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Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

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Sardinha – a Quinta do Bispo – Porquê? VI e último E...algumas coisas mais...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.496 – 19-Março-1999

Conversas Soltas

   

                        

         As árvores da Quinta do Bispo, este ano, ainda floriram.

Elas não sabem que esta deve ter sido a sua última Primavera. Agora o portão da Quinta ostenta, como um condenado à morte, o aviso da sorte humilhante que a ganância e a insensibilidade dos homens lhe traçou.

         Olho pensativamente aquele solo, abençoado pela fertilidade, que o cimento, agora, vai cobrir e relembro aquele Bispo que, para não consentir que o chão sagrado da sua capela de São Sebastião, fosse profanado pelas tropas invasoras dos franceses, mandou, em nome da honra e da dignidade, que ela fosse apeada. (Foi ali na mesma, dita, Quinta)

         Vejo a terra indefesa a beber em paz estas chuvadas, como se nada pudesse interromper os seus ciclos normais de generosa produção! - E penso nas ironias do destino.

         Penso no que a Quinta representa como património histórico, intelectual, sentimental e cultural desta cidade, e no que poderia continuar a representar...

         Relembrei, aqui, opiniões várias de gentes de mérito que esta Nobre Elvas tem e sempre teve.

         Mostrei-me, expondo-me embora a incómodos, (que sofri) fiel e entusiasta discípula, que sou, de todos quantos, sem rebuço e generosamente defendem a sua pátria defendendo intransigentemente o Bem das suas terras, na riqueza da sua expressão de alma.

         Essa não é, porém, bastas vezes, a linguagem da política e dos políticos.

         Poderia ter usado cartas, e outros documentos que possuo, e que talvez provassem como nascem os declives por onde resvalam os caminhos que conduzem a estes tristes desfechos.

         Não o fiz ; e não me arrependo.

         Só assim posso sentir que ganhei a minha causa.

         Compartilhei, com quem o quis, ou soube, entender os motivos porque entendia que a Quinta deveria viver. Falei da sua história. Da sua linda e rica e bela história.

         Citei pareceres de gente insuspeita.

         Recebeu esta causa apoios comoventes: escritores, professores, jornalistas e, muito principalmente de gente anónima cheia de coração e sensibilidade que não enjeitou juntar ao que pensava a coragem de o assumir publicamente.

         A todos, hoje, aqui, volto a agradecer. É com gente como vós que se faz o melhor que na vida acontece

         Lutei para que a Quinta se salvasse a si própria se Elvas a amasse como ela merecia e lhe quisesse BEM, como penso deveria querer-lhe...

         Contrapus valores morais a valores monetários, a interesses financeiros.      É evidente que aconteceu o que era previsível.

 Como também é evidente que não será por isso que deixarei de lutar sempre, que por convicção o entenda, pelos valores perenes que sustentam a riqueza do espírito.

         Eu luto por ideais – seja qual for o resultado.

         Vencer, para mim, é isso: - Ter a coragem de remar contra a maré se for esse o desígnio da minha consciência.

         Às vezes, pergunto-me que gosto terá um desfecho favorável para quem não olha a meios para atingir os seus fins!...e nem o consigo imaginar...graças a Deus!

        Seguirá, agora, a Quinta a sua sorte, agoirada e anunciada...

Lembro, que algumas vezes li na imprensa local advertências – até dos apoiantes desta solução pesadelo – para o cuidado a ter com o excesso de população que por ali se vai gerar. Deus queira, que pelo menos, essa precaução não soçobre, também, frente aos euros...

Quando, por formação e por temperamento, se evita contradizer seja quem for, e só se assumem posições contrárias a quem quer que seja – quando se entende que é dever nosso não nos acobardarmos porque estão em causa não os nossos interesses, mas os colectivos...

Atitude que em Democracia se chama cumprir os deveres de cidadania, nem sempre se recebe a compreensão devida.

Quebrei, há tempos, a onda de adulação que se gerou por aí, quando foram mascarradas a alcatrão as ruas das freguesias.

Fi-lo porque sabia errada tal decisão e porque vi chorar gente de idade que não tinha hipótese de dizer publicamente, como sofria com tal “inovação”

Hoje, volto a esse assunto para contar:

A Aldeia da Luz vai ficar submersa pelas águas da barragem do Alqueva.

         Vão ser valorizadas, como aldeias históricas, algumas povoações, aldeia da Estrela, por exemplo., dado que constituirão um importante complexo turístico.

Uma das primeiras iniciativas para cumprir esse propósito é ARRANCAR O ALCATRÃO E REPOR A CALÇADA NA SUA FORMA TRADICIONAL! RAZÕES: além de não ser o alcatrão um vizinho saudável (até o acusam, alguns, como ao tabaco, de ser cancerígeno) impermeabiliza os solos que não permitindo, então, o escoamento das águas pluviais tornam assim mais prováveis as inundações nas casas baixas.

Vide:RuadeAlcamim.                                                                      Acusar sistematicamente de estarem contra este ou aquele os que não se demitem de estar A FAVOR DO BEM COMUM -  é erro crasso.

Até do ponto de vista do emprego, é mais útil criar cursos de calceteiros, com trabalho garantido, do que tisnar num só dia ,as ruas de uma Freguesia inteira.

Porque ninguém, em muitos casos, pode acusar, quem tem opinião própria, de estar a defender qualquer espécie de regalias ou reformas; é sempre de boa prudência, o comedimento no que se diz...

APENAS USANDO O SEU INALIENÁVEL DIREITO À LIBERDADE DE PENSAR, DE SE EXPRESSSAR E INTERFERIR NA VIDA DAS SUAS COMUNIDADES. QUALQUER INDIVIDUO SE TORNA CIDADÃO DE DIREITO

Fazer de uma qualquer pessoa, especialmente quando das suas boas graças se depende, uma divindade é pobreza de espírito.

Quem nunca tem dúvidas e aceita ser divinizado – Sobra-lhe em vaidade o que lhe falta em consciência moral e cívica, e em humildade e sabedoria de vida.

O que será sempre lamentável pelos danos e vítimas que causa, é minha firme convicção.

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Maria José Rijo

 

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