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Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Cartas ao DIRECTOR

A ETA, o IRA, o fundamentalismo islâmico ou outros, não costumam publicitar previamente os seus atentados. Daí a impossibilidade de prevenir os graves custos humanos e materiais que provocam.

Se o fizerem e, pesar disso, ninguém erguesse um dedo para os evitar, tal inércia cúmplice seria tão culposo como o atentado em si mesmo.

A notícia de que Elvas está em risco de ser vitimada por um duplo atentado, não pode deixar-nos indiferentes.

Duplo atentado porque simultaneamente fere o Património Cultural histórico e literário da cidade, e o seu Património Ecológico.

A destruição da Quinta do Bispo, vendida a retalho para uma discutível urbanização, leva a interrogarmo-nos sobre a legitimidade de Portugal pertencer a uma Comunidade constituída por países europeus que respeitam com intransigência todos os seus valores culturais e ambientais.

É que não chega ser-se beneficiário das avultadas verbas comunitárias; é preciso saber merecê-las por um comportamento próprio de país civilizado.

Com que hipocrisia continuará a comemorar nas escolas o Dia da Árvore depois de termos destruídos os belos espaços verdes de que podíamos disfrutar?

Onde a justiça de censurar ou castigar as crianças pela destruição de bens públicos ou privados, se os adultos responsáveis se arrogam esse direito?

E nada revolta tanto os jovens como a incoerência dos mais velhos quando se proclamam defensores de princípios que renegam na prática, sempre que lhes convém.

“Alentejo não tem sombra senão a que vem do céu…”, entoa-se em jeito de lamento nos corais da província.

Se até as sombras seculares da Quinta do Bispo, sombras visíveis de frondoso arvoredo e sombras do Passado da História e da língua Portuguesa forem varridas por um vento ciclónico meramente utilitário cuja velocidade se mede em cifrões, que refrigério lhe resta?

Compare-se com este, o caso de Serralves, na cidade do Porto, onde se salvaguardou a casa e o parque, e ainda sobrou espaço para uma experiência feliz de pequenas hortas pedagógicas, à semelhança do que já há muito se faz na Suécia e na Finlândia.

Ousamos confiar.

 

Maria Isabel de Mendonça Soares

 

Jornal linhas de Elvas

11-Novembro-2008