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Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Mulher de armas salva a Biblioteca de Elvas

Se não fosse a acção decisiva de uma verdadeira mulher de armas, actualmente vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal

 

de Elvas, a Biblioteca local continuaria entregue aos bichos.

Durante vários anos todo o espólio daquela casa de cultura, composta

por 80 mil volumes, 20 mil manuscritos valiosos, além de 2 mil obras

musicais dos séculos XVIII e XIX, correram o risco de se

 transformarem em serradura.

Felizmente que fim tão trágico como prosaico não tiveram obras únicas como o cancioneiro “Públia Hortênsia” manuscrito

do século XVI, ou a

“Nobreza de Portugal”, trabalho raro de Duarte Lobo

remontando ao

Século XVIII, mas o mesmo não se pode dizer de dezenas e

Dezenas de volumes e manuscritos, como a “Histoire Generále 

dês Voyages”, com os quais a praga de formiga branca se banqueteou alarvemente.

Tratou-se de um crime contra a cultura, principalmente

devido ao factoda Biblioteca Municipal de Elvas,

em face do valor do seu espólio,

Continuar sendo a terceira do País, o que toma a intervenção de

Maria José Rijo, assim se chama a decidida vereadora, ainda digna

dos maiores louvores

Teve de ser Maria José Rijo, com o total apoio do actual presidente da Edelidade, a meter mãos à obra e salvar um património cuja importância talvez os anteriores responsáveis autárquicos, por certo mais sensibilizados pela política do que pela cultura, nem sequer descortinavam.

 

Fomos a Elvas investigar como um desastre nacional esteve à beira de suceder e, a nosso pedido, a vereadora Maria José Rijo não só nos mostrou as provas evidentes de tal desastre como nos contou peripécias rocambolescas que, felizmente, terminaram com o salvamento da Biblioteca Municipal de Elvas a 10 de Junho de 1880, em festiva cerimónia, com as ruas engalanadas e tapetes de flores, mas cujo funeral esteve até marcado para pouco depois do seu centenário…

 

A Biblioteca estava num estado lastimoso

O actual presidente, antes da campanha, pediu a Maria José Rijo para, caso viesse a ser eleito, aceitar o pelouro da Cultura por existirem graves problemas nesse campo que o preocupavam muito, assim como a uma série de pessoas responsáveis da cidade de Elvas.

-- Aconteceu que ele foi eleito, eu vim com ele e coube-me o pelouro da Cultura. Cheguei aqui, à Biblioteca e deparei com uma situação ainda muito pior do que nós podíamos, porventura, ter suposto – garantiu a nossa entrevistada.

 

Segundo Maria José Rijo, a Biblioteca Municipal de Elvas estava sem desinfestação havia já dez anos e, por mais incrível que pareça, o chão de madeira em lugar de ser encerado era lavadas duas ou três vezes por semana. Contra as mais elementares regras, mantendo um clima de humidade propício à propagação de fungos e outras pragas que atacavam os livros.

 

Recheadas de preciosidades provenientes de antigas bibliotecas conventuais, entre as quais se contam as dos mosteiros de Portalegre, o seu interior era um verdadeiro património,

conforme a vereadora lembra:

-- Podemos garantir que os livros encontravam-se aos montes, pelo chão. Talvez mais de 8 mil exemplares nem sequer possuíam registo, não se podendo chamar biblioteca a um desarrumado armazém.

O problema era grave e a solução exigia verba vultuosa, tornando-a quase inviável pois a Câmara herdara imensas dividas e problemas ainda por resolver, problemas prementes e prioritários, como a falta de habitação e saneamento básico no concelho.

Por isso Maria José Rijo recorda:

-- não era fácil a uma câmara, altamente endividada, colocar a defesa deste património em primeiro lugar, pois ficaria em confronto com a realidade dos problemas das populações, as quais têm dificuldades prementes, mas também era urgente salvar a biblioteca, já que todos nós tínhamos consciência dos valores culturais que aqui estavam em perigo.

 

Tentaram salvar o que foi possível

A nossa interlocutora  manifestou-se convencida de que a Biblioteca Municipal de Elvas, mesmo apesar dos últimos anos de atribuição, possui mais interesse do que a Biblioteca do Porto ou a de Coimbra, garante pelas riquezas insuspeitas, vindas à luz do dia com o trabalho de organização que nela se leva a efeito, apresentando um largo campo para a actividade dos investigadores.

Na verdade, para além de manuscritos valiosíssimos em número desusado, foi recebendo ofertas de particulares cada vez mais consideráveis e em 1892 o seu inventário já registava 6.942 volumes.

Entre as doações mais importantes destacamos:

-- A do folclorista elvense António Tomás Pires, com 970 volumes.

-- A do Dr. João Henriques Tierno, com 3.013 volumes

E a mais valiosa, composta por 12.602 volumes, feita pelo erudito bibliófilo António Torres de Carvalho, esta em 1934.

Não é, pois, sem razão que a vereadora da cultura realçou:

-- Por uma questão de dignidade e amor próprio, pois os elvenses merecem muito mais do que o estado da sua biblioteca e demonstrava, o senhor presidente e eu fomos de opinião que a Câmara se devia empenhar em fazer tudo quanto fosse possível para mostrar o seu respeito por este património, até porque se trata de um património não só de Elvas mas nacional, não sendo erro considerá-lo património universal.

Assim, tentaram iniciar, com grande esforço, uma obra em várias fases durante a qual, primeiro, salvaram o que se podia salvar e, em segundo lugar, passaram à fase da arrumação.

O que nos foi dado ver, em resultado da primeira fase, a de salvamento, é simultaneamente revoltante e consolador. Revoltante porque são muitas dezenas de livros raros e centenas de manuscritos semidevorados pela formiga branca mas consolador porque foram restaurados dentro das possibilidades e são, agora, um símbolo do que não deve acontecer outra vez.

..

 

O soalho cedeu e descobriu-se a praga

 

Procedeu-se, então, a desinfestações periódicas para controlar a praga,

mas Maria José Rijo  confessa ter tido, sempre, a consciência de faltar um trabalho de fundo, só que não era fácil fazê-lo dentro da desorganização

em que a biblioteca ainda se encontrava.

--Como mão-de-obra, fomos ajudados por raparigas estudantes, da Ocupação dos Tempos Livres. Dezasseis jovens permanentemente, e com

elas prosseguimos um trabalho de rigor.

 

Certo dia, a vereadora detectou algumas tábuas do

soalho que cediam e,

Mandando investigar, descobriu o grande foco de

formiga branca. Se não

Atacassem o mal por esta raiz todo o trabalho de

arrumação, catalogação

e pequenas desinfestações iria passar à categoria de inutilidade.

Só que uma desinfestação ao nível agora requerido custava algumas

centenas de contos, importância volumosa para uma Edilidade em situação

financeira difícil.

-- Telefonámos, então, para Lisboa, para

o Instituto Português do

Património Cultural, mas já o fizemos numa

posição diferente porque

Tínhamos demonstrado o nosso interesse e o nosso

respeito por um

Património que recebêramos absolutamente devastado –

prosseguiu a nossa entrevistada no seu relato.

Deslocaram-se a Elvas técnicos que se aperceberam

da gravidade do

Problema e da dignidade da atitude, tornando-se

sensíveis à situação,

Podendo dizer-se que se inventaram os 500 contos necessários

à Desinfestação salvadora.

 

Panos quentes ou solução drástica

 

No entanto, o relatório dos especialistas acabou por ser dramático,

após análise da situação no próprio local.

Ao emitir parecer foram peremptórios: ou se fazia uma pequena

Desinfestação e, durante 5 ou 6 anos, não teriam problemas salvando-se

a chamada honra do convento, ou havia que ir arranjar

coragem para

retirar cerca de 100 mil volumes do lugar, arrancar tudo

e salvar não o

“convento” mas a própria biblioteca por algumas dezenas de anos

No dia em que recebeu semelhante parecer, Maria José Rijo

foi para casa

e não conseguiu dormir mas, como a noite é boa conselheira, no dia

seguinte, conforme contou:

-- Avistei-me com o presidente, apresentei-lhe a situação muito

claramente e a sua resposta foi: “Vá para a frente”.

Assim sendo, cheguei aqui e assumi essa obra, com todo o apoio

da Câmara. Tirámos dezenas de milhares de livros,

tirámos as estantes

das paredes, arrancámos o soalho, desinfestou-se

tudo e substituímos o

soalho, que era de madeira, por tijoleira.

No final, os livros voltaram aos seus sítios quase sem erro.

A biblioteca encontrava-se, pelo menos, controlada e

a partir de agora

a atitude pode e deve ser outra: torná-la actuante,

fazê-la entrar na

vida da cidade.

 

E nos olhos calmos mas determinados da actual

vereadora da Cultura

perpassa um certo brilho de paz pelo dever cumprido,

por se ter evitado

que a terceira biblioteca do País fosse por água abaixo,

digerida por bichos incultos mas devoradores.

 

Fazer a biblioteca entrar na cidade 

Fazer entrar a Biblioteca Municipal de Elvas na vida da cidade,

de uma cidade que, embora da província, conserva grandes

tradições culturais, é o próximo objectivo.

Para isso Maria José Rijo, coadjuvada pelo Dr. Alberto de Oliveira Marinho, actual bibliotecário e arquivista, já tem um plano que começou a levar a cabo o ano passado, consistindo no atrair à biblioteca a população

local, a pretexto de palestras sobre os clássicos universais, já que se realizaram em Elvas as celebrações do Dia Mundial da Música.

--No ano passado de 1988 vamos continuar com a segunda fase desse programa, nas desta feita só com músicos portugueses. Também pensamos iniciar um outro programa com o tema “um livro de cada vez”, nos mesmos moldes

Adianta, realçando que existe na cidade uma equipa de professores interessada em tratar da iniciativa.

As crianças e a sua necessidade de cultura são temas que não

foram descurados por Maria José Rijo, tendo-se criado, para elas, um espaço onde

terão lápis e papéis à sua disposição e onde, após ouvirem um conto infantil, poderão desenhar sobre o tema da história que escutaram.

Não vão faltar, também nesse espaço as crianças, espectáculos de marionetas e uma escola de pintura, para alegria de quem a frequentar e

desespero da formiga branca, totalmente derrotada.

Ao fim e ao cabo, fazer com que a Biblioteca Municipal de Elvas funcione não como uma casa onde se vai a medo, nos bicos dos pés, mas entrando na vida do dia da cidade como o prolongamento da casa de cada um.

-- Como ninguém pode ter em sua casa, esta riqueza de livros, todas as pessoas podem vir aqui usufruir deste tesouro. Ler os jornais, consultar o “Diário da República”, estudar, investigar, conversar sobre livros e provocar até o convívio tendo como

base a leitura.

Convida a vereadora.

 

Sem tomar obrigatório o cartão de leitor, a politica de cultura da renascida biblioteca é a de facilitar o contacto com o livro e mesmo as raridades bibliográficas podem ser consultadas.

Quanto aos investigadores, têm eles ali um paraíso ainda por descobrir e para isso os alertamos, principalmente para a grande quantidade de manuscritos existentes, os quais poderão ser analisados desde que na presença de um funcionário, como é normal em qualquer biblioteca do Mundo.

É caso para dizer que a formiga branca perdeu mais um combate.

 

Texto de à Victor Mendanha

Fotos deà Madeira Marques

3 de Janeiro de 1988

Jornal Correio da Manhã

 

Obras de Eurico Gama

O Forte da Graça. História e descrição, 1929

Gente Alentejana, Capitão Augusto Tello, escrito e e combatente da Grande Guerra. 1932

Memórias de um actor- amador. Aníbal Velês (em oito números do Correio Elvense). 1936

2º Centenário da romaria do Senhor Jesus da Piedade. 1937.

Um cruzeiro notável – A Cruz de Galindo (sec. XV). (Em oito Nºs do “Correio Elvense”

O Iº De Dezembro de 1640 – Elvas 1937

Luis de Camões – 1937

Cortes de Amor – Jogos Florais Luso- Espanhóis Separata do Jornal de Elvas – Elvas, 1938 IIª Salão de Arte Alentejana Em Elvas Em colaboração com Nunes Ramos e Azinhal Abelho.

Bibliografia Elvense, A notável obra editorial de António José Torres de Carvalho. 1941

Mala-Posta

Boletim do (grupo dos Amigos de Elvas – De colaboração com Azinhal Abelho e Guilherme Pinhol – Elvas 1945.

Manuscritos e outros documentos da Biblioteca Municipal de Elvas.

I-1945 – II1948

Roteiro topográfico da cidade de Elvas. (Em 28 números do “Jornal De Elvas) 1947 A Dialectologia Alentejana (Nótulas criticas e bibliográficas).

(No nº 65 da Revista de Portugal – Série A- Língua Portuguesa) 1948

Roteiro Turístico de Elvas – Elvas 1948

Santa Eulália, “ Flor” do Alto Alentejo 1948

Crónica de Viagem da Rainha - Mãe de Portugal, Dona Maria Vitória de Bourbon, a Espanha, no Outubro de 1777

Separata da revista “Ocidente”, Lisboa MCMLII

A Santa Casa Da Misericórdia de Elvas – MCMLIV

Duas Imagens de Nossa Senhora dos Mártires – MCMLV

Breve Notícia Da Diocese De Elvas com uma relação completa dos Bispos que a Governaram

As Cortes de Elvas em 1361

Separata do Boletim da Junta de Província do Alto Alentejo – 1956

(já publicada no Jornal “ A Voz” de Lisboa

Os Pregões de Elvas – com sete Estampas e 33 músicas dos Pregões – 1954

Jornalismo Campomaiorense – MCMLVI

À sombra do aqueduto – estudos elvenses

Que engloba vários fascículos, quer da autoria de Eurico, quer de outros autores

De Eurico: - Roteiro antigo de Elvas – 1ª e 2ª. Séries

Estudos Elvenses – A Vida Quotidiana em Elvas

Durante o cerco e a Batalha das “ Linhas De Elvas”

Crónicas de Odiana

Comezainas e gulodices

Catálogo dos Ex-Libris da Biblioteca Municipal de Elvas

Roteiro Antigo de Elvas III – série em 1972

António Sardinha

(páginas esquecidas e achegas para a sua biografia)

Procissões de outrora em Elvas – separata de Arqueologia e História

9ª Série das publicações. Volume II

Colhendo Em Estranha Seara – separata da Revista de Portugal – Série A: - Língua portuguesa – Volume XXIX – Lisboa, 1964

O SENHOR JESUS DA PIEDADE DE ELVAS – 1972

AZULEJARIA ELVENSE – 1974 (?) reeditado em 1985

--------

Não tenho a pretensão de ter, com esta mostra, esgotado a citação de tudo que sobre Elvas Eurico produziu ou editou.

O meu convívio com Eurico começou quando ele escreveu para um jornal de Lisboa – uma carta falando sobre Elvas, que encabeçou com a adversativa “Mas”. Então meu marido e eu vivíamos nas Caldas da Rainha.

Com este jeito de reagir a tudo quanto me pareça injustiça, e porque achei dura a crítica, também concorri dizendo: Eurico disse mas, eu venho para dizer: -Se... e rebati o que me parecia excessivo.

Eurico ganhou o prémio da semana, e, eu o da “minha” semana e, depois o do mês.

Então, Eurico, felicitou-me, “multou-me” num presente de “cavacas”, que lhe enviei e, ofereceu-me um exemplar de cada uma das suas obras, que ainda possuía, porque na sua maioria dada a importância que têm como documentos históricos que são – estão esgotadas. Ficamos então muito amigos, a tal ponto que sua viuva havia de - por meu intermédio – confiar à Câmara presidida pelo Dr. João Carpinteiro a execução do seu último pedido:

Dar á sua cidade de Elvas todo o seu espólio. NA CONDIÇÃO ÚNICA de que ficasse numa sala com o seu nome, que na medida do possível evocasse a modéstia do seu quotidiano em que o seu único luxo era estudar, investigar e render preito aos grandes Elvenses que o antecederam nesse mesmo culto - Elvas

Na Sala Eurico Gama havia exemplares de todas as 1ªs edições das suas obras.

Sobre a sua secretária, pousados sobre a página aberta do último livro que lera, os óculos, como era seu costume deixar. Na parede o calendário parado no tempo, marcava o mês da sua partida.

As estantes estavam á altura da sua mão. Eurico era deficiente físico.

Era no seu conjunto a reprodução fiel, autêntica, do mundo de um Homem que tinha Elvas como o maior interesse da sua vida.

Logo que esta Câmara tomou posse a Senhora Drª Elsa – anunciou que o serviço da biblioteca não era prioritário e, desmantelou-o

A Sala Públia Hortênsia começou a servir para actividades políticas e, tal como na Quinta do Bispo a degradação foi minando tudo.

Ergue-se então a figura humana e sensata da Drª Vitória Branco que aceita dissabores e injustiças, mas começa uma luta difícil para salvar a biblioteca... o que consegue.

Procede-se então à obra que está à vista de todos, mas, como sempre os louros não são ela a colhe-los.

E, para que não se altere a marcha vitoriosa das tropas, como nas invasões francesas, faz-se terra queimada do passado.

Nem se repara que se desrespeitam os heróis na sanha de apagar os nomes dos soldados fiéis.

 

Maria José Rijo

 

Postal D. Maria Amélia Gama

 

4 de Julho de 1984

Minha amiga

Bem haja por ter recordado o meu marido,

na sua crónica de Junho, mês de tantas e

dolorosas recordações, para mim...

Que as minhas palavras despertem nos mais

jovens o desejo de conhecerem as obras de

Eurico Gama, que ele escreveu com o coração

cheio de Amor e entusiasmo pela sua cidade natal.

Que eles continuem a entusiasmar-se por tudo quanto

possa engrandecer a cultura na nossa terra, isto é,

continuarem a obra que tão cedo foi interrompida...

Cumprimentos para o seu marido

e um afectuoso abraço

da amiga

Maria Amélia Gama

 

EURICO GAMA - na Enciclopédia

 

Para quem desconhece ou não se lembra,

O nome de EURICO GAMA faz parte da

Enciclopédia Luso Brasileira de Cultura.

 

GAMA (Eurico Garcia Miranda)

Publicista port. (n. Elvas, 11.6.1913).

Prof. do ensino secundário, tem-se dedicado ao jornalismo, colaborando em diversos jornais, nomeadamente no Jornal de Elvas, de que foi director.

É actualmente (1969), director da Biblioteca e conservador do Museu de Elvas.

Pertence à Associação dos Arqueólogos Portugueses e à Academia Portuguesa de Ex-libris.

Colaborador da VELBC.

OBRAS PRINC.:

-- Crónica da Viagem da Rainha Dona Mariana Vitória a Madrid em 1777, Lx., 1952;

-- Os Pregões de Elvas , Lx., 1954;

-- A Santa Casa da Misericórdia de Elvas, C., 1955

-- Duas Imagens de Nossa Senhora dos Mártires, C., 1955

-- As cortes de Elvas em 1361, Év., 1959

-- Gil Fernandes, Alcaide-mor Elvas, Lx., 1961

-- Roteiro Antigo de Elvas, I e II séries, Elvas, 1963 e 1964,

-- Catálogo dos Pergaminhos do Arquivo Municipal de Elvas, C., 1963;

-- O Senhor Jesus da Piedade de Elvas, monografia de Elvas, 1965;

-- Cartas de Leite de Vasconcelos e António Tomás Pires, Lx., 1965;

-- Comezainas e Gulodices, Elvas, 1966

 ...

Vol 9

Pág 115

Verbo

Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura

 

Passaram por esta Biblioteca

 Passaram por esta Biblioteca em 4 anos

deste mandato dúzias de jóvens que à sombra

das árvores, no Verão, limpavam livros.

Foram:

A.T.D. - P.O.C. - O.T.J. - O.T.L.

etc...etc...

Alegraram o ambiente.

Colaboraram.

Fizeram trabalho válido.

Duas vezes foram limpos

um a um todos os livros.

Permanecem nos seus lugares:

O Bibliotecário arquivista - Dr. Alberto Marinho -

dirigiu o trabalho de fichas e catalogação

Manuel Branca - encadernador

Cila -- a simpática

José Marante -- colaborador eficiente

Lúcia -- (a Tímida) eficiente e calada

Glória -- outra preciosa colaboradora

Florinda -- também técnica de BAD por mérito próprio

e vontade política da Câmara que patrocinou o

curso e criou o lugar.

Leandro -- Um menino grande - generoso

e bem educado que dá gosto proteger

Mariana

Ester

Mariana e Ester

são duas senhoras de brio que se

orgulham do apuro da Biblioteca

como se fora sua própria casa.

Ana do Carmo - a sensível

 Ângela

Ana do Carmo e Ângela

são duas técnicas de BAD.

A Ângela deve a sua promoção profissional

a esta Câmara que lhe proporcionou os

meios de se libertar da condição de tarefeira

que era havia  6 anos.

 ..

Maria José Rijo

A Inauguração da Sala do escritor Eurico Gama

 

Dona Maria Amélia Gama

e Maria José Rijo

Dr. Pires Antunes

e Maria José Rijo

Dr. Pires Antunes está comovido

porque foi ele que fez o agradecimento

à Câmara em nome de sua irmã,

viuva do escritor.

Velhos Amigos

Dr. Pires Antunes,

cunhado de Eurico Gama

D. Maria Rosa Celestino da Silva Cidrais

e Maria José Rijo

Entraram as visitas

Aqui o Pintor António Cadete

e Dona Maria José Caldeira de Carvalho

Neste canto reconstituiu-se

o escritório do Escritor.

Eram de sua casa as

estantes, os adornos,

a secretária.

Sobre ela estão os óculos

de Eurico Gama na

página aberta do

último livro que leu.

.

Maria José Rijo

Inauguração da Sala Eurico Gama

 Dona Maria Amélia Gama

 O mandato tinha seis meses.

Cumpria-se a promessa feita.

Inaugurava-se a

Sala Eurico Gama.

Começa a cerimónia com uma

sessão Solene na Sala Nobre

- A Públia Hortensia .

Quatro crianças,

alunas do Dr. Zagalo

liam trabalho seu, orientado

por esse senhor Professor,

sobre a vida e obra de Eurico Gama.

O Sr. Presidente da Câmara

Dr. João Carpinteiro faz a entrega da chave

da nova sala à Sra. Dona Maria Amélia Gama

viúva do escritor.

 Ela abre a porta.

A Rosinha Cidrais, amiga de todas as horas

nesta cruzada de correr contra o tempo

para cumprir o prometido, observa atenta.

Eurico Gama

deixara à cidade de Elvas cerca de

6.000 volumes

- toda a sua biblioteca -

Falecera havia 9 anos e,

por inércia a cidade estava privada

de tão valioso património.

.

Maria José Rijo

 

 

 

A Sala Eurico Gama

Era assim:

Antes de 1986

Foi desta desordem que nasceu a sala

Eurico Gama

que se mostra em baixo.

A estante onde se lê

Biblioteca Maria Amélia

separa-a da sala de Arquivo.

O Bibliotecário - Dr. Marinho

orienta duas O.T.J.

na arrumação de um ficheiro

 Eurico Gama que fora

Director da Biblioteca Municipal de Elvas

legou por testamento a sua

biblioteca particular

de 6.000 Volumes à

Biblioteca da sua cidade de Elvas

ao falecer

em 5 de Junho de 1977

 Sala Eurico Gama

Onde se reconstituiu o ambiente familiar

do escritor.

Para o conseguir sua viuva a

Senhora Dona Maria Amélia Gama

ofereceu o mobiliário que a compunha:

secretária, cadeira, estantes.

 Longos anos aguardou a cidade

que se criasse espaço para receber

o precioso legado.

Em 11 de Junho de 1986

data do nascimento de Eurico Gama

abriu-se a sala ao público.

Eurico nascera em 1913 e falecera a

5 de Junho de 1977

em Portalegre.

.

Pouco tempo antes de falecer, ainda

era Elvas e Só Elvas  a sua preocupação,

quando confidênciava a sua mulher

"A vida é tão curta e eu tinha ainda tanto que fazer".

-

9 anos depois da sua morte

fazia-se finalmente à memória

de Eurico a merecida justiça!

.

Maria José Rijo