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Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

AINDA O FORTE DA GRAÇA

Realmente o meu propósito hoje, nesta conversa solta, é ainda falar sobre o Forte da Graça.

Acontece que me recordei de ter tido conhecimento (quando se aventou a hipótese da sua desactivação, julgo que aí por 89, 90?) de uma sugestão para aproveitamento do Forte, adaptando-se a Museu – feita pelo Coronel Nuno Valdez dos Santos.

Mais! Pelo General Themudo Barata foi, ao tempo, nomeada uma Comissão encarregada de estudar o assunto.

Dela faziam parte o Brigadeiro Lemos dos Santos, do Museu Militar, o Coronel Santos Reis, Dir. Serv. Histórico e um Oficial do Serv. Histórico e um Oficial do Serviço de Fortificações e Obras Militares. A comissão apresentou um relatório favorável à criação no Forte da Graça do “Museu da Arquitectura Militar”.

Do despacho final nada sei. Aceito poder haver algum lapso ou troca nos nomes que cito, dada a distância no tempo e as circunstâncias da minha vida particular que me afastaram destas e de outras preocupações com a vida da Cidade.

Agora porém, estes acontecimentos recentes impuseram-se-me de tal modo que o que parecia definitivamente esquecido se tornou presente.

Assim, calha-me, hoje, tornar públicos estes factos de que quase não me lembrava e que provocam como no meio militar houve – graças a Deus – quem tivesse sido sensível ao duvidoso destino que poderia ameaçar a Fortaleza e tivesse tido o cuidado e o sentido de Estado de prever para ela aproveitamento compatível com a sua grandeza e valor histórico.

Honra lhes seja!

Nesta altura em que se quer desdizer o que indesmentivelmente está escrito no Diário da República – apetece também reafirmar, e nunca se repetirá à saciedade – que o povo não é tolo nem facilmente manipulavel – pois que, por ancestralidade, tem a intuição aguda da importância das coisas que sabe, aprendidas a fundo na universidade da vida.

Também parece oportuno falar como “achega para valorizar a peça de leilão” que o culto dos antigos deuses da Lusitânia foi muito praticada por estas terras de Elvas.

                        

CITO ANTÓNIA SARDINHA:

 

“ Ó Endovélico, ó menino antigo,

  que esta paisagem adorou temente,

  os horizontes ainda estão contigo,

  alembram-se de ti saudosamente.

 

  Pedem ao Céu perdão p’ra teu castigo,

  Ó pensativo, ó meigo adolescente.

  Acharam em Jesus um doce abrigo,

  Querem que tu o aches igualmente. “

 

Para acréscimo vamos a “Religiões da Lusitânia” de J. Leite de Vasconcelos onde depois de tomarmos consciência da importância do culto ao Deus Endovélico sabermos também onde havia santuários para o culto da deusa Atégina…

Ora… diz a lenda? Que o santuário de Atégina era precisamente onde para enterrar essas marcas pagãs logo após a conquista de Elvas por D. Sancho se estabeleceram os pregadores que fundaram o tal convento de S. Domingos…

Que o convento lá existiu – conta Ayres Varela.

Que a bisavó de Vasco da Gama sobre as suas ruínas mandou construir a capela em louvor de Nossa Senhora da Graça também é verdade histórica…

Do resto – quem se interessar que investigue…

De qualquer modo, assim como os fantasmas valorizam os castelos ingleses – pode ser que ajude a um bom preço esta auréola de deuses e mitos que coroa a nobre fortaleza situada como se diz no “Santuário Mariano”:

                          

“ Meya legoa fora da cidade de Elvas, se vê o Santuário e casa de Nossa Senhora da Graça situada em huma fragosa montanha, formada de penediais, de antigamente intratável por espessura de matoa; mas hoje aberta e cultivada. He esta casa da Senhora muyto antiga, e alguns querem que tivesse princípio, pouco depois que a Cidade de Elvas foy tomada aos Mouros, que foy pelos annos 1.200, a segunda vez que a tomou D. Sancho II outros querem, que esta casa a edificasse Catharina Mendes, Senhora Illustre, que casou em Elvas com Estação Vaz da Gama, do qual ficou viúva sendo de dezoito annos. Viveo sempre em Elvas, e muytos annos, com grande exemplo  de virtude , e honestidade. Com a sua muyta virtude, e grande devoção que teve a Nossa Senhora, lhe edificou a Ermida de Nossa Senhora da Graça, de que agora tratamos; e se ella já havia sido erecta, a reedificou, e fez novamente, e tomou della o Padroado.”

 

Foi este o Santuário que o Forte envolveu e abraçou…

É este “mundo” que vai à praça!!!

 

                           Maria José Rijo

@@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.261 – 12- Agosto – 1994

Conversas Soltas