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Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Câmara insensível à Cultura?

Um dos muitos inconvenientes da Democracia, quanto a nós, é a autoridade que ela confere às multidões, neste caso ao eleitorado que, por vezes, pouco esclarecido, a outorga a qualquer um através do voto.

Assim, o Poder passa a ser exercido por delegacia em pessoas que nem sempre são as mais indicadas para o exercer.

É toda a força dos partidos com o oportunismo das suas clientelas.

Isto a nível dos governos e também das Autarquias, estas ultimamente férteis em fornecer grandes “Manchetes” aos meios da Comunicação, por coisas que acontecem e que não deviam acontecer.

Na nossa, pela aposta do seu Presidente num falso progresso, uma coisa parece que vai acontece.

É o “crime” do loteamento da Quinta do Bispo, património cultural da cidade de Elvas, onde o insigne escritor e pensador que foi António Sardinha que escreveu toda a sua obra, que se pode considerar um autêntico monumental da Cultura Lusíada.

O “Literato”, como teimosamente insiste em chamar-lhe Presidente, é hoje parte integrante da literatura nacional e, a alguns, até superou.

A “esta Elvas” como ele amorosamente lhe chamava, parecem estar reservadas grandes surpresas, pela acção deste executivo cujo conceito de progresso atinge a sua máxima expressão apenas nas flores de cimento armado.

O reino do betão, que apenas serve os interesses de uma nova vaga da alta finança agora surgida em Portugal, não pode nem deve atropelar o primado do espírito, da inteligência, da cultura e de todos os valores históricos de qualquer País.

Lotear a Quinta do Bispo, o mesmo é dizer que a construção se irá prolongar em toda aquela zona até ao Santuário do Senhor Jesus da Piedade que, a breve trecho, se verá também rodeado de imponentes edifícios e até, quem sabe, por mais alguma unidade hoteleira.

Na nossa autarquia não haverá um vereador(a) do pelouro da cultura, que tenha uma palavra a dizer sobre o assunto?

Será por incompetência, o que deve ser o caso, ou não passará de mais uma “marionette” nas mãos do Presidente?

Ou nos enganamos muito ou a nossa Câmara está a ser governada com poderes discricionários.

É que o Socialismo e a Democracia pressupõem um certo respeito pela liberdade dos outros na defesa dos princípios e dos valores em que acreditam.

Se assim não for este tipo de Democracia está fielmente retratado na definição de um grande pensador francês quando lhe chama o “Património da Mediocridade”.

O presidente do actual executivo tem que repensar bem a ideia do loteamento da Quinta do Bispo, porque ali continua presente a memória desse grande vulto das letras nacionais, que foi António Sardinha.

O polémico assunto, que já no tempo do executivo de João Carpinteiro tinha sido apresentado pelo actual proprietário da Quinta, ouviu um rotundo “não”, para preservar valores que devem estar muito acima dos míseros interesses particulares.

Nobre atitude por parte de uma autarquia que continua a ser acusada de incúria por tudo o que se relacione com Elvas.

A última é a afirmação no esclarecimento feito pelo chefe do executivo a essa grande Senhora que é a D. Maria José Rijo e que tem sido uma intemerata defensora daquele espaço para o qual, a sua grande sensibilidade, deseja outro destino que não seja o de uma sementeira de tijolos a dois, a três ou a quatro pisos.

Dizia o referido comunicado que o actual executivo veio encontrar as muralhas e outros monumentos num estado de devastação como o que foi deixado pelas invasões Francesas.

Face a este exagero também podemos fazer, se nos é permitido, uma comparação histórica.

Se as coisas continuarem assim, com toda esta dinâmica de progresso (?) atropelando certos valores, este executivo corre o risco de imitar o cavalo de Átila, Rei dos Hunos, que segundo reza a lenda, onde pisava jamais crescia erva.

Por tudo isto somos forçados a criar aqui um grande pensamento, dele masmo, António Sardinha, inserto nas páginas brilhantes de uma das suas obras, quando se referia a certos acontecimentos da época: “Sofremos uma estiagem de personalidades – sufoca-se debaixo de uma nuvem de medíocres aparatosos”.

Parece que eles ainda continuam por aí, para perpetuar a espécie.

 

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Jornal Linhas de Elvas

11-Novembro- 1994

 

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