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Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

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Sardinha, a Quinta do Bispo – Porquê? III

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.487 – 15 – Janeiro-1999

Conversas Soltas

  

         Pensei que deveria escrever sobre Aires Varela.

         Querendo faze-lo com o máximo de correcção fui, logicamente, beber na fonte de onde a informação é sempre limpa e indesmentível.

         Socorri-me do saber que nos foi legado por Victorino de Almada, no seu dicionário, onde, assim se conta:

         Aires VarelaO Sr Dr. Francisco de Paula de Santa Clara, a quem, como dissemos na introdução d’este trabalho, pedimos a fineza de nos dar alguns artigos completos a respeito dos mais salientes indivíduos do corpo eclesiástico elvense, começa a honrar-nos com uma colaboração mais assídua, subscrevendo os dois seguintes, que suprem muito vantajosamente os pobres esclarecimentos que poderíamos dar do historiador clássico Aires Varella, e de seu tio do mesmo nome, prior que foi da igreja de Santa Maria da Alcáçova.

         Eis as fontes. Agora, só a parte do relato que mais nos interessa.

Volto a citar:

............Também se chamou “D’Aires Varellaa Quinta, que presentemente se denomina do Bispo no rocio d’esta cidade. Há nos tombos da Câmara Municipal vários documentos que o comprovam ….

………..O bispo D. Manuel da Cunha houve depois a dita Quinta por compra, que fez aos herdeiros do cónego magistral, e legou-a à mitra de Elvas.

         Nos Arquivos d’esta diocese ainda existem vários instrumentos, que lavrou e assignou o notário apostólico Aires Varela; e o signal publico, de que usava, era assim: entre as maiúsculas A e V duas espadas cruzando-se pousavam sobre um altar, e ladeavam a cruz, que ali se erguia sobre a seguinte legenda: nec spe, nec metu.

         Mas as armas de sua nobilíssima família, e de que usava, traziam em campo de prata cinco bastões de verde em banda, e timbre meio leão rompante de prata e na mão direita um bastão.

         As obras da penna de Aires Varela ainda que ficaram na máxima parte inéditas, grangearam-lhe tal reputação, que ufana-se a cidade d’ Elvas de ver enumerar entre os clássicos da língua portuguesa o seu docto escriptor.

         Delle fazem a mais honrosa memoria Moreri e Nicolau António entre os estrangeiros; e dos nossos D. Francisco Manuel de Mello, o padre João de Vasconcellos, Antonio Carvalho da Costa, Diogo Barbosa Machado, fr. Jeronymo de Belem, Antonio Caetano de Sousa, J. C. de Figanière, Innocencio Francisco da Silva, e outros.

         As obras de Aires Varela que correm impressas são as seguintes:

         Successos que houve nas fronteiras dÉlvas, Olivença, Campo Maior e Ouguella o primeiro anno da recuperação de Portugal, que começou no Iº de Dezembro de 1640,

e fez fim no ultimo de novembro de 1641.”

Lisbôa, por Domingos Lopes Rosa, 1642. 4ª De 38 folhas numeradas só na frente.

         É extremamente rara esta relação; e d’um exemplar, que possuo, tirei copia, que dei à redacção do Trastagano. E foi a ditta relação reimpressa na Typographia Elvense, 1861.8º de 99 páginas.

         “Successos que houve nas fronteiras d’Elvas, Olivença, Campo Maior,e Ouguella o segundo anno da rcupreração de Portugal, que começou no 1º de dezembro de 1641 e fez  fim no ultimo de novembro de1642.”- Ibi, pelo mesmo, 1643. 4º De 112 paginas com algumas estampas, que representam a planta das praças tomadas ao inimigo.

         As obras, que Aires Varela deixou inéditas, consideram-se perdidas; e, segundo o testemunho de bibliographos de fé, erão as seguintes:

         “Successos que houve nas fronteiras d’Elvas, olivença, Campo Maior e Ouguella, e outros logares do Alemtejo, o terceiro anno da recuperação de Portugal, que começou em 1º de dezembro de 1642, e fez fim em o ultimo de novembro de 1643.,. O original estava depositado no cartorio da Serenissima Casa de Bragança, e foi devorado pelo incendio, que succedeu ao terramoto no iº de novembro de 1755. O Abade de Sever ali o viu.”

         “Genealogia de todas as Familias do Bispado d’Elvas”. Este manuscripto se conservava no meado do século passado em poder de Diogo Gomes de Figueiredo.

         Theatro das Antiguidades d’Elvas com a historia da mesma cidade e descripção das terras da sua comarca”, em folio, e constava de seis livros: 1º desde os celtas, seos fundadores, até a possuírem os mouros - 2º desde Elrei D. Affonso Henriques  até D.Fernando- 3º desde Elrei D. João 1º até D. Afonso 5º, - 4º desde elreiD. João 2º até D. Manuel - 5º desde El rei D. João 3º, até D Filippe 4º- desde El rei D. João 4º até ao cerco de Torrecusa.

         A esta obra se refere se refere D Francisco Manuel nas suas Cartas Familiares, publicadas em Roma em o anno de 1664. Na carta 62ª da 3ª centuria diz o erudito escriptor :” Mas quem quiser sabersuas memorias e antigualhas (d’Elvas), satisfará seos desejos, vendo o douto e diligente livro, que de sua historia tem composto o doutor Aires Varela, filho benemerito d‘aquela cidade, Governador de seu Bispado e Vigario Geral.”

         ....Já septuagenario e carregado de serviços passou d’esta vida para o seio da eternidade o licenciado Aires Varela em o dia 8 d’outubro de 1655......

....Jaz no cruzeiro da cathedral em frente do altar do Santíssimo Sacramento

......... E se o Cabido suffragou assim a alma do conego magistral, quantas orações não fariam os seos amigos mais dedicados?!

         Permito-me sublinhar as frases que se seguem:

quantas lagrimas e saudades lhe não espalharia sobre a sepultura o povo elvense?!

         Taes tributos se pagam à virtude! Vae já meado o terceiro seculo depois que viu seu ultimo dia o mestre e investigador das antiguidades da nossa terra, e todavia o seu nome vive e viverá na memoria das gerações.

         Na alta torre da cathedral d’Elvas espalham ainda os sinos som lugubre em o dia 8 d’outubro de cada anno; e os ministros da igreja, vestidos de lucto, gemem e fazem oracção sobre a sepultura do mestre saudoso.

         Se por acaso alguém se interessar por saber mais sobre Aires Varela, de quem a Quinta do Bispo, também teve o nome, o caminho para isso é a Biblioteca Municipal de Elvas.

         Julgo ter deixado aqui o essencial para se avaliar da qualidade e da importância do historiador, noutra ocasião, se me calhar, poderei mostrar, como ele foi integro nos seus pareceres e decisões e a grandeza moral, a dimensão humana que o tornou notável e credor do reconhecimento de todas as gerações de elvenses.

 

 Maria José Rijo

 

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