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Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

António Sardinha (1888-1925)

Ao morrer, nos arredores de Elvas, em 1925, com 37 anos incompletos (nascera em Monforte do Alentejo em 1888), António Maria de Sousa Sardinha, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, era unanimemente considerado, no contexto político do Portugal de então, o mais sério adversário das ideias e das instituições republicanas, o mais alto expoente do pensamento contra-revolucionário, o mais acérrimo defensor de uma restauração monárquica de tipo legitimista.

Principal teorizador do Integralismo Lusitano, dirigiu a revista Nação Portuguesa, órgão central do movimento, e publicou várias obras de doutrina política e de investigação histórica – entre as quais se destacam: O Valor da Raça (1915), A Questão Ibérica (1916), Ao Princípio era o Verbo (1924) -, além de  ter deixado inéditas muitas  outras que só postumamente  foram publicadas, como : Ao Ritmo da Ampulheta (1925), Na Feira dos Mitos (1926), À Sombra dos Pórticos (1927), De Vita et Moribus (1931), Glossário dos Tempos (1942), À Lareira de Castelos (1944).

Mas não menos representativas do seu talento são as obras poéticas em que também exprimiu, num registo ora lírico ora epopeico, e informando pelos mesmos pressupostos ideológicos, a mesma  crença nos valores da tradição, o mesmo arreigado amor ao  torrão transtagano e à terra da pátria. De tais obras salientam-se: A Epopeia da Planície (1915), Quando as Nascentes Despertam (1921), Na corte da Saudade (1922), Chuva da Tarde (1923) e – esta já de publicação póstuma – Roubo de Europa (1931).

Independentemente do aplauso que mereçam ou não as suas ideias naquilo que têm de absoluto ou de radical (e, sob tais formas, nenhum suscitam no

organizador desta antologia), o certo é que não podem pôr-se em dúvidas a inteligência e a sensibilidade de António Sardinha, a coragem das suas opções e a limpidez do seu portuguesismo.

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David Mourão-Ferreira

In Portugal A Terra e o Homem

10 de Junho 1979 – “posterior ao 25 de Abril”

 

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Publicado no

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.272 – 9 – Novembro de 1994