessitados, recolhendo crianças órfãs, despojando-se de tudo em favor de quem precisasse.

O senhor Alves pertencia a uma família Abébora. Gente de meios que habitava uma grande casa na rua de Alcamin. Cresceu com a psicologia do menino rico inútil. Frio, altivo, arrogante. Ganhou fama e proveito de conquistador e usou e abusou de mulheres e moças quantas quis. Até que um dia comprometeu a filha de alguém que foi capaz de o “acordar”. Fê-lo sob um terrível estado de embriaguez. Quando sóbrio, ao tomar conhecimento dos excessos cometidos e das suas consequências prometeu sob palavra de honra que jamais na sua boca entraria uma só gota de álcool que fosse.

         Quando no fim da vida ao ser-lhe ministrado um novo medicamento. Não tendo já capacidade para ler a sua composição indagou o que continha e ao ser-lhe dito que continha vinho do Porto disse: não tomo nem que daí dependa a minha morte. É que eu prometi a” um homem de bem “que na minha boca jamais entraria álcool.

         Eram assim os caminhos da dignidade...Da honra...Da palavra empenhada.

         Penso e repenso no que vejo e ouço acontecer...

Às vezes, muitas vezes, nem já se põem em causa as decisões tomadas, mas, sim, os caminhos que a elas conduziram. 

           

    O ano de 98 despede-se. Ponho algumas das estrofes da Epifania dos lilases de António Sardinha a perfumar o seu adeus e com elas, também agradeço a quem me lê desejando um muito feliz 99.

 

 

Florescem os lilases brandamente,

florescem os lilases com brandura.

E o seu perfume tépido, envolvente,

de tentações povoa a noite escura.

 

De tentações povoa a noite lenta

o aroma dos lilases em segredo.

Há no silêncio um bafo que adormenta,

um bafo perturbante de bruxedo.

 

 

         FELIZ 1999

        Maria José Rijo

 

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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Sardinha, a Quinta do Bispo – Porquê? (I)

 

 

 

Quando por qualquer circunstância temos uma mazela, por mínima que seja, é certo e sabido que tudo lá encalha e toca...

Comigo está a ser um pouco assim.

Ando distraidamente a arrumar papelada e catrapus! Lá me aparecem jornais antigos com artigos sobre António Sardinha!

Há dias encontrei um de Eurico Gama, datado de Maio de 1970! - Agora, outro, desta vez de Joaquim Tomaz Miguel Pereira com data de 9 de Janeiro de 1981!

Faço permuta de livros com um grande amigo, muito interessado e conhecedor destas coisa de literatura, e o que é que ele me traz desta vez? - Nada mais, nada menos, do que a Revista Cultural de Portalegre, – “a cidade” de Julho/Dezembro de 1988, toda ela dedicada a quem havia de ser: - António Sardinha.                               

Se isto não é uma mensagem do destino, então não sei como interpretar semelhante coincidência...

Vai daí, decidi-me a destrinçar para mim própria e para quem por tal se interessar, – a Quinta do Bispo e António Sardinha porquê! - Por teimosia? Por masoquismo sabendo por experiência própria e publica ao que me sujeito? - Não. Claro que não!

Os dias da Quinta estão contados. Se bem sei, restam-lhe apenas dois meses, no máximo, para conviver com a esperança de que a insensatez dos homens nunca ousaria sepultar a história, e, do ponto de vista turístico, destruir a galinha dos ovos de ouro, mas a cupidez e o desamor, muitas vezes fazem obra destruindo o futuro das cidades.

As gerações futuras ficam defraudadas, empobrecidas. - E, é pena!

                  Ramalho Ortigão

Já Ramalho Ortigão – referindo o sacrifício que representou a construção do nosso Aqueduto, escrevia: “Uma tal empresa é a humilhação e a vergonha do nosso tempo, incapaz de pagar com igual carinho ao futuro aquilo que deve à previdência, aos sacrifícios e aos desvelos do passado.”

Porque não me furto ao que considero meu dever, e também porque me parece justo que sempre que alguém se propõe destruir uma coisa, que é de todos, é justo que saiba em consciência o quê. - O que se destrói, voltarei a falar da Quinta do Bispo.

Irei assim, se Deus quiser, sempre que possível, tentando explicar o porquê da minha insistência em tratar, mais uma vez, deste assunto.

Repetidas e bastas vezes, um outro amigo meu, formado em história, e profundo conhecedor da nossa história local, me repete:

Elvas é das cidades do nosso país aquela a que Portugal é mais devedor.

Elvas foi a cidade mais sacrificada e mais gloriosa na luta pela nossa independência.

Aqui, até um bispo, mandou destruir a igreja de S. Sebastião para que ela não fosse profanada pelos franceses aquando das invasões.

Essa igreja situava-se nos terrenos da Quinta do Bispo!

Vamos então começar daqui a nossa evocação? - Vamos, que vale a pena.

Era uma vez...

...De “Teatro das Antiguidades de Elvaspasso a transcrever, actualizando a ortografia.

«....No ano de 1506 a peste, que chamaram grande invadiu, e matou quase a a maior parte da gente deste Reino, desconfiada a gente do socorro humano recorreram ao divino, tomaram por intercessor ao invicto mártir S. Sebastião levantando-lhe os de Elvas uma ermida mais de duzentos passos distante para o poço de Cam Cam, impuseram os moradores para o fabrico da Igreja um púcaro de azeite sobre cada moedura de azeitona. Pela intercessão deste Santo foi Deus servido aplacar tão grande mal.

                     São Sebastião, por Mantegna.

Depois pelo nascimento del rei D. Sebastião se ordenou procissão geral solene que todos os anos no dia do mesmo Santo vai à sua ermida.»

Poderíamos começar a falar de mais fundo, no tempo, da identidade daquele espaço

Podia ser, mas começar pela evocação dum milagre atribuído a S. Sebastião, pela gratidão duma população, pela devoção da gente de Elvas, – dos nossos antepassados –, parece-me uma forma particular e verdadeira de começar esta narrativa

Hoje pouco mais direi. Mas para aqueles mais distraídos que porventura encolhendo os ombros digam para si mesmos: - o que temos nós a ver com estas coisas. Tão lá do fundo dos séculos vou citar desse tão falado escritor falecido há poucos dias – José Cardoso Pires – um pouco do que ele escreveu sobre a importância da memória.

“Sem memória esvai-se o presente que simultaneamente já é passado morto. Perde-se a vida anterior. E a interior, bem entendido, porque sem referências do passado morrem os afectos e os laços sentimentais. E a noção do tempo que relaciona as imagens do passado e que lhes dá luz e o tom que as datam e as tornam significantes, também isso”

Porque a história é a memória dos povos vale a pena sem saudosismos piegas preservar a imagem da nossa própria identidade não destruindo o rasto dos que a fizeram com o valor das suas vidas e obras. Vale a pena viver com a consciência de que fruímos um legado que nos cabe respeitar e nunca devastar, e agir em conformidade com esse imperativo desejo de passar honradamente o testemunho.

 

Maria José Rijo

 

 

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.482 – 11 - Dezembro de 1998

 

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música: Sardinha,a Quinta do Bispo - Porquê? - 1
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Domingo, 1 de Junho de 2008

A quinta do Bispo... Hoje ... I

 

Rua dos Lilazes...

... o abandono...

A Nora alta

o lago...

águas paradas...

 

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Sábado, 31 de Maio de 2008

Um amigo, a Quinta do Bispo e eu

“ A Verdade da sua conduta

A Beleza da sua obra

O Bem do seu carácter”

 

O Homem que, uma vez, perante uma muito selecta assistência, terminou, com estas frases, a conferência que proferiu homenageando outro Homem (Cabral Antunes, já ausente…) – é também meu amigo e, telefonou-me.

Telefonou-me para falar sobre a Quinta do Bispo.

Telefonou-me a acautelar-me sobre a “exploração” a que o assunto se presta e fez-me algumas perguntas.

A um Homem que avalia a “dimensão” de outro com tais premissas – Verdade, Beleza, Bem – eu devo respostas e, mais ainda porque se trata dum “menino da Luz” – como meu marido também foi.

AQUI VÃO:

Quando os livros e pertences do escritório de António Sardinha saíram da Quinta eu não estava em Elvas mas ainda que estivesse não me teria intrometido. “A verdade da minha conduta” – ter-me-ia obrigado a reconhecer que não era obrigado a reconhecer que não era então a mim que me cabia fazê-lo.

Havia, na altura, outras vozes muito mais autorizadas para o fazerem.

Se o não fizeram foi porque as circunstâncias post-25 de Abril os levaram a temer pelo espólio, que não por eles próprios – posso afirmá-lo.

Em relação aos bens que constituíam o recheio da casa nunca me permitiria dar sequer opinião.

Considero um direito de família terem repartido como bem entenderam o que - por herança – deles era e continua a ser.

A mim, como a qualquer outra pessoa que admira a “Beleza da obra” – pode caber até refutar, por diferença de convicções, as suas ideias.

Pode.

Porém, o que jamais poderá ser contestada é a qualidade dessa obra e o seu inestimável valor nas letras portuguesas.

Olha, Amigo! – Cada um é para o que nasce.

Em velhos tempos andou a PIDE atrás de meu marido e de mim – porque nos permitíamos expressar livremente opiniões – e não foi fácil – porém, como sabes não nos acobardámos.

Hoje, é da Câmara que procuro ajudar na defesa do nosso património dizendo em voz alta a minha opinião, que se insinuam suspeições sobre o “Bem do nosso carácter”…

Que posso fazer, Amigo!

Pois fica a saber que convidei pelo telefone o Senhor Presidente e depois insisti pessoalmente para que viesse tomar um café a nossa casa. Ele acedeu mas não concretizou a promessa (vai quase um ano passado) e, acabou, não me dando essa oportunidade, por me forçar a tornar públicos assuntos que teriam sido tratados de forma muito mais a meu contento…

Repara que fiz estas diligências depois de o Senhor Presidente me ter por escrito remetido para o Senhor Vereador da Cultura como resposta à minha primeira tentativa de com ele conversar.

Eu raramente saio – como sabes e também sabes porquê mas, retomando o assunto.

Depois que perdemos também José Telloque será sempre uma referência ímpar na cidade de Elvas – quem está por aí com disposição para quebrar o silêncio que é sempre cúmplice com a morte de alguns valores??

Vejo António Tello Barradas com a sua coragem e lúcido saber e, a tua velha amiga, com o impulso que lhe dá o peso dos anos – e, também – com o apoio daqueles que, mesmo com desconforto vão secundando a luta porque a reconhecem justa.

A minha pública homenagem ao Linhas de Elvas e aos seus valorosos colaboradores.

Assim que, como podes concluir, não é neste ponto da minha jornada, que vou renegar princípios que sempre me nortearam. Não posso deixar, sem reagir, que se destrua um espaço que desde o século XVII Aires Varela – com a sua obra – tornou referência histórica para a Cidade.

Eu ousaria, era, pedir-te que endereçamos ao Senhor Presidente da Câmara – que confessaste apreciar – as palavras que me dirigiste um dia com tão corajosa amizade (quando anunciei sair da Câmara):

Não deixes que a tua vaidade e o teu amor-próprio te ultrapassem.

Podes crer que esse teu alerta está subjacente à minha atitude está subjacente à minha atitude em defesa da Quinta do Bispo.

É que a tua amizade por nós, foi sempre tão nítida, como o abraço que me mandaste no meio daquela folha de papel grande e branca. Sabes bem quando…

Por tudo isto gostaria de ter também “deste lado” agora.

A causa é justa embora difícil.

Quando o dinheiro ganha voz submerge muitas vezes a razão – e, é pena.

Ousemos confiar num desfecho feliz…

A cidade é a nossa – e, temos que a merecer.

A escolha será tua.

Sim ou não – são posições opostas.

Tu decidirás.

A amizade é outra coisa.

Em nome dela – até sempre.

 

Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

18 de Novembro de 1994

 

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Que não saia da Mira o fulcro da questão”

Deveres, coragem, obrigações, opiniões, cifrões e… más criações…

Aqui estão valores que tantas vezes se confundem e baralham por emoções.

Vamos destrinçar um pouco…

Eu penso que é meu dever ter a coragem de defender publicamente a minha opinião em que, por envolverem muitos cifrões, me sujeitem a suportar algumas (possíveis) más criações, ou confusões…

Eu penso que, a ideias se contrapõem ideias e jamais vinganças, represálias. Descortesias, abusos de poder, ataques pessoais…

Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também, dos ideais.

O filho não deixa de ser filho por não casar à vontade dos pais – nem o cidadão deixa de ser respeitável por discordar do governante – e vice-versa.

Daí que não esperando – seja quem for – que todos o entendam, ou creiam, teremos que aprender – qualquer de nós a viver com esse desconforto o que é coisa normal e corrente.

O que não se pode, deve ou quer, é alguém sentir-se cobarde por ter desistido de lutar pelo que sente ser justo – só para fugir aos riscos da incompreensão.

Acima do respeito dos outros – que todos desejamos – tem que estar o respeito por nós próprios e isso é conquista só nossa.

Penso que o aplauso e adesão à proposta lançada sobre o futuro da “Quinta do Bispo” para testar se ela deveria ou não continuar a ser zona verde como consta do P.G.U. (Plano Geral de Urbanização) merece já uma serena e desapaixonada ponderação.

Sem amores próprios, vaidades ou orgulhos exacerbados ou imaturo espírito de rivalidades sem justificação.

Da falta de compostura e dos ataques pessoais mais ou menos encapotados só se pode deduzir que: onde faltam argumentos válidos se resvala facilmente para a má criação que torna ainda mais evidente a ausência dessas tais sólidas razões.

Reconhece-se sem favor e com justiça – e ninguém ainda o pôs em duvida – que não é suportável nem decoroso que a Quinta do Bispo possa continuar abandonada e desmazelada da forma confrangedora a que propositadamente foi votada!!!

Reconhece-se a urgência de pôr cobro a tão escandalosa situação, resolvendo-a rapidamente MAS tendo os superiores interesses na cidade como lema.

Reconhece-se assim a flagrante necessidade de serem estudadas com rigor as soluções possíveis dentro das hipóteses que o P.G.U. comporta.

ASSIM QUE:

Com o mínimo prejuízo possível para os proprietários que aliás adquiriam a Quinta sabendo os condicionamentos implicados no P.G.U. que já vigorava à data da transacção se deverá encontrar uma solução que honre o respeito e preservação do que é Património histórico-cultural da cidade de Elvas e, só depois os interesses particulares.

Esta é a essência da questão.

O resto é fogo posto, para arranjar derivativos que perturbem a visão clara dos factos.

Frente a uma argumentação séria que nos prove (a mim e às centenas de pessoas que já estão a apoiar a posição que defendemos) – que estamos errados – frente a essa circunstância – tomaríamos a atitude que também esperamos da dignidade dos nossos opositores – que continuamos a respeitar – honestamente desistiríamos.

Em qualquer caso ficaria sempre a consciência de se ter evitado uma atitude irreflectida e apressada numa tão grave como importante decisão para o futuro de Elvas.

Aqui só a cidade ganha ou perde.

Ter a consciência do que se afirma e assumi-la é a maneira como sei e quero continuar a viver – assim Deus me ajude.

 

Maria José Rijo

 

§§§§§§

Jornal Linhas de Elvas

9 de Dezembro de 1999

 

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música: Maria José Rijo disse assim
publicado por Maria José Rijo às 21:06
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Contribuições recebidas para a compra da Quinta do Bispo

 

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Jornal Linhas de Elvas

de 9 de Dezembro de 1994

 

 

 

 

 

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Terça-feira, 27 de Maio de 2008

Leitores escrevem sobre a Quinta do Bispo - III

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Carta de 16 de Dezembro de 1994

 

FORÇA ELVENSES

 

Através do Jornal Expresso de 12/11 p.p., tive conhecimento da intenção destrutiva da nossa Quinta do Bispo, pelo Sr. Presidente da Câmara – Rondão de Almeida.

É do nosso conhecimento que desde 1986 se tem tentado o loteamento da referida Quinta, mas sempre se respeitou o (PGU) Plano Geral de Urbanização e, consequentemente, o património histórico-cultural da cidade. Naquela notícia o Sr. Presidente acusa “os cultos de impedirem o desenvolvimento e a modernização da cidade” mas para ele outro valor mais alto se alevanta que o cultural – o vil metal.

Segundo os socialistas “a maioria laranja”, no Parlamento e no governo, tem estragado o País e tem sido bastante criticada até pelo Sr. Presidente da República, embora o Sr. Gutterres a deseje para si. Na nossa autarquia a maioria absoluta socialista está agora prestes a consumar a destruição daquele património elvense.

Não critico os elvenses por terem querido mudar a cor política do município, pois há sempre a esperança e melhorar, mas é sabido e conhecido que os socialistas dão sempre primazia ao aspecto pecuniário, desbaratando, contudo, todas as verbas como “manteiga em focinho de cão”.

Tendo agora, amigos e simpatizantes elvenses, a ocasião de vos redimirdes da escolha feita, não consentido que aqueles que vocês elegeram, como transmissores dos vossos anseios, queiram agora fazer “gato e sapato” dos vossos conceitos culturais e desrespeitaram a vossa vontade.

Se o Sr. José Marques não tem condições para manter condignamente a propriedade, servindo esta de antro a prostitutas, droga e homossexualidade, que a venda à Câmara, sem valor especulativo para que o Sr. presidente possa manter aqueles valores culturais, mesmo contra sua vontade, mas pró-Elvas.

Assim, como amante da nossa cidade, admirador e respeitador de todos os valores histórico-culturais, regionais e nacionais, manifesto aqui todo o meu apoio ao povo elvense e, se há uma maioria na autarquia, há uma outra maioria mais sólida e possante – a população de Elvas.

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José Severino de Lança Brito

 

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música: Carta de José Severino Lança Brito
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Leitores escrevem sobre a Quinta do Bispo - II

 

Cartas de – 16 – de Dezembro – 1994

 

Em 1910, o encanto que se depreende de Elvas e ao qual sucumbe sem reservas, não lhe tolda o espírito crítico. “Incaracterístico”, na época, não tinha porventura as conotações de hoje. A palavra não deixa, mesmo assim, de albergar certo valor profético. Meditemos nele, saboreando ao mesmo tempo o colorido da evocação.

Preservar a Quinta do Bispo é, sem dúvida alguma, prestar homenagem aos hóspedes ilustres de outros tempos. A Cruz e Silva, a António Sardinha que ali escreveram e pensaram “longe do vão ruído dos homens” com “o azul lá em cima a espreitar por entre a verdura”. ((carta de A. Sardinha a A. Júlia, 1919). Mas não só. Preservá-la é, antes de mais nada, homenagear os Elvenses, o seu sentido da História, do amanhã.

A Quinta do Bispo pertence aos Elvenses, é parte integrante da sua história comum. E essa história é também nossa, de todos os Portugueses, inscreve-se no grande livro da memória colectiva, Apagar qualquer testemunho vivo desse passado escrito e tantas vezes é, convenhamos, um acto impensável. Mas tudo isto, os Elvenses já sabem, não é verdade?

 .

Maria do Rosário Sardinha

 

 

 

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música: Carta de D. Maria do Rosário Sardinha
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Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Carta de apoio do Arq. Fernando Monteiro

 

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Carta de Apoio

datada de 20 de Dezembro de 1994

 

 

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música: Carta do Arq. Fernando Monteiro
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Domingo, 25 de Maio de 2008

Quinta do Bispo na Grande reportagem - 1998-Set

 

Revista mensal

Nº 90 - ano IX - 2ª série

Setembro de 1998

pág. 20

matéria de I.L.

 

Chamaram-lhe primeiro Quinta de São Sebastião. Mais tarde, recebeu o nome de Aires Varela. Anos depois, quando foi comprada pelo bispo de Elvas Dom Manuel da Cunha, ganhou o nome que tem hoje: Quinta do Bispo. Mas talvez não dure muito.

 

A Quinta onde se veneram imagens da Nossa Senhora do Bom Sucesso e onde vivia o poeta António Sardinha pode voltar a mudar de nome. Ou de designação, passando de quinta a bloco de apartamentos.

 

A novela começa quando os herdeiros de António Sardinha precisam de vender a quinta. Na altura, Maria José Rijo vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Elvas, consegue incluir esta casa, rodeada por um jardim de 35 mil metros quadrados, no plano de urbanização da autarquia classificando-a como zona verde. Por isso, quem compra a quinta em 1989 compromete-se a mantê-la.

Por alguma razão, o novo proprietário acaba por despedir o caseiro e entrega à bicharada uma construção com quatro séculos e um jardim de árvores centenárias.

 

Mas em 1995, um “inesperado” pedido de loteamento da Quinta do Bispo aterra nos serviços da Câmara Municipal de Elvas.

Se pessoas como Maria José Rijo, que defendem “a recuperação do terreno e do espaço histórico”, chegaram a acreditar que a classificação no PDM seria suficiente para assegurar a preservação da Quinta, a opinião do actual presidente da Câmara, José Rondão Almeida, parece ser outra: “A maior parte do espaço é um monte de entulho abandonado”, justifica o autarca socialista.

“Depois de loteado, dará lugar a uma urbanização com prédios de quatro ou cinco andares”. Segundo o presidente, a velha casa e o jardim, que ocupam cerca de cinco mil metros quadrados, “serão preservados e será exigido ao novo proprietário do loteamento a sua recuperação.

 

Talvez. Mas se o futuro proprietário for tão zeloso como o último, a urbanização arrisca-se a ter vista para um monte de entulho.

.

I.L.

 

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música: Quinta do Bispo - Na Grande Reportagem
publicado por Maria José Rijo às 22:00
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Carta da Drª. Angelina Martins

 

 

Senhor Director do “Linhas de Elvas”

 

A História coloca desde cedo logo na infância de cada um de nós o nome de Elvas. A aprendizagem do nosso patriotismo recolhe alimento abundante nas páginas dos seus fastos. Depois, ao lado das grandezas que moveram exércitos, sempre houve na vida da cidade razões de referência para a importância do património do País.

 

“A Quinta do Bispo” é, com o seu historial, um exemplo significativo dessa referência. Habitada pelo Bispo Dom Lourenço de Lencastre, que António Diniz da Cruz e Silva imortalizou no seu “O Hyssope”, modelo mundialmente apreciado do Poema Herói-cómico, já por isso devia ser conservada com carinho.

 

Se, porém, tal não aceitarmos como condição suficiente, lembremos que mais tarde vem valorizá-la a presença de António Sardinha. Ora, Elvas tem sabido respeitar, pelo menos até agora a sua figura de patriota e escritor. E se faço esta limitação é porque, com amargura, já o vi também agora referido como “esse literato”.

 

Fui bastantes anos professora e co-proprietária do Colégio Elvense. Criei então com a cidade cumplicidades duradouras, pois, ausentando-me ou mesmo chegada a hora de desaparecer, aí estão os alunos que, com todo o afecto de que era capaz, ajudei a formar.

 

 

Sinto-me, pois, no direito – e sem contradição, no dever – de lhe pedir, senhor Director do “Linhas de Elvas”, que me ceda umas linhas no seu prestigiado Jornal para enviar um apelo aos meus alunos os quais, seja qual for a posição que ocupem, são todos – ou muito me decepcionariam - Elvenses  conscientes do dever de defenderem os valores da sua terra.

 

A Quinta do Bispo é um desses valores. Não tem a imponência do Aqueduto da Amoreira. Não chama à oração como a Sé ou São Domingos. Não acende entusiasmos bélicos como os Fortes que nos convidam a entrar na cidade ou as muralhas que ainda a abraçam. Mas é também um monumento. Está na história. A Arte e o Espírito também são material histórico.

 

Se infelizmente, como sinal dos tempos confusos que vivemos, isso vier a acontecer, será em nome de quê?

Não deixem, meus antigos alunos do velho colégio Elvense que não individualizo aqui porque todos continuam no meu coração – não deixem que a Quinta do Bispo morra afogada em cimento

 

Tenha paciência quem se sentir atingido, mas a resposta quanto a mim, é esta: em nome do lucro e da ignorância, se não apenas do menosprezo por tudo o que transcende o que se pode desenhar numa folha de papel espetada em qualquer cavalete.

 

Nos agradecimentos que lhe apresento por acolher as minhas palavras incluo os que se destinam à promotora desta campanha, a Exmª. Senhora D. Maria José Rijo a quem Elvas fica a dever mais esta prova de dedicação.

 .

Atentamente

Angelina Vasquez Martins

 .

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Jornal Linhas de Elvas

16 - Dezembro - 1994

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música: Carta da Drª Angelina Vasques martins
publicado por Maria José Rijo às 20:47
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Argumento do Hyssope

 .

José Carlos de Lara, Deão da Sé de Elvas, querendo obsequiar o seu Bispo, o Excelentíssimo e Reverendíssimo Dom Lourenço de Lencastre, vinha oferecer-lhe o Hyssope à porta da casa do Cabido todas as vezes que este Prelado ia executar as suas funções na Cathedral.

Depois, esfriando entre eles a amizade por motivos que nos são ocultos, mudou o Deão o sistema; o que o Bispo sentiu em extremo como uma grande afronta à sua ilustríssima Pessoa; e para obrigar o mesmo Deão a continuar no costumado obséquio, conseguiu por meio de alguns seus parciais do Cabido, que este lavrasse um Acórdão, pelo qual o Deão fosse obrigado, debaixo de certas multas, q que não o esbulhasse da pretendida posse em que se achava.

Deste Acórdão appelou  o Deão para a Metropoli, onde teve sentença contra si. Esta é a acção do Poema.

Passado pouco tempo depois da referida sentença, morreu o Deão, e lhe sucedeu no Benefício hum sobrinho seu, chamado Ignacio Joaquim Alberto de Mattos; o qual recusando sujeitar-se, como seu Tio, a sobredita obrigação, foi pelo Bispo asperamente repreendido, e ameaçado.

Então interpôs o mesmo hum Recurso para o Juiso da Coroa, o qual mandando continuar vista da petição ao Bispo do estylo; ele,possuído de hum terro pânico, se não foi temor reverencial, desistindo da imaginada posse, negou haver tal Acórdão, e tudo quanto tinha obrado a este respeito.

Tudo, isto, que se seguiu depois da Sentença da Relação Eclesiástica de Évora, da matéria ao Vaticano de Abracadadabro, e he hum dos episódios, que entrarão na composição deste Poema.

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Dr. João Falcato

 

 

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música: O pOema em 8 cantos
publicado por Maria José Rijo às 18:20
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Leitores escrevem sobre a Quinta do Bispo

 

 

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Jornal Linhas de Elvas

16 - Dezembro de 1994

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música: mais cartas de Apoio
publicado por Maria José Rijo às 17:56
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Carta de apoio de Joaquim Pereira

 

 

 

 

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Carta de 23 de Novembro de 1994

Coimbra

 

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música: Carta de Joaquim Pereira
publicado por Maria José Rijo às 17:49
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Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

O Marquês de Pombal entra na história do Hyssope

O Bispo de Elvas, Dom Lourenço de Lencastre era do sangue do Duque de Lencastre que a Inglaterra veio em auxilio do Mestre de Avis e que deixou uma filha Rainha e a “Ínclita Geração”.

De boa linhagem, manda a justiça que se diga que prestou assinados serviços à Igreja. Ligado aos Marqueses de Lavradio, conde de Avintes e Marqueses da Mina, era filho do ilustre Dom Rodrigo de Lencastre.

Para ganhar serenidade, fugindo ao farfante Deão e ao poeta do Hyssope, deixa o seu palácio na cidade, compra aprazível Quinta nos subúrbios de Elvas que, por esse só facto se passa a chamar “Quinta do Bispo”.

Quando se apresta para ocupar aquele paradisíaco local, ó céus, verifica que dele, de todos os pontos, se enxerga o Convento de S. Francisco onde se acolhia o Lara. Manda que uma sebe frondosa de árvores exóticas o liberte da visão.

Por tão frondosa vegetação, o poeta do Hyssope chama à Quinta a “versailhes “ de Elvas.

Liberto do Deão pela protecção das árvores, como igualmente se havia de libertar do poeta!? Recorre para o “Juiso da Coroa”, que despropósito, para administrar justiça, exige que venha à sua presença o poeta e, no seu gabinete, recite para ele na presença do Bispo partes do poema que previamente tinha marcado.

No final despachou o Bispo para Elvas e castigou o poeta nomeando-o para o mais alto cargo das Justiças do Brasil.

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.276

2 de Dezembro de 1994

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:37
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O centenário Platano da Quinta do Bispo

 

 

 

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música: O magestoso Plátano
publicado por Maria José Rijo às 00:35
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Quinta do Bispo no Diário de Noticias

Diário de Noticias

em: País

6 de Dezembro de 1994

..

matéria

assinada por

Manuel Carvalho

..

 

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música: Quinta do Bispo no Diário de Noticias
publicado por Maria José Rijo às 22:06
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A Quinta do Bispo -no Jornal Expresso

Câmara de Elvas

destrói

quinta histórica

..

Jornal Expresso

12 - Novembro de 1994

..

matéria redigida por

J. E.

...

 

 

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música: Quinta do Bispo no Jornal Expresso
publicado por Maria José Rijo às 21:57
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Não Há 2 sem três

CHEQUES PARA A COMPRA DA QUINTA DO BISPO CONTINUAM A CHEGAR

Há duas semanas atrás, era lançado o desafio aos leitores do nosso jornal, no sentido de contribuírem na medida do possível – “… basta o valor de um café ou de um gelado…” – para a aquisição da Quinta do Bispo pela população elvense e demais amigos da cidade.

A nossa colaboradora Maria José Rijo, mentora desta ideia, avançou logo com um cheque no valor relativo ao seu subsídio de Natal.

 

Ainda poucos dias eram passados e chegava à nossa redacção um outro cheque, no valor de 200 contos, remetido por D. Maria del Cármen Baena Nunes da Silva Cruz Almeida, residente em Coimbra.

Já esta semana, o Dr. João Falcato enviava-nos – além da tocante carta que acima publicamos – um cheque de 500 mil escudos, também à ordem da (por enquanto) hipotética Comissão de Compra da Quinta do Bispo.

Assim, a campanha lançada nas páginas do Linhas rendeu até agora  a quantia de 853.945$00 (sendo o nosso jornal depositário dos três  cheques referidos), uma importância de certa forma significativa, mas ainda bastante longe dos valores pretendidos – o que aliás é perfeitamente compreensível.

Assim, continuamos duplamente à espera: por um lado, da formação de facto da Comissão para a Compra da Quinta do Bispo e, por outro lado, de que até nós cheguem mais donativos para o fim em vista.

“Tijolo a tijolo”, a “obra” pode nascer – e o sonho transforma-se em realidade…

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.275

25  de Novembro de 1994

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:31
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Apontamento:

Quando se pretender fazer uma convincente tomada de consciência sobre o loteamento da Quinta do Bispo, chamem-se a Elvas técnicos da Comissão de Coordenação da Região do Alentejo (C.C.R.A.), da Direcção Geral de Transportes e do Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico (I.P.P.A.R.).

Convoquem-se técnicos da região, consultem-se os Ministérios do Ambiente e do Planeamento, a Secretaria de Estado da Cultura, artistas e técnicos ainda que não residentes.

Para que o povo possa reconhecer que está a ser tratado com o respeito que merece e a que tem direito.

 

                        Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:16
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Campanha de Angariação

Continua a dar frutos a campanha de angariação de fundos para a compra da Quinta do Bispo pela população elvense e amigos da Cidade.

De Borba, o Dr. João Falcato, director do Colégio Elvense, enviou um cheque de 500 contos.

 

 

 

publicado por Maria José Rijo às 19:04
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Sejamos lógicos

Se eu afirmar “gosto muito de Olivais”, ninguém espera que eu arranque todas as minhas oliveiras!...

Em 2 de Março de 1986 – faleceu com 98 anos de idade a Senhora Dona Gica - que fora proprietária da Quina do Bispo até cerca de 1980.

 

Em 25 de Abril de 1974 – Se, ainda hoje, pessoas colocadas em lugares de responsabilidade – de quem se espera atitudes justas e isentas – promovedoras de união e consenso, escamoteiam o sentido de justiça e a lucidez de corajosos actos de amor a Elvas…

- Se os transformam em baixa e cinzenta politiquice, com insinuações de fascistas e mais não sei quê – a quem se nega à ofensa de chamar de “literato” um dos grandes Homens das letras portuguesas…

Haverá alguém que não entenda – num rápido olhar – que foram os outros iguais a esses – aqueles que, confundindo e baralhando em lugar de discutir, os que “perfumaram” com ódio os cravos da revolução de Abril – que forçaram essa generosa e grande Senhora a salvar entregando à Igreja, o espólio de seu marido que de todo o coração ela tinha querido entregar a Elvas?!

Se 20 anos passados após o 25 de Abril…

Hoje ainda se usa o mesmo artifício, de forma tão pouco ética, pensemos nas horas dramáticas que terá suportado tão Santa Senhora, sob ataques de fanatismos ignorantes, à memória de seu marido…

Em 24 de Outubro de 1989 a Quinta do Bispo é comprada ao casal Sousa Lopes pela verba de 47.500 contos, esta é a verba autêntica e não outras…

(Tenho cópia de toda a documentação relativa ao acto, desde o número dos cheques, às importâncias, aos nomes dos dois intermediários comissionistas – tudo – até à carta de protesto do vendedor quando se apercebeu de “factos” que tanto o magoaram (por virem de “amigos”que, pode dizer-se, lhe abreviaram a morte).

 

Tenho porque me deram – e guardo porque, tudo quanto digo e faço, nada tem de agressão pessoal contra ninguém nem visa escândalos ou atitudes menos limpas.

Visa tão simplesmente ajudar Elvas.

Assim, aconteça o que acontecer, que ninguém possa desculpar-se, agora, ou no futuro, dizendo:

-- Ninguém me esclareceu! – Não sabia!

Acontece, que estou no “Linhas de Elvas! Desde a hora em que o jornal nasceu e, este semanário que vive e pulsa à sombra da mais importante batalha da independência de Portugal tem esse enigma de fé:

Serve sem medo a cidade e o concelho como uma voz de consciência indómita e corajosa, ignorando pressões – ousando falar verdade – sem titubear, como nesta hora em que levanta uma questão  nacional – a insensatez dos loteamentos não ponderados.

O Linhas não loteia! O Linhas norteia.

Assim – resumindo e concluindo:

Numa zona verde – protegida pelo P.G.U. – alguém compra uma Quinta.

Para quê? Para a habitar? Para arrendar ou cultivar? – Não!

Compra-a para driblar leis e princípios.

Compra-a porque menospreza a inteligência dos seus concidadãos.

Compra-a para esperar a hora de facturar e lotear – esta é a questão isto é evidente.

Isto é feio!

Isto é tão feio, como chamar a António Diniz da Cruz e Silva “literato” – como ousou fazer o despeitado Bispo D. Alexandre de Lencastre… Daí, todo o ridículo que imortalizou no “Hyssope”- e, a gargalhada que o acompanha já há dois séculos e o acompanhará através dos tempos nessa  obra prima da literatura portuguesa tão ligada à histórica “Quinta do Bispo”

Soluções possíveis:

a)    Os proprietários habitam e cuidam a quinta.

b)    Os proprietários vendem a quinta – que continua a ser zona verde – mas que por estar há seis anos entregue à incúria e ao desleixo se encontra fortemente desvalorizada pela morte de mais de 100 amendoeiras, laranjeiras e outras árvores de fruto e ornamentais.

c)    A Câmara cria para lá um projecto de utilidade pública que respeite o seu valor histórico – cultural organiza um dossier com todos os elementos já ventilados e outros e procede à sua justa expropriação.

 

Daqui não há que fugir – porque não há contrapartidas (de terminais acanhados e mal implantados) que tapem o sol com uma peneira – nem passeios em manhãs de sábados soalheiros, nem finais de telenovela ao vivo em cine-teatros que confundam a verdade evidente.

A última usufrutuária da casa à direita da entrada da Quinta faleceu em 22 de Junho de 1993.

Porém o apartamento do caseiro como todo o restante espaço tem estado inteiramente ao abandono desde 1989.

O povo trabalha e cumpre.

Quem o levanta é o desmando de quem governa.

O povo entende quando:

-- Por fora há cordas de viola e por dentro pão bolorento! E… não há branco que o encubra!

 

 

                                Maria José Rijo

 

€€€€

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.275 – 25 Novembro de 1994

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:43
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Domingo, 27 de Abril de 2008

No Diário da República

Diário da Republica

Sexta-feira – 23 de Janeiro de 1998

Nº 19/98

I – B série

 

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SUMÀRIO

 

Resolução do conselho de Ministros  nº 11/98:

 

Ratifica o Plano de Pormenor da Quinta do Bispo, no município de Elvas

Pág 255 a 259

 

 

 

 

 

 

 

 

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música: Diário da Republica
publicado por Maria José Rijo às 23:17
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IDEIAS PARA UMA CAMPANHA

“O acaso é a única coisa que nunca acontece por acaso”

(frase célebre do Sr. Professor Dr. Tiago de Oliveira)

 

Acaba o Sr. Arquitecto Paulo Barral de me lançar um surpreendente repto, com um recado, que dele recebi, pendurado na conjunção: se.

No “se” de Kipling (na tradução de F. Bermudes) diz-se:

“Se podes conservar o teu bom senso e a calma Num mundo a delirar, p’ra quem o louco és tu!”

(…) “Se podes encarar com indiferença igual o Triunfo e a Derrota – eternos impostores”

(…) “Se és homem p’ra arriscares todos os teus haveres

          Num lance corajoso, alheio ao resultado

          E calando em ti mesmo a mágoa de perderes

          Voltas a palmilhar todo o caminho andado”

 

- Estes “ses” – eu entendo.

O “se” de V.Exª não estou a perceber.

V.Exª que tive o gosto de conhecer e vi, à beira do Guadiana sonhando a ponte da Ajuda…

V.Exª. que foi Deputado da Nação, pelo partido socialista…

V.Exª que é – sem favor – brilhantemente inteligente, ágil de raciocínio, cauteloso e prudente, como um belo tigre caçador – sabedor do seu ofício até à habilidade do pormenor – manda … que me digam que “Se” eu fizer voltar à Quinta do Bispo o espólio do notável escritor António Sardinha – será V.Exª. a não permitir que a Quinta seja maculada?!

Que poderei responder?

Que me sinto o rato nas mãos do felino caçador?

Ou, deverei perguntar se sem anéis de deverá cortar, por inútil, a mão?

O Povo reza o contrário e sempre assim o defendeu; vão-se os anéis – fiquem os dedos!

Ou é que eu deveria brincar prometendo:

Dê-me V.Exª as sotainas do célebre Cónego Aires Varela (Autor do Theatro das antiguidades de Elvas, onde todos os estudiosos da história da nossa terra vão beber sabedoria) e, como é conhecido, foi também dono da referida Quinta – e, então, eu afirmarei que V. Exª foi genial – porque – como me mandou elucidar – não deixou subir a mais de quatro pisos a cércia dos edifícios propostos para o anunciado desastre.

Ora, acontece que, a hora não é de chistes.

A hora é de salvar a Quinta. E, tudo o que para tal se fizer merecerá apenas o C de certo (sem foguetes nem estrelados protagonismos) – o C rotineiro e discreto do quotidiano anonimamente cumprido com rigor.

Mas… se eu não sou dona de certezas e, apenas, responsável pela obrigação de honrar as minhas convicções que aceito perfeitamente sejam ou não ajustáveis a outras tão legítimas, quanto as minhas – desde que assumidas com a mesma clara frontalidade.

Assim sendo – e é! – Fiquei a olhar o gesto de V.Exª como um sinal de esperança e… ouso atrever-me a pedir:

Por favor, use a sua influência junto da Exmª Câmara para que se salve tão respeitável património!

Vamos tomar consciência de que não está a jogar qualquer desafio – mas – apenas a pensar na urgente necessidade de poupar, o que ainda for possível para transformar Elvas o mais rapidamente que formos capazes num importante pólo turístico.

Vamos ter a coragem de encarar agora que, com o (I.P7) que vem aí já! – jà! Elvas corre o risco de ficar estática, a olhar o progresso passar a seus pés – como aconteceu com os belos fortes!

Sem interferência – apenas como eles – silhuetas nobres de referência histórica.

Vamos sentir de mãos dadas que estamos a viver a hora decisiva de apostar forte na qualidade impar das nossas diferenças – que há que respeitar e nunca, por nunca apagar.

Peço V.Exª que se organize uma comissão para a compra da Quinta entregando-a depois à cidade.

Não é mecenas só quem dá milhões!

Também é mecenas quem dá uns tostões!

Peça, por favor, à Senhora Vereadora da Cultura – que é mulher e é professora que ponha a rolar a bola de neve.

Que promova (com os seus pares) uma campanha de sensibilização da criançada e dos jovens para o valor e defesa do património.

Vamos fazer que cada criança feche na sua pequena mão uma semente e, ao fazê-lo, sonhe a árvore!

Vamos despertá-los para que escrevam a todas as escolas do nosso País, contando coisas de Elvas, da história à gastronomia! – Vamos alargar essa campanha até onde for possível – ou, – até – ao impensável!

Convidaremos cada um que o queira fazer a dar apenas o custo dum bolo, o dinheiro dum gelado uma velha simbólica que faça a “bola” crescer e rolar….

Vamos espalhar aos sete ventos que aqui, entre nós, em Monsaraz há uma reserva protegida de oliveiras milenárias! – (último reduto na Península)

Vamos abrir-lhe o coração para essas realidades.

Oliveiras com mais de mil anos – e vivas!

Vamos falar do castanheiro de Guilhafonso – ao pé da Guarda – que já vivia quando Vasco da Gama ia, mar fora, nas caravelas e hoje é tão majestoso que são necessários 10 a 12 pessoas de braços abertos para lhe abraçar o tronco!

Vamos dizer-lhes que o plátano da Quinta do Bispo tem o tronco bifurcado porque, há mais de cem anos, alguém desejou que o frágil “mamão” que atrevidamente lhe nascera, ganhasse envergadura suficiente para um cabo de enchada. Disso se distraiu e, quando nele voltou a reparar e o viu viçoso e forte lhe respeitou a vida que o tem sustentado até hoje!

Coisas aparentemente tão pequenas…

Vamos sonhar num Museu agrícola com actividades próprias – de onde possa sair um cortejo etnográfico que conte das nossas raízes rurais com a narração figurada da quase mítica, saga do pão, do azeite, da pastorícia, do queijo, etc.

Vamos admitir que essa seria a “parcela” constante duma Bienal a criar em Elvas com todas as outras componentes artísticas (escultura, pintura, música, etc, etc…)

Tanta coisa! … Tanta coisa…

Gente com ideias, não falta por aí. Ás vezes, apenas, felizmente para elas, com menos tempo do que eu tenho, para as fiar…

E… com uma referência do “Hissope” – de António Diniz da Cruz e Silva – a “Esta Elvas” que, por gosto, servimos…

“… mil cidades

      Mil povos deixa atráz, até que chega.

      Da famosa azeitona à grande terra”

Vos deixo – não antes de tornar pública a minha gratidão a António Magéssi – que, para além da qualidade da sua escrita se enquadra perfeitamente na visão de Kipling…

“Se quem conta contigo encontra mais que a conta”…

E, logicamente, de referir também a consideração que mereci ao Sr. Arquitecto Barral – com o recadinho que estou também a agradecer.

 

Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

18 – XI - 1994

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:32
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Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

Não há quarta sem Quinta

O processo do loteamento da Quinta do Bispo está longe de ter chegado ao fim.

Em termos políticos nada é ainda definitivo e a contestação popular do loteamento continua. Os defensores de Sardinha e da Cultura arrancaram com uma campanha para adquirir a Quinta e Rondão Almeida está disposto a contribuir, se a compra e a recuperação fossem possíveis.

 

Rui Cambóias

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Para LER este artigo

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Jornal Linhas de Elvas

De 18 – Novembro de 1994

O Correio e os Cheques

 

José Miguel Sardinha é sobrinho – neto de António Sardinha e reside em Lisboa. Dirigiu-nos esta semana. Primeiro via telefone, depois escreveu “ponho de forma inteiramente gratuita a minha formação profissional de advogado com larga experiência no domínio do Direito Administrativo e do Direito do Urbanismo, para impedir a consumação de tamanho crime urbanístico. Com esta minha actuação pretendo, mais do que salvaguardar a memória do meu tio-avô António Sardinha, contribuir para criar um verdadeiro movimento cívico dos Elvenses em defesa dos valores culturais da sua terra.

 

Quem pretende vir também na linha de salvaguarda de Quinta é Matilde Rosa Araújo que leccionou na Escola Técnica em Elvas. Esta professora, em carta enviada à nossa colaboradora Maria José Rijo refere a determinada altura, “temos tão poucos redutos da memória cultural do nosso povo, dos nossos poetas e artistas que não podemos deixar perder um lugar que apresenta no seu historial tantas razões para ser salvaguardada”.

 

Como resposta à campanha lançada na passada semana por Maria José Rijo já começaram a chegar algumas importâncias monetárias a este semanário. De entre estas será de destacar um cheque de 200 mil escudos enviado pela nossa leitora Maria Del Carmem Baena Nunes da Silva Cruz Almeida.

De fora chega também outra manifestação pública contra o loteamento. Duas dezenas de elvenses radicados na capital endereçaram esta semana à redacção um abaixo-assinado onde salientam ser preciso preservar a todo o custo a qualidade de vida da nossa cidade e o seu valor histórico-cultural”.

Rui Cambóias

 

 

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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

António Sardinha (1888-1925)

 

 

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Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Comunicado da Câmara Municipal...

Em resposta ao artigo anterior de Manuel Carvalho

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Publicado no Jornal Linhas de Elvas

3 - XII - 1994

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Comunicado de 21 de Novembro de 1994

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Eu loteio, tu loteias… nós loteamos

Eu loteio, tu loteias… nós loteamos

Com Texto – Manuel Carvalho

18 – XI – 1994

Como vão longe os tempos em que se podia dizer “o sonho comanda a vida”, entrámos na vertigem do lucro fácil e a qualquer preço. Ao nível das centenas de terrinhas deste País de autarcas sob suspeita – alguns já detidos até – não há nada tão na moda do que ter ou comprar um terreno, uma horta, um olival ou uma quinta e pensar que… um dia, com um loteamento à maneira, tudo se pode transformar em casinhas, muitas casinhas, o mais amontoadas possível. É um negócio esperado por tanta gente, disposta a vender-se e a comprar pessoas na mira de poder encher os bolsos.

Cá está. É o “eu loteio”.

Só que, nestes processos onde a burocracia impera, há sempre uma outra parte: aquela que pode autorizar ou impedir a transformação desejada. Uma missão terrível, para que se exige uma isenção máxima, protegida por betão, à prova de todos os aliciamentos. É a tarefa nobre de quem decide muitas vezes a favor do progresso, mas de quem sobretudo se espera ser capaz de fazer frente, para evitar os atentados que destroem património irrepetível.

Cá está. É o “tu loteias”.

Até aqui, tudo bem. O pior, quando vem, vem depois. E vem vezes demais, surge no momento em que o dono do terreno e a entidade licenciadora começam a namorar, acabando por descobrirem que o melhor é mesmo marcarem a boda e juntarem os trapinhos. Com frequência já sem pudor nenhum. Á vista de toda a gente.

Cá está. É o “nós loteamos”.

Só assim pode acontecer que um construtor obtenha o aval para uma obra discutível e, depois de atacado por grande altruísmo, acabe por oferecer uns milhares de contos à mesma autarquia e esta, reconhecida e emocionada, acabe por retribuir com um diploma de honra lá da terra para o benemérito…

Só assim pode suceder que o dono de um terreno loteável se ofereça para pagar a uma autarquia uma despesa de centenas de contos, com a edilidade a aceitar a oferta e a fazer umas flores com ela, quando já se prepara para se debruçar sobre a viabilidade do loteamento em causa…

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Neste País de autarcas sob suspeita, não há nada mais aliciante do que ter um terreno e pensar que… um dia, com um loteamento à maneira, se pode transformar em muitas casinhas amontoadas.

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Só assim se pode ver algumas pessoas a fazerem rotações de 180 graus nas suas conhecidas posições públicas de muitos anos, precisamente quando já tem projecto para lotear o seu belo terreno…

Só assim se pode dar aquele cúmulo da distracção que consiste na autorização concedida por uma edilidade em relação à valorização de um terreno, cujo proprietário, dias depois da graça recebida acaba por vender uma outra propriedade sua ao próprio edil, que logo inicia umas vistosas obras sem licença…

.

De acordo com a informação recebida todos os dias, os protagonistas desta conjunção no plural do verbo “lotear” então espalhados por muitas terrinhas deste País. Alguns, talvez ainda embriagados pela maneira inesperada como chegaram às cadeiras do poder, pensam que lá na terrinha só há papalvos, proibidos de ver, ouvir, pensar, falar e escrever. Por isso, quando alguém denuncia qualquer coisa no âmbito da comunicação social, esses ilusionistas ainda hão-de ser capazes de dizer que a culpa destas promiscuidades é de quem é de quem aponta o mal, nunca é de quem o faz.

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:28
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Domingo, 20 de Abril de 2008

Carta -- Dr. João Falcato

Senhor Director do Jornal

Linhas de Elvas

 

Exmo. Senhor:

 

Vivi em Elvas bastantes anos. O meu contacto diário com alunos e famílias deu-me razões para uma recordação muito grata desse tempo.

Afastado por deveres profissionais, Elvas continuou a ser para mim a referência duma das melhores épocas da minha vida. Hoje ainda, já lá vão bastantes anos, sinto-me ligado à cidade como se ela fosse a terra do meu segundo lar.

Desejo que Elvas não venha a perder nunca algumas dessas características e desse testemunho do património que sempre fizeram dela uma das mais lindas urbes de Portugal.

 

A Quinta do Bispo é um dos elementos ricos e significativos do património elvense. O seu significado transcende os interesses locais. Não esqueçamos que há séculos ali decorreram vidas que fazem parte dos factos nacionais.

Preservar esse recinto, embelezá-lo é dever de todo o elvense. Destruí-lo, não – tal atentado só pode passar pela cabeça de quem tem por culto valores do cimento armado que levam a rendimentos materiais, desprezando os valores espirituais.

 

Uma terra só é rica quando sabe conservar as suas tradições, preservando-os dum falso progresso.

Associo-me, pois, àqueles que estão levantando a sua voz para  que Elvas não fique empobrecida sob o argumento falso da melhoria de condições de vida.

Aqui estou, portanto, a comparticipar com a importância de 500.000$00 (quinhentos mil escudos), esperando que em breve sejam alcançados os objectivos desta cruzada de amor pela sua terra, em boa hora levantada pela senhora D.Maria José Rijo.

 

Com os melhores cumprimentos

 

João Falcato

 

JORNAL LINHAS DE ELVAS

Carta Dr. João Falcato

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música: carta nº 6 - Dr. João Falcato
publicado por Maria José Rijo às 20:31
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Carta de Matilde Rosa Araújo

Maria José, Boa Amiga

 

Venho escrever-lhe tão tarde!

Perdoe – para lhe dizer quanto compreendo o seu desgosto ao defender o não loteamento da Quinta do Bispo com tanta paixão.

 

Quando tive a felicidade de estar em Elvas, como professora da escola técnica, para além de todo o bem que aí encontrei na escola, na cidade, na paisagem tive, também, a alegria de a conhecer e a seu marido cuja amizade não posso esquecer. Com saudade!

 

A Maria José com gentileza e carinho, e orgulho na sua terra, levou-me a conhecer a Quinta com todo o seu encanto paisagístico e cultural.

Temos tão poucos redutos da memória do nosso povo, dos nossos poetas e artistas, que não podemos deixar perder um lugar como a Quinta do Bispo que apresenta no seu historial tantas razões para ser salvaguardada.

 Penso que tudo se poderá rever neste desencontro de vontades como a paz daqueles que buscam com amor, a solução para causas justas. E tudo conciliar.

E confio, Maria José, vejo, de longe do tempo, a doce Senhora que me recebeu com tanta ternura, a envolvência dos livros, das árvores, do plátano irmão daqueles que ali se albergaram há tanto.

 

Elvas, merece ter, preservar este canto de grande memória cultural que já tantas terras perderam.

 

Abraço-a Maria José, com ternura e admiração.

Espero que a sua luta, sem armas, lhe entregue as flores que merece a sua Elvas, que tanto tem defendido com amor e isenção.

 

Um beijinho muito amigo da

Matilde

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música: carta nº5 - Matilde Rosa Araújo
publicado por Maria José Rijo às 19:44
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

MAIS UMA CARTA E… um cheque

Continuam a chegar – tanto à nossa redacção como à residência da nossa colaboradora Maria José Rijo – os testemunhos de apoio inequívoco ao não loteamento da Quinta do Bispo.

No princípio desta semana, um leitor habitual do “Linhas” em Coimbra enviava a Maria José Rijo uma carta, cuja principal passagem aqui transcrevemos:

“ Permita-me que manifeste, por intermédio destas desvaliosas palavras, todo o meu apoio e sincera admiração pelo modo como tem actuado no tormentoso caso da “Quinta de António Sardinha”. Teria desejado traduzir esse apoio numa presença efectiva em órgão da imprensa local. Confesso, porém, que me encontro presentemente de todo desmotivado (e por vários títulos) dessa colaboração. Por outras palavras: no horizonte da minha vida, “Elvas cada vez mais longe me vai ficando”…

No entanto, para não ficar fora de todo, venho pedir a V.Exª. que considere, no montante da subscrição para a compra da Quinta do Bispo, a minha contribuição de cem mil escudos. Remetê-la-ei quando V.Exª dela necessitar.

Agradeço que qualquer referência à mencionada contribuição se processe através da simples menção de “Um anónimo – Coimbra”.

 

Respeitando pois a vontade de anonimato, anotamos o contributo de mais estes cem contos para a campanha de aquisição da Quinta do Bispo pelos amigos de Elvas. Uma campanha que entretanto se viu enriquecida com mais um cheque, no valor de 20 mil escudos, entregue na nossa redacção pelo engenheiro João Carneiro Pinheiro.

Assim, em jeito de balanço, aos 853.945$00 que já haviam sido contabilizados nas semanas anteriores, há que juntar agora mais estes 120.000$00, pelo que neste momento o total é já de 973.945$00.

Quase sem darmos por isso, qual “formiguinha laboriosa”, a campanha da Quinta do Bispo aproxima-se rapidamente do primeiro milhão de escudos….

...

Jornal Linhas de Elvas

publicado por Maria José Rijo às 22:23
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EU E AS COISAS… JOÃO GÓIS…

………………….......................................................

Mas o “bichinho” da política nas suas intervenções está-lhe no sangue.

Diria em determinada altura que o que estava ali a acontecer era cultura, cultura não é só a Quinta do Bispo como alguns cultos jornalistas querem fazer crer. Mais uma vez se referia aos cultos que escrevem sobre o tão falado caso da Quinta do Bispo. Mas uma coisa me ficou na memória em determinada passagem da sua intervenção. Enalteceu as qualidades do Sr. Virgílio Barroso, não teve relutância nenhuma em dizer publicamente que foi o seu primeiro patrão, é deficiente, “ também eu sou há bastantes anos, mas a nossa deficiência é visível, ao contrário de alguns cultos que são deficientes da cabeça”

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Jornal Linhas de Elvas

“Falas” do Sr. Presidente – citadas por João Góis

18-11-1994

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publicado por Maria José Rijo às 21:25
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Câmara insensível à Cultura?

Um dos muitos inconvenientes da Democracia, quanto a nós, é a autoridade que ela confere às multidões, neste caso ao eleitorado que, por vezes, pouco esclarecido, a outorga a qualquer um através do voto.

Assim, o Poder passa a ser exercido por delegacia em pessoas que nem sempre são as mais indicadas para o exercer.

É toda a força dos partidos com o oportunismo das suas clientelas.

Isto a nível dos governos e também das Autarquias, estas ultimamente férteis em fornecer grandes “Manchetes” aos meios da Comunicação, por coisas que acontecem e que não deviam acontecer.

Na nossa, pela aposta do seu Presidente num falso progresso, uma coisa parece que vai acontece.

É o “crime” do loteamento da Quinta do Bispo, património cultural da cidade de Elvas, onde o insigne escritor e pensador que foi António Sardinha que escreveu toda a sua obra, que se pode considerar um autêntico monumental da Cultura Lusíada.

O “Literato”, como teimosamente insiste em chamar-lhe Presidente, é hoje parte integrante da literatura nacional e, a alguns, até superou.

A “esta Elvas” como ele amorosamente lhe chamava, parecem estar reservadas grandes surpresas, pela acção deste executivo cujo conceito de progresso atinge a sua máxima expressão apenas nas flores de cimento armado.

O reino do betão, que apenas serve os interesses de uma nova vaga da alta finança agora surgida em Portugal, não pode nem deve atropelar o primado do espírito, da inteligência, da cultura e de todos os valores históricos de qualquer País.

Lotear a Quinta do Bispo, o mesmo é dizer que a construção se irá prolongar em toda aquela zona até ao Santuário do Senhor Jesus da Piedade que, a breve trecho, se verá também rodeado de imponentes edifícios e até, quem sabe, por mais alguma unidade hoteleira.

Na nossa autarquia não haverá um vereador(a) do pelouro da cultura, que tenha uma palavra a dizer sobre o assunto?

Será por incompetência, o que deve ser o caso, ou não passará de mais uma “marionette” nas mãos do Presidente?

Ou nos enganamos muito ou a nossa Câmara está a ser governada com poderes discricionários.

É que o Socialismo e a Democracia pressupõem um certo respeito pela liberdade dos outros na defesa dos princípios e dos valores em que acreditam.

Se assim não for este tipo de Democracia está fielmente retratado na definição de um grande pensador francês quando lhe chama o “Património da Mediocridade”.

O presidente do actual executivo tem que repensar bem a ideia do loteamento da Quinta do Bispo, porque ali continua presente a memória desse grande vulto das letras nacionais, que foi António Sardinha.

O polémico assunto, que já no tempo do executivo de João Carpinteiro tinha sido apresentado pelo actual proprietário da Quinta, ouviu um rotundo “não”, para preservar valores que devem estar muito acima dos míseros interesses particulares.

Nobre atitude por parte de uma autarquia que continua a ser acusada de incúria por tudo o que se relacione com Elvas.

A última é a afirmação no esclarecimento feito pelo chefe do executivo a essa grande Senhora que é a D. Maria José Rijo e que tem sido uma intemerata defensora daquele espaço para o qual, a sua grande sensibilidade, deseja outro destino que não seja o de uma sementeira de tijolos a dois, a três ou a quatro pisos.

Dizia o referido comunicado que o actual executivo veio encontrar as muralhas e outros monumentos num estado de devastação como o que foi deixado pelas invasões Francesas.

Face a este exagero também podemos fazer, se nos é permitido, uma comparação histórica.

Se as coisas continuarem assim, com toda esta dinâmica de progresso (?) atropelando certos valores, este executivo corre o risco de imitar o cavalo de Átila, Rei dos Hunos, que segundo reza a lenda, onde pisava jamais crescia erva.

Por tudo isto somos forçados a criar aqui um grande pensamento, dele masmo, António Sardinha, inserto nas páginas brilhantes de uma das suas obras, quando se referia a certos acontecimentos da época: “Sofremos uma estiagem de personalidades – sufoca-se debaixo de uma nuvem de medíocres aparatosos”.

Parece que eles ainda continuam por aí, para perpetuar a espécie.

 

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Jornal Linhas de Elvas

11-Novembro- 1994

 

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música: Artigo de apoio - António Magéssi
publicado por Maria José Rijo às 22:08
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Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

XEQUE AO BISPO

PROJECTO para a Quinta do Bispo lança polémica

Jornal Linhas de Elvas

De 21 – Outubro de 1994

Por – Rui Camboias

Em defesa da Quinta.

Abaixo-assinado chega ao Linhas

 

O Linhas de Elvas foi o periódico que lançou a informação sobre esta polémica do loteamento da Quinta do Bispo.

Não admira pois que tenhamos recebido desde aí algumas cartas de leitores manifestando as suas opiniões.

Esta semana recebemos talvez a mais significativa dessas manifestações. Trata-se de um abaixo-assinado recolhendo 53 nomes de elvenses e pessoas ligadas aos meios culturais da capital. A lista encabeçada por Margarida Alexandra Aguiar subscreve um documento onde se diz a determinada altura:

 

“Tomámos conhecimento numa Nota do Linhas de Elvas do perigo que impende sobre a Quinta do Bispo (a Quinta do Hyssope) e de António Sardinha que é afinal, não só património de Elvas, mas património de um país. Assim sendo, não podemos deixar de manifestar o nosso apoio aos esforços, para que não se destruam vestígios tão nobres do nosso passado”.

 

… ...

Contrastando com a oposição da autarquia que defende a criação do espaço habitacional e da construção do terminal rodoviário surgiram as primeiras vozes de contestação à possível alteração do que está estabelecido pelo PGU de 1986.

Maria José Rijo a par de várias pessoas que nos têm contactado são da opinião que

“nenhum munícipe pode valer mais que outro munícipe e agredir o PGU em nome de interesses particulares abre um perigoso precedente”

A ex-vereadora municipal afirma que “ esta não é uma guerra de ninguém contra ninguém” e que só pretende “ pôr as pessoas a reflectir sobre o futuro da cidade” advertindo “ estarem a ser criadas condições para nunca mais dizer que não a nada” E remata: “Então para que serve um plano concebido e aprovado?” Passando ao ataque, vaticina: “É o fim da unidade e do conjunto. Tudo será apenas espaço para Planos de Pormenor em favor de interesses que se sobreporão individualmente ao interesse da cidade”.

A par dos esclarecimentos que nos manifestou quando a procurámos, Maria José Rijo enviou-nos a sua posição face a este assunto, em jeito de “carta aberta” ao Presidente do Município e que publicamos no post seguinte.

 

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publicado por Maria José Rijo às 16:01
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Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Reportagem do Linhas de Elvas

Esta semana visitamos a Quinta do Bispo acompanhados de José Marques, o seu proprietário.

Ouvimos as suas preocupações e a esperança de poder avançar com “uma urbanização de qualidade”.

.........

Linhas de Elvas entrevista o proprietário da

Quinta do Bispo

José Marques

 

QUINTA DO BISPO

recolhe assinaturas

 

A Polémica questão da Quinta do Bispo tem desencadeado alguma movimentação popular. A juntar ao baixo assinado de que fizemos eco na edição da passada semana juntaram-se esta semana mais dois documentos onde dezena e meia de pessoas manifestaram o seu desacordo com o loteamento daquela propriedade.

“Não podemos deixar de apoiar a preocupação que expressam, porquanto o valor histórico dessa belíssima quinta, com árvores centenárias, António e onde um dos nossos maiores escritores, António Sardinha, viveu e escreveu a maior parte da sua obra, seja assim posta em risco”, diz a certa altura um dos documentos enviados esta semana à nossa redacção.

..

Projecto Para a Quinta do Bispo

 

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Jornal Linhas de Elvas

28 - X - 1994

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música: Entrevista do Linhas
publicado por Maria José Rijo às 21:29
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

Quando o nosso coração bate ao compasso do amor por Elvas

Em 10 de Janeiro de 1925 com 37 anos incompletos, na sua Quinta do Bispo, faleceu António Maria de Sousa Sardinha.

Em 10 de Janeiro de 1973, dia em que se cumpria o 48º aniversário da sua morte – Elvas – com a fidalguia de ser: - “ A Rainha da Fronteira” pela sensibilidade da Câmara de então, fez editar 12 sonetos desse grande Poeta – até aí inéditos – antecedendo-os da seguinte nota:

                            “NASCE-SE e morre-se onde Deus quer."

  Mas pode-se eleger, em muitos casos, o local mais grato ao nosso coração, para residir.

António Sardinha (figura do mais alto prestígio nas  Letras Portuguesas, em todos os géneros que cultivou; inspiradíssimo poeta; extraordinário português;  cristão dos mais puros  e sinceros; paladino honesto e batalhador de todas as ideias  que defendeu) escolheu Elvas para viver, construir família, pensar e escrever; amou-a com acrisolado afecto; contou-a com os melhores dotes que Deus lhe deu; quis torná-la sua mãe adoptiva!

Elvas perfilhou-o com orgulho e carinho; chorou-o, desoladamente; quando Deus o levou para a Pátria Celeste.

.

.

Hoje, 48º aniversário da sua morte, reafirma-lhe o seu amor, a sua gratidão, a sua reverência, a sua saudade;

.

                          “EVOCA E PERPETUA A SUA MEMÓRIA”.

.

.

Este ano, de 1994, está à beira do fim. Sobre a “Quinta do Bispo” paira o mau agoiro do “plano de pormenor” do Senhor Arquitecto Barral.

Sobre Elvas escreveu António Sardinha in:

“De Vitae t Moribus”:-- “Esta Elvas!... Esta Elvas!...

A noite morre, o dia rompe, outra noite vem, outro dia morre – e Elvas, igual à essência eterna da Vida, com os seus baluartes, o seu Aqueduto, as suas Igrejas, os seus eirados, continua sendo um apelo súbito às forças que dormitam dentro da nossa sensibilidade.

 “Que essas forças que dormitam dentro da nossa sensibilidade”

 – acordem para que a história não registe – dos elvenses de hoje – o desinteresse – que permita à actual Câmara renegar o sentir dos nossos Maiores.

        Que o 1º de Janeiro de 1995 não possa ser assinalado com o perjúrio do que em livro e em pedra se gravou no Aqueduto.

 

                                         Maria José Rijo

 

 .

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.271 – 28 – X - 1994

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música: Doc. nº 11
publicado por Maria José Rijo às 23:25
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Terça-feira, 8 de Abril de 2008

Cartas ao DIRECTOR - 3ª carta

Li com a maior atenção a carta de Maria José Rijo ao Presidente da CME.

Não conhecendo a distinta senhora impressiona o entranhado amor a esta Terra que revela o seu escrito, que está alicerçado em razões de História, de Sentido Humano evidenciando sobretudo uma visão com que de “Estado”, que aqui será mais de Cidade.

Há que na verdade ver mais além  dos interesses imediatos, das vaidades e das vantagens, terrenas, pois há outros valores a ter em conta.

Estou em crer no entanto que MJR não tem interlocutor à sua altura e que “chove no molhado”

Quase que lhe garanto que o projectado se fará, contra ventos e marés.

A Quinta do Bispo sofrerá, pela batuta do senhor Rondão de Almeida, o desvario e desmantelamento que a tornará irrecuperável e irreconhecível.

O que no mínimo é lastimável.

Os meus cumprimentos,

Leitor assíduo.

 .

Sílvio Bairrada

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28 – X – 1994

Jornal Linhas de Elvas

 

 

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música: carta nº 4 - Silvio Bairrada
publicado por Maria José Rijo às 20:59
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Capa do Jornal Linhas de Elvas

 

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Jornal Linhas de Elvas

nº 2.270 - 21-X-1994

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música: chamadas à capa
publicado por Maria José Rijo às 20:31
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Cartas ao DIRECTOR - 3ª carta

Carta Aberta a Maria José Rijo

 

Longe de mim estava a eventualidade de tão depressa voltar aos jornais, não fora o impulso  de que me senti possuído de consigo me solidarizar, ao ler o reparo entristecido que a Maria José  fez no ultimo “Linhas de Elvas” , a propósito da forma como a figura de António  Sardinha é tratada pela nossa Câmara Municipal.

Quando Li a infeliz nota assinada pelo respectivo presidente, em que se chama literato ao autor de “O Valor da Raça”, de “Chuva de Tarde”, da “Epopeia da Planície”, da “Feira dos Mitos” e de muitas outras obras de inestimável valia, a ombrearem com o que de melhor por aqui se escreveu neste século, aflorou aos meus lábios um significativo e triste sorriso, que mais traduzia a confirmação que já tinha de que ali para as bandas da Isabel Maria Picão as coisas do espírito não interessam, dando-se primado  de exclusividade a outros valores.

Quando a Câmara que presentemente Elvas tem, foi empossada, intentei dar-lhe a minha desinteressada colaboração neste sector, mostrando ao presidente em visitas de pormenor, o estado das muralhas, dos fortes, dos fortins e da zona envolvente do castelo, procurando sensibilizá-lo para acções que restituíssem àqueles locais a dignidade perdida.

Os baluartes dos Morteiros, de Santa Barbara e do Príncipe, também por lá se passou , havendo então aparente receptividade no sentido da vitalização de tais espaços, ao mesmo tempo que uma Comissão Municipal de Arte e Arqueologia era constituída e bem assim uma outra para  a criação do Museu Rural de Elvas.

Já vão decorridos largos meses e estas comissões não mais foram chamadas para o que quer que fosse, assim em jeito de que o executivo se está “nas tintas”, se me é permitida a expressão, para tudo o que ao espírito diga respeito.

Mas há mais: recentemente, falando eu com um ilustre elvense que já foi presidente da Câmara Municipal, sobre essa figura régia de importância vital para a promoção de Elvas que foi D. Manuel I, acercou-se de nós a actual vereadora da Cultura. Demos-lhe conta do que estávamos a falar: da Sé, do traçado da Praça da República, do Aqueduto, da Ponte da Ajuda, do foral de elevação a cidade, tudo da iniciativa do Rei Venturoso, cuja memória aqui se deveria perpetuar.

A Srª. Vereadora ouviu e afastou-se sem dizer uma palavra.

Os leitores que tirem as suas conclusões.

É neste ambiente e com estes horizontes que vem à colação o nome de António Sardinha, a propósito do pretendido loteamento da Quinta do Bispo, encarado numa perspectiva economicista e despida da carga cultural que envolve, que vai de António Dinis da Cruz e Silva até ao escritor nascido em Monforte.

Trata a Câmara Municipal de Elvas o egrégio pensador por literato, como lhe poderiam chamar escriba.

Já em vida e por estas bandas, depreciativamente, o apelidaram de poeta.

A este vulto impar do pensamento lusíada e à sua memória será indiferente que quem tão baixo voa o não conheça ou não entenda.

A sua obra perdura, polifacetada, abrangendo tanto a história como a poesia, o ensaio, a ficção ou a doutrinação político-social.

A Maria José Rijo, porventura que o melhor ornamento da actual cultura elvense, saberá entender melhor que ninguém o alcance dos reparos que aqui ficam.

 .

António Tello Barradas

28 - X - 1994

Jornal Linhas de Elvas

 

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música: Terceira carta - António Tello Barradas
publicado por Maria José Rijo às 20:17
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Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

Aires Varela

 

E assim o resolveu a vereação elvense do

anno de 1888,

em sessão de 20 de Novembro, dando á rua o nome

de Aires Varela,

efazendo collocar na parede do prédio onde falleceu

 o ilustre cónego

e notávelantiquário, uma lápide com esta inscrição, que o mesmo

Dr. Santa Clara

escreveu a pedido da câmara municipal

….

AIRES VARELA

 

AUREUS ELVENSIUM RERVM SCRIPOR,

HANC POSSEDIT DOMUM,

UBI

POSTRID,NON OCTOBR.ANNO MDCLV

VITA FUNCTUS EST.

 

ANNO 1888

HAS JUSSIT NOTAS IN MARMORE INSCRIBI

ELVENSIS SENATUS

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publicado por Maria José Rijo às 22:44
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DAMA DEFENDE BISPO

A defesa do não loteamento da Quinta do Bispo que a autarquia agora pretende executar, teve desde logo um rosto: Maria José Rijo. A ex-vereadora do município é uma profunda conhecedora de toda a história da quinta, e a sua sensibilidade às questões histórico-culturais levou-a desde o principio, por intermédio deste semanário, a incetar essa cruzada pela defesa da identidade desse local tão representativo para a cultura elvense.  

Maria José Rijo considera que qualquer coisa que se venha a fazer é “uma resposta que estamos a dar à história “e que” não seria bom em nome de interesse particulares agredir um património cultural comum.”

Já esta semana esta dama da cultura local veio de novo em defesa do bispo que tanto admira. Fê-lo em jeito de carta aberta ao presidente que aqui publicamos.

..

..

Exmo. Senhor Presidente

 

Os meus cumprimentos.

E, desde logo, com eles afirmo que, pessoalmente, nada me move contra V. Excelência – que até considero.

Quero apenas, porque V.Exª me confessou que “Cultura” não é o seu ramo e não é sensível a esses valores, contar-lhe o que é a Quinta do Bispo em termos de Património Cultural e Histórico de Elvas:

 

“ A Quinta do Bispo era a de São Sebastião e depois de Aires Varela, a quem foi comprada pelo 6º Bispo de Elvas, D. Manuel da Cunha, donde lhe vem o nome.

Em 1800 havia na quinta um palacete e também uma ermida, de Santo Mártir, onde se veneravam também as imagens da Senhora do Bom Sucesso e de São Caetano. A 20 de Janeiro era a festa do seu orago, feita pela Câmara. (Ermidas e palacete foram no princípio do séc XX para que não servissem de alojamento aos Franceses.)

 António Sardinha escreveu ali grande parte da sua obra.

 

“… eu vivo numa quinta de gloriosas tradições episcopais com suas altas e copadas árvores, com  seu doce e  regalado sossego. Por aqui andaram doidejando, ladinas,  as musas de António Dinis da  Cruz e Silva. E talvez que no mesmo assento tosco em que  esta tarde me reposei deleitadamente, ouvindo a queixa saudosista das regas, se sentasse também algum dia, chorando a dor do seu orgulho ferido, aquele D. Lourenço de Alencastre – o prelado famoso da guerra do Hissope. (Cruz e Silva chamava à quinta, humoristicamente, o Versailles de Sua Excelência, o bispo.)

In – Monografia de Elvas por Maria do Céu Dentinho

 

Por estas e outras mais razões, ela está no “P.G.U.” – como zona verde – zona protegida.

V. Exª sabe-o. Sabe-o tão claramente que foi buscar a Évora o Sr. Arquitecto Barral para desmanchar o que estava feito – aliás, muito bem feito – com olhos de futuro para a Cidade, gizado com respeito pelas nossas tradições.

Se, V.Exª vai tirar a Quinta de “P.G.U.” para localizar lá o terminal rodoviário – se é só por isso – não vale a pena o trabalho e os gastos – nada o justifica!

V. Exª tem, que lhe ficou da Câmara anterior – um local já aprovado pela Direcção Geral de Transportes Terrestres – no Rossio do Meio, Fonte Nova – para esse tão falado quanto indispensável Terminal Rodoviário.

Dispõe também, para tal, de projecto quase concluído e negociações em curso com o Lar Júlio Alcântara Botelho.

Porque despreza tanto caminho já andado? Adia soluções e vai gastar mais dinheiro a refazer o que está feito? (V. Exª queixa-se tanto de falta de meios!)

Acha assim tão premente a necessidade de enterrar história com cimento e poluição degradando o trânsito – já difícil – (com cruzamentos perigosos) criando uma zona potencial de acidentes com nós rodoviários tão perto da Escola Secundária?

Se a Quinta está à venda, porque não a adquire a Câmara , com dinheiros comunitários para nela instalar condignamente o “Museu Agrícola”?

Há fundos especiais para esses efeitos. Sabe-o V.Eª e o seu Arquitecto bem melhor do que eu. Se a “bomba” cozinhada no segredo dos deuses tivesse sido essa – que felicidade para Elvas.

O abandono que a Quinta foi votada pelos seus actuais proprietários – que a adquiriram sabendo de antemão que era zona protegida, não loteável até dava para que a Exmª Câmara a expropriasse para utilidade pública – aproveitando assim o trabalho de desanexação encomendado por V. Exª ao Senhor Arquitecto Barral e já feito.

Fica a sugestão – de tão justificável atitude – para proveito da cidade – como seria evidente.

V. Exª justificou-se publicamente por ter adquirido bens em Elvas. V.Exª é de cá. Pensa cá radicar-se caso contrário, não o faria.

Nem essa circunstância lhe merece um olhar mais profundo, mais pensado, a um progresso enquadrado que respeite a alma das gentes, as suas raízes culturais e o património secular herdado?

Olhe que a cultura é quase um sortilégio, uma atmosfera que se respira – creia!

Que ninguém vive sem respirar, sabe V.Exª, até eu sei, e sabe toda a gente.

V. Exª deixou que fossem desmantelados os trabalhos de recuperação da nossa Biblioteca (a 2ª ou 3ª do País em qualidade e volume de obras); a organização do museu – que havia sido delineada por museólogos!...

Será que V.Eª quer ficar para a história da Cultura de Elvas, com uma imagem mais devastadora do que deixaram as Invasões Francesas?

Não posso crer!

A maior queixa que tenho, neste nosso muito amado País, é a maneira como são eleitos os Presidentes de Câmaras.

Não fora a “Clubite partidária” e, a cadeira, que V.Exª ocupa – não seria sua.

V.Exª esteve fora de “Esta Elvas” – como dizia António Sardinha – tempo excessivo.

O lugar de Presidente de qualquer Câmara deveria ser, sempre, e só, ocupado por quem, alheio a cores politicas, fosse capaz de sacrificar paz, sossego, comodidade – tudo – pela sua terra.

Por quem renegasse a glória fácil e se guiasse pela lição do Aqueduto da Amoreira; trabalhando: - para os netos, dos netos, dos nossos netos.

Por quem se rendesse aos valores perenes da Humanidade – os valores culturais – e, não se “passasse dos carretos” – permita-me que cite V.Exª – por tricas e bagatelas.

Renovo-lhe os meus cumprimentos.

Senti, como simples munícipe, que sou, dever compartilhar com V.Exª a experiência dos meus quase 70 anos.

O tempo que vivi – é o meu património.

Deixo-lhe, também, as palavras do poeta Leopold Sédar Senghor – que foi presidente do seu país – O Senegal – e é um notável da cultura dos nossos dias.

 

“ A terra não é nossa. Foram os nossos filhos que no-la emprestaram”

 

Foi com elas que a elvense ilustre Drª Maria do Céu Dentinho rematou a “Monografia de Elvas” de sua autoria.

Lá as fui respigar para as oferecer à nossa terra – à nossa gente – com o respeito e gratidão que Elvas me merece.

 

                             Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.270 – 21 de Outubro de 1994

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Resposta da Câmara a esta carta

Pode consultar no Jornal Linhas de Elvas

28- Outubro de 1994

 

sinto-me:
música: Quinta do Bispo - 7
publicado por Maria José Rijo às 21:42
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