Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

Uma sala que tem História

ELVAS preserva o “Bichinho da Bibliofilia”

Biblioteca Municipal expõe obras que são preciosidades

 

Correio da manhã

26- Dezembro de 1989

Texto de Inácio de Passos

Uma sala que tem História

 

Uma das salas da Biblioteca Municipal de Elvas é bastante curiosa, por reproduzir uma biblioteca caseira em todos os seus pormenores.

Nota-se nela a ausência de alguém, a não presença humana que fazia parte activa do ambiente recriado ali.

E trata-se na verdade da reposição do lugar caseiro de leitura de um dos elvenses ilustres, de nome EURICO GAMA, um investigador que deixou o seu nome ligado à cidade.

Maria José Rijo descreveu-nos a pequena e interessante história daquela sala, diferente de todas as outras:

Trata-se da biblioteca de Eurico Gama, um erudito elvense falecido em 5 de Junho de 1977. Fomos a sua casa buscar as estantes dele e aqui as montamos da mesma forma que lá se encontravam. A sua viúva ofereceu-nos a mesa onde ele trabalhava no Inverno, e a mesa onde fazia os seus trabalhos de investigação no Verão, e reconstituiu-se aqui o meio ambiente em que ele vivia, ou pelo menos onde passava grande parte do seu tempo.

O Eurico Gama era um homem baixo – prosseguiu – com uma deficiência física, motivo porque as estantes tinham pouca altura, para que a elas lhe fosse possível chegar sem grande esforço. Eurico Gama não foi em vida um homem rico, mas tinha uma alma nobre, muito nobre. Ele amealhou estes livros todos, eram o seu tesouro e deixou-o à sua cidade.

O seu gesto merecia ser respondido por nós com toda a ternura, e por isso reconstituímos aqui o seu ambiente de estudo, para darmos, mais ainda, a medida humana ao seu nobre gesto de oferecer à cidade aquilo de que mais gostava: os seus livros.

Sobre a secretária a que diariamente Eurico Gama se sentava a ler, encontra-se o livro aberto, e os óculos repousam sobre o livro, dando ao visitante a impressão de que está para chegar, de um momento para o outro, alguém disposto a reencetar a leitura interrompida.

Maria José Rijo justifica esse singelo detalhe daquele diferente espaço da Biblioteca, com estas palavras:

Eurico Gama morreu repentinamente e deixou o livro que estava a ler na secretária para continuar a leitura no outro dia. Só que esse outro dia não lhe chegou jamais, por a morte colher quando ele não a esperava. Nós colocámos o livro e todos os objectos nos mesmos locais em que ele os deixou pela última vez que esteve na sua biblioteca, para melhor se entender o seu ambiente de trabalho.

Traçando um curto retrato dos últimos momentos do investigador elvense, disse ainda:

Ele era um homem que não esperava a morte quando ela lhe chegou. Tudo indica que esperava viver mais, por não considerar completa a sua obra. Já de cama, doente, quando um amigo o foi visitar disse-lhe:”tenho ainda tanto que fazer…” E tinha na verdade ainda muito que fazer, embora a sua obra seja bastante importante. A sua grande preocupação foi sempre a sua cidade, Elvas.

Ainda sobre Eurico Gama aquela sala da Biblioteca Municipal, Maria José Rijo tinha mais a acrescentar, traçando-nos um quadro que bastante a sensibilizou, como nos disse:

Quando fizemos a inauguração desta casa Eurico Gama foi o investigador. Ora acontece que as crianças da escola tiveram por programa escolar fazer uma investigação sobre Eurico Gama, e vieram então aqui ler os seus trabalhos. Foi um quadro muito enternecedor, muito bonito, ver os meninos a ler os seus trabalhos sobre o Eurico Gama, quando ele fora, afinal, o grande investigador da cidade de Elvas. São imagens que a vida nos reserva e que jamais se esquecem.

 

Correio da manhã

26- Dezembro de 1989

Texto de Inácio de Passos

sinto-me:
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 23:39
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Domingo, 29 de Junho de 2008

A Sala Eurico Gama

Era assim:

Antes de 1986

Foi desta desordem que nasceu a sala

Eurico Gama

que se mostra em baixo.

A estante onde se lê

Biblioteca Maria Amélia

separa-a da sala de Arquivo.

O Bibliotecário - Dr. Marinho

orienta duas O.T.J.

na arrumação de um ficheiro

 Eurico Gama que fora

Director da Biblioteca Municipal de Elvas

legou por testamento a sua

biblioteca particular

de 6.000 Volumes à

Biblioteca da sua cidade de Elvas

ao falecer

em 5 de Junho de 1977

 Sala Eurico Gama

Onde se reconstituiu o ambiente familiar

do escritor.

Para o conseguir sua viuva a

Senhora Dona Maria Amélia Gama

ofereceu o mobiliário que a compunha:

secretária, cadeira, estantes.

 Longos anos aguardou a cidade

que se criasse espaço para receber

o precioso legado.

Em 11 de Junho de 1986

data do nascimento de Eurico Gama

abriu-se a sala ao público.

Eurico nascera em 1913 e falecera a

5 de Junho de 1977

em Portalegre.

.

Pouco tempo antes de falecer, ainda

era Elvas e Só Elvas  a sua preocupação,

quando confidênciava a sua mulher

"A vida é tão curta e eu tinha ainda tanto que fazer".

-

9 anos depois da sua morte

fazia-se finalmente à memória

de Eurico a merecida justiça!

.

Maria José Rijo

 

sinto-me: Sala Eurico Gama
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 20:50
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Monografia – Eurico Gama

Rainha da Fronteira

 

NOTA BREVE

 

É quase com o sentimento de culpa de quem comete uma inconfidência, que se lê o “Termo de Abertura” de

 

ELVAS

Rainha da Fronteira

 

(monografia resumida)

Por

Eurico Gama

 

Qualquer pessoa, por muito desprevenida que esteja, ao tomar contacto com esta obra, sentirá, que, para além da verdade histórica que lhe é narrada, toca os sentimentos íntimos do autor.

Em verdade, se Eurico Gama foi escritor, etnólogo, investigador e historiador reconhecido, tudo isso soube ser – por ter sido – não apenas, mas muito principalmente: Poeta do Amor à sua terra.

Eurico nasceu em Elvas a 11 de Junho de 1913 e viria a falecer em Portalegre em 5 de Junho de 1977.

Pouco tempo antes de morrer, ainda era Elvas e só Elvas, a sua maior preocupação, quando confidenciava a sua mulher:

“ A vida é tão curta e eu tenho ainda tanto que fazer!”

Eurico, tal como um herói de velhas lendas ou destemido cavaleiro medieval – frente à sua Rainha – a cidade de Elvas – foi o súbdito reverente, zeloso e fiel, que apaixonadamente a serviu a vida inteira.

Este Câmara, que da mesma cidade de Elvas recebeu mandato neste ano de 1986 – publicando obra sua – exerce justiça e honra a sua memória.

 

Junho de 1986

 

Maria José Rijo

 

sinto-me: Sala Eurico Gama
música: Camara - 1986-1989
publicado por Maria José Rijo às 17:20
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