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Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Adenda...

10 - D. Jerónimo Soares

11 - D. Bento de Beja

12  - D. António Pereira da Silva

13 - D. Tr. Pedro de Lencastre

 

15 - D. João de Sousa de Castello Branco

16 - D. Pedro de Vilas Boas

17 - D. Baltazar de Tavira e Villas Boas

18 - D. Lourenço de Lancastre

19 - D. João Teixeira de Carvalho

20 - D. Fr. Diogo de Jezuz Jardim

21 - D. Jozé da Costa Torres

22 - D. Joze Joaquim da Cunha Azevedo Coutinho

23 - D. Fr. Joaquim de Menezes e Ataíde

24 - D. Fr. Angelo de Nossa Senhora da Boa Morte

Noticia - no Diário do Sul

 

Diário do Sul

Regional

Terça-feira – 5 de Agosto de 2008

 

UM CASO LAMENTÁVEL:

O órgão da Sé de Elvas

 

Em Elvas, e ao que nos contou o Dr. Artur Goulard, o assunto é diferente e mesmo escandaloso. A história é assim: há vinte anos foi acordado com determinado organeiro proceder-se ao restauro do instrumento da Sé de Elvas. Acertou-se o custo e o técnico desmontou tudo

 

o interior do órgão levando consigo as diversas componentes destinadas à reparação e substituição. Só que posteriormente o artífice veio exigir um novo preço, situação que foi rejeitada pelo então IPPAR, que colocou o assunto em Tribunal. A pendência manteve-se na justiça até ao veredicto ser pronunciado há dois anos, e dando razão ao IPPAR.

Depois disso nada mais se soube. Apenas que a caixa do órgão em Elvas continua vazia despojada dos seus pertences, e nada transpirou acerca do ponto da situação; do que é feito dos materiais levados da cidade raiana, e se o trabalho de recuperação virá ou não a ser feito.

Um mistério.

 

Nota final

 

O Órgão, foi entregue ao Organeiro Senhor António Simões de Condeixa-a-nova em: 17 de Agosto de 1988

Contacto telefónico na época – 039-942119

A comissão de Defesa e Recuperação dos Órgãos Portugueses – sob cuja responsabilidade o trabalho seria

efectuado dependia do Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico que estava sob a direcção da

Sr.ª. Dr.ª. Nidia Maria Correia – segundo as informações que foi possível recolher.

A Aquisição do Orgão...

…………

E a cidade e Elvas já se poderia ufanar de ter contribuído para a história da nossa música erguendo ao alto o precioso livro das FLORES DE MÚSICA Capade Manuel Rodrigues Coelho. Mas verdade seja que não ficou por aqui.

 

Organizada a vida da diocese em 1572, como já ficou dito a música passou a ter em Elvas a existência efectiva quer na prática diária do canto do Ofício das Horas Canónicas por

                      Noa

 parte do Cabido, quer no ensino que competia ao Mestre de Capela em cujas funções encontramos a obrigação de andar “ alguns caminhos” procurando dentro e fora dos muros da cidade, os moços que mostrassem aptidões para poderem ser ensinados na arte da música.

            

Assim nos 310 anos de Bispado a vida cultural em Elvas floresceu e todos os quadrantes, como se depreende pelos relatos da época.

Pode até afirmar-se sem sombra de exagero que a decadência da importância da cidade começa com a extinção infligida por

               Sebastião José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras e Marquês de Pombal

 Pombal ao mandar encerrar em 1759 todos os colégios de ensino médio entre os quais o de Elvas, que funcionava onde

 

é hoje a Biblioteca Municipal, com a expulsão dos padres da Companhia de Jesus, e rematada com a extinção do seu bispado em 1882.

 

 O Órgão da Sé, em questão, foi o último que para ela foi adquirido.

 Foi promotor da sua aquisição o Exº e Reverendíssimo Senhor Dom Lourenço de Lancastre – Bispo de Elvas – corria o ano de 1769.

 

A Catedral de Elvas...

Neste passo a história de Elvas, para lá das glórias militares que lhe enfeitam o nome de festões coloridos e a revestem de capelas violáceas, encontra-se com outros motivos que lhe suavizam os graves aspectos bélicos.

 A Catedral de Elvas é agora o pólo de atracção da Diocese. Todos os dias, a horas fixas consoante o tempo, o Cabido faz ouvir o canto da salmodia do Ofício Divino ao som dos órgãos tangidos por mestres de arte. Nos Domingos e dias solenes ouve-se a Capela dos Cantores cantando a polifonia do tempo sob a direcção do respectivo Mestre.

E a antiga Matriz da cidade, agora transformada em Sé Catedral, construída por Mestre Francisco Arruda em tempos del-Rei D. Manuel, regurgita de elvenses que ali acorrem levados pela novidade do clima artístico que era apanágio de todas as Sés Catedrais.

Entretanto sucedem-se os bispos, mudaram os serviçais e a vida da Catedral manteve como lhe competia, a sua vida específica até à extinção do bispado em 1882. Foram exactamente, 310 anos, após os quais, tudo foi esquecido, tudo foi abandonado como se, de facto, nada tivesse acontecido em Elvas nos domínios da arte da música”

São célebres e internacionalmente admiradas e conhecidas as obras do Padre Manuel Rodrigues Coelho que se afirmava elvense de nascimento no frontispício do seu livro – Flores de Música  Capa impressas em 1620 do qual constam 133 composições escritas para órgão ou harpa.

 

O que simboliza o Órgão da Sé de Elvas

Vou usar “a lição” do Senhor Cónego Alegria ao falar sobre a história da música em Elvas, para se entender ainda melhor, para além do valor real, o que simboliza o Órgão da Sé de Elvas, como património cultural, - até – do nosso País.

.

Passo a citar alguns excertos da sua notável palestra:

                       

“…com efeito, (esta) história de Elvas… começa em 1513 com o alvará concedido pelo Rei D. Manuel I, outorgando-lhe o título de cidade, título que implica automaticamente, por direito e, por vontade do Soberano, a promoção de Elvas a sede de bispado.

 

…….. Em 1571 foi, finalmente proposto para primeiro Bispo de Elvas D. António Mendes de Carvalho, sagrado na igreja de S. Vicente de Fora em Lisboa.

Fora em Lisboa, no terceiro domingo de Setembro de 1571.

O novo bispo não era um clérigo vulgar; fizera estudos em Paris e ensinara na Universidade de Coimbra. Entretanto nesta cidade competia-lhe organizar o seu bispado nos moldes de todos os outros da Cristandade

….Nesses tempos, era preocupação essencial e imediata, fornecer a Sé Catedral dos meios humanos e económicos para lhe dar independência suficiente para que a liturgia pudesse alcançar a solenidade prescrita pelas rubricas dos respectivos livros aprovados pela Autoridade de Roma. Para o conseguir faziam-se articulados legais obrigando as Capelas, assim como o artista que serviria a igreja.

Tudo foi feito exemplarmente por D. António Mendes de Carvalho e esses suplementos, felizmente, chegaram intactos aos nossos dias como normas que disciplinaram toda a actividade da nova Sé de Elvas.

Desejava-se o restauro do Órgão da Sé - Porquê?

Desejava-se o restauro do Órgão da Sé - Porquê?

Na época o mandato decorria sob o reconhecimento e valorização da cultura na formação do individuo e enobrecimento da sociedade, tentando despertar a Cidade para a recuperação de valores patrimoniais que pudessem restaurar “velhos” e importantes tradições da história local – tais como os concertos de órgão – e relembrar a importância que Elvas tivera no campo musical principalmente nos séculos XVI e XVII.

Tínhamos - até – emoldurado e posto na parede da sala de leitura o texto de Sophia de Mello Breyner Andersen

 

A cultura também é higiene, defesa do ambiente, defesa da Natureza. E, também as boas maneiras, a forma de pronunciar as palavras a forma de construir e habitar a cidade ou a aldeia, a forma de cultivar os campos, a forma de entender o trabalho. E, também a consciência da história e a consciência dos problemas e das possibilidades do presente.

Não é apenas a atenção que damos à luz, ao ar, à terra, à água, ás outras pessoas! O apoio às mulheres grávidas e à primeira infância, a recuperação e a integração dos deficientes são obrigações sociais mas são também actos criadores que definem a consciência cultural de uma sociedade.

 

Tendo pois que fazer escolha entre os órgãos das igrejas da cidade, ao ser beneficiado apenas um – teria de ser escolhido o precioso exemplar que a Sé possui.