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Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Sejamos lógicos

Se eu afirmar “gosto muito de Olivais”, ninguém espera que eu arranque todas as minhas oliveiras!...

Em 2 de Março de 1986 – faleceu com 98 anos de idade a Senhora Dona Gica - que fora proprietária da Quina do Bispo até cerca de 1980.

 

Em 25 de Abril de 1974 – Se, ainda hoje, pessoas colocadas em lugares de responsabilidade – de quem se espera atitudes justas e isentas – promovedoras de união e consenso, escamoteiam o sentido de justiça e a lucidez de corajosos actos de amor a Elvas…

- Se os transformam em baixa e cinzenta politiquice, com insinuações de fascistas e mais não sei quê – a quem se nega à ofensa de chamar de “literato” um dos grandes Homens das letras portuguesas…

Haverá alguém que não entenda – num rápido olhar – que foram os outros iguais a esses – aqueles que, confundindo e baralhando em lugar de discutir, os que “perfumaram” com ódio os cravos da revolução de Abril – que forçaram essa generosa e grande Senhora a salvar entregando à Igreja, o espólio de seu marido que de todo o coração ela tinha querido entregar a Elvas?!

Se 20 anos passados após o 25 de Abril…

Hoje ainda se usa o mesmo artifício, de forma tão pouco ética, pensemos nas horas dramáticas que terá suportado tão Santa Senhora, sob ataques de fanatismos ignorantes, à memória de seu marido…

Em 24 de Outubro de 1989 a Quinta do Bispo é comprada ao casal Sousa Lopes pela verba de 47.500 contos, esta é a verba autêntica e não outras…

(Tenho cópia de toda a documentação relativa ao acto, desde o número dos cheques, às importâncias, aos nomes dos dois intermediários comissionistas – tudo – até à carta de protesto do vendedor quando se apercebeu de “factos” que tanto o magoaram (por virem de “amigos”que, pode dizer-se, lhe abreviaram a morte).

 

Tenho porque me deram – e guardo porque, tudo quanto digo e faço, nada tem de agressão pessoal contra ninguém nem visa escândalos ou atitudes menos limpas.

Visa tão simplesmente ajudar Elvas.

Assim, aconteça o que acontecer, que ninguém possa desculpar-se, agora, ou no futuro, dizendo:

-- Ninguém me esclareceu! – Não sabia!

Acontece, que estou no “Linhas de Elvas! Desde a hora em que o jornal nasceu e, este semanário que vive e pulsa à sombra da mais importante batalha da independência de Portugal tem esse enigma de fé:

Serve sem medo a cidade e o concelho como uma voz de consciência indómita e corajosa, ignorando pressões – ousando falar verdade – sem titubear, como nesta hora em que levanta uma questão  nacional – a insensatez dos loteamentos não ponderados.

O Linhas não loteia! O Linhas norteia.

Assim – resumindo e concluindo:

Numa zona verde – protegida pelo P.G.U. – alguém compra uma Quinta.

Para quê? Para a habitar? Para arrendar ou cultivar? – Não!

Compra-a para driblar leis e princípios.

Compra-a porque menospreza a inteligência dos seus concidadãos.

Compra-a para esperar a hora de facturar e lotear – esta é a questão isto é evidente.

Isto é feio!

Isto é tão feio, como chamar a António Diniz da Cruz e Silva “literato” – como ousou fazer o despeitado Bispo D. Alexandre de Lencastre… Daí, todo o ridículo que imortalizou no “Hyssope”- e, a gargalhada que o acompanha já há dois séculos e o acompanhará através dos tempos nessa  obra prima da literatura portuguesa tão ligada à histórica “Quinta do Bispo”

Soluções possíveis:

a)    Os proprietários habitam e cuidam a quinta.

b)    Os proprietários vendem a quinta – que continua a ser zona verde – mas que por estar há seis anos entregue à incúria e ao desleixo se encontra fortemente desvalorizada pela morte de mais de 100 amendoeiras, laranjeiras e outras árvores de fruto e ornamentais.

c)    A Câmara cria para lá um projecto de utilidade pública que respeite o seu valor histórico – cultural organiza um dossier com todos os elementos já ventilados e outros e procede à sua justa expropriação.

 

Daqui não há que fugir – porque não há contrapartidas (de terminais acanhados e mal implantados) que tapem o sol com uma peneira – nem passeios em manhãs de sábados soalheiros, nem finais de telenovela ao vivo em cine-teatros que confundam a verdade evidente.

A última usufrutuária da casa à direita da entrada da Quinta faleceu em 22 de Junho de 1993.

Porém o apartamento do caseiro como todo o restante espaço tem estado inteiramente ao abandono desde 1989.

O povo trabalha e cumpre.

Quem o levanta é o desmando de quem governa.

O povo entende quando:

-- Por fora há cordas de viola e por dentro pão bolorento! E… não há branco que o encubra!

 

 

                                Maria José Rijo

 

€€€€

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.275 – 25 Novembro de 1994