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Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

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Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

O Forte da Graça- Do Nascimento à ruína – XIII

No “Guia de Portugal” editado em 1927 – Raúll Proença – abria a sua referência à cidade de Elvas com alguns dados – hoje curiosas efemérides que tem interesse referir:

            * ELVAS (1)

 

            Hotéis (medíocres).

            Central (R. do Tenente Valadim, 1);

            Ribeiro (R. dos Sapateiros, 21).

            Automóveis José Leonardo.

            Trem de aluguer. Elvino Lopes (Largo do Colégio) J. Maria da Silva

            Cafés e Restaurantes.

           Internacional – (R. da Cadeia);

            Eduardo Santos – (R. da Cadeia).

            Correio e Telegrafo: L. de S. Martinho.

            Teatros – Elvense

            Praça de Touros

            Clubes – Elvense

            Sociedades desportivas – Glória futebol Clube – Sport Clube

            Pessoa mais conhecedora da terra – António Torres de Carvalho (director da Biblioteca e Museu)

            Bilh. post. ilus. Havaneza ( R. da Carreira nº 33).

            Ilum. públ. Electricidade

            Águas. Calcárias

            Desc. sem. Domingos (barbearias às 3ças feiras)

            Dia feriado – 14 de Janeiro

            Feiras – 3º domingo de Maio (exposição de gados); - 20 a 23 de Setembro (feira de S. Mateus e romaria do Senhor Jesus da Piedade, com a afamada procissão dos Pendões)

            Especialidades locais: Ameixas doces, azeitonas, carnes ensacadas.

            Fábricas de conservas de: - frutas, tomate, pimentão, etc;

            Moagem a vapor.

            Delegação da SPP.

 

            Refere o Aqueduto com uma citação que mais parece um recado para nós …

            «Várias gerações sucessivas –- escreve Ramalho Ortigão --  acarretaram para esta construção os materiais; e lentamente, pacientemente, foram colocando pedra sobre pedra, para que um dia a água chegasse a Elvas, e bebessem dela os netos dos netos daqueles que de tão longe principiaram a recolhê-la e a canalizá-la. Uma tal empresa é a humilhação e a vergonha do nosso tempo, incapaz de pagar com igual carinho ao futuro aquilo que deve à previdência, aos sacrifícios e aos desvelos do passado»

 

            Sobre o FORTE com a aparente simplicidade de que só é capaz um escritor de qualidade – conta:

            O Forte da Graça (mon. nac.), delineado pelo conde de Lippe em 1762, foi construído de 1763 – 92 sob a direcção do engenheiro francês Etienne e do general Valleré, elevando-se as despesas da construção a 767 contos.

            O forte é construído por um quadrado de 150m. de lado, tendo no centro um reduto circular com três ordens de baterias acasamatadas. «O forte declive das esplanadas, a grande altura da muralha do revestimento da escarpa e contra-escarpa, as galerias seteiradas concorrem para preservar o forte de qualquer ataque imprevisto» (para mais pormenores, cf. Rodrigues de Gusmão,in O Elvense, nºs 37 e 38, 1881)

            Do terraço (388m de alt). Magnífico panorama, cheio de austeridade e grandeza. A. Este., divisa-se a serra de Albuquerque, as estradas para Portalegre, Campo Maior e Badajoz, assim como estas duas últimas pov., e mais para e esquerda. A Penha e a serra de S Mamede. ao S. a serra de Olivença, - a  estrada que leva a esta vila espanhola, que no horizonte se vê branquejar, o Guadiana, a  casaria de Elvas, a serra da Falcata, Monsaraz, a estrada de Vila Boim, e mais próximo os arcos do  Aqueduto, o padrão das linhas de  Elvas e a ermida de  Santo Amaro.

            A Oeste, finalmente, as estradas para Barbacena e Monforte, e a serra da Malafa, onde os franceses colocaram as suas peças para bater Elvas e o forte da Graça. Os campos, muito cultivados desse lado, com terras dum vermelho vivo, são cobertos de olivedos e de searas.

            O forte tem servido várias vezes de prisão política, tendo ali morrido prisioneiro em 1832, o tenente-general conde de Subserra.

            ( 1 ) Para este Forte, de onde se  desfruta de tão vasta panorâmica,  vale a pena acrescentar que se entra por uma porta exterior designada por: Porta do Dragão.

Assim chamada por ser encimada por uma moldura com a figura do monstro mitológico em alto-relevo, tendo a envolvê-la dispostas com simetria peças de artilharia e outros instrumentos de guerra esculpidos em pedra.

 

            Na porta interior, existe um conjunto escultórico formado pelas armas nacionais cercadas por ornatos em estilo D. João V e ladeadas por duas panóplias.

            Por debaixo, numa grande lápide de mármore está gravada uma inscrição em latim que assim se traduz:

                   D.José I, Rei de Portugal

           D. JOSÉ I, AUGUSTO INVICTO, PIO, PARA IMPEDIR A ENTRADA DOS INIMIGOS NA PROVÍNCIA, SOB A DIRECÇÃO DE GUILHERME CONDE DE LIPPE, MARECHAL-GENERAL DO EXÉRCITO PORTUGUÊS, E DE SEBASTIÂO JOSÉ DE CARVALHO E MELO, PRIMEIRO CONSELHEIRO E MINISTRO, FUNDOU ESTE FORTE E O MUNINCIOU COMPLETAMENTE, ANO DE 1776

 

Implícito, está nesta memória, o orgulho da obra construída.

            Talvez um dia, o tempo a apague e ela seja esquecida de vez …

            Ou… talvez, quem sabe! … “Acordemos” com um olhar novo para o património que nos cabe defender e, em nós, desperte vivo o brio de sermos os legítimos sucessores de quem escreveu com grandes feitos e obras a História de Portugal de que estamos a dar testemunho tão descuidamente.

           

(1) Dados colhidos em “O Forte da Graça” por Domingos Lavadinho.

                        Maria José Rijo

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.277 – 9-Dezembrio- 1994

Conversas Soltas

 

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