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Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

Ficou escrito...

Sei para onde vou @ pela ansia de galgar a distância @ de onde estou @ para o que não sou @ *** Maria José Rijo @@@@ Sonhos em que acreditei -- causas que defendi

História rocambolesca de um códice precioso

 

"Ao Senhor João Joaquim D'Andrade

Guarde Deus muitos anos.

Cónego prebendado na Sé d'Elvas,

Cavaleiro professo da ordem de

Cristo, secretário do Ex.mo Sr. Bispo

Inquisidor geral, etc, Rio de Janeiro."

Irmão do que foi vigário capitular da

Diocese de Elvas

(Cónego António Joaquim Epifanio de Andrade),

nasceu em 1790, e faleceu em 1859.

O "Cancioneiro de Elvas" era  propriedade sua.

Através dos seus herdeiros é que veio

parar à nossa Biblioteca Municipal.

CANCIONEIRO DE ELVAS

Foi o Musicólogo MANUEL JOAQUIM quem,

PRIMEIRO, intuiu o seu valor  e estudou o

códice, que, em 1928, descobriu na

Biblioteca de Elvas.

Conservava ainda vestígios de encadernação

do séc. XVIII e, na lombada, a inscrição:

"ROMANCES DE J.J.D'A"

Só em 1940, cerca de doze anos depois, é que

pode dedicar-se ao estudo aprofundado da obra

tão preciosa. Subsidiado pelo Instituto para a

alta cultura, fez sair a lume

"O CANCIONEIRO MUSICAL E POÉTICO
DA BIBLIOTECA PÚBLIA HORTÊNSIA

com prólogo, transcrição e notas de

Manuel Joaquim

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O códice “Públia Hortênsia”, repositório manuscrito de música e canções do séc. XVI, cujo autor é desconhecido mas constitui uma das raridades bibliográficas da Biblioteca Municipal de Elvas

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ENTRE o invulgar espólio da Biblioteca Municipal de Elvas destaca-se um códice preciosíssimo, do séc. XVI, contemporâneo de Garcia de Resende pelo qual os intelectuais daquela cidade nutrem um grande afecto.

Trata-se de um repositório manuscrito de música e canções populares, em castelhano e português, cujo autor é desconhecido, mas isso não impediu de o baptizarem com o nome de “Públia Hortênsia”.

Tivemos o interessante códice nas nossas mãos e sobre ele nos falou o Dr. Alberto de Oliveira Marinho, o actual bibliotecário e arquivista daquela casa de cultura.

Segundo este investigador, o códice chegou ao poder da biblioteca incluído nos 12.602 exemplares da doação que António José Torres de Carvalho fez à Câmara local, dos quais cerca de 6 mil tinham sido pertença do Dr. Francisco de Paula Santa Clara, seu tio, que crismara esta colecção com o nome de Biblioteca Públia Hortênsia.

Públia Hortênsia foi o nome de uma portuguesa do séc. XVI, cuja fama de teóloga e filósofa saltou as nossas fronteiras e, assim, acabou por ser baptizado o códice seiscentista.

Já fazendo parte do episódio da Biblioteca Municipal de Elvas, o códice era um ilustre desconhecido e foi o primeiro-tenente Manuel Joaquim, ainda na primeira metade do presente século, quem suspeitou do seu valor, por se tratar de um musicólogo insigne.

O primeiro-tenente Manuel Joaquim teve de se ausentar de Elvas e, por certo, para que o livro manuscrito não corresse o risco de “perder-se” no enorme espólio, guardou-o numa gaveta da biblioteca.

Passados anos, quando regressou à cidade, foi encontrá-lo no mesmo sítio onde o guardara e iniciou um estudo mais aturado, estudo esse  que culminou com a publicação de uma edição em parte fac-similada e em parte transcrita, com a música original passada para música actual.

Mas antes de ter pertencido à colecção bibliográfica do Dr. Francisco de Paula Santa Clara, por onde estaria este maravilhoso códice?

Segundo pistas com grande possibilidade de serem as mais correctas, o códice “Públia Hortênsia” chegou a estar no Brasil, aquando das invasões napoleónicas, com a corte de D. João VI.

Com a corte regressou, também, para Portugal na posse  de um cónego de nome Joaquim Andrade, o qual veio a ser cónego da Sé Catedral de Elvas.

Através de herdeiros foi parar às mãos do Dr. Francisco de Paula Santa Clara, destas para as do sobrinho, António Torres de Carvalho, o doador.

Mas tanto o Dr. Marinho como a vereadora da Cultura, Maria José Rijo, foram unânimes em salientar que a descoberta se deve ao primeiro-tenente Manuel José que, se não fosse ele a aperceber-se do valor do manuscrito que lhe fora parar às mãos, este eventualmente ter-se-ia perdido.

 

Jornal Correio da Manhã

Texto de Victor Mendanha

Fotos de Madeira Marques

3 de Janeiro de 1988

 

 

 

Sala Publia Hortênsia de Castro

 

A esta bela sala se restaurou o tecto;

o chão que levou dias a raspar

para ser libertado do "Dabri" .

Arranjaram-se as estantes,

compôs-se com cortinados

e se enriqueceu com um piano

que veio do "velho" clube  Elvense.

"Públia Hortênsia "

é o nome que esta bela sala ostenta

em letras gravadas numa placa de

mármore sobre a sua porta de entrada

a que aí dá a mesma designação

.

Maria José Rijo