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Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

O FORTE DA GRAÇA - Do Nascimento á Ruína VII

Retomando, hoje, uma vez mais o livro de Costigan – vale a pena chamar a atenção para a impiedosa lucidez com que se retratam os vícios, de que, já então, enfermava a nossa sociedade.

     A certo passo em conversa com uma personalidade portuguesa “Lord Freeman” pede para que lhe seja explicado: “o que é verdadeiramente um empenho porque não conhece em Inglaterra a palavra que lhe corresponde e: “gostaria de saber a sua verdadeira significação”.  

    A personalidade em questão, um cônsul, explica, e, depois de várias considerações, sintetiza assim:

    “Somente direi que são (os empenhos) pelo que julgo, motivo de uma decadência geral e impedem que toda e qualquer questão seja conduzida como deve ser”.

    Sendo embora que, ainda hoje, é quase sempre, esta a função do empenho e, mesmo tendo em conta que, neste livro quase só se reconhecem méritos aos ingleses, temos que concordar que nenhuma das nossas fraquezas, que o autor comparte generosamente com os espanhoes, deixou de ser escapelizada.

     Mas... voltemos aos artigos de F.A. Rodrigues Gusmão em 1881 in: “O Elvense”

 

     «Do cabedal que se despendeu com esta obra magnifica, nos deixou miúda informação a douta filha de quem a dirigiu, D. Maria Luiza de Valleré, em uma das suas notas ao Elogio Histórico de seu ilustre pae, o tenente general Guilherme Luiz António de Valleré, escrito sábio academico Francisco de Borja Garção Stockler.(14)

     Começou a construcção em Julho de 1763; até principio de 1777 custou 734,890,174 réis, desde o anno de 1778 até ao de 1792 custou 32,308,865 réis: total 767,199,039 réis”

 

III

 

                                           

            M. Valleré teve a satisfação de ouvir a el-rei D. José as mais graciosas palavras de aprovação, quando em Setembro de 1769 foi pessoalmente visitar o Forte de Lippe.

     Também visitou esta fortaleza o príncipe de Waldeck, reputado como um dos mais esclarecidos apreciadores de semelhantes construções; e não só a achou admirável, mas não duvidou conceitual-a, segundo Link affirma (15), como uma obra-prima de arquitectura militar, superior a tudo quanto elle tinha visto n’este género.

     Visitaram o Forte de Lippe os engenheiros franceses, empregados no serviço d’ Inglaterra, que acompanharam o general Stewart na inspecção das fortalezas, e reconhecimento das fronteiras de Portugal (16)»

 

     E, deles, passemos de novo a Costigan, para nos ficar pela leitura o testemunho de que, afinal, talvez não fosse assim muito ortodoxa a forma como se passavam informações – a estrangeiros – quando o Forte ainda não era visitável...

        Parece que “Lord Freeman” que não sabia o que era “empenho” – lhe gozou o proveito antes de aprender o significado da palavra...

 

     «Ao regressarmos do jantar em casa do governador, o Sr. de Valleré disse-nos que, visto não nos ter sido possível visitar o interior do Forte de Lippe, tão digno de ser por nos observado, queria-nos fazer esquecer esse dissabor o melhor que pudesse, e, assim, mostrou-nos, quando fomos a casa dele, todos os documentos que lhe diziam respeito, as suas elevações, secções e contornos, desde a grande cisterna à galeria que corre em redor, por, baixo do caminho coberto, as galeries d’écoute ou galerias de escuta, as oficinas destacadas e as ramificações das minas; a limpeza e carregamento das armas, feita tanto quanto possível no interior do monte, o processo de reparação sem delongas de barracas e parapeitos e de formação de novas baterias de tiro rápido; levantamento de armas no ângulos salientes, para assim poderem ser apontadas em qualquer direcção no momento de fazer fogo, com o processo de as descer para as carregar imediatamente depois; a eficácia das fábricas de pólvora para produzirem este explosivo em quantidade em qualquer emergência; os materiais guardados em armazéns prontos para uso, e muitos outros exemplos de engenho do conde de Lippe na construção e defesa desta importante fortaleza, única deste reino, segundo julgo, merecedora de tal nome.»

 

                      Maria José Rijo

 

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Linhas de Elvas

Nº 2.271 – 28-Outubro – 1994

Conversas Soltas

 

 

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