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Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

O FORTE DA GRAÇA” -“Do Nascimento à Ruína III

Quando na sexta-feira 23 despi o “impermeável” ao “Linhas de Elvas” e encarei os títulos de capa – ao ver, na síntese, uma chamada ao artigo de José Sanches Fava, sobre o Forte – confesso que me nasceu um sorriso de conforto.

             Folheei o jornal, de imediato, procurando-o e dizendo para comigo: – até que enfim, Elvas!

             Na verdade, tenho feito da insistência a minha arma para não deixar morrer este assunto e “provocar” aqueles que, sabem e podem entrar na defesa do Património da Cidade, para que o façam.

          Não basta a palmadinha nas costas, o telefonema de aplauso.

          Não! Não basta!

          Necessário; é isto:

           A coragem de assumir o que se pensa e fazer da palavra a bandeira que se hasteia na luta por princípios, convicções e fé no que nos cabe respeitar e defender.

         As Pedras adustas dos Fortes e Muralhas da nossa terra – só têm uma voz! – a voz das suas gentes.

        Que ela não emudeça, em nome dum comodismo fácil, é um imperativo da história.

        Mas... voltemos ao Forte, na época em que crescia em beleza e imponência, implantado lá no alto, como ninho de águias, para dele se perscrutar o horizonte até ao limite do olhar e se preverem ameaças acautelando estratégias, antecipando defesas ou ataques...

   Nessa altura, em Santa Luzia acontecia assim:

 

   (...) No dia seguinte fomos para a esplanada, á hora marcada. O primeiro regimento da guarnição encontrava-se na praça e esperava o governador; os uniformes eram novos e ficavam bem: azuis, forrados de encarnado, com gola branca e adornos cor de laranja, casaco branco e calções amarelos. O modelo, segundo parece, foi feito ao gosto do Conde de Lippe. Pouco depois apareceu o governador, precedido por todos os oficiais em serviço na cidade, a cavalo; ele próprio montado num belo e fogoso corcel, com um selim trabalhado que se erguia seis polegadas para a frente acima do assento e outro tanto para trás, o xairel bordado e

guarnecido com longas franjas de ouro; seguiam-no dois criados também montados, que conduziam dois cavalos á mão com o xairel igualmente bordado e com brasão, o qual figurava também na manga esquerda de cada um dos criados; levavam eles uma grande capa com as cores da libré, blasonada, na frente do selim. Quando o governador se aproximou da linha, apresentaram-lhe armas, rufaram os tambores e as bandeiras desfraldaram-se ao vento; seguiu-se o exercício e as manobras foram executadas com bastante ordem.

   O governador regressou em seguida a casa com a mesma pompa com que viera, e nós fomos observar os arredores e as cercanias do Forte de Santa Luzia e de Lippe. É espantoso, dissemos nós a Valleré, que não tenhais, num país como este, melhor exército do mundo; estais no melhor dos climas e não tendes a combater os elementos a que estamos expostos nos países do Norte; os vossos homens, pelo que me dizeis, são bem vestidos e bem pagos; o que impede, pois, que corra tudo como deve de ser? – Ah! Senhores, respondeu aquele militar, ouvistes já alguma vez falar de um exército sem oficiais, e poderia até existir um só regimento, uma só companhia sem os ter? Mas deixemos esse assunto por agora. Tenho hoje para jantar o governador e os principais oficiais da guarnição, e devo preparar-me para os receber. Antes da vossa partida, espero, todavia, dar resposta a todas as questões por vós levantadas até aqui; mas primeiro há que atender ao mais urgente! Após isto, voltamos para a guarnição (...)

 

       Para que suplantando o mito, nos fique com nitidez o recorte do militar e do homem que indelevelmente está ligado à nossa Cidade e à história do nosso País.

       Da mesma fonte – (As cartas de Costigan se transcreve, também, esta nota biográfica.

 

(...) O Conde de Lippe (Frederico Guilherme, conde de Schaumburg-Lippe) nasceu em Londres, onde então residia seu pai, em 1724, e morreu no seu condado de Schaumburg-Lippe em 1777.

Estudou na Holanda e em França e passou seguidamente a estar ao serviço de Inglaterra. Foi indicado pelo rei Jorge II para reorganizar o exército português por ocasião da guerra de 1762, sendo nomeado por D. José marechal-general e director-geral de todas as armas. Pelos serviços prestados, o rei português presenteou-o com seis canhões de ouro, tendo as armas do conde gravadas, pesando cada um, trinta arráteis e montados em carretas de ébano chapeadas de prata, com o seu retrato cercado de diamantes; com uma condecoração da Ordem da Águia Negra (de que o conde era cavaleiro), também de diamantes; com um par de fivelas de sapatos e de calções igualmente de diamantes. Foi o total do presente avaliado em quatrocentos mil francos. Depois da morte do conde, os canhões foram transformados em moedas.

 

    Apenas, como remate, um desabafo bem à alentejana:

    -Oh, minha terra!

    - Oh minha mãe!

   Terás alguma vez outro preço que não seja um entranhado AMOR por ti?

           Não acredito!

.                         

                              Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.267 – de – 30 - Set.-1994

Conversas Soltas

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Fotos do Blog-- http://olhares-meus.blogspot.com/

 

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