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Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

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Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Eu loteio, tu loteias… nós loteamos

Eu loteio, tu loteias… nós loteamos

Com Texto – Manuel Carvalho

18 – XI – 1994

Como vão longe os tempos em que se podia dizer “o sonho comanda a vida”, entrámos na vertigem do lucro fácil e a qualquer preço. Ao nível das centenas de terrinhas deste País de autarcas sob suspeita – alguns já detidos até – não há nada tão na moda do que ter ou comprar um terreno, uma horta, um olival ou uma quinta e pensar que… um dia, com um loteamento à maneira, tudo se pode transformar em casinhas, muitas casinhas, o mais amontoadas possível. É um negócio esperado por tanta gente, disposta a vender-se e a comprar pessoas na mira de poder encher os bolsos.

Cá está. É o “eu loteio”.

Só que, nestes processos onde a burocracia impera, há sempre uma outra parte: aquela que pode autorizar ou impedir a transformação desejada. Uma missão terrível, para que se exige uma isenção máxima, protegida por betão, à prova de todos os aliciamentos. É a tarefa nobre de quem decide muitas vezes a favor do progresso, mas de quem sobretudo se espera ser capaz de fazer frente, para evitar os atentados que destroem património irrepetível.

Cá está. É o “tu loteias”.

Até aqui, tudo bem. O pior, quando vem, vem depois. E vem vezes demais, surge no momento em que o dono do terreno e a entidade licenciadora começam a namorar, acabando por descobrirem que o melhor é mesmo marcarem a boda e juntarem os trapinhos. Com frequência já sem pudor nenhum. Á vista de toda a gente.

Cá está. É o “nós loteamos”.

Só assim pode acontecer que um construtor obtenha o aval para uma obra discutível e, depois de atacado por grande altruísmo, acabe por oferecer uns milhares de contos à mesma autarquia e esta, reconhecida e emocionada, acabe por retribuir com um diploma de honra lá da terra para o benemérito…

Só assim pode suceder que o dono de um terreno loteável se ofereça para pagar a uma autarquia uma despesa de centenas de contos, com a edilidade a aceitar a oferta e a fazer umas flores com ela, quando já se prepara para se debruçar sobre a viabilidade do loteamento em causa…

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Neste País de autarcas sob suspeita, não há nada mais aliciante do que ter um terreno e pensar que… um dia, com um loteamento à maneira, se pode transformar em muitas casinhas amontoadas.

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Só assim se pode ver algumas pessoas a fazerem rotações de 180 graus nas suas conhecidas posições públicas de muitos anos, precisamente quando já tem projecto para lotear o seu belo terreno…

Só assim se pode dar aquele cúmulo da distracção que consiste na autorização concedida por uma edilidade em relação à valorização de um terreno, cujo proprietário, dias depois da graça recebida acaba por vender uma outra propriedade sua ao próprio edil, que logo inicia umas vistosas obras sem licença…

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De acordo com a informação recebida todos os dias, os protagonistas desta conjunção no plural do verbo “lotear” então espalhados por muitas terrinhas deste País. Alguns, talvez ainda embriagados pela maneira inesperada como chegaram às cadeiras do poder, pensam que lá na terrinha só há papalvos, proibidos de ver, ouvir, pensar, falar e escrever. Por isso, quando alguém denuncia qualquer coisa no âmbito da comunicação social, esses ilusionistas ainda hão-de ser capazes de dizer que a culpa destas promiscuidades é de quem é de quem aponta o mal, nunca é de quem o faz.

 

 

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