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Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

“ O Forte da Graça “- Do Nascimento à Ruína -I

 

É curioso – e simpático para mim, confesso, – reconhecer que muitas pessoas me oferecem apoio quanto ao que escrevo, fornecendo-me dados e pedindo-me que continue a falar do Forte da Graça e de outros assuntos da nossa Cidade, a que, num passado recente, estive particularmente ligada.

         A todos vos respondendo, que se Deus quiser, como posso e sei, modestamente, a meu jeito, o irei tentando.

         Ainda agora, um ilustre casal, que conviveu connosco – aquando do Dia Mundial da Música em 1987 – (como representantes do então I.P.P.C.) – em visita de saudade a “ Elvas, me fez chegar às mãos: - “Cartas sobre a Sociedade e os Costumes de Portugal 1778 – 1779 “.

         Trata-se de uma obra em dois volumes, bastante curiosa, cuja leitura, ao que parece, esteve muito em voga entre os viajantes da época em que foi dada a estampa e ajudou (até...) a formar uma certa imagem, não muito favorável, sobre a sociedade portuguesa de então.

            De qualquer modo, ela contém, múltiplas informações e referências sobre Elvas. Cita factos e personalidades destacadas desses tempos e refere muito em especial o Forte da Graça e Valleré, que, como se sabe, foi o oficial de engenharia que dirigiu a construção da obra do Conde de Lippe.

            Algumas apreciações foram posteriormente contestadas por Louise Valleré – sua filha – que as considerou falsas e injuriosas.

Cito:

            A filha de um oficial francês, o qual figura em várias páginas da obra, Louise de Valleré, num apêndice da sua edição bilingue do Elogio Histórico de Guillaume – Louis – Antoine de Valleré, por Garção Stocker (Paris, 1808) escreve o seguinte, referindo-se às cartas que constituem os Sketches:

            «Ninguém hoje ignora que o brigadeiro F... é o verdadeiro autor das sobreditas cartas, o qual pelo seu mau carácter moral e opiniões religiosas, foi constrangido a largar o comando de artilharia do Minho e a sair de Portugal, no primeiro ano do reinado de Sua Majestade que Deus guarde.

Este homem, para exalar o veneno que lhe roía o coração contra o governo e a nação portuguesa, dos quais se considerava ofendido, serviu-se de um nome suposto para merecer mais crença e soltar livremente as rédeas à sua maledicência, escrevendo um amontoado de calúnias e vitupérios contra a nação em geral, e, em particular, contra todos aqueles que tiveram a desgraça de serem dele conhecidos.

Finge pois dois ingleses de distinção viajando em Portugal e, nas conversações que os faz ter com diversas pessoas, não hesita um só momento em comprometer nomes respeitáveis, contanto que satisfaça a sua raiva e o desejo insaciável que tem de dizer mal, tendo a baixeza e infâmia de atribuir às pessoas, com quem supõe falar, o que somente escreveu a sua pena, sugerido pela sua imaginação.

Uma delas foi meu Pai, e por esta razão me propus mostrar a falsidade de tudo o que lhe fez dizer.

«Lembro-me muito bem do brigadeiro F... ter estado em Elvas, e ser aí hospedado por meu pai, que o recebeu com aquela afabilidade e franqueza que lhe eram naturais, e com que recebia todas as pessoas; duvido porém muito que ele lhe contasse alguns dos sucessos da sua vida, e, se o fez, o brigadeiro F... os alterou de maneira que posso afirmar não haver uma só verdade em toda a sua narração»

.

            Louise de Valleré publica a seguir ao apêndice uma carta do pai, datada de 1774, com que identifica o brigadeiro F... como sendo um oficial chamado Ferriere.

            Estas opiniões controversas, porém, não se afiguram, na minha opinião, suficientes para tirar o encanto aos relatos, escritos com uma elegância epistolar indiscutível.

            Apenas, nos farão, julgo eu, estar mais atentos para a crítica que Louise Valleré assim denúncia e nos obrigarão a reconhecer que, ao tempo já havia “ Turistas “ mal intencionados e maledicentes...

            É, porém, evidente que, mesmo com este peso de suspeições na consciência, não é sem um arrepio de curiosidade e prazer que se lê reportando-nos ao séc. XVIII – uma carta onde diz assim:

                                       “ Chegados a Elvas... “

                              

            Mas, este relato, ficará para outra vez, se Deus quiser.

            Por hoje – quedo-me por aqui – confessando de novo que lamento a falta de sensibilidade e visão, que permite pensar que não tenha cotação para o Turismo de hoje – o que – por outras razões, obviamente, já era altamente cotada no séc. XVIII.

Que não se associe ao Forte todo o dramatismo que na sua história comporta – desde a ida dos soldados, prisioneiros, que cuidavam do aprovisionamento de água carregando às costas os pesados barris, em fila indiana até à Fonte do Marechal”(quando a Fortaleza já fora adaptada a Presídio Militar) e à recolha dum verdadeiro cancioneiro popular, a ele ligado, que o enquadrava na vivência de um doloroso quotidiano de que foi testemunha passiva.

“ Maldito Forte da Graça

escola de deserdados

cemitério de homens vivos

debaixo do chão enterrados ...“

 

 

Tinham razão, os meus distintos Amigos quando diziam que as Câmaras deviam ter o “ pelouro da imaginação “ – só que eu não resisto a acrescentar: os governos, sim! Precisavam de tal ministério.

.

                     Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.265 – 16/ Setembro / 1994

Conversas Soltas

 

 

 

 

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