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Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

RUA DOS FALCATOS

“…Na segunda metade do séc XVIII o povo passou a denominá-la “Rua dos Falcatos”  por ter ali a sua casa de residência o Dr. Francisco José da Silveira Falcato – casa onde, segundo a tradição foi escrito o poema herói-cómico “O Hissope”

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O HYSSOPE

 

 

Como surgiu o poema heróico-cómico

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Vários motivos impeliram António Diniz da Cruz e Silva, poeta parnaseado à composição do poema do HYSSOPE.

 

1º - a instigação de alguns amigos seus de Elvas, com quem conversava todas as noites em casa de seu vizinho António Caetano Falcato, a meio

da rua que  por tal motivo entra na toponímia da cidade – os quais rindo  da grande questão entre o Bispo e o Deão, questão que tinha Elvas dividida – trouxeram-lhe à memória uma outra da mesma índole que serviu de assunto ao Lutrin de Boileau .

        

 2º - O despique da indiferença, para não dizer desprezo, com que António Siniz da Cruz e Silva era tratado pelo Bispo, que taxando-o  de “Literato” não fazia do seu merecimento grande apreço, o que de justiça lhe devia merecer, nem o chamava, por isso aos solenes jantares para que costumava convidar as outras importantes pessoas da cidade incluindo todos os que na comarca  administravam justiça, juiz, etc.

 

3º - A aversão do Bispo a António Diniz da Cruz e Silva pode ter sido originada por este ter procedido contra actos em que o Bispo incorria e que usurpavam a Jurisdição Real.

 

4º - O poeta que o Bispo desprezava deve ter posto a nú, com coragem, actos que representavam menos respeito praticados pelo Bispo contra a justiça secular.

 

5º - O Hyssope surge, pois como um desagravo, dos tertulianos de Elvas, reunidos habitualmente, na casa de António Caetano Falcato. O poeta ditava e o anfitrião escrevia. E assim gastavam as noites compridas de Elvas, bem acompanhados:

“Ordena que lhe tragam prontamente do bom vinho de Borba três garrafas”.

 

6º - Finda a noite o manuscrito fica abandonado, na mesa com as garrafas vazias. Os outros participantes da tertúlia copiam, para recordação, partes do poema que é assim difundido, em manuscrito. Essas cópias ainda hoje são um problema para os eruditos que as estudam, pois o poema difunde-se na Europa culta com traduções em todas as línguas.

 

7º - Se fosse pedida uma definição para esta obra, diria: “Camões, cantou a gesta dos portugueses, António Diniz da Cruz e Silva, no Hyssope cantou para o mundo culto … o Bispo, e a espantosa guerra que o Hyssope excitou na Igreja d’Elvas”.

De leitura tão bela como o poema de Camões.

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.                B.N.N.F

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.274 – 18 – XI -- 1994

 

 

“FORTE DA GRAÇA” - Do Nascimento à Ruína IV

Vamos lá ver se não perco o fio ao discurso no meio da profusão de referências ao Forte que já acumulei.

Vou tentar arrumar ideias, resumindo: - Um oficial chamado Ferriere, foi constrangido a largar o comando do regimento que chefiava e saiu de Portugal.

Considerando-se, por tal, ultrajado, dá largas ao seu ressentimento editando, mais tarde, sob o nome de Costigan (?) cartas em que retrata de forma impiedosa a sociedade portuguesa do séc. XVIII e onde destila o seu rancor. Inventa, para tal, dois personagens - ingleses de condição distinta – viajando em Portugal com o intuito de tomarem contacto com as defesas militares da nossa fronteira terrestre.

            Nessas cartas atribuem-se a Valleré(o construtor do Forte de Lippe) – que ao tempo vivia em Elvas e que, aliás, é descrito de forma respeitosa: (“era um homem de certa idade, mas activo, ágil e vigoroso, alto, magro, bem firme nas suas pernas como a maior parte dos franceses”) – confidências sobre aventuras pessoais....

Louise de Valleré, sua filha, vem a tomar conhecimento disso e, sentindo-se revoltada pelo que considera desvirtuar a imagem de seu pai, desmente e lança a dúvida sobre a identidade do autor da obra, que, ora, tenho em mãos e estou a repartir com quem me lê.

Costigan existiu ou esconde apenas o “tal” oficial Ferriere?

Sim?- Não?

Duvida-se, mas admite-se.

Qualquer das hipóteses não altera a má imagem que sobre Portugal e os portugueses o livro transmite e veiculou como opinião na época, embora – como também se reconhece – nos ofereça uma profusão enorme de pormenores sobre costumes e factos até da nossa história local.

O que não permite dúvidas é que Valleré com o Governador da Praça, o bispo D. Lourenço de Lencastre e o deão D. João Carlos de Lara (as 2 figuras inspiradoras de “O Hissope” davam o tom à sociedade de então, aqui na nossa terra.

Mas... lá iremos!

Para que “o tal referido rancor” não distorça a história e possamos conservar a ponta da meada – vamos reportar-nos a F.A. Rodrigues Gusmão in: “O Elvense de 1881- Memória Histórica sobre o Forte de Lippe”.

Assim saberemos porque se ergueu o Forte e - porquê – viviam entre nós tantos oficiais estrangeiros.

“Corria o anno de 1761, a 15 de Agosto celebrou-se entre o rei  christianissimo e o rei cathólico  o Pacto de Família, a que el-rei D. José não quiz adherir.(1)

Permanecendo fiel á alliança ingleza, correu todos os riscos da guerra, que no anno seguinte declararam a Portugal a França e a Espanha. (2)

Mal preparados estavamos nós então para resistir e tão formidaveis inimigos. Não tinhamos exército; as praças achavam-se demolidas, os arsenaes desprovidos; quarenta e oito annos de paz haviam-nos amortecido os antigos brios, e, quando os despertasse o patriotismo, careciamos de quem os soubesse aproveitar e dirigir. (3)

            Começou a campanha de 1762 debaixo da direcção do conde de Oriol a barão de Alvito; por intervenção porem, de Jorge II, de Inglaterra, encarregou-se de commandar os exércitos alliados, portuguez e inglez, o conde Guilherme de Schaumburg Lippe, sendo elevado a feld-marechal do inglez, e a marechal general do português. (4)

             Compunham-se os exércitos de nove mil homens de tropas nacionaes pouco disciplinadas, e de seis mil ingleses que obedeciam de mau grado. E tinham em frente quarenta mil espanhoes commadados pelo conde d`Aranha, com officiaes experimentados nas guerras d`Itália, além de um corpo auxiliar de dose batalhões francezes ás ordens do príncipe de Beauvau.(5)

              Com tal desproporção de forças era indispensável, que a estratégia supprisse a deficiência das portuguezas e inglezas.

               O marechal general conde Lippe achou o theatro da guerra já estabelecido na província da Beira; viu-se, por isso, obrigado a cogitar não de um plano geral de defeza, ou de uma primitiva disposição militar de nossas forças, que, influindo sobre – determinação das primeiras operações do inimigo, nos facilitasse a possibilidade de correr promptamente a atalhar o seu progresso por qualquer parte, por onde pertencesse invadir-nos, mas sim de um plano o mais próprio para impedir, que elle chegasse a effectuar a conquista do reino pelo caminho que tinha escolhido. (6)

    E foram tão sabiamente combinadas as suas operações, que não só atalhou o progresso do inimigo com maior damno seu do que nosso (7), mas até o obrigou a desistir do seu começado ataque, e a evacuar a maior parte da província, e a variar o seu projecto de conquista. (8)

 

     “Tu, pequeno Marão, foste a barreira,

         Onde confuso, com eterna injuria,

       Da arrogante carreira

       O hispânico leão quebrou a fúria. (9)

 

            Por modo tão feliz como inesperado terminou este anno a campanha, assignando-se a 10 de Fevereiro do seguinte, o tratado de paz, entre França, Portugal e Espanha. (10)”

 

             Não me conto perder, se Deus quiser, dos pormenores pitorescos do livro de Costigan, da importância da “Quinta do Bispo” no património cultural de Elvas etc, etc...

            Mas, por agora, vamos olhar os fundamentos reais, os “alicerces” que a história mandou que fossem cavados neste chão da nossa terra...

             Esta terra arável que o sol do Estio queima, mas se mostra em flor em cada nova Primavera cantando em cores a sua generosa fecundidade…

 

                       Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº- 2.268 --- 7 / Out / 1994

Conversas Soltas

 

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Fotos retiradas da Internet